Histórias, Relógios

HISTÓRIAS | Os relógios de Wimbledon

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Em Londres — O torneio de ténis de Wimbledon é um dos mais prestigiados eventos desportivos do planeta… senão mesmo o mais famoso. Realizado pela primeira vez em 1877, conheceu este ano a sua 129ª edição e, apesar de o patrocínio da Rolex fazer com que a marca da coroa surja de modo quase omnipresente no All England Club, houve outras marcas relojoeiras em destaque no pulso de jogadores e de treinadores – e nós próprios fizemos questão de tirar alguns wristshots na Catedral do Ténis.

Primus Inter Pares: são quatro, os torneios do Grand Slam que constituem simultaneamente os grandes pilares da modalidade… mas há um que reconhecidamente se aceita como o mais prestigiado evento tenístico do mundo. Wimbledon joga-se desde 1877 e, apesar de tanto o Open dos Estados Unidos, como Roland Garros ou o Open da Austrália também apresentarem uma história secular, nenhum tem a veleidade de se comparar à prova realizada no sudoeste de Londres. Não é por acaso que o All England Lawn Tennis Club é encarado como a Catedral do Ténis – em nenhum outro local se vive a modalidade como uma experiência religiosa.

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A Rolex associou-se ao torneio de Wimbledon em 1978 e desde então a parceria conta-se entre as mais longas na história do patrocínio desportivo – e é, sobretudo, uma parceria perfeita na sua essência e de elevado pedigree atendendo ao estatuto de ambas as partes. O vetusto Centre Court de Wimbledon não tem quaisquer menções publicitárias, à exceção de dois ou três discretos logótipos – sendo um deles o da Rolex, que surge no painel que mostra o resultado desde o final da década de 70. Ao longo do recinto é possível encontrar relógios Rolex de parede, sempre elegantemente inseridos no cenário, seja no meio das heras que ‘vestem’ as paredes, seja em locais estratégicos. Uma coroa que celebra a realeza do ténis.

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E porque Wimbledon e a Rolex terão sempre o mesmo fuso horário, aproveitámos para passear um Rolex Explorer – o modelo com raízes na década de 50 que surge na capa da última edição impressa da Espiral do Tempo – pelo All England Club. E resolvemos variar um pouco, retirando-lhe a sua bracelet metálica Oyster de origem para lhe colocar uma bracelete NATO ‘Lawn Tennis’ da Maurice de Mauriac.

Wimbledon: Rolex Explorer

Wristshot Rolex Explorer com bracelete NATO ‘Lawn Tennis’.

A ligação entre a Rolex e Wimbledon é clássica e perfeita; até o verde como cor corporativa é semelhante, para não falar das profundas referências britânicas na história da marca genebrina. E, para além de Wimbledon, as raízes da Rolex estão cada vez mais entranhadas no ténis profissional – com o patrocínio de vários campeões e de um elevado número de torneios, expansão que não é alheia ao facto de Arnaud Boetsch ser um dos principais diretores da marca e de saber tudo sobre a modalidade e os seus intérpretes: trata-se de um antigo número 12 do ranking mundial na década de 90 e o herói que deu à França o ponto decisivo na primeira final da Taça Davis decidida no quinto set do quinto encontro (contra os anfitriões Suécia, em 1996). Arnaud Boetsch, que chegou a derrotar o então número um português Nuno Marques em Wimbledon no ano de 1995, estava radicado em Genebra e organizava eventos após a sua retirada dos courts quando foi convidado para se juntar à Rolex em 2003.

Wimbledon: Rolex Explorer

Na última dúzia de anos, a Rolex tem potenciado a sua parceria com Wimbledon ao desenvolver um programa de hospitalidade que inclui a presença de  embaixadores da marca das mais diversas modalidades e clientes de várias partes do mundo, oferecendo-lhes lugares no Centre Court e proporcionando-lhes uma experiência excecional. E verdadeiramente exclusiva: basta dizer que a acolhedora Rolex Suite partilha a mesma cozinha do Camarote Real, como descobriu a nossa colega da imprensa relojoeira Elizabeth Doerr. Entretanto, a lista de embaixadores do ténis passou também a incluir o lendário Bjorn Borg (que ganhou Wimbledon por cinco vezes consecutivas, de 1976 a 1980), para além do inevitável Roger Federer a comandar uma lista de tenistas consagrados ou emergentes oriundos de diversos quadrantes, como o canadiano Milos Raonic, o francês Jo-Wilfried Tsonga, o argentino Juan Martin del Potro, o búlgaro Grigor Dimitrov, a sérvia Ana Ivanovic, a dinamarquesa Caroline Wozniacki e a suíça Belinda Bencic – para além de campeãs recentemente retiradas como Justine Hénin ou Li Na.

Wimbledon 2012, Cerimonia de entrega de prémios – Roger Federer © Rolex/Gianni Ciaccia

Wimbledon 2012, Cerimonia de entrega de prémios – Roger Federer © Rolex/Gianni Ciaccia

Adequadamente, a Rolex teve aquele que é o seu mais relevante embaixador em destaque no último dia do torneio. Sem que, no entanto, conseguisse um oitavo título em Wimbledon. Porque, primeiro metaforicamente e depois literalmente, Novak Djokovic comeu a relva do vetusto Centre Court para ultrapassar a oposição de Roger Federer numa cimeira em quatro sets – que lhe permitiria elevar o troféu com um relógio Seiko no pulso. A final individual masculina colocava frente-a-frente o número um contra o número dois, o campeão de oito títulos do Grand Slam que tem dominado as últimas épocas contra o campeão de 17 títulos do Grand Slam considerado o melhor tenista de todos os tempos. Novak Djokovic e Roger Federer reeditaram a final de 2014, mas desta feita sem o recurso a uma quinta e decisiva partida – o sérvio necessitou de ‘apenas’ quatro sets para bater o suíço por 7-6, 6-7, 6-4 e 6-3. E depois, simbolicamente, comeu um bocado da relva do campo! O terceiro triunfo do jogador de Belgrado na Catedral do Ténis (2011, 2014 e 2015) é também o seu nono em eventos do Grand Slam; à sua frente estão agora ‘somente’ Bill Tilden (10), Bjorn Borg e Rod Laver (11), Roy Emerson (12), Rafael Nadal e Pete Sampras (14) e, claro, Roger Federer (17).

Novak Djokovic,Wimbledon 2015.

Novak Djokovic com o seu Seiko em Wimbledon 2015. © Seiko Watch Corporation

Nas senhoras, e após derrotar a jovem espanhola Garbiñe Muguruza por 6-4 e 6-4, Serena Williams não só somou o seu sexto título individual no All England Club como também elevou para 21 o número de títulos do Grand Slam conquistados, logrando em simultâneo tornar-se na mais idosa (33 anos e 289 dias) vencedora de um torneio do Grand Slam na Era Open e sobretudo realizar um Grand Slam ‘a cavalo’ entre 2014 e 2015 – repetindo um feito que já tinha conseguido entre 2012 e 2013  e que na altura se convencionou designar ‘Serena Slam’. Os seus quatro últimos troféus do Grand Slam foram ganhos com um Audemars Piguet no pulso: em Wimbledon, a sua escolha recaiu sobre um Royal Oak Offshore Lady em ouro rosa com luneta branca cravejada de diamantes e bracelete branca a seguir a obrigação de se usar branco nos equipamentos em Wimbledon. A americana vai ter de escolher outro modelo à prova de pressão no próximo Open dos Estados Unidos: não só pode tornar-se na quarta jogadora da história a conseguir um Grand Slam de calendário (os quatro na mesma temporada) igualar o recorde de 22 títulos do Grand Slam que Steffi Graf detém na Era Open…

Para além de Serena Williams há outro protagonista do ténis mundial a jogar com um Audemars Piguet no pulso: o suíço Stanislas Wawrinka, que o faz desde o início de 2013 e que entretanto já ganhou dois títulos do Grand Slam (Open da Austrália 2014, Roland Garros 2015); também ele optou pelo branco em Wimbledon – mas pelo branco integral do Royal Oak Offshore Diver Ceramic que já tinha usado antes quando ajudou o seu país a ganhar a Taça Davis no ano passado. Um mês após vencer em Roland Garros, perdeu com Richard Gasquet nos quartos-de-final de Wimbledon quando tudo parecia indicar que conseguiria o acesso às meias-finais…

Stanislas Wawrinka com um Royal Oak Offshore Diver Ceramic.

Stanislas Wawrinka com um Royal Oak Offshore Diver Ceramic.

Não são muitos os tenistas que usam relógio no court. A regressada Martina Hingis, que apenas compete em pares na terceira vida da sua carreira, ganhou dois títulos (pares senhoras e pares mistos!) com um Omega Ladymatic no pulso. O top-10 japonês Kei Nishikori joga com um Prefessional Sports Watch da TAG Heuer, mas saiu cedo de cena – enquanto a principal figura da marca, Maria Sharapova, atingiu as meias-finais (embora sem utilizar relógio no court). Mas o exemplo mais famoso é o de Rafael Nadal – que tem usado um Richard Mille desde 2010. As coisas não lhe têm corrido bem desde que adotou a mais recente versão do ‘seu’ modelo; desde a apresentação do RM 27-02 Rafa Nadal Tourbillon em Paris, perdeu nos quartos-de-final do seu reino em Roland Garros e sucumbiu ainda mais precocemente em Wimbledon.

Wimbledon

RM 27-02 Rafa Nadal Tourbillon © Richard Mille

Há cada vez mais tenistas patrocinados por marcas de alta-relojoaria, como é o caso do inimitável Gael Monfils e da De Bethune. Ou por marcas menos exclusivas, como acontece com Andy Murray e a Rado. E depois há todos os outros jogadores, que apreciam relógios e que os compram ou têm pequenas parcerias com algumas companhias de nicho. Como o australiano Matt Ebden, que já ganhou um título do Grand Slam (pares mistos, no Open da Austrália) e que aqui surge na varanda do restaurante dos jogadores a olhar embevecido para o seu Maurice de Mauriac Chronograph Modern Le Mans personalizado com o dia do seu nascimento no mostrador.

Matt Ebden com Maurice de Mauriac Chronograph Modern Le Mans.

Matt Ebden com Maurice de Mauriac Chronograph Modern Le Mans.

Entre os treinadores também há gente com gosto apurado. Toni Nadal usa um Richard Mille por vias da parceria do seu sobrinho. O ex-número dois mundial e atual treinador de Stan Wawrinka, Magnus Norman, anda com um Audemars Piguet Royal Oak Offshore Chronograph. Boris Becker, o antigo campeão e actual treinador de Novak Djokovic, tem optado por um Cartier Diver em ouro rosa. Jonas Bjorkman, que se juntou à equipa técnica de Andy Murray, usou um cronógrafo Cartier Roadster em Wimbledon. Sébastien Grosjean viu os jogos de Richard Gasquet com um Rolex Daytona. Severin Lüthi, capitão suíço da Taça Davis e co-treinador de Roger Federer, tem contrato com a Louis Érard. Mas o voto para o treinador com o melhor wristgame vai para o técnico de Serena Williams: Patrick Mouratoglou mostrou muita sofisticação ao escolher um Audemars Piguet Millenary 4101!

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Patrick Mouratoglou com um Audemars Piguet Millenary 4101. © Ike Leus

Mas talvez a melhor história relojoeira da edição deste ano de Wimbledon tenha a ver com a ligação entre duas senhoras escocesas. Há uns tempos atrás tive a oportunidade de colocar em contacto Fiona Krüger, uma relojoeira independente conhecida pelos seus originais modelos Skull, e Judy Murray, uma autêntica celebridade no mundo do ténis e em especial no Reino Unido por ser ex-jogadora, treinadora e sobretudo mãe de Andy Murray e Jamie Murray – para além de ser dotada de um humor incomparável e de ter brilhado na série ‘Dança Com as Estrelas’. Sempre disse a Fiona que Judy seria a sua embaixadora ideal e encontrámo-nos finalmente os três durante Wimbledon; Judy recebeu o seu colorido Celebration Skull inspirado em cerimónias ancestrais mexicanas e a silhueta inconfundível do relógio foi bem visível no pulso durante os jogos televionados de Andy Murray.

Wimbledon: Rolex Explorer

Fiona Krüger e Judy Murray com modelos Skull.

Wimbledon: Rolex Explorer

Fiona Krüger Celebration Skull.

Para além dos relógios de toda a gente, houve também a oportunidade de tirar fotografias a alguns modelos pessoais e outros em teste – no pulso ou fora dele, no cenário único do All England Club. Na lista, e para além do já mencionado Rolex Explorer personalizado com uma bracelete Maurice de Mauriac ‘Lawn Tennis’, um Jaeger-LeCoultre Master Réveil (atualmente designado Master Memovox), um Cvstos Challenge Chrono II Power Reserve de mostrador azul (que entretanto recebeu uma bracelete de cauchu branca para corresponder às restritas regras de equipamento), um Raidillon Racing Chronograph Spa-Francorchamps (também ocasionalmente com uma bracelete ‘Lawn Tennis’ ou de Perlon branco) ou um dos Maurice de Mauriac do fundador da marca Daniel Dreifuss, que visitou o torneio. Aqui ficam os instantâneos.

Wimbledon

Rolex Explorer com bracelete NATO ‘Lawn Tennis’.

Wimbledon Jaeger-LeCoultre

Jaeger-LeCoultre Master Réveil com bracelete NATO ‘Lawn Tennis’.

Wimbledon

Cvstos Challenge Chrono II Power Reserve

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Cvstos Challenge Chrono II Power Reserve com bracelete de cauchu branca.

Raidillon Racing Chronograph Spa-Francorchamps.

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Raidillon Racing Chronograph Spa-Francorchamps com uma bracelete Perlon branco.

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Maurice de Mauriac Chronograph Modern Le Mans ‘Tricolor’ com bracelete NATO ‘Union Jack’.

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Maurice de Mauriac Chronograph Modern com bracelete NATO ‘Lawn Tennis’.

Claro que com tantos wristshots havia a probabilidade de ser apanhado em pleno ato. Foi o que aconteceu, aqui na zona de treinos em Aorangi Park, numa das extremidades do All England Club!

Wimbledon

E para o ano há mais…