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EM FOCO | Rolex Sky-Dweller

Rolex Sky-Dweller

EdT41 — A Rolex voltou a surpreender com uma inesperada incursão pelas complicações mecânicas na nova estrela do seu firmamento: o Sky-Dweller apresenta um inédito sistema de calendário anual com um modo operativo muito original e pode representar uma transição gradual da casa genebrina para modelos mais complexos — mas sempre práticos e funcionais.

Texto originalmente publicado no número 41 da Espiral do Tempo.

Rolex é uma das marcas mais conhecidas e reconhecidas do Planeta, sendo normal que a sua filosofia empresarial e linha de produtos estejam constantemente sob escrutínio. E quando se soube que a marca genebrina tinha registado o nome Sky-Dweller, criou-se imediatamente enorme expectativa relativamente ao lançamento eventual de um novo relógio — afinal de contas, a Rolex raramente introduz na sua coleção um modelo que não seja uma reedição histórica ou o aperfeiçoamento de modelos já existentes no catálogo e é precisamente essa evolução na continuidade que tem constituído a sua força. A apresentação do Oyster Perpetual Sky-Dweller confirmou que só lança modelos novos quando se trata de algo inédito e que marca mesmo a diferença.

Rolex Sky-Dweller

© Rolex

Intrinsecamente, trata-se de um relógio de qualidade excecional que vai além da tradicional apologia do essencial da Rolex com a apresentação de uma complexidade mecânica (o calendário anual) e um mostrador mais sobrecarregado (com a inclusão de um disco para o segundo fuso horário) ou mesmo híbrido (convivência de algarismos árabes e romanos em duas das três versões). A complicação suplementar representa uma nova dimensão na história recente da marca, exaltando o ineditismo das soluções encontradas e revelando a mestria técnica da manufatura genebrina sem que o seu ADN seja traído.

 
Código genético inconfundível
Rolex até tem no seu historial calendários triplos associados a cronógrafos muito valorizados em leilões e o Ref. 8171 com fases da Lua atingiu estatuto de culto, mas desde há meio século que tem optado por privilegiar declaradamente o que é verdadeiramente essencial para seguir uma linha depurada de modelos simples com uma funcionalidade sem mácula. O Yacht-Master II de 2007 já tinha representado a entrada num novo patamar de complexidade graças a um cronógrafo dotado de memória mecânica que exaltou a histórica associação da marca ao universo das regatas, tornando a complicação cronográfica com countdown perfeitamente pertinente.

Rolex Sky-Dweller

© Rolex

O passo dado com o Sky-Dweller é diferente e representa sobretudo um sinal dos tempos, sendo a resposta da Rolex às necessidades contemporâneas de uma clientela sofisticada que está em deslocação permanente através dos diversos fusos horários e que procura um elemento mais diferenciador num relógio que mantenha o perfil a que a marca os habituou. E não há qualquer dúvida: o Sky-Dweller tem um visual Rolex e sente-se como um Rolex. A caixa de 42 milímetros assume o tamanho canónico para os padrões contemporâneos e está apenas disponível em metal precioso, sendo muito pouco provável que algum dia venha a ser declinado em aço para manter a sua auréola de exclusividade. A oferta estende-se por três versões: em ouro amarelo, em ouro branco e em ouro rosa (na liga Everose, desenvolvida pela marca), cada qual com o seu mostrador distinto e com bracelete em metal correspondente ou em correia em pele de crocodilo.

 
Técnica ao serviço da funcionalidade
É sobretudo na vertente mecânica que surgem as inovações. É mesmo necessário ter o Sky-Dweller no pulso e utilizar as suas funções para se poder aferir convenientemente toda a sua qualidade mecânica (rotação da luneta, utilização da coroa) e de construção (proporções, arquitetura da caixa, detalhes de acabamento).

Rolex Sky-Dweller

© Rolex

A função de segundo fuso horário já existe há muito no catálogo da Rolex sob a forma de ponteiro suplementar em modelos como o GMT-Master ou o Explorer II da linha Professional, só que o Sky-Dweller apresenta como novidade um anel no mostrador que está associado a um calendário anual apelidado Saros (em honra do fenómeno astronómico de revolução da Terra e da Lua que regula as eclipses) programado para distinguir os meses de 30 ou 31 dias devido a uma engenhosa colocação de rodas dentadas no mecanismo; os ponteiros principais indicam o tempo local e estão sincronizados com a data, o disco de 24 horas fornece o segundo fuso horário e a indicação do mês surge discretamente em pequenas janelas na base dos indexes das horas. O acerto das três funções (hora local, hora de referência, data) através da coroa é selecionado pela rotação da luneta canelada batizada Ring Command — mas o relógio só precisa de ser ajustado uma vez por ano, mais precisamente no final de fevereiro por se tratar de um mês mais curto e que só tem um dia suplementar a cada quatro anos.

Sky-Dweller

Calibre de manufatura 9001 © Rolex/Jean-Daniel Meyer

No total, o Sky-Dweller reclama cinco patentes exclusivas, num total de 14 patentes. A motorização faz-se através do novo calibre 9001 de corda automática desenvolvido e manufaturado pela Rolex com a certificação de cronómetro (pelo COSC) e 72 horas de reserva de marcha, incluindo as habituais mais-valias da marca como a espiral Parachrom e o sistema antichoque Paraflex. Um relógio robusto e elegante com o selo inconfundível da Rolex que estabelece uma nova fronteira na coleção da marca genebrina. Será o céu o limite?  ET_simb

 
Luneta Ring Command
No Sky-Dweller, é a luneta que, sendo rodada, permite selecionar as duas leituras horárias e o calendário anual ajustáveis a partir da coroa. O sistema inclui mais de sessenta componentes.

 

Rolex Sky-Dweller

Desenrosque a coroa e puxe-a para a posição de ajuste.

 

Rolex Sky-Dweller

Gire a luneta para a posição de ajuste que pretende.

 

Rolex Sky-Dweller

Ajuste da hora de referência: A hora do local de partida (de referência) surge numa escala de 24 horas num disco giratório recortado no mostrador.

 

Rolex Sky-Dweller

Ajuste da hora local: A hora local (do destino) está nos ponteiros tradicionais; no acerto, o ponteiro dá saltos de uma hora e não afeta os ponteiros das horas e dos segundos.

 

Rolex Sky-Dweller

Ajuste da data: Não parece, mas o Sky-Dweller tem um calendário anual. O dia aparece na janela tradicional debaixo da lupa Cyclops; os 12 meses são representados por janelas por trás do indicador de cada hora; uma janela surge escura quando o indicador corresponde ao mês.

 

Rolex Sky-Dweller

Quando terminar, gire a luneta de volta à posição neutra. Empurre a coroa e enrosque-a.

 
Saros
O calendário anual está programado para distinguir os meses de 30 ou 31 dias devido a uma engenhosa colocação de rodas dentadas no mecanismo do Calibre 9001.

Rolex Sky-Dweller

Meses de 31 dias

O sistema Saros funciona em torno de uma roda dentada planetária (equivalente ao Sol) fixa no centro do mecanismo. Uma roda satélite (cujo centro representaria a Terra) engrenada na planetária gira em torno desta por 1 mês, movida pelo disco de data do qual é solidária, e ao mesmo tempo roda em torno de si mesma. Essa roda satélite tem quatro dentes (a Lua) para cada um dos quatro meses de 30 dias (abril, junho, setembro e novembro) e forçam o sistema a pular dois dias no final desses meses.

Rolex Sky-Dweller

Meses de 30 dias

Para mais informações, consulte o site oficial da Rolex.