Histórias

Chronofighter: década e meia a puxar o gatilho

Graham_2016_Chronofighter_dest

Em Basileia — Não havia que enganar: à chegada ao tradicional espaço da Graham em Basileia, o Chronofighter assumia claro favoritismo. A celebrar 15 anos com o seu caraterístico gatilho de acionamento do cronógrafo, o ícone da marca surgiu declinado em novas versões extremamente apelativas e de contornos rétro. Mas também houve outras novidades.

© Espiral do Tempo / Miguel seabra

© Espiral do Tempo / Miguel seabra

Pelo oitavo ano consecutivo, Éric Loth optou por não exibir a sua marca Graham no recinto oficial de Baselworld e manteve o seu já tradicional quartel-geral durante a feira no restaurante Minamoto, localizado em frente à velhinha estação Badischer Banhof e convenientemente transformado para a ocasião. E, para a edição de 2016, tornava-se óbvia logo no exterior qual a temática preferencial: o 15.º aniversário do Chronofighter, celebrado com a estreia de quatro novos modelos que receberam a designação Vintage.

Chronofighter Vintage © Graham

Chronofighter Vintage © Graham

O Chronofighter é um dos relógios mais inconfundíveis no universo relojoeiro do novo milénio – graças à emblemática e protuberante alavanca destinada a despoletar as funções cronográficas que o torna tão original quão polarizante. Sim, porque é um autêntico instrumento do tempo que não deixa ninguém indiferente; ou se ama, ou se detesta… mas muitos que o detestam à primeira vista acabam seduzidos pelo seu singular carisma, até porque se trata de um relógio que precisa de ser compreendido à luz de uma certa perspetiva histórica.

Chronofighter Vintage © Graham

A Graham apresentou as suas novidades no restaurante Minamoto, em Basileia. © Graham

As suas origens remontam aos instrumentos de precisão presos à perna ou por cima do blusão dos navegadores dos aviões da Segunda Guerra Mundial que, através de uma alavanca semelhante, acionavam o cronógrafo para medir o tempo entre a largada da bomba e a deflagração no solo. A dimensão do gatilho tornava a execução mais fácil por parte de quem estava obrigado a usar luvas e a permanecer encasacado face às baixas temperaturas que se faziam sentir nas alturas e dentro das aeronaves da época.

Chronofighter Vintage © Graham

© Graham

Transferido o conceito para um relógio de pulso, o sistema de alavanca e o seu posicionamento à esquerda da caixa foram estudados para aproveitar ao máximo a ação do dedo polegar – considerado o mais rápido de todos os dedos da mão. E a precisão na cronometragem exige um acionamento rápido para evitar qualquer décalage relativamente ao início do evento que está a ser medido. O nome de batismo Chronofighter é forte e combina muito bem a caraterística cronográfica com a histórica inspiração militar. O seu surpreendente perfil logo chamou as atenções, recebendo mesmo o cognome de ‘Granada’ em terras italianas.

Chronofighter Vintage © Graham

© Graham

Numa coleção dominada por cronógrafos (afinal de contas, o mestre britânico George Graham é considerado um precursor do cronógrafo), o Chronofighter ocupou imediatamente um lugar de primazia. O facto de aliar força histórica à inovação técnico-estética transformou-o instantaneamente no ex-libris da marca: a configuração da pujante caixa sobredimensionada era surpreendente para a altura, com a coroa à esquerda e correspondente alavanca otimizadora das funções cronográficas, para além de um botão assimétrico que recoloca o ponteiro a zero. Não tardou que os então ‘enormes’ 43 mm de diâmetro se tornassem ‘normais’ a meio da década passada, quando a tendência era para relógios ainda maiores. Éric Loth aproveitou a vaga e transformou o Chronofighter numa linha cheia de variantes, várias delas de considerável tamanho.

Chronofighter Vintage

Graham Chronofighter Vintage © Espiral do Tempo / Miguel seabra

Já nesta década, e com a tendência a puxar novamente o diâmetro dos relógios para valores inferiores, foi lançado o Chronofighter 1695 (de visual e tamanho mais clássicos); o novo Chronofighter Vintage volta atrás no tempo e recupera os códigos do primeiro Chronofighter mas interpreta-os de maneira mais rétro – especialmente nos dois modelos com luminescência bege que lhe acentua o espírito ‘antigo’ dos mostradores de acabamento granulado, enquanto o modelo preto e o modelo azul não são tão evidentes. Mas toda a estrutura do acionamento do cronógrafo e da coroa é em aço, como nos primórdios. E o diâmetro de 44 milímetros não é propriamente pequeno, mas é inferior a muitas outras versões lançadas nestes quinze anos. Porque Éric Loth, mesmo com o mais consensual Silverstone e o mais residual Swordfish, nunca deixou de investir fortemente no Chronofighter.

Chronofighter Vintage

Graham Chronofighter Vintage © Espiral do Tempo / Miguel seabra

O novo quarteto partilha a mesma motorização, o calibre G1747 de corda automática visível através do fundo transparente. Para além do submostrador reduzido para os pequenos segundos, o totalizador das 6 horas é para os minutos e a cronometragem dos segundos é feita através do ponteiro ao centro. No seguimento do marco das 9h surgem as janelas para a data e o dia da semana.

Chronofighter Vintage

Chronofighter Vintage © Graham

Também a escolha das correias se afigura feliz e bem pensada. O couro cosido à mão e devidamente pespontado é de excelente qualidade e acompanha a curvatura da caixa. Dos quatro é difícil fazer sobressair dois, mas talvez o de mostrador preto granulado quase tornado antracite com detalhes a vermelho (e correia em tons mel) e o de mostrador azul galvanizado sejam os melhor conseguidos.

Chronofighter Vintage

Graham Chronofighter Vintage © Espiral do Tempo / Miguel seabra

Apesar do protagonismo, os quatro irmãos Chronofighter Vintage não surgiram a sós em Basileia. Vieram também acompanhados de uma edição limitada a 1000 exemplares e denominada Chronofighter Oversized Navy SEAL, dedicada à força especial de vocação global (Sea-Air-land) criada pelo presidente John Fitzgerald Kennedy na década de 60; o mostrador em padrão camuflado dá um toque militar suplementar a uma caixa com 47 mm de diâmetro e o fundo exibe a bandeira americana. No escuro, o mostrador apresenta um holograma que projeta informação encriptada de um caminho ou mapa específico!

Chronofighter Navy SEAL Foundation

Graham Chronofighter Navy SEAL Foundation © Espiral do Tempo / Miguel seabra

As novidades Chronofighter incluem também outras duas variantes — mas mais associadas à outra área de inspiração para a Graham, os desportos motorizados. O Chronofighter Superlight Carbon Skeleton é leve, rígido e de escura sofisticação num relógio onde o preto dominante é cortado por ponteiros vermelhos sobre um mostrador parcialmente esqueletizado; o Chronofighter Superlight Carbon também pesa abaixo das 100 gramas

Chronofighter Superlight Carbon Skeleton

Chronofighter Superlight Carbon Skeleton © Graham

Chronofighter Superlight Carbon

Chronofighter Superlight Carbon © Graham

Fora do âmbito da família Chronofighter, a linha Silverstone RS recebeu mais umas versões Racing — seis, podendo ser vendidas separadamente ou em trilogias. Para além da caixa em aço de 46 mm e das animadas combinações de cores inspiradas nas corridas automóveis (três variantes em mostrador negro, outras três em mostrador azul), apresentam uma janela dupla para o dia e para a data que surge às 3 horas pela primeira vez na história da Graham.

Silverstone RS Racing © Graham

Silverstone RS Racing © Graham

Silverstone RS Racing © Graham

Silverstone RS Racing © Graham

Ainda foi desvelado um novo mostrador para o turbilhão Geo.Graham apresentado em 2015, mas a vedeta da nova coleção foi mesmo o Chronofighter Vintage. O passado está sempre presente, sobretudo quando é mais-que-perfeito…

Consulte o site oficial da Graham para mais informações sobre os novos modelos lançados em 2016.