Histórias

Victoria Guerra em entrevista exclusiva

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EdT55 — Há 27 anos, no Algarve, uma espécie de remake da secular aliança luso-britânica gerou uma princesinha com o nome da mais mítica das rainhas britânicas, Victoria, e um sobrenome bélico, Guerra. Entre a participação na série juvenil Morangos com açúcar e a no filme Wilde Wedding, com estreia prevista para 2017 e que volta a reunir Glenn Close e John Malkovich, o percurso da atriz Victoria Guerra tem sido quase tão encantador quanto as interpretações que tem registado de permeio.

Versão integral da entrevista publicada no número 55 da Espiral do Tempo

É filha de pai português e de mãe inglesa. Qual foi a importância do multiculturalismo na sua formação?
Para já, ser bilingue. Os meus pais sempre fizeram questão de que falássemos as duas línguas, e isso foi muito benéfico e é das melhores coisas que eu tenho. Além disso, é mesmo o facto de serem duas nacionalidades, duas formas muito diferentes de ver o mundo. Nunca tive uma educação muito fechada, tive sempre liberdade e abertura para pensar, para estar, para ser.

Victoria Guerra

Victoria Guerra com um Jaeger-LeCoultre Reverso Classic Small Duetto Ref. Q2662430 © Espiral do Tempo / Paulo Pires

Fala fluentemente inglês, portanto. Pronúncia do Surrey, presumo… (a personagem que a atriz fez em As Linhas de Wellington nasceu nessa região inglesa).
(Risos) Por acaso, a minha pronúncia é bastante limpa, sem sotaque, porque, como eu nunca vivi lá, o meu inglês é desprovido de influências.

Inglaterra tem uma fantástica tradição em formação de atores e forma grandes atores. Nunca pensou ir estudar para lá?
Já. Antes de trabalhar como atriz, quando estava a estudar jornalismo, a minha ideia era ir para Londres e continuar lá os estudos. Mas o facto de ter começado a trabalhar nesta área e o facto de o trabalho nunca me ter faltado impediram-me de o fazer. Claro que adorava, mas uma das coisas que os meus pais sempre me disseram é que estudar é sempre possível, trabalhar é que nem tanto. Nesta área, então, não aparece trabalho todos os dias, pelo que tenho de aproveitar as oportunidades que me vão surgindo.

Mas, neste ramo de trabalho, Inglaterra oferece mais oportunidades de trabalho.
Eu aceito a ideia de ir para fora, onde há outro tipo de visibilidade, mas a verdade é que eu sou portuguesa, gosto muito do meu país, gosto do que é feito no meu país, tenho a sorte de poder trabalhar com os melhores em Portugal. Portanto, quero continuar a aproveitar. Se eu conseguir continuar a fazer parte de projetos tão bons como dos que eu tenho tido oportunidade de fazer parte, prefiro isso a estar a atirar-me de cabeça para uma indústria que já tem nomes bastante fortes e na qual, de certa forma, iria começar do zero. Um dia, quem sabe? Neste momento, enquanto tiver trabalho, e trabalho interessante em Portugal, não. Temos cá bons atores, bons realizadores e quero ter a possibilidade de trabalhar com os melhores que cá há. A mim, neste momento, não me interessa se tenho uma carreira nacional ou internacional, interessa-me trabalhar.

Se estivesse um ano sem trabalho, não digo que não iria, mas a verdade é que, no ano passado, sem sair do País, tive a oportunidade de trabalhar com realizadores estrangeiros fantásticos, um francês, um polaco, um inglês. Acho que é possível fazer coisas internacionais sem sair de Portugal. Mas, um dia, quem sabe?! Eu gosto de experimentar. A verdade é que sou uma pessoa aventureira, apesar de ter noção dos meus limites.

Victoria Guerra

© Espiral do Tempo / Paulo Pires

De facto, já colocou um pé na Europa e outro para lá do Atlântico. O que é que aprendeu desta sua experiência americana?
Foi um filme independente e bastante familiar. A minha personagem é bastante secundária, mas tive a oportunidade de trabalhar com pessoas que cresci a ver no cinema, e com atrizes que começaram a trabalhar recentemente e que são fantásticas. Foi uma experiência enriquecedora e, de facto, não precisei de sair de Portugal para a ter. Posso dizer-lhe que, enquanto lá estive, aproveitei para encontrar agentes lá, coisa que consegui. E eles disseram-me que hoje há muito tape casting, ou seja, há muitos atores que conseguem papéis estando a viver no seu país. Eles enviam os castings, nós fazemos uma self tape e enviamos. E pode sempre fazer-se uma chamada por Skype com o realizador ou com o diretor de casting e, se for preciso, volta-se a fazer o tape casting com novas indicações. Tudo isso é hoje muito natural.

O filme Wilde Wedding é uma comédia. Como é que se sentiu nesse registo?
Foi fantástico (risos). Eu fiquei muito feliz pelo facto de ser uma comédia, pois nunca o tinha feito em Portugal. E é uma personagem também bastante diferente do que tinha feito em Portugal.

E sentiu-se confortável?
Confortável acho que nunca me senti na vida (risos).

A representar, presumo.
A representar ou em qualquer sítio. Isto é uma capa que nós pomos, não é? Pomos esta capa e parecemos as pessoas mais confiantes do mundo — porque, se não, ninguém confiava em nós —, mas, por dentro, estamos cheias de medo, de nervos. Mas foi interessante trabalhar com atores da minha idade que cresceram e estudaram nos Estados Unidos e verificar que aquilo que eles fazem lá, eu faço aqui também. A luta constante de ir a castings, de conhecer diretores de casting, realizadores, o ‘ficar-não-ficar’ com o papel, é tudo igual. Para mim, foi muito interessante ter essa experiência, trabalhar com estes atores e conhecer as suas histórias de vida.

Que tipo de personagens gostava de fazer? Acha que tem ‘vocação’ para personagens densas, extremas?
Não lhe sei dizer. Eu acho que um ator deve ter a capacidade de fazer qualquer tipo de papel. Temos de trabalhar. E quando se fica com um papel, qualquer que seja, temos de trabalhar muito. Se tiver de fazer uma personagem que canta ou toca, eu tenho de ter meses de ensaios para aprender a fazê-lo; se tenho de fazer uma personagem com algum distúrbio mental, tenho de trabalhar sobre aquele distúrbio. Eu adoro todos os tipos de personagem, mas, para a minha estrutura física, há certos tipos de papéis que serão mais adequados. Sou muito nova e, enquanto atriz, gostava de experimentar muitas coisas.

Victoria Guerra

Victoria Guerra com um Jaeger-LeCoultre Rendez-Vous Night & Day Ref. Q3462590 © Espiral do Tempo / Paulo Pires

Determinado tipos de papéis podem ser perturbantes?
Acho que sim.

Mas também podem ser catárquicos? Fazer determinados papéis em determinadas alturas pode ser uma espécie de terapia?
Sim. Eu sinto sempre um pré-trabalho e um pós-trabalho. Temos de compreender e de defender ao máximo a personagem que encarnamos. Se ela mata, temos de perceber qual a razão. Eu não sou uma assassina, mas tenho de acreditar na personagem e tentar perceber porque é que ela está a fazer aquilo. É óbvio que, às vezes, ficamos confusos e há certas catarses que acontecem.

Não quero que me revele os segredos do seu processo criativo, mas onde vai buscar as emoções de que necessita para um papel? A experiências pessoais ou é só técnica? Onde eu quero chegar é: segue ‘o método’, ou as teorias do Actors Studio estão fora de moda?
Trabalho comigo, com o meu corpo, com a minha voz, com o meu pensamento, com as minhas experiências. Não posso dizer que utilize uma técnica, até porque cada realizador tem a sua forma de trabalhar. Eu trabalho o texto em casa, normalmente com a ajuda de um coach, e, depois, tenho de confiar no realizador e nos outros atores. Não é um trabalho solitário, eu trabalho com os outros atores, com o realizador, com o guarda-roupa, com toda a equipa.

O que lhe dá mais trabalho e gozo? A preparação para um personagem ou a representação da mesma?
A preparação dá-me imenso gozo, dá-me mesmo muito gozo, porque me permite dar largas à imaginação. Gosto de trabalhar esse processo, do estudo da personagem, saber o que ela é ou não é, do que gosta e não gosta, e isso obriga-te a pôr em causa quem tu és. E, depois, o que mais amo fazer na vida é trabalhar, é representar. Faz tudo parte.

Chega a sentir pena de abandonar um personagem?
Não. Acho que há sempre um princípio, um meio e um fim, e as personagens permitem isso e eu gosto disso — do princípio, meio e fim. Até porque, quando chegamos ao fim de um processo criativo, já não somos a mesma pessoa. Agora, o que acontece muitas vezes quando é um trabalho muito intenso é, na primeira semana em que estamos separados do resto da equipa, de repente, já não sabermos muito bem o que se está a passar. O facto de já não estarmos com aquelas pessoas dá-nos uma certa sensação de abandono, de vazio. Aquelas pessoas passam a ser a nossa família, são pessoas em quem temos de confiar. Por isso, acabamos por ter essa sensação de abandono, mas, depois, surge sempre um trabalho novo.

Victoria Guerra

Victoria Guerra com um Jaeger-LeCoultre Rendez-Vous Night & Day Ref. Q3462590 © Espiral do Tempo / Paulo Pires

Estão com uma equipa, dias a fio, vivem emoções juntos e depois o filme acaba, cada um vai para seu lado e podem estar meses ou anos sem se voltarem a ver.
É, mas faz parte. Aprendemos muito cedo a lidar com isso. Eu posso dizer que já não faço novelas há dois anos, estou a ensaiar para a próxima e estou ansiosa para estar com aquela equipa. É uma espécie de regresso a casa.

Cada filme é uma experiência de vida? Trabalhar com certas pessoas, certos textos, assumir certas personagens é como frequentar um curso de arte, de cultura, de história, de sociologia, de vida?
Exatamente. Era o que eu dizia há pouco: quando estou a preparar uma personagem de 1800, vou ter de ler muito, de estudar a forma de pensar, de trabalhar, de viver de uma rapariga que viveu naquela altura. É uma aprendizagem constante e isso dá muito prazer.

E isso fá-la crescer muito, como pessoa.
Sim. Nesse sentido, esta é, provavelmente, das profissões mais interessantes. Gosto muito de ver entrevistas com atores e estava a ver uma em que um ator, que dá muitos workshops pelo mundo fora, dizia que repara sempre na pessoa mais envergonhada da sala e puxa sempre por essa pessoa. Porquê? Porque esta profissão permite-nos, de certa forma, colocar uma capa. Andamos sempre protegidos com uma capa: a da personagem. Eu, Victoria, não seria capaz de gritar com ninguém ou de ser mal educada, mas, se a minha personagem tem de o fazer, faço-o. É uma aprendizagem, um crescimento. Todos os dias, estamos a fazer coisas diferentes, a ver o mundo de outra forma — e a seguir somos, inevitavelmente, outra pessoa.

Estamos na Cinemateca. Como é que vê as grandes divas?
Com um respeito enorme. O que eu mais gosto é de ver filmes antigos, e venho muito à Cinemateca ver filmes antigos, além dos que vejo em casa. É engraçada a palavra ‘divas’, porque hoje em dia há divas, mas é diferente. Elas eram realmente divas, e não só pela forma de estar ou pela beleza, eram atrizes incríveis, com histórias de vida riquíssimas. Eram mulheres incríveis. Eu adoro ver atrizes a trabalhar e aprendo muito com elas.

A Charlize Theron dizia numa entrevista que os trabalhos sérios e difíceis raramente são atribuídos a atrizes ou modelos bonitas. A beleza pode ser limitativa para uma atriz?
Vou ser muito sincera nesta resposta: eu não sei o que dizer em relação a isso. Já vi atrizes muito bonitas a fazerem papéis muito difíceis. Voltando às grandes divas, elas eram mulheres lindíssimas e não deixavam de ter papéis duros, de grande intensidade. Por exemplo, a Katharine Hepburn. Quando fez A Rainha Africana, com o Bogart, estava completamente destruída. Era uma mulher linda, feita de luz, e ali estava toda desgrenhada, suja, a fazer aquilo brilhantemente. Esqueceu-se da sua beleza, das poses de diva. A Charlize ganhou um óscar pelo seu trabalho em Monster, onde não estava propriamente bonita. Ela destruiu-se toda, engordou uma série de quilos, colocou uma prótese, enfim…

Victoria Guerra

© Espiral do Tempo / Paulo Pires

Não gosta de cozinhar, não gosta de falar ao telemóvel, não gosta de mensagens, não gosta de redes sociais.
Aliás, passei a manhã ao telefone e já me estava a irritar (risos).

Não será politicamente correto, mas isso parece-me uma postura algo masculina. Apetece-me perguntar-lhe se tem mais caraterísticas masculinas do que aparenta…
(gargalhada) Masculina? Mas olhe que é uma coisa engraçada, isso que me diz, porque eu tenho um amigo que me dizia «tu não és uma rapariga, és um homem». Julgo que tem que ver com a minha forma de ser desde muito nova. Sempre fui muito reservada, há uns anos estive seis meses sem telefone e só voltei a ter telefone porque a minha agente estava desesperada. Eu gosto de viver alheada de certas coisas. Sei o que se passa à minha volta, gosto de aprender e de ver coisas novas todos os dias, mas há certas coisas da nossa profissão que não nos fazem nada bem. Quando apareceu o Facebook, fiz uma página pessoal, mas nunca mais lá fui. Vou lá muito raramente. Coisas de fãs não me faz sentido. Eu dou entrevistas, agora não acrescenta nada saber-se o que eu almocei, ou os meus gostos pessoais ao mais ínfimo pormenor. Eu tenho essa reserva, que não é de hoje, que é de miúda, que tem que ver com a minha maneira de ser. É uma coisa minha. A minha mãe dizia-me muitas vezes que eu era um bichinho. Partilho a minha vida com a minha família. Eu tenho um cão, e no outro dia pedi a uma amiga para me ficar com o cão, porque ia estar uns dias fora. Passados uns tempos, ela disse-me «então foste fazer um desfile no Norte e não me disseste nada?». Não tenho a necessidade de estar a partilhar tudo, nem sequer com os meus amigos. Sou uma pessoa naturalmente reservada.

Como é que gere a ansiedade, se é que a sente, no tempo todo que leva entre a gravação e o lançamento de um filme? Sabendo que determinada estreia pode mudar muitas coisas na sua vida, ou, pior, pode não mudar nada. Como é que gere essa expetativa e passa esse tempo?
O tempo é uma coisa assustadora. Acabei de perceber que estou a trabalhar há dez anos. Uma vez ouvi um ator dizer «nós não somos pagos para trabalhar, somos pagos para esperar» e é um facto. Nós estamos tão habituados aos tempos de espera que é normal. Há decors para mudar, atores para entrar, o fator tempo faz parte do processo. É stressante se estamos muito cansados. Acontece mais em novela, porque tem um ritmo intenso, com várias cenas por dia, às vezes muito diferentes entre si. E as equipas trabalham incansavelmente para que nós não tenhamos de esperar muito. Em relação ao tempo do lançamento, é assustador, sobretudo quando o filme sai um ano ou dois depois. O encerramento de um trabalho só é possível depois de o público o ver. Quando vemos o que fizemos dois anos depois, isso mexe connosco. Se eu cresço num mês, imagine-se em dois anos.

Tenho muito mais curiosidade relativamente à reação do público do que à possibilidade de abertura de eventuais portas. Este filme em específico é um filme independente onde tive algumas cenas, mas não muitas, e então, mais do que saber como vai correr, a curiosidade está em saber como o filme vai ser montado, como é que vai ficar, como é que o público vai reagir, como é que os outros atores fizeram as cenas onde não entrei. Em relação às minhas cenas, será que o meu trabalho ficou dentro daquilo que eu imaginei? Há muita curiosidade.

O que a assusta tanto no tempo?
As mudanças, o crescimento, as diferenças, a forma de olhar, que muda tanto. O que não é necessariamente mau, pode ser uma coisa boa, além de que é inevitável. Mas é um bocado assustador.

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Victoria Guerra com um Jaeger-LeCoultre Reverso Classic Small Duetto Ref. Q2662430 © Espiral do Tempo / Paulo Pires

Fala muito em trabalho, nas virtudes do trabalho e na valorização do trabalho. Talvez erradamente não associamos esse tipo de discurso a alguém tão novo. Sente-se precocemente amadurecida?
(Risos) Amadurecida? Não sei. O facto de ter começado a trabalhar aos 17 anos obrigou-me a outro tipo de responsabilidade, é um facto. E depois, trabalhei com pessoas que andam nisto há muitos anos, e sinto essa responsabilidade. Se vou contracenar com uma atriz fenomenal, que eu admiro, sinto uma responsabilidade enorme. Obviamente que hei de falhar, todos falhamos, mas eu não quero falhar e trabalho nesse sentido. Se calhar, amadureci precocemente. Mas sinto que nesta área as pessoas amadurecem precocemente. Não acho que seja uma coisa má. Há dias que eu sinto que sim, que estou mais madura, mas há outros dias em que acho que não passo de uma miúda. Mas depois penso «ok, és uma miúda, mas tens responsabilidades». Saí de casa muito nova, comecei a trabalhar muito nova e tinha de pagar as minhas contas. Se não pagares a conta da água, cortam-na.

Depois de fazer cinema a sério, como é voltar para as telenovelas? Um registo diferente, atores diferentes, realizadores diferentes, tempos completamente diferentes.
Hoje, há cada vez mais atores que fazem cinema e televisão. É um registo diferente, é um outro processo. Mais do que os tempos, o que faz a diferença entre ambos é que o cinema é uma obra fechada. Nós sabemos qual o princípio, o meio e o fim. Só não sabemos o que o realizador pretende. Na novela, vamos gravando sem saber o percurso da personagem, e temos de ter uma mente muito mais aberta por causa disso. Em cinema, temos de ter a mente aberta para o que o realizador e os outros atores vão fazer e pedir, mas sabemos o percurso da personagem naquela obra. Em novela, a personagem gosta de beber água, por exemplo, mas, depois, sabe-se que afinal não gosta de beber água, e eu tenho de encontrar forma de a personagem manter a credibilidade — e isto é muito interessante e eu gosto. Estamos, constantemente, a ser obrigados a pensar de outra forma, a responder a situações inesperadas. Confesso-lhe que estou muito entusiasmada por voltar a fazer novelas. Fazer telenovela é muito formativo. Fazemos muitas cenas por dia; ora rimos, ora choramos. E, às vezes, choramos por motivos completamente diferentes. É muito difícil, e o facto de estarmos fechados em estúdio não ajuda. A forma como nos mexemos é diferente, as luzes não são geridas da mesma forma, mas tecnicamente é uma escola muito boa e trabalhamos com atores fenomenais. Há dois anos, trabalhei com dois atores fantásticos e aprendi muito com eles.

Sei que não é muito dada a divindades e metafísicas. É mais dada a chocolates, provavelmente. A quem é que agradece os privilégios que lhe saem em sorte?
Ao meu pai.* Penso, muitas vezes, quando me acontecem certas coisas, que o meu pai teve um dedinho no assunto — mas a minha família é o meu porto seguro, sempre.

Consta que as metafísicas dão jeito, sobretudo nos maus momentos. Onde é que busca alento e conforto nos maus momentos?
No meu pai. Na minha família sempre, mas, de há uns anos para cá, no meu pai.

Qual é a sua relação com relógios, esses reguladores do tempo?
Devo confessar que sempre usei relógio, mas, de há uns anos para cá, por causa dos telemóveis, deixei de usar. Tenho pena, porque há qualquer coisa de clássico no uso de um relógio de que eu gosto. Tenho saudades do gesto de olhar para o relógio e daquilo que ele representa, a passagem do tempo. E depois, como não sou de usar muito joias, gosto do relógio como acessório. ET_simb

*O pai da atriz faleceu há dois anos.

 

 

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