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Rolex Awards for Enterprise: aposta no futuro

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EdT57 — Desde dezembro de 2016, estão abertas as inscrições para a edição de 2018 dos Rolex Awards for Enterprise, iniciativa que cumpriu 40 anos em 2016. Por isso mesmo, no ano passado, a Rolex distinguiu não cinco, mas dez pessoas responsáveis por projetos que têm o objetivo de tornar o mundo melhor — nas mais diferentes áreas. Quer isto dizer que não basta falar ou ter ideias, é preciso agir. E, assim, cada laureado tem provado que impossível é mesmo o que nunca se tentou. 

Texto originalmente publicado no número 57 da Espiral do Tempo (inverno 2016)

Foto de abertura: o livro Anyone can change everything – Rolex Awards for Enterprise 40th Anniversary foi lançado precisamente no âmbito dos 40 anos da iniciativa. © Espiral do Tempo/Susana Gasalho

Rolex Awards, Sonam Wangchuuk

Mosteiro de Phyang no Ladakh, no âmbito do projeto de Sonam Wangchuk, engenheiro que procura resolver o problema da falta de água para a agricultura no Himalaia ocidental. ©Rolex/Stefan Walter

Os Rolex Awards for Enterprise celebram, em 2016, quatro décadas de vida. Lançado por Andre J. Heiniger, esta iniciativa tem as suas raízes no 50.º aniversário do modelo Oyster da Rolex, em 1976, e tem o objetivo de premiar individualidades de todo o mundo por projetos inovadores que estimulam o conhecimento e contribuem para uma melhoria da vida no nosso Planeta.

O facto de a Rolex ter apostado nesta iniciativa faz todo o sentido: «Qualidade, engenhosidade, determinação e, acima de tudo, o espírito de empreendedorismo» são os valores que, segundo a marca, lhe estão associados. «Desde o início, estes prémios foram desenvolvidos para preencher uma lacuna na filantropia corporativa ao apoiar indivíduos excecionais em todo o mundo, pioneiros, com pouco ou nenhum acesso a financiamento tradicional e que responderam a enormes desafios com projetos originais e inovadores, que contribuíram para o conhecimento humano e o bem-estar». O programa tem, assim, financiado projetos em áreas tão diferentes como a do ambiente, do património cultural, da ciência e medicina, da tecnologia e inovação, exploração e descoberta. E acabou por crescer com uma iniciativa destinada também às novas gerações – o programa Young Laureates (para jovens entre os 18 e os 30 anos).

Rolex Awards, Joseph Cook

Bactérias em torno de um buraco de gelo na Groenlândia. Joseph Cook explora estes micro-organismos, procurando compreendê-los e o modo como estes afetam o ambiente terrestre. © Joseph Cook

Rolex Awards for Enterprise

Para termos uma ideia da dimensão deste projeto, podemos citar alguns números divulgados: em 40 anos, candidataram-se 32.822 pessoas, representativas de 190 países, e foram apoiados 140 laureados. Dos laureados, o mais velho tinha 74 anos e o mais novo, 25 anos. Além disso, a iniciativa contou com 138 especialistas de diferentes áreas que, enquanto membros do júri, têm sido cruciais para a seleção dos vencedores.

Rolex Awards, Vreni Haussermann

Huinay Scientific Field Station situa-se numa área isolada dos fiordes da Patagónia chilena. Aqui, Vreni Häussermann, bióloga e exploradora marinha, leva a cabo investigações no âmbito de uma campanha de proteção e conservação deste ‘hotspot’ de biodiversidade. © Rolex/Ambroise Tézenas

Com efeito, o processo de seleção dos candidatos é rigoroso. Em causa, estão várias etapas pelas quais os candidatos têm de passar e abrange um leque alargado de instituições. Na primeira fase, são apresentados projetos provenientes de todo o mundo e a seleção é feita tendo em conta as potencialidades e a viabilidade. Depois, os candidatos selecionados são entrevistados para, por fim, serem então distiguidos por um júri especializado. No caso do Rolex Awards for Enterprise propriamente dito, o prémio compreende financiamento para o seu projeto no valor de 100.00. francos suíços. No caso do Young Laureates, o prémio compreende 50.000 francos suíços. Em ambos os casos, os vencedores recebem ainda um relógio Rolex e vêm os seus projetos serem divulgados numa campanha a nível mundial.

Edição de 2016

Rolex Awards, Kerstin Forsberg

O projeto de Kerstin Forsberg tem por objetivo proteger e conservar as raias gigantes. © Getty Images/ Martin Strmiska

Geralmente, os Rolex Awards for Enterprise realizam-se de dois em dois anos. Porém, para marcar os 40 anos da iniciativa, a Rolex decidiu premiar cinco candidatos de ambos os programas. Com idades compreendidas entre os 23 e os 64 anos, os finalistas foram selecionados de um grupo de 2.322 candidatos de 144 nacionalidades diferentes. Na cerimónia de atribuição dos prémios, realizada no passado mês de novembro, em Los Angeles, Bertrand Gros, o Presidente da Rolex S.A., referiu que «o objetivo desta celebração é premiar homens e mulheres que, através da sua criatividade, determinação, coragem e entusiasmo, contribuem para o futuro e bem-estar da humanidade», e acrescentou «desde [1976], fizemos o nosso melhor para apoiar indivíduos de todo o mundo a concretizarem os seus sonhos, o seu espírito criativo e as suas ambições».

Rolex Awards, Sarah Toumi

Sementes de acácia no Bou-Hedma National Park, na Tunísia; com o projeto Acacias for All, Sarah Toumi (Young Laureate) pretende combater a desertificação causada pelas mudanças climatéricas. © Rolex/Reto Albertalli

Os vencedores dos Rolex Awards for Enterprise foram Andrew Bastawrous (Reino Unido), Kerstin Forsberg (Peru), Vreni Häussermann (Chile/Alemanha), Conor Walsh (Irlanda) e Sonam Wangchuk (Índia). Já no caso dos Young Laureates, os vencedores foram Joseph Cook (Reino Unido), Oscar Ekponimo (Nigéria), Christine Keung (Estados Unidos da América), Junto Ohki, (Japão) e Sarah Toumi (França/Tunísia) representam projetos tão diferentes como a proteção da manta gigante, o desenvolvimento de um fato robótico para prolemas de mobilidade ou a procura de soluções para a falta de água destinada à agricultura. Esta síntese revela bem a variedade das iniciativas em causa e das áreas de intervenção. Com o encerramento da edição de 2016, as inscrições para a edição de 2018 dos Rolex Awards for Enterprise já estão abertas – desde o dia 1 de dezembro e encerram a 30 de junho. É tempo por isso de arriscar. Se ainda tem dúvidas, inspire-se pelos projetos que aqui deixamos ou visite o site oficial da iniciativa. Afinal, trata-se um programa cujo principal objetivo é mesmo melhorar a vida no nosso Planeta. Uma causa nobre, portanto.

As iniciativas

Joseph Cook

29 anos, Reino Unido
Young Laureate

Rolex Awards, Joseph Cook

Young Laureate Joseph Cook, extraindo bactérias e minerais de uma amostra de água. © Rolex/Joseph Cook

«Através da missão Ice Alive, explora micróbios de gelo polar na vasta «floresta tropical congelada» da camada de gelo da Groenlândia.»

Oscar Ekponimo

30 anos, Nigéria
Young Laureate

Rolex Awards, Oscar Ekponimo

Oscar Ekponimo (centro) e o gerente de supermercado Abduljeleel Salawudeen (esquerda) selecionam items para a aplicação Chowberry. © Rolex / Tomas Bertelsen

«Lida com problemas relacionados com a pobreza alimentar através da Chowberry, uma aplicação baseada numa cloud que automatiza a monitorização de produtos alimentícios que se aproximam do fim da vida útil, ajudando a aliviar a fome no país.»

Christine Keung

24 anos, Estados Unidos
Young Laureate

Rolex Awards, Chirstine Keung

Christine Keung (esquerda) testa, com os seus colegas, água de um poço perto de Yanan, na China. ©Rolex/Qilai Shen

«Emigrou para os EUA com quatro anos de idade, e usa a sua formação como uma força para realizar o bem, capacitando as mulheres no noroeste da China para trabalhar com médicos e da indústria para atuar como administradores ambientais e agentes de mudança.»

Junto Ohki

de 29 anos, Japão
Young Laureate

Rolex Awards, Junto Ohki

Junto Ohki em reunião com uma intérprete de linguagem gestual e duas pessoas surdas. No ecran do computador pode-se ver o dicionário on-line SLinto.

«Procura melhorar a comunicação entre pessoas com deficiência auditiva em todo o mundo, expandindo um dicionário de banco de dados de linguagem de sinais on-line crowdsourced chamado SLinto.»

Sarah Toumi

29 anos, França/Tunísia
Young Laureate

Rolex Awards, Sarah Toumi

Sarah Toumi planta sementes de acácia em Bir Salah, na Tunisia. ©Rolex/Reto Albertalli

Lidera uma iniciativa de base, Acacias for All, na Tunísia, para tentar «combater a desertificação do país causada pelas mudanças climatéricas e reduzir a pobreza entre os agricultores, através do reflorestamento e de culturas mais adequadas a uma menor precipitação.»

Andrew Bastawrous

36 anos, Reino Unido
Laureate

Rolex Awards, Andrew Bastawrous

Andrew Bastawrous usa a aplicação Peek para efetuar exames oftalmológicos. ©Rolex/ Joan Bardeletti

«É um oftalmologista cujo sistema de exame portátil de olho baseado em smartphones, a Peek Vision, está a mudar radicalmente os cuidados com os olhos na África sub-saariana e em outras áreas com poucos recursos.»

Kerstin Forsberg

32 anos, Peru
Laureate

olex Awards, Kerstin Forsberg

A bióloga Kerstin Forsberg participa numa ‘street parade’ de consciencialização relativamente à conservação das raias gigantes. ©Rolex/ François Schaer

«É uma bióloga que protege as raias gigantes, ajudando os pescadores a encontrar no ecoturismo uma fonte alternativa de renda e treinando-os junto aos ecoturistas para coletar dados sobre a distribuição e abundância dessa espécie.»

Vreni Häussermann

46 anos, Chile/Alemanha
Laureate

Rolex Awards, Vreni Haussermann

Vreni Häussermann e a sua equipa analisam vida marinha no laboratório. ©Rolex/Ambroise Tézenas

«Explora os fiordes da Patagónia chilena para documentar a vida desconhecida e única no fundo do mar em três áreas remotas, combinando exploração e ciência, na tentativa de criar apoio para a conservação, através do alcance público.»

Conor Walsh

35 anos, Irlanda
Laureate

Conor Walsh (esquerda) e um colega montam um exosuit num manequim. Leve, têxtil, elástico e mecanizado, o exosuit ensina nervos, músculos, tendões e articulações danificados a funcionar novamente. © Rolex/Fred Merz

Conor Walsh (esquerda) e um colega montam um exosuit num manequim. Leve, têxtil, elástico e mecanizado, o exosuit ensina nervos, músculos, tendões e articulações danificados a funcionar novamente. © Rolex/Fred Merz

«É um engenheiro mecânico e biomédico, com sede na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, que lida com problemas de mobilidade de pacientes que sofreram acidentes vasculares cerebrais e outros, desenvolvendo um fato robótico macio que pode ser usado por cima de roupas e permitirá a pessoas com deficiências físicas caminhar sem assistência.»

Sonam Wangchuk

50 anos, Índia
Laureate

Rolex Awards, Sonam Wangchuuk

Sonam Wangchuk e um colega criam uma rede de goteiras de irrigação para uso de água das ‘stupas de gelo’. ©Rolex/Stefan Walter

«É um engenheiro oriundo de Ladakhi que procura resolver o problema da falta de água para a agricultura nas paisagens desérticas do Himalaia ocidental, através da construção de ‘stupas de gelo’ — estruturas semelhantes aos monumentos budistas, estes montes de gelo cónicos comportam-se como miniglaciares artificiais, libertando lentamente a água na estação de crescimento.»