Crónicas, Histórias, Histórias

Ponto de vista: encontrar a sua voz (o programa Mentor & Protégé como imagem dos valores Rolex)

Rolex Mentor & Protégé

O que é que Mia Couto e Julián Fuks têm em comum, além de serem escritores que escrevem em língua portuguesa? Muita coisa certamente. Mas o que sabemos é que agora estão mais próximos graças ao programa filantrópico Mentor & Protégé. Uma crónica (em jeito de carta) sobre a Rolex, mas que não é sobre a Rolex.

Foto de abertura: Mia Couto e Julián Fuks. © Mentors & Protégé

Meu caro,

Ainda me recordo do nosso último almoço na Cervejaria Ramiro, em Lisboa!

Mal nos sentámos, ofereceste-me o último livro do Mia Couto: Mulheres de Cinza.

“Está tudo neste livro!”, dizias, “vê tu: Moçambique nos anos 1890 e um poeta, Mia Couto, a descrever como ninguém o choque frontal entre uma África herdeira das mais ancestrais tradições e um pequeno povo europeu, Portugal, embriagado pela sua superioridade religiosa, social e militar. Enquanto o escritor te encaminha magistralmente para uma possível convergência entre dois mundos que tudo opõe, estala um conflito armado!”

Bem reconheci o teu gosto pelos romances históricos! Mas confesso que raramente te vi tão empolgado, como dessa vez. Nota-se que estás agora a passar pela tua ‘fase de autores africanos’, para enriquecer o teu conhecimento da língua portuguesa. Mal tinhas acabado A Rainha Ginga de José Eduardo Agualusa, atacaste a trilogia de Mia Couto As Areias do Imperador.

E é precisamente por isto que tenho tanta pena por não teres conseguido estar em Lisboa nesta quarta-feira – 15 de março.

A Rolex convidou-nos para um encontro com… advinha quem? Com o próprio Mia Couto e com um jovem autor brasileiro, Julián Fuks, a propósito da edição de 2016/2017 do programa filantrópico Mentor & Protégé: Mia Couto como mentor; Julián Fuks como discípulo.

O Diretor Geral da Rolex em Portugal Benoît Falletti e Rebecca Irvin abriram a sessão, com a responsável internacional pela iniciativa a recordar num português impecável (chegou a ser jornalista em Lisboa nos anos 80) as palavras de Bertrand Gros, diretor do Conselho de Administração da Rolex SA: “ acreditamos firmemente na ideia de uma transmissão pessoal do conhecimento, bem com no valor do intercâmbio entre gerações e culturas”.

Há dois anos, a própria Rolex já nos tinha convidado para partilhar um momento com o jovem Vasco Mendonça e com a sua mentora Kaija Saariaho, precisamente no contexto deste programa. Já na altura, tinhas ficado admirado por não ver relógios, nem sequer o lançamento de um modelo novo. Ainda me lembro da tuas palavras: “estás a ver? É isto que faz a diferença entre uma marca gerida por uma fundação, que não se sente pressionada pelos acionistas para faturar sempre mais. A Rolex tem as convicções perfeitamente explícitas no programa Mentor e Protégé. Ainda bem que continua a ser a maior marca de relógios do mundo para poder levar a cabo atividades como esta…”

Para mim, sem dúvida, o momento alto do encontro foi quando o músico/autor Kalaf Epalanga leu um excerto do livro Mulheres de Cinza, o tal que me ofereceste. Que grande escolha para desdobrar a força evocadora das palavras do Mia Couto.

Embora gostasse muito de te descrever agora em detalhes a conversa entre os dois autores, vou reservar este momento para o nosso próximo encontro. Até porque, como o Julián Fuks afirma, o Mia Couto ajudou-o a encontrar a sua voz como escritor e tenho demasiada amizade para contigo para limitar este assunto a palavras escritas!

Abraço forte de uma Lisboa primaveril!