História

A propósito de “Hidden Figures”: quando a (TAG) Heuer também orbitou a Terra

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Só há uns dias consegui sentar-me no sofá para ver Hidden Figures e posso avançar com toda a certeza que ainda bem que me sentei no sofá com paz e sossego porque realmente gostei do filme. Mas não estou aqui para falar do filme propriamente dito ou para dizer que gostei muito e que recomendo. Estou aqui só para dizer que o John Glenn que encontramos no filme não usa um stopwatch Heuer como aconteceu na realidade. Pelo menos não dei conta disso ( se alguém deu, agradeço que me informe). É grave? Acho que não. Mas sempre é um bom argumento para relembrar a história de que estamos a falar

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É sabido que a Omega reclama para si um lugar na história enquanto primeiro relógio de pulso suíço no espaço: foi um Speedmaster que os astronautas da missão Apolo 11 usaram, em 1969, quando se tornaram nos primeiros seres humanos a pisarem a Lua. No entanto, a TAG Heuer reivindica também para si um lugar ao sol (ou melhor, no céu) enquanto primeiro instrumento do tempo suíço no espaço. Em causa está um stopwatch que teria sido usado pelo primeiro astronauta americano a orbitar a Terra.

Com efeito, em 20 de fevereiro de 1962, a NASA procurava seguir as pisadas dos seus arquirrivais russos — no ano anterior, o cosmonauta Yuri Gagarin tinha-se tornado no primeiro homem a orbitar a Terra — e conseguiu, com sucesso, orbitar a Terra. O herói foi o americano John Glenn, que pilotou a sonda Mercury Friendship 7. É esta parte da história que o filme Hidden Figures aborda.

Como é óbvio, o astronauta americano teria de estar bem equipado para levar a cabo uma missão de tal calibre e os instrumentos de contagem de tempo seriam fundamentais. Curiosamente, sabe-se que Yuri Gagarin terá usado na sua missão um Sturmanskije, um cronógrafo made in Russia. Já Glenn usou no seu braço um 2915A modificado, um stopwatch de corda manual com assinatura Heuer. Entre as principais caraterísticas deste instrumento do tempo estavam o seu mostrador aberto que oferecia uma excelente legibilidade, com segundos contados por meio de um ponteiro central e horas e minutos por meio de dois submostradores às 6 e às 12 h, respetivamente. A cronometragem era ativada sob pressão na coroa, localizada na parte superior da caixa, e desativada através de um pequeno botão localizado na lateral.

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Através de bancos de imagens da NASA, é possível descobrir uma série de fotos históricas nas quais podemos ver o stopwatch Heuer a ser usado: estava preso ao braço do astronauta por uma espécie de cinta elástica, já que era um instrumento de mão. Foram estas imagens que terão estado na base de uma investigação, levada a cabo por Jeff Stein, autor do conhecido site onthedash.com, que levou à descoberta deste stopwatch. Com efeito, só em 2006 é que a comunidade relojoeira ficou a saber efetivamente que terá sido um instrumento do tempo Heuer que John Glenn usou na sua missão. O artigo então publicado merece ser lido. Entre imagens e muitas outras curiosidades, podemos ficar a saber, por exemplo, que este cronómetro serviu como instrumento de apoio, e também que a primeira comunicação de Glenn depois do lançamento terá sido «The clock is operating», referindo-se ao Heuer que o acompanhava.

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Em 2012, a TAG Heuer recuperou esta história e lançou a edição limitada TAG Heuer Carrera SpaceX 1887, em celebração dos 50 anos passados sobre o feito de John Glenn. O relógio então lançado surgiu com elementos evocativos do modelo original, surgindo mesmo com um mostrador bastante semelhante — apesar de incluir mais funções que vão ao encontro da nossa atualidade —, e apresentava detalhes evocativos da ligação da peça ao espaço. Às 9 h, podemos ler os anos históricos de 1962 e 2012, e, às 3h, a referência «First Swiss Watch in Space».

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