Opinião

PONTO de VISTA | Underdog

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Esta semana, a Montblanc revelou aos cerca de 80 jornalistas que integram o exclusivo Club 4810 a sua estratégia para 2018, bem como as novidades que serão apresentadas no próximo Salon International de la Haute Horlogerie (SIHH) a decorrer na terceira semana de janeiro de 2018, em Genebra. Sem podermos revelar nada de estratégico, já que toda a informação recolhida padece de um rigoroso embargo até o primeiro dia do SIHH, eis as nossas impressões.

Uma das primeiras decisões que Jérôme Lambert – o ex-CEO internacional da Montblanc – tomou em 2014 foi a de convidar um grupo restrito de jornalistas para o chamado Club 4810 (em referência aos metros da mais alta montanha dos países da União Europeia), uma espécie de clube exclusivo com acesso privilegiado à estratégia e às novidades da marca. Entretanto promovido a um cargo de chefia mais abrangente no grupo Richemont, Jérôme Lambert entendeu imediatamente que a marca alemã Montblanc carecia de credibilidade relojoeira junto dos colecionadores e da imprensa internacional.

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A Espiral do Tempo integra o Club 4810, uma espécie de clube exclusivo com acesso privilegiado à estratégia e às novidades da Montblanc. © Hubert de Haro

A bela relojoaria era confinada quase exclusivamente às marcas suíças de reputação centenária, como a Jaeger-LeCoultre que chegou a presidir – sendo raras as exceções, como a saxónica Lange & Söhne também integrante do grupo Richemont. A Montblanc vestia a pele de underdog, essa expressão tão americana que no desporto define quem corre por fora ou faz a figura do menos favorito que bate o pé diante dos principais candidatos; no panorama relojoeiro, a Montblanc fazia o papel de uma marca global de luxo que no seu extenso porfólio ‘também’ tinha uma coleção de relógios… mas com muito pouca expressão comercial.

A Espiral do Tempo integrou o Club 4810 logo desde a sua incepção, em 2014. Juntamente com o nosso colega Fernando Correia Oliveira – responsável do Anuário dos Relógios e, a partir deste ano, dos Prémios da Relojoaria – fomos os únicos meios de comunicação social portuguesa convidados. E esta semana, a Montblanc revelou aos cerca de 80 jornalistas do Club a sua estratégia para 2018, bem como as novidades do próximo Salon International de la Haute Horlogerie (SIHH) a decorrer na terceira semana de janeiro de 2018, em Genebra.

Davide Cerrato, Diretor Geral da divisão de relógios da marca

Davide Cerrato, Diretor Geral da divisão de relógios da Montblanc. © Montblanc

Sem podermos revelar nada de estratégico, já que toda a informação recolhida padece de um rigoroso embargo até o primeiro dia do SIHH, eis os três ensinamentos que podemos reter desta semana passada nas montanhas americanas:

– “A partir de agora, Minerva é Montblanc e Montblanc é Minerva” – declarou Davide Cerrato, Diretor Geral da divisão de relógios da marca. Traduzindo esta afirmação, podemos antecipar que os próximos modelos a utilizar os calibres Minerva (tais como os Monopusher Chronographs 13.21, 16.29 ou 16.24) terão a assinatura Montblanc no mostrador. Uma decisão acertada que vem clarificar no mercado as confusões entre as marcas Montblanc, Minerva e ainda Villeret: afinal de contas, Less is More;

– A excelente reputação dos artigos de marroquineria Montblanc (produzidos em Itália, na Pelleteria Montblanc Firenze), conjugada com o gosto pelo vintage e a expertise de Davide Cerrato (desenvolvida na sua antiga função de Diretor de Marketing, Design e Produto na Tudor), deixam supor correias verdadeiramente apelativas na nova coleção de 2018;

– Após um ano de 2017 exclusivamente focado no espírito automóvel, com a linha TimeWalker totalmente redefinida, é de esperar que a marca complemente essa oferta desportiva com algo relacionado com o seu DNA.

Em conclusão, a nova linha de 2018 reuniu um consenso inabitual junto da imprensa internacional do Club 4810. E isso é de bom augúrio para a Montblanc.

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Nicolas Baretski, CEO Internacional da Montblanc. © Montblanc

Quanto a nós, tanto no que diz respeito à temática, como aos respetivos modelos que vimos, temos a certeza de que as novidades encontrarão um eco muito positivo junto do universo português dos amantes da bela relojoaria. A concentração da Montblanc no segmento dos 2.000 a 5.000 euros, conforme anunciou o novo CEO Internacional Nicolas Baretski, deverá ser também um motivo para consolidar o seu estatuto de marca de relojoaria fina com atitude.

O ‘Underdog’ vai certamente surpreender o establishment e os aficionados da bela relojoaria em 2018.