Alexandra Gonçalves

Morabeza

Crónica Viagens: «Morabeza»*

EdT56 — O arquipélago encaixado entre África e a América, povoado por Europeus e Africanos, com o qual todos se identificam.  Terra de toda a gente, talvez não pertença a ninguém, património bem tangível da humanidade, as outrora ilhas virgens transportam agora no rosto do seu povo a mescla de outros povos que por lá passaram, para fazer do arquipélago a sua casa ou apenas um ponto de passagem que deixa saudade… desculpem, sodade. * «Morabeza» não tem tradução literal. É percetível como o saber receber do povo cabo-verdiano.

Kruger Park

Crónica: «Out of Africa»

EdT56 — Há cerca de um ano, recebi um convite para passar alguns dias no timeshare de uns amigos, no Mjejane Game Reserve, a poucos quilómetros do Kruger Park, na África do Sul. O convite foi reafirmado no início deste ano, para nosso total deleite… No fundo, eu sabia que as palavras então ditas não tinham sido soltas ao vento, mas proferidas com intenção e vontade.

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Crónica: «Leve, leve-me»

EdT55 — Acabei de chegar do paraíso. A menos de duas horas de avião de Luanda, há uma espécie de joia verde, plantada no Oceano Atlântico, romanticamente posicionada entre os hemisférios norte e sul, sobre a linha imaginária do Equador. Ainda no avião, à chegada, a quilómetros de altitude, brota de repente esta ilha que, de aspeto um tanto ‘brocular’ — porque é verde, saudável e com uma vegetação muito densa —, nos enche de espanto.

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Crónica: «O Mar de Benguela»

EdT54 — Há qualquer coisa de muito entusiasmante nas road trips. Fazer as malas, preparar tudo o que for (aparentemente) imprescindível para a viagem, equipar o carro, decidir o horário de partida, fazer o diário de bordo, contar minuciosamente cada quilómetro percorrido, qual conquista, descobrimento, 500 batalhas de uma guerra, 500 beijos apaixonados, 500 km Luanda-Benguela…

Sentimentos ritmados

Crónica: «Sentimentos ritmados»

EdT53 — Guitarra e voz, pela madrugada fora. Tenho uma relação quase visceral com a música. Uma voz paciente, apaziguadora. A voz do meu pai. Talvez o primeiro som de que tenha memória. O choro insistente de uma criança a dar o mote para esta forçada tertúlia familiar. Um amor incondicional pela música a formar-se desde esse momento. Entendo a música como o som dos nossos sentimentos.

Lubango © Bernardo Gramaxo

Crónica: «Que haja tempo… sempre»

EdT51 — Está calor, demasiado trânsito, e os ponteiros do relógio impõem, minuto após minuto, ruidosamente, a ditadura do tempo. O quotidiano de Luanda é demasiado intenso… Sentada à secretária, conto os tais minutos (os segundos, talvez) para seguir para o aeroporto e embarcar rumo ao destino escolhido. Uma outra Angola, tão diferente daquela que vislumbro por entre a janela, com vidro, betão e aço inoxidável a entrecortar a vista para o mar. Luanda é bonita, ainda assim. Mas…há o verde do Lubango…e as dunas do Deserto do Namibe. Outras paragens esperam por nós.