Gonçalo Pereira

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Crónica: «Depois do sapo de Galvani»

EdT52 — Parece inverosímil, mas a incrível história dos motores elétricos não começou numa oficina, nem com um mecânico. Começou com um sapo. Ao contrário dos sapos das fábulas juvenis, este exemplar já encomendara a alma ao criador — aliás, dele, restava apenas metade do corpo que, mesmo assim, suscitou, neste ano da graça de 1791, a curiosidade de um professor de Anatomia na Universidade de Bolonha.

Monstros marinhos
representados na
extremidade do Atlas
de Monte. Mesmo
em 1590, numa altura
em que todos os
oceanos já estavam
identificados, estas
figuras fantásticas
permaneciam no
imaginário europeu.

Crónica: «Já não há dragões nos mapas»

EdT51 — Quinze minutos antes da meia-noite do dia 20 de abril de 1792, no atual estado brasileiro do Pará, uma estranha comitiva de europeus e indígenas detém-se, maravilhada, em face da observação que acaba de fazer. Perto da confluência dos rios Guamá e Capim, uma onda poderosa, que se faz anunciar com um ruído ensurdecedor, cresce em volume e velocidade, e invade, com o rugido de um trovão e a fúria de um exército, cada um dos caudais dos rios. Espezinha culturas, derruba árvores e vira canoas, espantando um homem da ciência como Alexandre Rodrigues Ferreira.