Rui Cardoso Martins

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CRÓNICA LITERATURA – Este escritor nada seco

EdT56 — Desculpem começar com uma anedota pessoal, mas, há dois anos, na recensão que fez a um romance meu, um crítico literário chamou a atenção do público para a nítida influência de Raul Brandão na minha obra. Com isto, o crítico, que muito respeito no seu trabalho académico e  nos jornais, chamou-me também a atenção para o facto de nunca eu ter lido Raul Brandão na vida. Era tempo de o descobrir, nunca é tarde para tapar buracos na nossa ignorância.

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CRÓNICA LITERATURA – Espreitar para dentro da bota

EdT51 — «Nem que deixe a pele nisto» é uma frase do António sobre a sua forma de escrever. No caso dele, toda a vida. Há muitos anos, para evitar contrariedades (ou para as inventar), virei do avesso uma opinião portuguesa sobre o trabalho e o resto. Nessa altura, disse a alguém: − A minha relação com António Lobo Antunes é estritamente de amizade. Nunca me verão meter na sua vida profissional.

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CRÓNICA LITERATURA – O jovem mestre da Rússia

EdT53 — Dostoiévski resumiu: «Todos nós saímos debaixo d’O Capote de Gogol». Referia-se ao grupo de escritores russos do século XIX que revolucionaram a arte do romance e do conto com um fortíssimo realismo moral e psicológico. Isto é, o próprio Dostoiévski, Tolstói, Turgueniev, Tchékhov, etc. Na verdade, a frase manteve-se viva no século XX e continua a servir para aquilo que de bom se escreve neste século XXI.

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Crónica: «Os enganos verídicos da memória»

EdT50 — Por circunstâncias profissionais (quando as coisas atacam todas ao mesmo tempo) e climatéricas (as intermitências da primavera), encontro-me, ao escrever agora, em sintonia com um desabafo que há longos anos escutei a uma personagem literária. Algures na vida, disse Austerlitz, tinha chegado a um tal momento de prostração e desespero que até o mais simples gesto quotidiano, como abrir uma gaveta de papéis, lhe parecia uma violência para lá de qualquer capacidade humana.