TORRES JOALHEIROS
 
LISBOA
Muito mais do que uma mão cheia

Nenhuma empresa em Portugal, no mercado da relojoaria e joalharia, associa a dimensão à tradição, como a Torres Joalheiros. Com cinco lojas em Lisboa e uma em Cascais, é uma referência incontornável em termos nacionais e internacionais – é um dos mais antigos agentes Rolex do mundo. Estivemos com Paulo Torres que representa a 5.ª geração deste pilar do luxo e bom gosto em Portugal e que nos revela um saber e uma sensibilidade feitos de muita e acumulada experiência.

entrevista de Paulo Costa Dias  |  fotos de Nuno Correia

Paulo Costa Dias: Como é a responsabilidade de estar à frente de um negócio que vai na 5.ª geração e que tem um nome incontornável em termos nacionais e internacionais?
Paulo Torres: É uma responsabilidade acrescida por essas mesmas razões, ouve na família quem tivesse a visão de projectar o nome para um patamar de qualidade que hoje tem que se manter. É o objectivo desta 5ª geração.

PCD: Quem mais o influenciou para que tenha essa responsabilidade, hoje?
PT: Todos os meus familiares e alguns colaboradores tiveram um papel importante na minha formação. Obviamente que houve pessoas com quem lidava diariamente que tiveram maior influência. O meu Tio, Pedro Torres foi uma delas...

PCD: Como é isso de nascer e crescer ao ritmo das alternâncias de um relógio? Como é essa convivência geracional com o luxo, a alta-qualidade, a superior categoria dos produtos que se vende?
PT: Viver neste mundo desperta por si só curiosidade e eu não fui alheio ao movimento do ‘pêndulo’, da micromecânica, dos reflexos dos metais nobres e brilhos das pedras de cor. A descoberta e gosto por esta profissão recheada de invenções tecnológicas, de arte, de evolução no design e ges-tão de relacionamentos foram determinantes na minha aposta.

PCD: Como é que um gestor ligado ao mundo dos intrumentos que aferem o Tempo, gere o seu tempo entre 6 lojas?
PT: É um trabalho de equipa, pois é impossível estar ao mesmo tempo em todo o lado. É fundamental delegar responsabilidades a todos os que fazem parte da nossa organização. Há sempre um acompanhamento diário em todas as lojas por parte de um gestor, que faz parte da família.

PCD: Vê-se à frente de outro negócio?
PT: Não.

PCD: O universo Torres Joalheiros inclui relojoarias que não têm esse nome. Porque não há uma identidade comum, um mesmo conceito, uma marca Torres Joalheiros?
PT: Razões de índole familiar e também comercial. Cada insígnia tem o seu cliente alvo bem demarcado e a oferta de produtos é diferente e complementar. São dois nomes incontornáveis no nosso sector e cada um com uma identidade muito própria.

PCD: Mas há valores comuns, presumo. O que melhor define o universo Torres Joalheiros?
PT: Os valores comuns são a tradição e a confiança alicerçada na qualidade irrepreensível do leque de produtos que oferecemos. Atendemos hoje muitos dos filhos que em ‘miúdos’ acompanhavam os seus pais! Fazemos jus ao mote ‘de geração em geração’.

PCD: Que diferenças há no vosso atendimento e no que pretende o vosso clientes de há décadas ou os novos consumidores de alta-relojoaria? Há um cliente tipo dependendo da loja?
PT: Apesar de almejarmos um atendimento padronizado e de nível superior há clientes que só vão a determinada loja! É curioso mas penso estar relacionado com a fidelização à própria loja. Em termos gerais não se pode dizer que haja diferen-ças no tipo de cliente porque antes como hoje o nosso cliente tem um nível de exigência muito alto. Talvez há 15 ou 20 anos ao cliente bastasse a palavra do vendedor.

Hoje em dia existe um manancial de informação à disposição dos clientes, quer sejam revistas da especialidade ou Internet. Há também mais marcas e as solicitações são maiores. Em termos de atendimento acredito que os nossos clientes continuam a privilegiar um atendimento persona-lizado, sentados confortavemente e com todo o tempo e atenção do vendedor.

Temos uma loja no Centro Colombo que apesar de aliar estes factores é sem dúvida a nossa loja com maior compra por impulso o que é sintomático da tipologia de comércio onde está inserida.

PCD: O Grupo Torres Joalheiros tem 2 lojas excepcionalmente bem posicionadas na Baixa de Lisboa. Continua a justificar-se a Baixa como aposta comercial?
PT: Na baixa pombalina temos Torres Joalheiros e Ourivesaria Pimenta que coabitam a mesma área comercial, com posicionamentos e produtos diferentes mas que acabam por ser complementares. 
A Torres é um ex-libris do sector com uma clientela muito fidelizada, é a loja sede. É a nossa loja com memória colectiva! A Pimenta partilha os mesmos atributos mas com maior clientela turística pela sua localização privilegiada na Rua Augusta, uma das poucas pedonais da nossa capital.

PCD: Para onde vai o universo Torres Joalheiros. Que desafios são impostos pelo correr do Tempo?
PT: Pretendemos aumentar e melhorar a nossa presença no mercado e junto dos clientes através de iniciativas de marketing interno e outras apoiadas pelas empresas do grupo. Através da  revista interna da rede de lojas - Jóias de Família – e de outras iniciativas como os encontros de fim de tarde, dos jantares restritos e de coleccionadores e exposições permitem-nos estar mais próximos dos nossos clientes. Paralelamente iremos manter a tradição de ‘saber fazer’ e os mais elevados padrões de qualidade quer ao nível dos produtos e serviços apresentados quer ao nível de um atendimento exemplar apoiado por acções de formação profissional. Queremos continuar a ser a referência e sempre que possível superar as expectativas dos nossos clientes. É nossa intenção fazer renovações aos actuais ambientes de loja, apostando em corners das melhores marcas, oferecendo um padrão de qualidade superior e que os nossos clientes merecem. As grandes marcas perpetuam-se e a nossa também.

PCD: Sendo a única organização em Portugal com esta dimensão e das mais antigas, ser um negócio familiar ajuda?
PT: O nosso modelo de negócio é assim que funciona. É desta forma que sabemos fazê-lo. Com uma liderança próxima dos vendedores e imprimindo um cunho muito pessoal ‘dando a cara’, os clientes sentem-se confortáveis em saber que “...aquele é o Sr. Torres...”. Tem um efeito psicológico e transmite confiança – “...o dono está lá...”. Sem dúvida que este modelo ajuda porque não estamos a falar de uma empresa descaracterizada, sem alma, em que ninguém sabe quem é o dono e onde fica no ar “...eles é que sabem...”. Mas quem são eles?

PCD: Como vê o actual momento da indústria relojoeira? E em Portugal, que reflexos chegam?
PT: A indústria relojoeira Suíça está pujante. Cada vez mais exigente com os seus parceiros comerciais. Houve uma grande concentração no meio e penso que em Portugal se reflectiu e nem sempre das melhores formas. É uma realidade e temos de nos adaptar.

PCD: Que fascínio é este que os relógios exercem? Como conhecedor e apaixonado, o que se deve valorizar num relógio? Há relógios que acompanham os momentos? Devemos ir para as marcas tradicionais ou novos criadores?
PT: Os relógios são especialmente para a maioria dos homens a única peça de adorno que tem um uso diário. Acredito que exista uma relação quase de amor por esta peça. Para os apreciadores esta relação ainda é mais notória. Ter um relógio mecânico alimentá-lo todas as noites à mesma hora é um ritual de prazer, um momento único de dedicação.
Há que estratificar do que é que se está a tratar. Falamos de relógios de luxo com mecanismos de quartzo ou de alta relojoaria com mecanismos mecânicos de real manufactura e com e com inventos ou inovações revolucionárias? Não há ninguém que lhe diga o que se deve valorizar num relógio!

Depende da pessoa, dos seus gostos, da sua utilização e capacidade financeira. Posso é realçar os pontos fortes e fracos entre um relógio mecânico e um relógio de quartzo. Penso que de alguma maneira já todos tivemos a experiência de receber um relógio pela quarta classe. De facto há muitos momentos que são comemorados com relógios especiais e relógios que nos acompanham nos gran-des momentos. O nascimento de um filho, o dia dos pais, os aniversários em geral, o dia do casamento, uma promoção ou emprego novo.

PCD: Durante décadas vivemos com a ideia de um governante que dizia: “Deus deu-me o dom de ser pobre”. Perturba o negócio esta visão que ainda vai existindo em Portugal de que não é de bom tom ser rico, ou parecer rico?
PT: A nossa sociedade alterou-se completamente. Hoje todos os casais trabalham, os orçamentos familiares são maiores e nunca como agora foi possível alcançar tanto em tão pouco tempo. O crédito está mais acessível que nunca. Vivemos numa sociedade consumista e de status. Se ‘Beltrano’ tem um Mercedes, ‘Sicrano’ compra um BMW. A questão que põe é um estigma que não existe actualmente.

PCD: O que é isso do luxo? Há alguma definição com que se identifique?
PT: Podemos definir o luxo como «todo aquele consumível ou não, que transcende a nossa realidade quotidiana e que possui um forte conteúdo simbólico de prazer pessoal e admiração social».

Cinco gerações
1913, em Torres Vedras - Anselmo Torres inicia a 
actividade de ourives na família.

1936, o filho vem para Lisboa - O espírito de iniciativa, dedicação e entusiasmo contagiante de Carlos Torres concretizam o sonho da expansão. Adquire a Casa Pimenta no Martim Moniz.

1950, novo estabelecimento – É inaugurada a Ourivesaria Pimenta na esquina da Rua Augusta com a Rua de Santa Justa, em plena Baixa Lisboeta, já então acompanhado por seu filho Carlos Augusto Torres.

1966, primeira joalharia a ostentar o nome da família - Situada ao lado do Elevador de Santa Justa e sob a liderança do neto mais velho de Carlos Torres, João Carlos Torres, inicia-se um novo ciclo do negócio fami-liar, decisivo na expansão da marca Torres Joalheiros.

1986 a equipa gestora ganha novos reforços com o contributo de Ricardo Torres e Paulo Torres, filhos de João Carlos Torres.

1987, na Rua Direita em Cascais - A Torres Joalheiros abre novo ponto de venda com um estilo arquitectónico moderno e inovador.

1989, nova loja na Av. de Roma – Também carregada de simbolismo no seu aspecto exterior, que gira em torno do tema “A mulher e a Jóia”.

1997, em grande - Abre uma Torres Joalheiros no maior e mais moderno Centro Comercial da Península Ibérica – o Centro Comercial Colombo.


Torres Joalheiros
R. do Ouro, n.º 255
1100-062 Lisboa
tel.: 213 472 753
www.torres.pt