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Corda aos sapatos em Genebra

Em Genebra/ A preparação do artigo de capa do número 62 da Espiral do Tempo levou-nos a Genebra. Na agenda, uma visita à Chopard em Meyrin e uma entrevista com o eterno gentleman e CEO da marca, Karl-Friedrich Scheufele. Para uma visita a Genebra não era nada um mau plano, nada mau mesmo! Mas eu não poderia adivinhar aquilo que realmente me esperava.

A questão é que este pobre operador de equipamentos fotográficos estava na companhia do editor técnico da Espiral do Tempo, Miguel Seabra. E quando se está com o meu caro colega e amigo Miguel tudo pode acontecer.

Estava frio, muito frio. O frio não era cortante, era mais como um punho fechado que oprimia o peito. Precisávamos de um local quente, de um café e de uma palavra amiga.

Bem dito, bem feito!

Cvstos

Descemos a rua e fomos bater à porta dos nossos amigos da Cvstos, na Rue Voltaire. Gente boa! Imediatamente o strapaholic Miguel revirou as gavetas à procura de braceletes novas para o seu Chrono Challenge II. Com a conversa posta em dia, ainda tivemos direito a um empréstimo especial – um novíssimo Sealiner Regata Automatic, ao qual tirámos uns retratos.

Os ateliers da Cvstos na Rue Voltaire.
Os ateliers da Cvstos na Rue Voltaire. © Paulo Pires/ Espiral do Tempo
Passeio em Genebra com o Cvstos Sealiner Regata Automatic no pulso.
Passeio em Genebra com o Cvstos Sealiner Regata Automatic no pulso. © Paulo Pires/ Espiral do Tempo

F.P.Journe

Chegava a hora de dar corda aos sapatos, atravessar o rio, junto ao Parque Saint-Jean, e seguirmos para a segunda visita do dia: nada mais nada menos do que uma entrevista a François-Paul Journe para uma apresentação dos novos Chronographe Monopoussoir Rattrapante pelo mestre himself!

Se valeu a pena!

Pessoalmente, acho os novos Chronographe Monopoussoir Rattrapante deslumbrantes e tivemos acesso às três versões lançadas até ao momento. Enquanto eu me divertia a fotografá-los, o  Miguel conversava com o mestre Journe.

O mestre François-Paul Journe à conversa com a Espiral do Tempo e o "coração" do seu Repetição de Minutos.
O mestre François-Paul Journe à conversa com a Espiral do Tempo e o “coração” do seu Repetição de Minutos. © Paulo Pires/ Espiral do Tempo
François-Paul Journe Chronographe Monopoussoir Rattrapante
F.P.Journe Chronographe Monopoussoir Rattrapante. © Paulo Pires/ Espiral do Tempo

Para mim, o ponto alto desta visita foi, claro, quando eu perguntei a François-Paul Journe, que considero como um dos mais geniais relojoeiros da atualidade, se queria ver um relógio ‘a sério’. Eis que, em segundos, o meu Seiko SKX 007 estava nas mãos e a ser acertado para o fuso suíço pelo mestre marselhês!

– Hum… é um belo relógio… – comentou ele.

Mas, cá no íntimo, acho que o mestre não ficou lá muito impressionado.

Boa disposição reinante, fizémos um pequeno tour pelos ateliers da F.P. Journe Invenit et Fecit e despedimo-nos com promessas de um futuro encontro em Lisboa. Acho que se falou também de sardinhas assadas e vinho branco fresco! Parece-me um bom programa…

Chopard

Almoço e tempo de voltar ao hotel. Esperáva-nos o nosso transporte para Meyrin, onde Karl-Friedrich Scheufele, copresidente da Chopard, iria falar connosco sobre o novo L.U.C Quattro, uma das grandes novidades apresentadas este ano pela marca e que foi a nossa escolha para a capa da edição de primavera 2018 da Espiral do Tempo.

Os 15 minutos previstos para a entrevista transformaram-se numa hora que terminou com o CEO da Chopard a aceitar ser fotografado em mangas de camisa no espaço museológico existente nas instalações da marca. Não foi inédito, mas bastante invulgar.

Karl-Friedrich Scheufele em Meyrin e o novo L.U.C Quattro a ser montado em exclusivo para a Espiral do Tempo.
Karl-Friedrich Scheufele em Meyrin e o novo L.U.C Quattro a ser montado em exclusivo para a Espiral do Tempo. © Paulo Pires/ Espiral do Tempo

De Bethune

Depois de uma tarde ‘razoavelmente’ preenchida em Genebra, o Miguel continuava a não parar de falar na De Bethune…

Caros leitores, há anos que o Miguel me azucrina a cabeça com a De Bethune. Trabalho com alta-relojoaria há 13 anos, conheço as peças fantásticas da De Bethune, cujo virtuosismo relojoeiro é atestado por pessoas infinitamente mais conhecedoras do que este vosso ilustre ignorante, mas nunca tinha visto nenhuma criação da marca ao vivo.

– Tu até vais ficar maluco! – dizia-me o Miguel.

Fosse como fosse, na manhã seguinte, depois de uma nova visita às instalações da Chopard em Meyrin para assistir em exclusivo à montagem final do L.U.C Quattro, voltámos a Genebra e lá encontrámos os escritórios da De Bethune. Ali, fomos, então, recebidos por Pierre Jacques e Denis Flageollet com os quais imediatamente se iniciou uma conversa relojoeira. De repente, a frase mágica nestas situações. Alguém diz:

– Vou, então, buscar o tabuleiro.

Pierre Jacques com um DB5 no pulso e Denis Flageollet com o DB28 Digital.
Pierre Jacques com um DB5 no pulso e Denis Flageollet com o DB28 Digital. © Paulo Pires/ Espiral do Tempo

O tabuleiro, caros amigos, é onde vêm sempre aquelas pequenas maravilhas relojoeiras de que tanto gostamos. E o tabuleiro que foram buscar… deixou-me sem palavras.

Como escrevi atrás, nunca tinha visto nenhum De Bethune ao vivo e o que vi foram peças… deslumbrantes, únicas. Relojoaria à séria mas inovadora, provocadora, jocosa quase, mas capaz também de uma elegância extrema.

O Miguel tinha razão: fiquei maluco.

Estava satisfeito. Muito satisfeito, mas a próxima visita aguardava-nos.

M.A.D Gallery by MB&F

Próxima paragem, M.A.D. Gallery. A galeria de arte/boutique relojoeira da MB&F, do excelentíssimo Max Büsser. Mais um banho de relojoaria e de simpatia. Eu estava sentado a uma mesa e perante mim desfilaram peças incríveis. Das primeiras experiências com horas saltantes, ao fabuloso calendário perpétuo…

Juro que precisei de um abraço. Só me apeteceu gritar: mas o meu Seiko também é fixe não é??

Estava KO.

À esquerda, Balthazar e à direita a StarfleetMachine. Dois relógios de mesa da MB&F.
À esquerda, Balthazar e à direita a StarfleetMachine. Dois relógios de mesa da MB&F. © Paulo Pires/ Espiral do Tempo
O extraordinário MB&F Legacy Machine Perpetual.
O extraordinário MB&F Legacy Machine Perpetual. © Paulo Pires/ Espiral do Tempo
O MB&F HM5 Carbonmacrolon
O MB&F HM5 Carbonmacrolon. © Paulo Pires/ Espiral do Tempo

Em 24 horas úteis, Cvstos, F.P. Journe, Chopard, De Bethune, MB&F… uma lista de respeito.

Mas, de novo, o Miguel tinha uma guardada na manga.

– Vamos só a ali a um sítio que até vais ficar maluco.

Nesta fase, sempre que o Miguel dizia aquelas palavras, eu já acreditava piamente.

Akrivia!

Akrivia

Novamente, deixo os louvores relojoeiros para os entendidos mas, para mim, a desconhecida Akrivia é daquelas histórias quase poéticas que mantém viva a magia da relojoaria. Fundada por Rexhep Rexhepi, e à qual se juntou recentemente o seu irmão Xhevdet Rexhepi, é uma pequena marca que produz 25 peças por ano com uma componente de manufatura quase total.

Como nota final, Rexhep Rexhepi, aos 14 anos, recebia formação na Patek Philippe, tendo passado também pelos ateliers de François-Paul Journe. Aos 29 anos chamam-lhe “the next big thing”.

Akrivia Regulateur Tourbillon.
Akrivia Regulateur Tourbillon. © Paulo Pires/ Espiral do Tempo
Akrivia Tourbillon Monopusher Chronograph.
Akrivia Tourbillon Monopusher Chronograph. © Paulo Pires/ Espiral do Tempo

Genebra é isto caros amigos. Deslumbre relojoeiro, atrás de deslumbre relojoeiro. Não só pelas máquinas, mas sobretudo pelas pessoas.

PS: Reforçar o aviso ao Miguel de que, numa galeria, não se pode pegar em peças de arte e fingir que somos o Angus Young….

Miguel Seabra "rockando" na M.A.D. Gallery com a Birdfish Guitar, uma criacão de Ulrich Teuffel.
Miguel Seabra “rockando” na M.A.D. Gallery com a Birdfish Guitar, uma criacão de Ulrich Teuffel.

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