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Mikimoto: a magia das pérolas

No âmbito do 5º aniversário da sua loja na Avenida da Liberdade, em Lisboa, a Torres Joalheiros apresenta uma exposição dedicada à Mikimoto, mas além da exposição, a Torres Joalheiros promoveu ainda um workshop sobre Pérolas que contou com a presença de Sophie Nguyen, international brand manager da marca. E se estes dois momentos justificam revisitar a história do nome Mikimoto, o facto de 2018 coincidir com o 125º aniversário da sua origem ainda nos dá mais razões para viajar no tempo. 

Foto da entrada | Colar de pérolas do Mar do Sul com pendente assinatura com logo circular e fecho esfera em ouro amarelo e diamantes. © Mikimoto

Na cidade de Toba, no Japão, há uma ilha que se chama Ilha das Pérolas de Mikimoto. Foi nessa ilha que se terá conseguido a primeira bem sucedida cultura de pérolas pelas mãos de Kokishi Mikimoto (25 de janeiro de 1858 – 21 de setembro de 1954). É também nessa ilha que podemos encontrar uma estátua do próprio Mikimoto, conhecido como o ‘Rei das Pérolas’ e autor de frases famosas como “o meu sonho é colocar um colar de pérolas no pescoço de cada mulher deste mundo”.

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Kokichi Mikimoto, o Rei das Pérolas. Foto: Wikipedia

Diz a história que as pérolas são das preciosidades que mais cedo começaram a ser utilizadas como adorno. As primeiras referências arqueológicas remontam a cerca de 5500 anos a.C. Diz também a história que, nos finais do século XIX, foram diversos os japoneses que procuraram descobrir métodos de cultura de pérolas de água salgada. Entre eles, estariam Tokichi Nishikawa e Tatsuhei Mise. Este dois japoneses descobriram que a inserção de um núcleo no interior de uma ostra, juntamente com um enxerto de tecido epitelial de outra ostra, levava à segregação de nácar em torno desse núcleo, o que resultava na formação de uma pérola. Com efeito, as pérolas são produzidas em moluscos, nomeadamente em bivalves — moluscos constituídos por uma concha de duas partes — e a sua formação natural é o resultado de um mecanismo de defesa que o próprio animal desencadeia quando um corpo estranho — um parasita, por exemplo — se aloja no seu interior. Como reação, o molusco produz uma secreção, o nácar, composta na sua maior parte por carbonato de cálcio (e.g. aragonite) e por conchina (proteína), que se vai sobrepondo por camadas concêntricas em torno do elemento invasor. Em águas salgadas, as ostras são os bivalves produtores de pérolas mais reconhecidos.

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MIKIMOTO MILANO by Giovanna Broggian — Anéis em ouro branco e diamantes com pérola negra ou branca do Mar do Sul. — Coleção Oceanine. © Mikimoto

Kokichi Mikimoto

Terá sido Kokichi Mikimoto que, depois de anos de experiências falhadas, conseguiu desenvolver um processo de cultura de pérolas de superior qualidade. O segredo estava no material que servia de núcleo (a madrepérola) e no local perfeito para manter as ostras em repouso, de modo a que o processo de formação das pérolas não fosse perturbado — a costa de Toba, precisamente. Em 1893, com a sua primeira cultura bem-sucedida, Mikimoto marcava posição enquanto ‘inventor’ da cultura de pérolas de qualidade, um estatuto oficializado, no âmbito da celebração do centenário do seu processo patenteado, altura em que passou a integrar a lista dos dez principais inventores japoneses.

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MIKIMOTO – Colar em pérolas negras do Mar do Sul com pendente assinatura com logo circular e fecho esfera em ouro branco e diamantes; Colar em pérolas brancas do Mar do Sul com pendente assinatura com logo circular e fecho esfera em ouro branco e diamantes. © Mikimoto

São muitas as histórias que se contam sobre Kokishi Mikimoto. Entre elas, diz-se que o fascínio do japonês pelas pérolas se terá ficado a dever aos ‘caçadores’ de pérolas de Ise-Shima, a sua terra natal, que ele via emergirem da água, numa altura em que aos 13 anos foi obrigado a vender vegetais para ajudar a sustentar a sua família. Também se conta que o elevado valor que as pérolas naturais alcançavam no mercado levava a uma captura de ostras sem restrição, pelo que a cultura das pérolas se terá tornado um projeto de vida de Mikimoto como resposta à sua preocupação com a extinção das ostras. A verdade é que só a partir dos 30 anos é que o seu fascínio terá dado frutos, num percurso que se completou com a criação de joias que tinham, como não poderia deixar de ser, a pérola como elemento central.

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MIKIMOTO MILANO by Giovanna Broggian — Anel e brincos em ouro branco e diamantes com pérolas brancas do Mar do Sul — Coleção Delo. © Mikimoto

De entre as peças criadas com o seu nome, destaque para o Pagode Mikimoto, exibido na exposição de Filadélfia em 1929 e para a Coroa de Pérolas II, uma coroa baseada nas coroas bizantinas da Idade Média, terminada em 1979 depois de 14 meses de trabalho artesanal, bem como uma réplica do Sino da Liberdade dos Estados Unidos, totalmente adornado com pérolas. Antes da Segunda Guerra Mundial, Mikimoto tinha já expandido o seu negócio por todo o mundo e a sua marca terá sido uma das primeiras marcas japonesas a ser reconhecida internacionalmente.

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Colar em pérolas negras do Mar do Sul com pendente assinatura com logo circular e fecho esfera em ouro branco e diamantes. © Mikimoto

Hoje, o nome Mikimoto é sinónimo de qualidade superior aos mais diversos níveis: desde a seleção dos melhores materiais, passando pelo trabalho de excelência até ao compromisso para com o serviço ao cliente. Em causa está todo um processo que reflete dedicação, paixão e cuidado, um processo que começa na origem das próprias pérolas, já que a marca Mikimoto, para além de criar joias de excelência continua a destacar-se enquanto principal produtor mundial de pérolas.

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MIKIMOTO MILANO by Giovanna Broggian — Brincos e pendente em ouro branco e diamantes com pérolas brancas do Mar do Sul — Coleção Plocamos. © Mikimoto

As pérolas Akoya

Pérolas brancas, prateadas e douradas dos mares do Sul e negras do Tahiti enriquecem atualmente as joias Mikimoto. Mas em destaque estão mesmo as pérolas de cultura Akoya, a variedade de pérola com a qual Kokichi Mikimoto se lançou na cultura destas preciosidades. Quando em 1893 o japonês viu a sua primeira pérola de cultura, essa tinha sido criada por uma ostra Akoya, nome vernáculo local destes bivalves (Pinctada fucata). Mais tarde, em 1905, conseguia a primeira pérola de cultura Akoya de forma esférica. As pérolas Akoya são produzidas pelas ostras com o mesmo nome que vivem em comunidades nas águas costeiras do Japão, em profundidades que oscilam entre os 1 e os 5 metros. De pouca ondulação e de temperaturas amenas, estas águas contribuem para o brilho e as cores caraterísticas das pérolas Akoya: branco, creme, rosa e rosa prateado são as suas cores que chegam ao mercado com diâmetros que oscilam entre os 3 e os 9 a 10 mm.

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Kokichi Mikimoto a supervisionar o processo da cultura das pérolas. 

O processo inicial de cultura das pérolas Akoya está associado às Ama (mulher do mar), mulheres que mergulhavam até cerca de 10 metros de profundidade apenas com recurso às suas técnicas de respiração. O seu papel ancestral era recolher ostras para alimentação ou para procurar pérolas naturais. A partir de certa altura, começaram também a recolher ostras jovens para o processo de cultura. Na Ilha das Pérolas, ainda hoje é possível descobrir estas mulheres que fazem demonstrações de como este processo era levado a cabo. Ao serem recolhidas, as pérolas sofrem ainda um minucioso processo de seleção. Depois de se inserir o núcleo juntamente com o tecido epitelial nas gónadas da ostra hospedeira, os bivalves são colocados em cestos e transportados para o mar, onde ficam a repousar em diferentes profundidades.

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Anel em ouro branco 18 kt com diamantes e pérola Akoya (em cima); Anel em ouro branco com diamantes e pérola Tahiti. © Mikimoto 

Ao longo dos tempos, vai sendo feito o controlo da temperatura da água (em torno dos 20 graus) e a limpeza das ostras. A marca refere ainda que, de tempos a tempos, as balsas são reposicionadas para permitir a troca de plâncton, alimento das ostras crucial na determinação da cor das pérolas. Ao fim de sensivelmente 12 meses, as ostras estão prontas para serem abertas. Apenas 5% das pérolas Akoya recolhidas são selecionadas enquanto pérolas Mikimoto, onde a forma, oriente (ou brilho), dimensão, cor e qualidade de superfície, assim como espessura de nácar, se encontram de acordo com os padrões a que a marca nos tem habituado. O rigor e a excelência continuam, desta forma, a fazer parte do mundo das pérolas com assinatura Mikimoto. Uma aposta da marca que não coloca um colar de pérolas no pescoço de todas as mulheres do mundo, como sonhava o seu fundador, mas que leva pérolas de superior qualidade aos quatro cantos do mundo.

Alguém nos dizia hoje – no âmbito de um workshop sobre Pérolas na Torres Joalheiros que contou com a presença de Sophie Nguyen, international brand manager da Mikimoto – que quem usa um Rolex não diz que usa um relógio Rolex. Diz que usa Rolex e pronto. No que diz respeito a pérolas, é possível fazer um paralelo: quem usa um colar de perólas Mikimoto não diz que usa um colar de pérolas Mikimoto. Diz antes que usa um Mikimoto. Uma afirmação que mostra bem a posição de excelência da Mikimoto – enquanto criadora de pérolas e enquanto criadora de joalharia. ET_simb

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