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A bordo do Eilean: entre o ontem e o hoje

Em Cascais | A Panerai aproveitou a passagem do Eilean por Cascais para promover um evento de apresentação das novidades que foram lançadas no passado mês de janeiro, no SIHH 2019. A Espiral do Tempo teve assim a oportunidade de passar alguns momentos a bordo do ketch bermudiano que regressou à vida com o apoio da marca italiana.

Eilean é o nome de um ketch bermudiano que foi utilizado pelos Duran Duran no famoso videoclip da canção «Rio», em 1982. Com uma particularidade: durante as filmagens do videoclip, a carreira dos Duran Duran ia de vento em popa, ao passo que o Eilean estava prestes a entrar em decadência. É que, quando serviu de palco para a música dos Duran Duran, o veleiro operava como charter nas Bermudas, mas, pouco depois, chocou com um ferry encalhado e afundou-se. Após ser retirado do mar e de começar a ser recuperado em Antigua, acabaria por entrar num complicado estado de degradação até que a Officine Panerai, sob a batuta do então CEO Angelo Bonati, o adquiriu em 2006 e avançou com o seu difícil restauro no estaleiro de Francesco Del Carlom, em Viareggio, em Itália.

Regresso à vida

A recuperação do Eilean durou quase três anos e seguiu os planos originais da sua construção encontrados no Scottish Maritime Museum. Desenhado e construído em 1936 no estaleiro escocês Fife, seguindo um projeto de William Fife III, o Eilean tem 22 metros e está equipado com um plano de velas tipo ketch bermudiano, com dois mastros, cada um com uma vela triangular. No restauro, procurou-se manter todas as caraterísticas originais possíveis e foi necessário efetuar algumas adaptações. Em 2010, acabaria por estrear-se competitivamente na edição desse ano do Panerai Classics Challenge. E, desde então, tem sido uma espécie de ex-líbris da Panerai, marca intrinsecamente ligada ao mar que, durante alguns anos, escolheu como estratégia de marketing apoiar somente eventos de vela protagonizados por veleiros vintage (construídos até 1950) e clássicos (entre 1950 e 1975).

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Eilean, de Genova a Viareggio. © Officine Panerai
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Trabalho de restauro do veleiro Eilean. © Officine Panerai
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Trabalho de restauro do veleiro Eilean. © Officine Panerai

Atualmente, o Eilean viaja pelo mundo em nome da Panerai e passou recentemente pela costa portuguesa. Por isso mesmo, a marca promoveu em Cascais um evento de apresentação à impressa portuguesa das novidades que foram lançadas no passado mês de janeiro, no Salon International de la Haute Horlogerie 2019. A Espiral do Tempo teve assim a oportunidade de passar alguns bons momentos a bordo e de descobrir, entre vários modelos recentes, um novo trio verde da marca italiana do qual falaremos mais detalhadamente muito em breve.

Mais algumas curiosidades

Em irlandês Eilean significa ‘pequena ilha’ e parece-nos que esta sim é a palavra ideal para descrever aquilo que um barco acaba muito por ser. Depois de tantos anos a ouvirmos falar da história deste ketch, o passeio que nele demos a bordo revelou-se um momento com um sabor especial –  muito ao jeito do fio condutor da mais recente edição da Espiral do Tempo. Simultaneamente, recuámos um pouco no tempo, revisitando alguns passos que o Eilean terá dado ao longo da sua vida agitada e não deixa de ser surpreendente ver como este barco recuperou toda a sua elegância e esplendor, depois de ter passado por tanto.

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Veleiro Eilean, 1970 © Beken of Cowes (fotografia cedida por Officine Panerai)

Os primeiros proprietários do Eilean foram James V. e Robert W. Fulton de Greenock, membros do Royal Gourock Yacht Club, mas os irmãos usufruíram do veleiro durante poucos anos, tendo em conta que ambos perderam a vida durante a guerra. De acordo com a Panerai, até meados dos anos 70, altura em que foi comprado por John Shearer, um arquiteto que havia navegado nele desde criança, quando era capitaneado por um tio seu, a pouca informação que existe relativamente a este barco é a extensa lista de proprietários. Shearer passaria, então, a viver no Eilean e transformou-o num iate com muito carácter, estando atracado em English Harbour, em Antigua. Ainda segundo a Panerai, John Shearer cruzou o Atlântico com o Eilean, entre o Caribe e a Europa, por 14 vezes e foi numa dessas viagens que ficou danificado pelo tal ferry, perto da costa de Málaga.

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Alguns elementos que nos mostram o estado em que o Eilean foi encontrado quando adquirido pela Panerai. © Officine Panerai

Ainda assim, o barco chegou ao Caribe, apesar de ser óbvia a necessidade de recuperação, e foi a essa recuperação que John Shearer se dedicou. O arquiteto amarrou o Eilean a um rebocador equipado com instrumentos necessários para o restauro que foi sendo levado a cabo de forma esporádica ao longo de duas décadas. Entretanto, o Eilean afundou-se parcialmente quando se rompeu uma amarra e sofreu uma infestação de térmitas que, apesar de tudo, não atacou o revestimento a teca, graças à natureza oleosa desta madeira.

Com o restauro do Eilean, a Panerai fabricou ainda em exclusivo vários instrumentos de navegação em edição única: um barómetro, um higrómetro, um termómetro, um relógio de parede e um cronómetro de marinha. E todos eles acompanham necessariamente o elegante ketch que se hoje pudesse falar teria muito, mas muito para contar.

E porque as imagens falam por si, aqui fica uma galeria dedicada aos momentos que passámos a bordo do Eilean:

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