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Exposição OAK Collection: uma coleção única e milionária

Alguém tinha uma das mais qualitativas coleções de relógios do mundo e não se sabia. Agora sabe-se e esse alguém chama-se Patrick Gereide — que vai exibir uma fascinante parte do seu acervo numa exposição agendada para o Design Museum de Londres. A Espiral do Tempo está presente na ante-estreia e há histórias fascinantes para contar sobre a designada OAK Collection.

Em Londres | Paixão ou obsessão? Qualquer colecionador digno desse nome andará numa corda bamba entre os dois conceitos e esse é o caso de Patrick Gereide, um caçador de relógios que ao longo das últimas décadas se tornou num dos mais proeminentes colecionadores do mundo. “Tenho 43 carros e muitas pinturas, mas não me proporcionam tanta emoção como a relojoaria”, admite o empresário parisiense — que finalmente tomou a decisão de dar a conhecer o seu acervo numa tournée intercontinental que começa a ser desvelada nesta semana em Londres, no Design Museum. A Espiral do Tempo vai conversar com ele, vai acompanhá-lo em ante-estreia numa visita guiada à exposição e participar naquela que é seguramente uma das maiores cimeiras relojoeiras do ano, que é também a maior do seu género. Porque nunca antes houve algo de parecido.

Patrick Gereide com a sua coleção de relógios
Patrick Gereide com a sua coleção | © OAK Collection

Para dar a conhecer a extensão da sua paixão/obsessão, Patrick Gereide convidou líderes de opinião, especialistas e família para um festival de cultura relojoeira que decorre não só do encontro de tantos players da indústria mas também da viagem no tempo proporcionada pela sua própria coleção — que atravessa todo o século XX com os melhores exemplares de bolso e de pulso das mais tradicionais manufaturas até às obras-primas contemporâneas da relojoaria independente que floresceu no século XXI. A coleção é denominada OAK (One-of-A-Kind) Collection, inclui muitas peças raras e também espécies únicas feitas por encomenda; de um total superior a 600 exemplares, 162 relógios de elite serão mostrados ao público de 19 a 25 de maio no Design Museum, localizado na zona londrina de Kensington. Com seis meses de atraso: a inauguração e a correspondente ante-estreia estavam agendadas para Dezembro… mas o agravamento da pandemia devido à eclosão da variante Omicron veio adiar tudo para maio.

Poster da OAK Collection no Design Museum de Londres
| © OAK Collection

Por razões de segurança, os grandes colecionadores costumam preservar o anonimato e Patrick Getreide foi discretamente forrando o seu acervo ao longo de quatro décadas sem que (exceptuando um punhado de pessoas e familiares) se soubesse a extensão da sua coleção. Quando foram anunciadas as primeiras datas para a exposição no Design Museum nem se sabia quem era o dono do acervo. Mas o que é bom é para se ver e, porque a arte deve ser admirada, o empresário francês resolveu finalmente mostrar as suas preciosidades e dar a cara. Organizando um evento que mais parece uma cimeira. As 162 peças expostas incluem o melhor da relojoaria vintage e contemporânea, sendo que Patrick Getreide é também dono da maior coleção de peças (cinco) outrora pertencentes ao histórico colecionador Henry Graves Jr.

Síndrome do Conde de Monte-Cristo

“Uma vida secreta é uma vida feliz”, diz. Até há pouco tempo, não havia muita informação sobre ele na internet. “Entretanto, entreguei a direção da minha empresa ao meu filho e fiquei com mais tempo para mim. Apercebi-me de que tinha algo de excecional entre mãos; considero os relógios como obras de arte e acho estranho não haver coleções apresentadas em museus. Tornou-se uma obsessão para mim mostrar relógios enquanto peças de arte em museus, porque também tem a ver com partilhar a paixão com as pessoas. Porque se exibem coleções de pinturas e não de relógios?”. Estava dado o mote para a revelação da OAK Collection.

Mas afinal, quem é Patrick Getreide e como começou a OAK Collection? Muito novo, apaixonou-se por um Omega aos 10 anos e os pais ajudaram-no a comprá-lo. Depois começou a trabalhar aos 16 anos, porque o progenitor ficou doente e não podia sustentar a família. Ainda jovem, apostou em que o cavalo da família iria ganhar uma corrida e comprou o Cartier Tank que ambicionava (e que também está incluído na exposição). Foi o primeiro. Continuou a comprar relógios até os ter de 50 marcas diferentes… foi então que ‘descobriu’ a Patek Philippe e o cronógrafo com calendário perpétuo Ref. 3970; não resistiu e encomendou-o mesmo sabendo que não tinha dinheiro para o comprar, pelo que ficou a pagá-lo durante 18 meses.

Patek Philippe Ref. 5020G « Breguet Numerals » e  Patek Philippe Ref. 98214OG « One of a Kind »
Patek Philippe Ref. 5020G «Breguet Numerals» e Patek Philippe Ref. 98214OG «One of a Kind» | © OAK Collection

Houve um aspeto significativo na sua adolescência que moldou o caráter de Patrick Getreide. Na escola, estudou juntamente com filhos de algumas das pessoas mais ricas do mundo. Não teve inveja, mas quis ser como eles. Esse desejo deu-lhe aquilo que ele apelida simbolicamente de ‘Síndrome do Conde de Monte-Cristo’, evocando o protagonista do célebre romance do mesmo nome — a determinação para conseguir um sucesso tal que o libertasse economicamente para fazer as coisas de que mais gostava. E comprar o que mais gostava. Ao comprar relógios, nunca pensou na sua valorização… mas o certo é que, olhando para trás, comprou mesmo os relógios certos. Também aconselhado por Geoffroy Ader, um especialista oriundo de uma família de leiloeiros que entretanto se tornou amigo e curador da coleção. Patrick Getreide comprou muitos exemplares nas suas viagens de trabalho e, por exemplo, o Patek Ref. 30 Sector em aço foi adquirido por uma pechincha num mercado da ladra em França. Quando ainda era possível fazer tais descobertas.

11 capítulos no Design Museum

No Design Museum, a exposição está dividida em 11 secções de tipologia particular consoante os estilos apreciados por Patrick Getreide. Sete têm a ver com a incontornável Patek Philippe (Calatrava, Nautilus, Cronógrafos, World Time, Perpetual Calendar/Complicações, Rare Handcrafts, Henry Graves). A Rolex tem três secções e há uma secção dedicada aos independentes contemporâneos. Também existe uma secção de peças originais com modelos que pertenceram a gente famosa — desde o guitarrista britânico Eric Clapton ao ator francês Jean-Paul Belmondo. Patrick Getreide considera a exposição itinerante como uma recompensa para ele próprio, querendo partilhar a sua paixão com gente tão apaixonada como ele mas que, segundo o colecionador, não teve a oportunidade ou a disponibilidade que ele teve. “É uma obrigação para mim deixar que os outros também possam apreciar”, afirma.

Patek Philippe Ref. 1579A e Rolex Ref. 6036 «Jean-Claude Killy»
Patek Philippe Ref. 1579A e Rolex Ref. 6036 «Jean-Claude Killy» | © OAK Collection

O curioso é que Patrick Getreide só recentemente se apercebeu da enorme relevância do acervo que foi juntando. “Ia comprando e colocando no cofre. Com a organização da exposição é que percebi realmente a dimensão do que fui conseguindo juntar ao longo dos anos e estou muito orgulhoso”, afiança. “Tenho sido consistente na aquisição de relógios excecionais, em óptima condição e que foram produzidos em quantidades muito pequenas. E depois tem também a ver com a minha paixão e a evolução do meu gosto; achava o Patek Philippe Ref. 96 muito pequeno com os seus 31mm, mas como tenho uma coleção de Calatravas tornou-se importante tê-lo também; depois do de platina comprei em ouro rosa, depois outro em aço e finalmente um em ouro amarelo com bracelete Gay Frères”. Tem também duas peças únicas das referências 2510 e 2511.

A pergunta óbvia sobre qual é o preferido da sua coleção ou o seu grail watch não tem uma resposta conclusiva. “Não tenho um relógio grail porque há demasiados e não posso escolher um da minha coleção porque há muitos que adoro. Gosto de cronógrafos e cronómetros. Inicialmente não gostava de mostradores de esmalte cloisonné, mas aprendi a gostar — a educação é muito importante”, sublinha. “Os relógios estão a ficar melhores e os relógios modernos são excecionais. Compro muito Patek Philippe, Rolex, relojoeiros independentes, mas também de outras marcas como a Vacheron Constantin e a Tudor. Tenho peças dos mestres François-Paul Journe, Philip Dufour, Kari Voutilainen e Rexhep Rexhepi”. Patrick Getreide tem sido igualmente um dos mais ativos compradores das últimas edições do leilão Only Watch, adquirindo peças únicas. Embora por norma prefira não comprar em leilões, pelo facto de a compra não ser tão discreta.

Patek Philippe Ref. 570J ”One of A kind” e Patek Philippe ”Minute Repeating”
Patek Philippe Ref. 570J “One of A kind” e Patek Philippe “Minute Repeating” | © OAK Collection

Patrick Getreide tem as suas fontes e tem quem lhe procure peças raras. Para o colecionador francês, é essencial que os relógios que adquire estejam em perfeita condição — e tem mesmo um mestre relojoeiro exclusivamente contratado para tratar da coleção; se há algum problema que não consegue resolver, então recorre aos serviços especializados das respetivas marcas. Daí que todos os exemplares entre as seis centenas que foi colecionando apresentem uma condição imaculada. E estão prontos a viajar: depois de Londres, a OAK Collection vai para o Médio Oriente, para a Ásia e chegará à América do Norte em 2023. Mas, para já, há muito para ver e para contar sobre a ‘cimeira’ que se está a viver em Londres à volta de tão sensacional coleção. E cá estaremos para partilhar a experiência!

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