Já é conhecido o relógio vencedor do Louis Vuitton Watch Prize for Independent Creatives de 2025/2026: trata-se do School Watch, da dupla formada pelos jovens relojoeiros Alexandre Hazemann e Victor Monnin. Análise aos finalistas e à eleição.
A cerimónia do Louis Vuitton Watch Prize for Independent Creatives foi realizada na Fondation Louis Vuitton, em Paris, e atribuiu à dupla suíça Hazemann & Monnin o triunfo na segunda edição do concurso. O prémio distinguiu o seu School Watch, uma peça que homenageia a tradição da escola de relojoaria de Morteau enquanto propõe uma abordagem contemporânea à construção do movimento — inteiramente concebido de raiz e com complicações pouco usuais, como uma sonnerie de passagem combinada com horas saltantes.

Mais do que um simples reconhecimento, a vitória em tão recente mas já mui prestigiado certame confirma a ascensão meteórica dos jovens mestres Alexandre Hazemann e Victor Monnin — que, em poucos anos, passaram de estudantes a protagonistas no universo da alta-relojoaria independente. O júri, presidido por Carole Forestier-Kasapi (atualmente diretora-técnica da TAG Heuer) e composto por nomes destacados da indústria relojoeira como Kari Voutilainen, Frank Geelen, Matthieu Hegi ou François-Xavier Overstake, privilegiou uma abordagem que alia rigor técnico, coerência conceptual e identidade autoral, num alinhamento claro com os critérios por trás da criação do prémio.

O lote de finalistas, já por nós escalpelizado aquando da sua nomeação, indiciava um contexto competitivo particularmente forte — tendo em conta que a emergente dupla concorria com valores emergentes como Daizoh Makihara (Watchcraft Japan), Norifumi Seki (Quiet Club), o já galardoado Xinyan Dai (Fam al Hut) e o consagrado mestre alemão Bernhard Lederer (Lederer). A escolha do School Watch reforçou uma tendência mais ampla na relojoaria contemporânea: o regresso à engenharia fundamental do movimento, não apenas como exercício técnico, mas como linguagem criativa. Para além disso, ao distinguir o duo Hazemann & Monnin, a organização reforçou o papel do seu prémio como plataforma de legitimação global para a nova geração de relojoeiros independentes — aqueles que não apenas dominam o ofício, mas que procuram redefini-lo. Como o fizeram outrora Franck Muller, François-Paul Journe ou Rexhep Rexhepi.


A vitória da dupla Hazemann & Monnin com o School Watch acaba por ser uma escolha coerente com o ADN do Louis Vuitton Watch Prize for Independent Creatives: premiar não apenas a complexidade, mas uma visão relojoeira completa (do conceito ao calibre) e talentos emergentes. O trunfo decisivo residiu no Calibre HM01: totalmente desenvolvido in-house, sem qualquer arquitetura de base pré-existente, combinando duas complicações que não são propriamente frequentes e que surgem perfeitamente sincronizadas: a hora saltante e a sonnerie au passage, numa coreografia mecânica integrada onde energia, acústica e indicação do tempo funcionam em conjunto.

E foi precisamente esse tipo de ‘pensamento de relojoeiro’ que os membros do júri valorizaram para atribuirem o cobiçado prémio a Alexandre Hazemann e Victor Monnin.
Argumento técnico
Tendo em conta exclusivamente o nível técnico, o School Watch nem parecia ser o relógio mais impressionante do quinteto de finalistas. Relativamente aos seus dois mais diretos concorrentes, o Möbius de Fam al Hut apresentava um turbilhão bi-axial ultra-compacto numa arquitetura radical, enquanto o CIC 39mm Racing Green de Bernhard Lederer incluía um escape duplo de detenção com força constante, algo digno da mais altíssima relojoaria. Ou seja, em termos puramente técnicos, o Lederer será provavelmente o mais avançado; no plano conceptual, o Möbius surgia como o mais disruptivo. No entanto, nenhum deles ganhou.

Porquê? Porque o prémio não distinguiu o relógio mais complicado — distinguiu o mais completo e com maior coerência relojoeira, segundo os elementos do júri. O School Watch venceu porque alinhou perfeitamente três vertentes decisivas: a do legado (ligação direta à escola de Morteau), a da execução (movimento desenhado de raiz, acabamento tradicional) e a da narrativa (uma ideia clara: aprender, reinterpretar e evoluir a relojoaria). Ou seja, um relógio que se revelou um autêntico manifesto relojoeiro diante de extraordinários concorrentes que foram julgados mais unidimensionais (ou menos pluridimensionais).

Comparativamente, a proposta de Daizoh Makihara (Watchcraft Japan) incidia mais sobre a arte e o artesanato; a de Xinyan Dai (Fam al Hut) era forte na combinação conceito + engenharia experimental; a de Bernhard Lederer representava sobretudo alta técnica pura; e a de Norifumi Seki (Quiet Club) denotava mais uma abordagem poética do tempo.

Hazemann & Monnin equilibraram melhor as várias vertentes analizadas e a sua vitória confirma que o Louis Vuitton Watch Prize for Independent Creatives pretende afirmar uma nova geração que não depende de bases ETA/Sellita, não vive do exibicionismo da acumulação de complicações e que aposta em movimentos concebidos de raiz com identidade própria. E isso também encaixa perfeitamente na visão da Louis Vuitton/La Fabrique du Temps — que é a de promover independentes que possam vir a ser verdadeiros autores, não apenas técnicos talentosos.

O School Watch arrebatou o primeiro lugar e o cheque de 150 mil euros; o CIC 39mm Racing Green ficou no segundo posto pelo seu elevado tecnicismo e o Möbius quedou-se pelo terceiro lugar do pódio devido à sua ousadia conceptual. Se fosse o Grand Prix d’Horlogerie de Genève, talvez o resultado fosse diferente… e o Möbius de Fam Al Hut ganhou mesmo o Prémio da Audácia em 2025. Mas para o Louis Vuitton Watch Prize for Independent Creators, que privilegia visão + potencial + identidade, a criação relojoeira de Alexandre Hazemann e Victor Monnin foi um vencedor perfeitamente adequado.





