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Pedro Reiser: à procura da próxima raridade

A passagem por Lisboa de Pedro Reiser, especialista da Sotheby’s em relojoaria, foi motivo para uma conversa que abordou o atual estado do colecionismo de relógios e o que carateriza o sempre misterioso colecionador português.

Nascido em Lima, no Peru, Pedro Reiser cresceu na Suíça, país onde, inevitavelmente, a sua paixão de sempre pelos relógios apenas encontrou espaço para crescer. «A minha ligação com a relojoaria aconteceu relativamente cedo na minha vida, já que, durante os anos 30, o meu avô era agente oficial da Omega para o Peru. Por outro lado, o meu pai também trabalhava no setor, pelo que podemos considerar que era um negócio de família ou, se quisermos, uma vocação familiar.»

O bacharelato em administração de empresas, terminado na Parsons em Paris, em 1999, não o impediu de agarrar a oportunidade de trabalhar com a Breguet, no Vallée de Joux, numa vertente comercial e de marketing, a que se seguiu uma década com a Rolex. «Foram tempos e experiências bastante interessantes e diferentes uma da outra. Na Breguet, tive a sorte e o prazer de trabalhar com Nicolas Hayek Senior, com quem aprendi muitíssimo, numa altura em que a marca estava em plena reconstrução, o que acabou por me proporcionar alguns dos pontos mais altos da minha carreira.» Estava-se em 2001, e o grupo Swatch tinha adquirido a marca em 1999. Mas, por mais fama que o nome tivesse, o facto é que a Breguet não era muito conhecida globalmente. «Já na Rolex, aprendi a reconhecer a extraordinária filosofia da empresa, que está focada numa estratégia assente no longo prazo, com uma gestão extremamente consistente, justificada, em boa parte, pelo facto da sua estrutura assentar numa fundação.»

Sothebys Hotel Mandarin Oriental
Sothebys Hotel Mandarin Oriental © Espiral do Tempo

Mas os anos passados por Pedro Reiser na Breguet e na Rolex não o impediram de acompanhar os leilões de relógios com crescente fascínio. «O meu interesse pessoal por esta área já existia quando surgiu a oportunidade de trabalhar com a Sotheby’s. Mas uma coisa são os relógios novos, e outra a relojoaria antiga e vintage. Aqui tive de aprender muito, num ambiente muito mais multifacetado, acerca de diversas marcas e períodos históricos. Sem paixão não é possível absorver a quantidade de informação necessária para se ser um especialista. Mesmo assim, todos os dias vemos, pesquisamos e aprendemos algo novo. É um ciclo sem fim.»

Reiser confessa que um outro aspeto extremamente sedutor nesta atividade é a procura por novas peças, na expetativa de que algumas sejam totalmente desconhecidas e venham acrescentar algo à história da relojoaria. Por outro lado, confirma que o mercado tem sofrido um crescimento substancial, impulsionado por meios de comunicação como a Internet, e que, com a chegada de novos players, o número de peças relevantes tem vindo a escassear. No caso dos leilões, e da Sotheby’s em particular, Reiser considera que este setor se irá concentrar, no futuro, em pouco mais de 4% das peças existentes, focando-se cada vez mais na raridade e no estado de conservação excecional de determinados relógios.

Sotheby's Hotel Mandarin Oriental © Espiral do Tempo
Sotheby’s Hotel Mandarin Oriental © Espiral do Tempo

Estes fatores, acrescidos da necessidade de contatar diretamente com clientes, tanto vendedores como compradores, são o motivo que leva Pedro Reiser a visitar diversos países, e Portugal em particular. Um mercado cujos colecionadores mais antigos caracterizam como estando numa espécie de transição, sentindo-se uma evolução que, lentamente, começa a destacar-se do classicismo dos relógios de bolso, dos fabricantes ingleses ou dos exemplares Breguet. E depois há os colecionadores que, tendo estado mais ativos nos últimos dez a 15 anos, transitaram para peças mais recentes, ou contemporâneas se quisermos. «De certa forma, o mesmo aconteceu com um bom número de colecionadores no resto da Europa, o que tem tornado muito mais difícil qualquer tentativa de diferenciação entre países, precisamente devido a esta uniformização», confirma Reiser.

Acaba, pois, por não ser uma surpresa perceber, da parte de Pedro Reiser, que o colecionador português médio se centra, maioritariamente, na relojoaria de bolso e de mesa, com peças de excelente qualidade e raridade acima da média. Já na relojoaria de pulso, a Rolex e a Patek Philippe estão entre as marcas mais bem representadas, seguidas de perto pela Franck Muller, uma marca com enorme tradição em Portugal. Peças que, na sua esmagadora maioria, foram adquiridas durante os anos 1990 e 2010.

Reiser continuará a visitar Portugal, em busca de algumas maravilhas raras, que sabe estarem, algures, escondidas por aí. Caso seja proprietário de uma, ou desconfie estar na posse de uma peça especial, aconselha-se que responda ao apelo da Sotheby’s.

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