O lançamento do Wild One representou um momento decisivo na afirmação contemporânea da Norqain. Aqui ficam cinco notas de de destaque sobre o modelo lançado em 2022 e que instantaneamente se tornou no ex-libris da marca.
A Norqain foi fundada em 2018 por um grupo de jovens empreendedores que incluiu Ben Küffer, atual CEO, e Mark Streit, uma vedeta suíça da popular liga norte-americana de hóquei no gelo (NHL). A primeira coleção apresentava modelos relativamente tradicionais, até que em 2022 surgiu uma autêntica pedrada no charco: o lançamento do Wild One, relógio que veio virar de pantanas o catálogo da emergente marca de Bienne (ou Biel, na outra designação oficial da cidade).

O azul turquesa do primeiro Wild One dava nas vistas e sobretudo deu nas vistas quando o conhecido ator Mark Wahlberg surgiu com um durante um talk show americano, ao mesmo tempo que tenista suíço Stan Wawrinka aparecia a jogar com ele no pulso. A fama do relógio cresceu rapidamente e logo se tornou num halo product, transformando-se numa linha própria dentro da gama Freedom (um dos três pilares da Norqain, juntamente com a Independence e a Adventure) e contando já com 17 variantes distintas em dois tamanhos: o diâmetro original de 42mm e o de 39mm, adicionado no ano passado. Hoje em dia, e mesmo que a edição especial Enjoy Life tenha tido grande repercussão mediática, o Wild One é o relógio que define a identidade da marca, propondo um relógio desportivo de prestígio assente numa engenharia avançada e em materiais próprios.

Aqui ficam cinco notas fundamentais que que ajudam a compreender o significado técnico e conceptual do Wild One:
1. Material inédito
Na génese do Wild One encontra-se o Norteq, material de fibra de carbono e matriz de polímero exclusivamente desenvolvido com a firma Biwi para a Norqain. Trata-se de um compósito patenteado que é significativamente mais leve do que os materiais tradicionais utilizados na relojoaria desportiva de prestígio: é cerca de seis vezes mais leve do que o aço e 3,5 vezes mais leve que o titânio. Consoante o tamanho (42 ou 39mm), o peso anda entre as 78 e as 64 gramas; a edição limitada de 42mm dedicada a Stan Wawrinka situa-se no meio.

A escolha do Norteq não é meramente estética; permite a redução drástica do peso do relógio, mantendo ao mesmo tempo uma resistência estrutural elevada — característica essencial para um instrumento do tempo pensado para uma vigorosa atividade física e uso intenso sem concessões.

Para além disso, o Norteq tornou-se sinónimo da coleção, conferindo-lhe um aspeto técnico e contemporâneo que distingue o Wild One no mercado… mesmo que haja variantes em ouro, inevitavelmente menos leves.
2. Arquitetura complexa
A arquitetura de caixa do Wild One foi inspirada na engenharia de alto desempenho aplicada aos chassis dos bólides de competição: mais do que um simples relógio leve, o Wild One foi concebido como um sistema mecânico à prova de impacto.

A ideia da estrutura modular aparafusada surgiu de uma conversa com Jean-Claude Biver e assenta numa complexa construção baseada em 25 componentes, incluindo uma ‘gaiola’ externa em Norteq e um contentor interno em titânio que protege o movimento automático. Entre essas duas estruturas encontra-se um amortecedor especial de borracha desenvolvido para absorver choques, permitindo ao Wild One resistir a impactos até 5.000g — um valor muito raramente associado à relojoaria mecânica tradicional.

A arquitetura peculiar do Wild One aproxima-o de uma conceptualidade mais comum em relógios de engenharia extrema e preços milionários (como os da Richard Mille ou alguns da Audemars Piguet), mas aplicada a um produto de preço relativamente acessível dentro da relojoaria desportiva de prestígio.
3. Mecânica certificada
Apesar da estética contemporânea e quase futurista, o coração do Wild One permanece firmemente ancorado na tradição suíça.

A maior parte das variantes utiliza o Calibre NO8S (base Sellita SW200-1 e algumas são motorizadas pelo Calibre NN20/1, desenvolvido com o fabricante de movimentos Kenissi. Todas as versões são automáticas e certificadas pelo COSC como cronómetro.

O Calibre NN20/1 opera a 28.800 alternâncias por hora e oferece uma reserva de marcha de cerca de 70 horas, parâmetros alinhados com os padrões modernos da relojoaria mecânica de qualidade. A combinação entre precisão certificada e robustez estrutural reforça a intenção do espírito Wild One: demonstrar que um relógio mecânico pode ser simultaneamente sofisticado e plenamente funcional num estilo de vida ativo.
4. Design tridimensional
Outro elemento distintivo da Wild One é o tratamento do mostrador. No modelo de estreia e na maior parte das variantes que se lhe seguiram (exceptuando uma com mostrador fechado em meteorito e três com um padrão geométrico recortado), o mostrador é esqueletizado a laser em três níveis — criando um padrão inspirado no logótipo da marca e evocando paisagens alpinas.

Tal abordagem cria um efeito tridimensional que reforça a sensação de profundidade e modernidade do relógio. Os ponteiros esqueletizados e elementos luminescentes contribuem para a sua legibilidade e estética técnica; a integração da bracelete em borracha com padrão técnico completa um look que combina códigos do desporto, da engenharia e da relojoaria contemporânea. A multiplicação das versões demonstra a versatilidade do design, capaz de acomodar diferentes combinações cromáticas e estilos sem perder a identidade.
5. Personalização da independência
O Wild One incorpora um elemento simbólico da identidade da marca: a Norqain Plate, uma placa lateral aparafusada e personalizável que permite gravar mensagens ou dados pessoais em três tipos de lettering à disposição do cliente.

Esse vínculo à personalização reflete a filosofia central da Norqain — frequentemente resumida nos valores Adventure, Freedom e Independence que constituem os três pilares da coleção — e reforça a ideia de que cada relógio deve acompanhar a individualidade do seu utilizador.

Num desenvolvimento mais recente, a Norqain levou ainda mais longe essa lógica de personalização: instaurou o conceito Wild One of 1 baseado num configurador que oferece milhões de combinações possíveis de personalização, algo de relativamente raro na relojoaria suíça contemporânea.
Conclusão
A coleção Wild One sintetiza o posicionamento da Norqain no panorama relojoeiro atual: uma marca jovem que procura distinguir-se não através da tradição centenária, mas através da engenharia de materiais, design contemporâneo e identidade indomável.

Leve, confortável e cool, dá mesmo vontade de colocar um Wild One no pulso ao som de Iggy Pop e… desatar a curtir:
«Gonna meet all my friends, gonna have ourself a ball
Gonna tell my friends, gonna tell them all
That I’m a wild one, oh yeah I’m a wild one
Gonna break it loose, just gonna keep ‘em moving wild
Gonna keep a-swinging, baby — I’m a real wild child».





