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Uma questão de proporção

A dimensão dos relógios é um daqueles assuntos que nunca se esgota. Pelas cores, pela função ou até pelos materiais. Eis assim uma breve reflexão sobre a importância da proporção.

Sabia que um Fiat 500 moderno é maior do que um Renault 5? E que um Range Rover é mais curto do que um Porsche Panamera? Sabia que se trocar um BMW Série 7 de 1996 por um Série 5 novo vai ter exatamente a mesma dificuldade para encontrar lugar de estacionamento?

Mas, então, o que faz com que, na prática, não nos apercebamos da verdadeira dimensão dos automóveis? A resposta é fácil: proporções. Os carros cresceram, em alguns casos brutalmente. Mas não estão só mais compridos. Estão mais largos, mais altos, as cavas das rodas são maiores para albergarem jantes e pneus de maior dimensão. Ou seja, em alguns casos as proporções mantiveram-se, e só nos damos conta desse aumento quando verificamos que os regulamentos municipais sobre a dimensão dos lugares de estacionamento devem ser ainda do tempo de Henry Ford.

O que nos traz ao exaustivo tema do diâmetro dos relógios, debatido em larga escala em todos os fóruns e grupos que podemos encontrar online, com alguns acérrimos defensores de certas dimensões, sem grande margem de manobra ou reflexão. No entanto, também nos relógios, o design influencia decisivamente a forma como percebemos o tamanho real de um objeto. Além do diâmetro em si, há que levar em consideração a distância entre asas topo a topo, a curvatura das mesmas, o formato do relógio, a sua função, a sua altura e…fatores menos objetivos.

Cyrus Klepcys GMT Retrograde, aqui retratado nas suas versões em titânio e titânio/DLC, lado a lado sobre um fundo cinzento
Cyrus Klepcys GMT Retrograde, nas suas versões em titânio e titânio/DLC | © Paulo Pires / Espiral do Tempo

Já alguma vez lhe aconteceu estar perante uma montra a olhar para um par de relógios iguais, mas um com mostrador claro e outro com mostrador escuro, e um parecer-lhe maior do que o outro? É o mesmo efeito que se sente com a roupa preta que faz com que as pessoas, de facto, pareçam mais magras. O mesmo acontece com as riscas horizontais – que nos fazem parecer mais largos.

O mesmo se aplica ao material do próprio relógio. A cerâmica preta, por exemplo, faz os relógios parecerem mais pequenos, de tal forma que a própria IWC acaba por lançar os seus modelos Pilot Top Gun (em cerâmica) com uma caixa ligeiramente maior do que os Pilot equivalentes em aço.

Por isso, é fundamental termos abertura de espírito e flexibilidade com os números, irmos experimentar os relógios e comprarmos o que realmente gostamos. É fundamental também perceber a função para que foram desenhados: os relógios de aviação e os relógios de mergulho serão naturalmente maiores do que os relógios de perfil mais clássico.

E não se esqueça do que dizem os bons designers de automóveis: proportions are everything.

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