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Vhils — Prisma: o tempo (quase) parado

Apesar de não encontrarmos nenhum relógio na galeria oval do MAAT, neste espaço o tempo parece abrandar até ao próximo mês de setembro. Uma exposição a não perder.

Na exposição multimedia Prisma do artista português Alexandre Farto (Vhils), somos observadores de um mundo que passa à nossa frente em câmara lenta, filmado pelo artista através de um carro em movimento durante as suas viagens. Durante a nossa visita, perdemo-nos assim num labirinto de telas curvas e metal espelhado, onde as projeções nos transportam para paisagens urbanas de nove cidades do mundo, incluindo Lisboa.

Detalhe da exposição 'Prisma' de Vhils no MAAT
| © Bruno Candeias

Numa atmosfera escura e rodeados de sons urbanos, podemos analisar cuidadosamente os habitantes daquelas cidades, aparentemente congelados no tempo, enquanto a câmara circula em seu redor e nós caminhamos em redor das telas a um ritmo igualmente lento, como se imitássemos o que está diante dos nossos olhos. O efeito de paralaxe entre os vários planos da filmagem confere-lhe uma sensação de tridimensionalidade única que contribui para a imersão da experiência.

Ao contrário das habituais filmagens em slow motion que usam câmaras de alta velocidade para congelar momentos instantâneos, Vhils aproveita esta técnica para mostrar uma nova perspetiva sobre cenas banais do quotidiano urbano. Nestas fotografias em movimento, filmadas a dois mil frames por segundo, um instante é ampliado para vários minutos, levando-nos a refletir sobre a natureza do tempo e a verdadeira importância de cada fração de segundo, onde tanta coisa parece acontecer.

A exposição Prisma de Vhils pode ser vista no MAAT até 5 de setembro de 2022.

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