Casio G-Shock Digital Full Metal: regresso às origens

Antes da partida para a Feira de Basileia recebemos uma deliciosa visita. Chegaram-nos às mãos dois Casio G-Shock Digital Full Metal nas versões DLC negro e dourado. O gigante nipónico decidiu fazer uma pequena surpresa na sua linha mais conhecida e se, à partida, o pensamento seria o de questionar o porquê de lançar modelos full metal, por outro lado a questão mais interessante será «porque não?»

Por Paulo Pires

A linha G-Shock da Casio é a mais famosa coleção de relógios da história da relojoaria, ponto final. Na minha perspetiva é asssim.

Pergunte-se a um apreciador de relojoaria mecânica ou de relojoaria em geral se conhece os Casio G-Shock e a resposta será invariavelmente que sim. Pergunte-se a quem não tem particular apreço pela relojoaria, mas que não tenha vivido como ermita desde os anos 80 e a resposta será igual.

Em 1983, o genial engenheiro da Casio Kikuo Ibe concebeu aquele que viria a ser o mais famoso modelo da relojoaria. Lançado em abril desse mesmo ano, o modelo DW5000C iria inaugurar mais do que uma nova coleção de relógios, iria inaugurar um verdadeiro ícone da cultura urbana moderna. A ideia que esteve na génese da criação da linha G-Shock é ainda a mesma que está na base de cada modelo desta coleção. Relógios ultrarresistentes, capazes de suportar tudo mas, acima de tudo, assumindo serem peças do seu tempo.

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Casio Full Metal GMWB5000GD-9. © Paulo Pires/ Espiral do Tempo

Em termos pessoais, fascina-me o conceito e o design. Em Basileia, este ano, vi com estes olhos que a terra há-de comer, o primeiro G-Shock, o número um, o Alfa, propriedade do Sr. Kikuo Ibe. Foi um momento quase solene, para mim, de tal modo que até me esqueci de lhe tirar uma foto…

São poucos os objetos que se libertam da sua função inicial e ascenderem ao patamar de ícones da cultura popular. Os Casio G-Shock pertencem a essa classe. Os ténis All-Star, as Levis 501 ou os Ray-Ban Aviator são outros exemplos. Não se usa um G-Shock para se usar um relógio. Usa-se um G-Shock porque é um G-Shock. É cool, é moderno e é adequado a qualquer uso. Colecionam-se, compram-se vários de várias cores e usam-se como uma lufada e ar fresco descontraído que nos faz sorrir sempre que olhamos para o pulso. Adiante.

A bracelete em aço escovado e a lateral portentosa.
A bracelete em aço escovado e a lateral. A diferença entre o polido e o escovado cria um jogo de luz fantástico. © Paulo Pires/ Espiral do Tempo

G-Shock Digital Full Metal

Tive em mãos os novos G-Shock Digital Full Metal e passei um bom tempo com eles. Estes dois modelos são diretamente inspirados nos primeiros modelos desenhados por Kikuo Ibe. Ou seja fazem parte de uma linha ‘tradicional’ que, apesar de ostentar o selo de qualidade G-Shock, é radicalmente diferente dos modelos de desempenho mais profissional como os Master of G, MR-G ou os G-Steel. Estes all metal, na continuidade da linha 5000, são peças de uso urbano mais adequados a serem exibidos descontraidamente na intensa e agitada urbe do que propriamente em situações militares ou aventuras mais intensas.

O novo LED de alta qualidade rodeado pelas células solares e o fecho de báscula.
O novo LED de alta qualidade rodeado pelas células solares e o fecho de báscula. © Paulo Pires/ Espiral do Tempo

Digo isto simplesmente pelo belíssimo design, pois em termos de especificações e robustez estes modelos são como todos os outros G-Shock, a toda a prova. Ao primeiro contacto o que me surpreendeu foi o peso. No meu imaginário e após muitos G-Shock no pulso, a diferença entre uma peça de resina e os Full Metal é abismal! Peguei neles e senti que, de facto, a construção é simplesmente incrível. São pequenos tanques de guerra. A espessura da caixa, a incrível bracelete e o feeling geral de solidez aliam-se aos acabamentos perfeitos onde a alternância entre o polido e o escovado colocam esta peça num outro patamar em relação aos modelos em resina. De destacar que entre a parte superior da caixa e a parte inferior os relógios têm uma lâmina em resina, tornando a peça mais resistente e dotando-a de maior flexibilidade.

A versão black, referência GMWB5000GD-1.
A versão Black, Ref. GMWB5000GD-1. © Paulo Pires/ Espiral do Tempo
Um pequeno tanque que honra o selo G-Shock.
Um pequeno tanque que honra o selo G-Shock. © Paulo Pires/ Espiral do Tempo

As especificações vão ao encontro da experiência sensorial. Estanque a 200 metros (!), alimentado por células solares que, para lá da função prática, são também um elemento estético já reconhecível na linha 5000. Falo do padrão de retângulos em volta do LED. Um novo visor de alta qualidade que resolveu os problemas de menor leitura em certas incidências de luz e uma App para smartphones dedicada e a possibilidade de conexão via Bluetooth. É também um modelo radio-controlado que está sempre certo em qualquer fuso horário através de ajuste automático. A somar a tudo isto, as habituais funções de alarme, cronógrafo, contagem decrescente do tempo, data e dia da semana.

Notas finais

Voltemos, então, ao início. Porque motivo lança a Casio, dois modelos em metal, mais caros forçosamente, que em boa verdade não acrescentam nada de rotura em relação aos tradicionais modelos em resina e têm um PVP bastante mais elevado? Porque um G-Shock em aço tem outra pinta, tem outro cair no pulso, brilha de outro modo. Apela ao coração e não à razão mas são de facto peças de um outro nível. São divertidos, têm personalidade e, como tal, acrescentam uma certa coolness a quem os usa.

No pulso, para quem aprecia uma peça mais vistosa.
No pulso: para quem aprecia uma peça mais vistosa. © Paulo Pires / Espiral do Tempo
A versão black para quem aprecia um relógio mais sóbrio.
A versão Black para quem aprecia um relógio mais sóbrio. © Paulo Pires / Espiral do Tempo

Um amigo partilhou, via Instagram, uma foto sua com o modelo dourado em que dizia que era o relógio mais divertido que tinha usado nos últimos tempos e, para mim, é esse mesmo o sentimento reinante perante estes full metal. Um sentimento de leveza, de divertimento, de contrariar o aborrecimento e um certo cinzentismo relojoeiro. Quando olho para estes full metal apetece-me ter um. Porquê? Simplesmente porque sim! Será obviamente construção mental minha, mas com um G-Shock no pulso sinto-me mais jovem, mais atual e estes full metal apelam fortemente ao meu lado emocional. Irei certamente passar um verão com um G-Shock Digital Full Metal no pulso…

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A versão Black, referência GMWB5000GD-1 e a versão Gold, referência GMWB5000GD-9, ambas com um PVP de € 549. As dimensões são de 49,3 x 43,2.

Características Técnicas

Casio G-SHOCK Ref. GMWB5000GD Digital Full Metal

Referência/ Ref. GMWB-5000GD-1R (versão Black); Ref.GMWB5000GD-9ER (versão Gold)
Movimento/ Energia solar, receção de sinais de rádio (UE, EUA, Japão e China).
Funções/ Horas mundiais, cronómetro 1/100 segundos – 24 horas, temporizador 1/1 segundo – 24 horas, 5 alarmes diários, snooze, vários idiomas, localizador do telefone, indicador do nível de carga da pilha. Smartphone link.
Caixa 49,3 mm x 43,2 mm / Aço inoxidável maciço, parte traseira aparafusada. Estanque até 20 bar, vidro mineral.
Mostrador/ Super iluminador.
Bracelete/ Aço inoxidável maciço com fecho de segurança
Peso / 167,0 g
Preço/ € 549

Visite o site oficial da G-SHOCK para mais informações.

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