fbpx
Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Novidades Chronoswiss: reguladores com cores

Sob o lema ‘Modern Mechanical’, a Chronoswiss apresentou novas interpretações irreverentes do seu clássico modelo regulador — com mostradores de guilloché hipnotizante e cor exuberante. Tivemos algumas versões entre mãos.

Depois de ter exibido na feira de Basileia ao longo de toda a sua existência, a Chronoswiss estreou-se este ano no novo certame genebrino Watches & Wonders — realizado virtualmente devido à pandemia. Foram apresentados vários modelos em abril durante o evento digital e tivemos a oportunidade de os experimentar, confirmando como a força cromática e o hipnótico guilloché catapultaram a reinterpretação contemporânea de um histórico modelo da marca para uma nova dimensão.

Mostrador rosa guilloché do Chronoswiss Flying Regulator Open Gear Pink Panther
O impressionante mostrador guilloché do Flying Regulator Open Gear Pink Panther | © Paulo Pires / Espiral do Tempo

Se nos últimos anos a Chronoswiss renovou de maneira contida dois incontornáveis ex-libris seus como o Opus Chronograph e o Lunar Chronograph, já com o Regulator o caminho escolhido em 2016 foi completamente diferente: o da irreverência, da inovação, do experimentalismo. A aposta no Regulator do século XXI foi tal e tão bem sucedida que rapidamente as diversas declinações passaram a dominar o catálogo da marca. E se antigamente os relógios ditos ‘reguladores’ eram utilizados para servir de referência, com a Chronoswiss tornaram-se autênticos exercícios de estilo com mostradores animados de grande personalidade. Ou seja, a Chronoswiss mergulhou na história para recuperar o seu lendário modelo e deu-lhe um espírito mais adequado aos tempos modernos.

Chronoswiss Open Gear Tourbillon
Uma complicação nobre: o Open Gear Tourbillon celebra os 20 anos do primeiro turbilhão da Chronoswiss | © Paulo Pires / Espiral do Tempo

A habitual linguagem do tempo e da relojoaria consiste num mostrador tradicionalmente redondo com ponteiros concêntricos das horas e dos minutos (e na maior parte dos casos, também segundos). Mas há muitos dialetos que expressam o mesmo tempo de maneira diferente — como se pode constatar no caso dos mostradores reguladores, que tão em voga estavam há mais de dois séculos e que no final da década de 80 ressurgiram graças à ação preponderante de Gerd-Rüdiger Lang, fundador da Chronoswiss. Quase trinta anos depois, na edição de 2016 de Baselworld e sob a batuta do proprietário Oliver Ebstein, a Chronoswiss apostou fortemente no conceito através de uma alargada panóplia de variantes preconizadas pelo designer Maik Panziera — e divididas entre modelos Regulator Classic, Flying Regulator e Regulator Jumping Hour. Entretanto, a marca de Lucerna radicalizou ainda mais essa caraterística disposição de mostrador e surgiram as declinações Open Gear, Open Gear ReSec com segundos retrógrados e ainda o Open Gear Tourbillon. Dando sempre muita relevância à cor e ao acabamento guilloché do mostrador.

Verso do Chronoswiss Flying Regulator Open Gear Pink Panther
O rotor personalizado do Flying Regulator Open Gear Pink Panther | © Paulo Pires / Espiral do Tempo

Os mostradores em guilloché sempre foram um aspeto identitário da Chronoswiss, juntamente com a luneta canelada, a coroa em cebola e as asas para correia aparafusadas com o sistema patenteado AutoBlock. Sob o lema ‘Modern Mechanical’, a Chronoswiss reinventou-se e redefiniu os seus ícones — incluindo o Regulator, inspirado num relógio idealizado por Louis Berthoud no final do século XVIII cuja caraterística mais marcante era a posição descentrada do ponteiro das horas no mostrador.

Verso do Chronoswiss Open Gear Tourbillon
O fundo transparente do Open Gear Tourbillon | © Paulo Pires / Espiral do Tempo

Do passado ao presente

A ideia do lendário mestre relojoeiro francês visava impedir que a leitura do ponteiro dos segundos fosse comprometida; os relógios de pêndulo de alta precisão passaram a adotar esse tipo de mostrador e começaram a ser usados essencialmente em observatórios, centrais horárias, manufacturas relojoeiras, escolas e fábricas aquando da Revolução Industrial: passaram a ser a bitola onde quer que fosse importante marcar o tempo ‘ao segundo’ e controlar a precisão dos relógios. Daí a justificação do nome ‘regulador’ para um instrumento de pêndulo com segundos ao centro e no qual os ponteiros das horas e dos minutos estavam claramente afastados, a fim de evitar uma justaposição que causasse problemas de leitura a quem necessitava de uma rápida e imediata percepção do tempo.

Chronoswiss Regulator Classic Blue Steel
O Regulator Classic Blue Steel de 2020 já tinha apresentado uma caixa em aço azulado | © Susana Gasalho / Espiral do Tempo

Na fase de ressurreição da relojoaria mecânica após a crise do quartzo, o formato ‘regulador’ foi adaptado aos relógios de pulso após uma aposta pessoal de Gerd-Rüdiger Lang, que fundou a Chronoswiss em 1983 para perpetuar as linhas clássicas e o artesanato da relojoaria tradicional. Numa altura em que os relógios digitais a pilha dominavam o mercado, o mestre alemão permaneceu convicto de que existia um mercado para edições limitadas de relógios mecânicos de qualidade superlativa e inspirados em elementos de estilo de outrora; o grande salto da Chronoswiss deu-se precisamente com o ‘Régulateur’, um relógio mecânico de corda manual em edição limitada que então esgotou num ápice devido ao seu mostrador pouco usual a partir de três eixos diferentes.

Coroa em cebola do Chronoswiss Open Gear ReSec Chocolate com caixa em castanho achocolatado
Caixa acastanhada e mostrador chili no Open Gear ReSec Chocolate | © Susana Gasalho / Espiral do Tempo

A partir daí, o ‘Régulateur’ tornou-se mesmo numa linha emblemática da Chronoswiss. Em 1990, o ‘Régulateur Automatique’ dava continuidade à história de sucesso do modelo de corda manual, nessa altura já há muito esgotado e avidamente procurado entre os círculos de colecionadores. Os mecanismos foram concebidos pelo conceituado fabricante Enicar, cujo legado Gerd-Rüdiger Lang procurou preservar sob a forma do calibre C.122 que só se pode encontrar nos relógios Chronoswiss. E a linha ‘Régulateur’ foi sendo enriquecida com diferentes cores de mostrador e tamanhos de caixa, enquanto se consumava definitivamente o regresso em força da relojoaria mecânica. No dobrar do milénio surgiram o Chronoscope, primeiro cronógrafo automático de pulso com o mostrador de um modelo regulador, e o Tourbillon Régulateur, primeiro relógio turbilhão de pulso com mostrador regulador que foi então concebido para comemorar os 200 anos sobre a patente do ‘Régulateur à Tourbillon’ de Abraham-Louis Bréguet. Vinte anos depois, o regulador com turbilhão regressa de maneira espetacular ao catálogo da marca de Lucerna, tendo sido a mais relevante novidade de 2020 (a par do SkelTec).

Coroa em cebola do Chronoswiss Open Gear Tourbillon
Elementos de estilo típicos da Chronoswiss na arquitetura da caixa | © Paulo Pires / Espiral do Tempo

O Open Gear Tourbillon apresenta-se completamente vestido de azul, com destaque para a sua caixa azulada de 44mm por 13,1mm a complementar o mostrador e a correia em pele de crocodilo hornback. O turbilhão volante faz-se acompanhar da configuração típica dos reguladores com os ponteiros das horas e dos minutos em eixos diferentes e utiliza os elementos de estilo habituais nos modelos Open Gear: parafusos, diferentes níveis, guilloché feito à mão. O Calibre C.303 com 60 horas de reserva de corda é semiesqueletizado e o azul dominante é apresentado em dez tonalidades distintas.

Detalhe do fecho de báscula do Chronoswiss Open Gear Tourbillon
Pormenor do fecho: tudo a condizer | © Paulo Pires / Espiral do Tempo

Mas o Open Gear Tourbillon é uma especialidade e, tendo em conta a inclusão do turbilhão, um exemplar mais caro. Talvez o principal modelo da coleção atual da Chronoswiss seja o Open Gear ReSec, com a sua escala de 30 segundos retrógrada — o ponteiro percorre meio minuto e salta para trás, reiniciando instantaneamente a sua marcha de 30 segundos antes do recomeço (daí o nome ReSec). E a grande estrela entre as novidades de 2021 apresentadas no salção digital Watches and Wonders é o Open Gear ReSec Paraíba, com o exótico nome de origem brasileira a definir um tom de mostrador de 42 componentes que, consoante o ângulo de visão, anda entre o verde azulado e o azul esverdeado devido aos efeitos visuais proporcionados pelo guilloché. É utilizada uma fórmula secreta de deposição de vapor químico para chegar aos tons evocativos de uma lagoa tropical. A tonalidade do mostrador é replicada no rotor visto através do fundo transparente em vidro de safira.

Chronoswiss Open Gear ReSec Paraiba
Entre o verde e o azul: o Open Gear ReSec Paraiba | © Paulo Pires / Espiral do Tempo

Para além do Open Gear ReSec Paraíba, também foi lançado este ano (um pouco antes, em março) o Open Gear ReSec Big Wave, com um azul oceânico a complementar uma caixa em aço de 44 milímetros. O guilloché feito à mão no mostrador dá precisamente o efeito de onda que justifica o nome — e a tridimensionalidade do mostrador típico do modelo Open Gear ReSec oferece o tel espírito ‘Modern Mechanical’ que surge como lema da Chronoswiss.

Mostrador azul guilloché do Chronoswiss Open Gear ReSec Big Wave
Vaga azul: o Open Gear ReSec Big Wave © Paulo Pires / Espiral do Tempo

O Open Gear Pink Panther foi o primeiro dos relógios desvelados no âmbito da Watches and Wonders (a marca foi revelando diariamente um novo modelo) e centrou imediatamente as atenções em virtude do mostrador rosa — sendo que o rosa é claramente das cores mais inabituais na relojoaria, sobretudo em modelos de dimensões teoricamente mais adaptadas aos pulsos masculinos. O Open Gear Pink Panther tem uma caixa preta em aço de revestimento DLC com 41 milímetros de diâmetro que oferece o contraste ideal para o mostrador híbrido em rosa com revestimento CVD. O padrão guilloché é feito à mão, tal como sucede em todos os mostradores da marca, com a ajuda de máquinas seculares nos ateliers da sede da marca em Lucerna. O Calibre C.229 automático dos modelos Open Gear surge evidentemente equipado com um rotor galvanizado em cor de rosa com padrão em espiral.

Mostrador rosa guilloché do Chronoswiss Flying Regulator Open Gear Pink Panther
O efeito hipnótico no mostrador do Flying Regulator Open Gear Pink Panther | © Paulo Pires / Espiral do Tempo

Face a uma tal profusão de cores, o Open Gear ReSec Black Ice distingue-se pelo seu monocromatismo — mas também nele existe um apurado trabalho cromático, embora à volta de somente uma cor, o preto: está presente em todo o lado, desde a caixa até ao mostrador, correia e fecho de báscula. O mostrador evoca um lago gelado à noite, com areia preta. Um banho galvânico dá a aparência final. Apenas a matéria altamente luminescente nos ponteiros e indexes e o grafismo dão o contraste ao aspeto (quase) escurecido da peça. No fundo transparente em vidro de safira, o Calibre C.301 automático que equipa os modelos Open Gear ReSec surge dotado de um rotor negro a condizer.

Chronoswiss Open Gear ReSec Chocolate com caixa em castanho achocolatado e mostrador apimentado de cor chili
Uma versão irreverente: o Open Gear ReSec Chocolate | © Susana Gasalho / Espiral do Tempo

Já em 2020 a Chronoswiss tinha investido fortemente numa alargada paleta cromática com modelos de tonalidades pouco usuais — como o surpreendente Open Gear ReSec Chocolate com caixa em castanho achocolatado e mostrador apimentado de cor chili (verdadeiramente original!), o Flying Regulator Open Gear Wasp com espetacular mostrador ‘vespa’ amarelo e preto e o fascinante Open Gear Ocean com mostrador verde azulado (com variações de tonalidade que inspiraram o mais recente Paraíba).

Chronoswiss Flying Regulator Open Gear
O forte cromatismo do Flying Regulator Open Gear | © Susana Gasalho / Espiral do Tempo

Para além das diversas variantes de configuração Regulator que atualmente dominam a coleção da Chronoswiss e que pudemos fotografar aquando da visita de Massimiliano Grotto (um dos diretores da marca), convém não esquecer o facelift dos históricos Opus Chronograph e Lunar Chronograph — mas, mais importante ainda, foi o lançamento do SkelTec, que elevou a esqueletização do histórico Opus a um nível ainda mais transparente. O SkelTec é um novo modelo que se afigura particularmente relevante para a estratégia da Chronoswiss; após a sua estreia em 2020, já recebeu novas variantes em 2021 e é um modelo que merece por si uma futura análise detalhada…

Outras leituras