Novidades 2019: Chopard Alpine Eagle e o ciclo completo

Na sequência de uma notável interação transgeracional, a Chopard acabou de lançar uma nova coleção intitulada Alpine Eagle – que recupera os elementos de estilo do St. Moritz lançado em 1980 e que permaneceu no catálogo da marca até ao virar do milénio. A apresentação acompanha o recrudescimento do interesse no design integrado que vem contrariar a tendência absolutista dos relógios redondos e aposta no chamado ‘segmento desportivo de luxo’.

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Acabamento de qualidade bem patente em todos os pequenos detalhes do Alpine Eagle, desde o mostrador à caixa. © Chopard

Há cerca de um ano e meio, quando visitámos as instalações da Chopard para entrevistar e tirar fotografias a Karl-Friedrich Scheufele no âmbito de um artigo de capa sobre o LUC Quattro, passámos por um corredor cheio de posters evocativos de antigas publicidades da marca – entre as quais algumas do St. Moritz, um modelo de design integrado dos anos 80 que ainda permaneceu durante bom tempo no catálogo até desaparecer por completo. “Quando é que temos o St. Moritz de volta à coleção?”, foi a pergunta instintiva. A reação de surpresa e depois de cumplicidade por parte de Karl-Friedrich deu a entender que algo se iria passar relativamente ao assunto. E aí está: no primeiro dia de Outubro foi apresentada a nova coleção Alpine Eagle, descendente direta do St. Moritz.

Publicidade do St. Moritz no início da década de 80. © Chopard
Publicidade do St. Moritz no início da década de 80. © Chopard

A coleção começou a ser preparada há já cinco anos, mas foi lançada agora num timing que parece ideal: começa a sentir-se uma forte reação ao asfixiante domínio das caixas redondas que caraterizou a relojoaria ao longo da última década, com predileção pelo design integrado – em que a caixa se funde com a bracelete. Essa tipologia integrada, tão caraterística dos anos 70 e que inclui alguns dos mais cobiçados ícones da relojoaria moderna, estendeu-se pelos anos 80 e abarcou não só o St Moritz como alguns outros modelos menos conhecidos da própria Chopard ao longo dessa década (como o Monte-Carlo e o Gstaad). Mas o St. Moritz, batizado em honra de uma das mais exclusivas estâncias de ski na Suíça e do seu caraterístico ambiente de jet-set, foi sempre a referência. Até porque foi um dos primeiros produtos idealizados por Karl-Friedrich Scheufele, quando tinha somente 22 anos e já seguia as peugadas do pai; queria algo moderno e resistente que pudesse usar em qualquer circunstância e que servisse de complemento aos modelos em ouro ou de joalharia que então caraterizavam a Chopard.

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O mostrador radial e a alternância de tratamentos de superfície da caixa provocam um efeito hipnótico. © Susana Gasalho/Espiral do Tempo

O St. Moritz era considerado um relógio desportivo elegante, com grande destaque para a força estética da bracelete no conjunto global do relógio e caraterísticas de robustez que lhe permitiam fazer face aos mais robustos desafios… como uma queda de ski nas descidas alpinas de St. Moritz. Era estanque, acabado à mão e numerado individualmente. Fast forward de quase 40 anos e a constatação de que havia claramente lugar para um relógio de design integrado na coleção atual da Chopard, dividida entre os modelos LUC de manufatura e a faceta desportiva retro-racing dos Mille Miglia. E esse regresso foi curiosamente impulsionado por Karl-Fritz Scheufele, filho de Karl-Friedrich. Ou seja, a história repetiu-se.

Karl, Karl-Friderich & Karl-Fritz Scheufele. © Chopard
Karl, Karl-Friderich & Karl-Fritz Scheufele. © Chopard

No final dos anos 70, o então jovem Karl-Friedrich teve alguma dificuldade em convencer o pai para lançar um produto disruptivo e a sua insistência acabou por ser premiada: nos anos seguintes foi mesmo o best-seller da marca. Desta vez, foi o jovem Karl-Fritz a tentar convencer o relutante pai e foi mesmo necessário contar com o apoio do avô para levar a sua ideia avante; com o lançamento do Alpine Eagle, o ciclo familiar de três gerações fechou-se. Ou fechou-se por enquanto, quem sabe se algo de parecido não sucederá com um eventual filho de Karl-Fritz…

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Design integrado com intuito desportivo. © Chopard

Há mais do que uma razão para que o St. Moritz tenha sido reinventado sob o nome Alpine Eagle. A Chopard tem tido uma vincada ação corporativa ‘verde’ com associação à Alp Initiative fundada por Aga Khan e Karl-Friedrich está muito próximo da Eagle Wing Foundation destinada a preservar precisamente o ecossistema da águia alpina, para além das restantes preocupações ambientais a que a família Scheufele se tem associado; depois há o ‘pequeno’ detalhe de o Grupo Swatch ter atualmente um vínculo contratual com a municipalidade de St. Moritz – o que também motivou Karl-Friedrich a abrir uma nova via ‘ecológica’ e de preservação animal, homenageando a frondosa águia dos Alpes e a natureza alpina.

E foi a íris da águia dos Alpes que serviu precisamente de inspiração ao padrão radial e texturado dos mostradores azuis e acinzentados, cores bem presentes na mais imponente cordilheira montanhosa europeia. Mostradores hipnotizantes que são complementados com índices e algarismos romanos estilizados com luminescência de última geração (Super LumiNova Grade x1) aplicados em relevo. A cauda do ponteiro dos segundos até evoca a pena de uma águia…

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Do St. Moritz ao Alpine Eagle: o renascimento de mais um ícone na tipologia dos relógios de design integrado que dominaram as décadas de 70 e 80. © Chopard

Para já, são dez os modelos Alpine Eagle já apresentados – em dois tamanhos (41mm por 9,7mm de caixa; 36mm) e dois materiais, entre o ouro ético Fairmined de 18 quilates e um novo tipo de aço parcialmente reciclado Lucent A223 (com 223 Vickers de dureza, cerca de 40 por cento mais do que os 150 do aço 316L normal), que também se conjugam numa variante mista bicolor. Tanto o aço Lucent A223, uma liga exclusiva da Chopard na sequência de um desenvolvimento de quatro anos e com reflexos particularmente vivos devido à sua pureza/homogeneidade, como o ouro Fairmined são fundidos nos fornos próprios da Chopard, e consequentemente moldados nas instalações da marca para depois serem transformados em caixas e braceletes.

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Três das sete variantes da versão midsize de 36mm que incluem também mostradores em madrepérola evocativos das neves alpinas. © Chopard

A luneta é mais redonda do que a do modelo original de 1980, mantendo-se os oito parafusos (dispostos em quatro pares nos pontos cardeais e alinhados para acompanhar a curvatura do mostrador) numa configuração ligeiramente distinta e acompanhada por uma espécie de ‘orelhas’ que substituem lateralmente as reentrâncias da luneta do St. Moritz; a ‘orelha’ da direita protege a coroa, que está decorada com uma rosa dos ventos.

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Pormenor da luneta com os respetivos parafusos e da coroa com rosa dos ventos espaldada por proteções laterais. © Chopard
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O lustro frio e os reflexos mate emanados pelo Lucent A223 são dignos dos glaciares e das texturas minerais montanhosas. A justaposição de diferentes tipos de tratamento de superfície, entre o polido e o escovado, dá ao relógio um acabamento sofisticado que é confirmado pela excelente adaptação da bracelete ao pulso.

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A versão bimetálica midsize de 36mm num pulso feminino. © Susana Gasalho/Espiral do Tempo

A bracelete é verdadeiramente original e, em vez de incluir um elo central ‘apenas’ polido como sucedia no St Moritz, ostenta uma série de ‘lingotes’ centrais que se destacam em relevo e são presos através de parafusos que se vêm no lado interior da pulseira.

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Pormenores da arquitetura da bracelete em aço com lingotes centrais aparafusados e complexo sistema de encaixe lateral. © Chopard
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Das 10 referências estanques a 100 metros de profundidade, três são executadas no tamanho maior de 41mm e acompanhadas do movimento automático com data 01.01-C (28,800 alternâncias/hora, 60 horas de reserva de corda); as restantes surgem na variante midsize de 36mm, incluindo uma adornada com diamantes, motorizada pelo calibre automático 09.01-C (25.200 alternâncias/hora, autonomia de 42 horas).

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Fundo transparente em vidro de safira e a vista para o novo calibre automático elaborado nas instalações da Fleurier Ébauches pertencentes à marca. © Chopard

Ambos os movimentos, novos na coleção da Chopard e fabricados na Fleurier Ébauches, ostentam o certificado de precisão cronométrica do COSC. E podem ser observados através do fundo transparente da caixa em vidro de safira.

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AS NOSSAS IMPRESSÕES

Bons acabamentos e interessantes detalhes originais que o distinguem na tipologia do design integrado que inclui vários outros ícones da relojoaria. Um produto com a chancela Chopard de A a Z, desde os movimentos aos acabamentos e às ligas utilizadas. Excelente presença e adaptação ao pulso. Em suma, um relógio refinado e com a qualidade global a que a marca genebrina nos habituou. E também com uma bela história transgeracional – e ambiental – por trás, reforçada com toda a classe da família Scheufele.

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Caraterísticas Técnicas

Chopard
Alpine Eagle Ø 41 mm

Referências/
Ref. 298600-3001 – aço Lucent Steel A223 com mostrador azul Aletsch;
Ref. 298600-3002 – aço Lucent Steel A223 com mostrador cinzento Bernina;
Ref. 298600-6001 – aço Lucent Steel A223 e ouro rosa 18kt ético com mostrador cinzento Bernina;
Movimento/ Mecânico de corda automática, calibre Chopard 01.01-C (COSC), 4Hz (28.800 alt/h), 31 rubis, 60 horas de reserva de corda.
Funções/ Horas, minutos e segundos.
Caixa Ø 41 mm/ Aço Lucent Steel A223. Vidro de safira com tratamento antirreflexos. Estanque até 100 metros.
Mostrador/  Azul Aletsch ou cinzento Bernina. Numerais e indexes com  Super-LumiNova® Grade X1.
Bracelete/ Aço Lucent Steel A223 ou aço Lucent Steel A223e ouro rosa 18kt ético (consoante as versões). Fecho de báscula.
Preços/ Ref. 298600-3001 – € 12.200
Ref. 298600-3002 – € 12.200
Ref. 298600-6001 – € 18.700

Chopard
Alpine Eagle Ø 36 mm

Referências/
Ref. 298601-3001 – aço Lucent Steel A223 com mostrador azul Aletsch;
Ref. 298601-3002 – aço Lucent Steel A223 com mostrador de madrepérola branca e luneta com diamantes;
Ref. 298601-6001 – aço Lucent Steel A223 e ouro rosa 18kt ético com mostrador cinzento Bernina;
Ref. 298601-6002 – aço Lucent Steel A223 e ouro rosa 18kt ético com mostrador de madrepérola branca e luneta com diamantes;
Ref. 295370-5001 – ouro rosa 18kt ético com mostrador cinzento Bernina;
Ref. 295370-5002 – ouro rosa 18kt ético com mostrador de madrepérola branca e luneta com diamantes;
Ref. 295370-5003 – ouro rosa 18kt ético com mostrador e madrepérola cinzenta Sils do Tahiti, luneta com diamantes e correia parcialmente com diamantes.
Movimento/ Mecânico de corda automática, calibre Chopard 09.01-C (COSC), 3.5Hz (25.200 alt/h), 27 rubis, 42 horas de reserva de corda.
Funções/ Horas, minutos e segundos.
Caixa Ø 36 mm/ Aço Lucent Steel A223 ou ouro rosa 18kt ético ou aço Lucent Steel A223 e ouro rosa 18kt ético. Vidro de safira com tratamento antirreflexos. Estanque até 100 metros.
Mostrador/ Azul Aletsch, cinzento Bernina, madrepérola cinzenta Sils do Tahiti, ou madrepérola branca. Numerais e indexes com  Super-LumiNova® Grade X1.
Bracelete/ Aço Lucent Steel A223, aço Lucent Steel A223 e ouro rosa 18kt ou ouro rosa 18kt com diamantes (consoante as versões). Fecho de báscula.
Preços/ Ref. 298601-3001 – € 9.530
Ref. 298601-3002 – € 13.600
Ref. 298601-6001 – € 15.200
Ref. 298601-6002 – € 19.400
Ref. 295370-5001 – € 28.400
Ref. 295370-5002 – € 32.700
Ref. 295370-5003 – € 42.800

Visite o site oficial da Chopard para mais informações.

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© Susana Gasalho/Espiral do Tempo

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