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Rolex: rotação perpétua

O nome Oyster Perpetual não constitui apenas a nomenclatura da linha mais essencial da Rolex; é também um conceito transversal a toda a coleção da marca genebrina e constitui o alicerce cultural sobre o qual construiu a sua reputação. 95 anos após a criação da caixa estanque Oyster e 90 anos após a estreia do movimento automático Perpetual, a designação composta representa o maior símbolo de longevidade na história da relojoaria.

Os Oyster Perpetual coloridos que a Rolex lançou em 2020 estão na moda: quando se vê Roger Federer passear vários dos novos modelos nos primeiros dias em Wimbledon, não é preciso dizer mais nada. E no entanto, há mesmo muito para dizer deles — num ano em que se comemora o 95º aniversário da criação da caixa estanque Oyster e o 90º aniversário do lançamento do movimento automático Perpetual.

O rotor com identificação a azul do Oyster Perpetual Yacht-Master II | © Rolex

O campeoníssimo suíço surgiu na primeira conferência de imprensa de antevisão do torneio com o Oyster Perpetual de mostrador amarelo torrado e na conferência de imprensa após a primeira ronda com um de mostrador verde. Entretanto, a versão de mostrador azul turquesa tem-se afirmado como a mais cobiçada da linha e uma grande coqueluche no seio do catálogo da Rolex, atingindo nos circuitos paralelos o triplo do seu preço de venda ao público nos agentes autorizados. Entre os oito tons de mostrador, as cinco cores mais irreverentes vieram dar maior alegria a um período de depressão provocado pela pandemia.

Pormenor do mostrador dos Rolex Oyster Perpetual e a versão com mostrador azul turquesa
Pormenor da luminescência nos indexes dos novos Oyster Perpetual e a versão com mostrador azul turquesa | © Rolex

Mas o grande trunfo da linha Oyster Perpetual vai para além de qualquer capricho cromático. Tem a ver com a mais pura essência da Rolex. O conceito de caixa Oyster (inspirado na hermeticidade da ostra) surgiu em 1926, baseado numa estrutura em que as várias partes surgiam aparafusadas para garantir estanqueidade absoluta; a solução de corda automática Perpetual (de funcionamento ‘perpétuo’ a partir do movimento do pulso) preconizada desde 1931 revolucionou a indústria. E a combinação Oyster/Perpetual foi a semente do espírito Rolex que tornou a marca genebrina num potentado e tem pautado a sua conduta até aos dias de hoje; esse binómio Oyster Perpetual constituiu o ponto de partida para uma identidade que pouco de alterou desde os anos 40 até à atualidade.

Oyster Perpetual 41 mm com mostrador amarelo torrado | © Cesarina Sousa / Espiral do Tempo

Convencional/revolucionário

Logo após os Loucos Anos 20 e toda a influência Art Déco da época, que fez com que a maioria dos relógios de pulso tivessem uma forma mais geométrica (retangular, quadrada, tonneau), o Oyster Perpetual surgiu com uma luneta redonda e asas integradas. Mas a aparente simplicidade estética tinha uma razão funcional: era mais fácil tornar estanque uma caixa redonda e a estanqueidade era uma premissa absoluta da Rolex. A adoção de um movimento automático também contribuiu para essa estanqueidade: ao eliminar-se a necessidade de ter de se dar corda ao relógio todos os dias e dispensando-se assim o apertar e desenroscar da coroa para fornecer corda manual ao movimento, as juntas vedantes (na altura menos desenvolvidas) eram poupadas e a longevidade do relógio tornava-se evidentemente maior. Teoricamente, perpétua…

O rotor, símbolo dos movimentos de corda automática; imagem de um calibre histórico | © Rolex

O Oyster Perpetual tornou-se assim no primeiro relógio de pulso preciso, à prova de água e… automático. O movimento relojoeiro é uma das mais extraordinárias invenções do homem porque foi pensado para funcionar permanentemente e durante o máximo de tempo possível (em comparação, o motor de um automóvel não resistiria funcionar dias seguidos sem qualquer paragem); a criação do movimento automático foi uma autêntica revolução. Um relógio de calibre automático vive da força da gravidade e da atividade do utilizador, cuja movimentação carrega uma mola de energia que depois é transformada em impulsos regulares. A energia transmitida pela movimentação do braço é tudo o que necessita para se manter em funcionamento. Partindo do princípio de que um relógio automático é utilizado com regularidade, estima-se que o movimento do braço proporcione de 7000 a 40.000 impulsões diárias. Senão, é necessário dar à corda manualmente da forma tradicional para por o relógio a andar antes de ser colocado no pulso — ou para lhe dar mais corda para manter o funcionamento nos casos de maior inação.

Calibre 3230 da Rolex
Os tamanhos 41 e 36 estão equipados com o novo Calibre 3230 com escape Chronergy e reserva de corda até 70 horas | © Rolex

Ao longo dos séculos, conseguir um relógio que conseguisse carregar-se sozinho sempre foi um sonho dos relojoeiros e a paternidade do mecanismo de corda automática tem sido rodeada de alguma controvérsia (Abraham-Louis Perrelet ou Hubert Saron em relógios de bolso no século XVIII, John Harwood para relógios de pulso em 1924). O certo é que, em 1931, o fundador Hans Wilsdorf levou a Rolex a patentear um sistema aperfeiçoado com massa oscilante de rotação unidirecional a 360º e batizou o calibre de Perpetual — designação anglófona do termo Perpétuelle já usado por Abraham-Louis Perrelet. E que foi exclusividade da Rolex até 1948, quando a patente abriu ao domínio público e o sistema foi adotado pela indústria relojoeira.

As duas rodas em alumínio anodizado com tom avermelhado e outros componentes | © Rolex

Instalado de forma independente das restantes peças do movimento, o bloco automático com rotor de eixo central consiste em duas rodas de redução idênticas com pivôs, uma roda arrastadora da roda de carga e um inversor nos casos de carga em dois sentidos. O rotor carrega a mola principal da corda mediante rotação sobre o seu próprio eixo, eliminando assim a necessidade da carga manual. A corda é enrolada pelo sistema de corda automática; quando a mola se encontra totalmente carregada, o que acontece em apenas algumas horas sempre que o relógio está a ser usado (ao cabo de cerca de 150 voltas do rotor), a brida deslizante escorrega contra a parede interior do tambor, impedindo-se assim que um excesso de corda provoque danos na mola principal.

O rotor de eixo central com uma liga densa em tungsténio para otimizar as suas propriedades dinâmicas | © Rolex

Os novos Oyster Perpetual

Desde esse histórico ano de 1931 que a Rolex foi desenvolvendo paulatinamente o seu conceito Oyster Perpetual, adotando-o depois em todas as linhas principais da sua coleção. Ao longo do tempo houve evidentes melhorias no campo da absorção dos choques, no aumento da reserva de marcha, na carga de sentido bidirecional a partir de 1959, na adoção de metal de maior densidade (como o tungsténio) para o rotor, na substituição de juntas de metal por materiais sintéticos para aumentar a estanqueidade, na passagem do vidro plexiglass para vidro de safira anti-risco com tratamento antirreflexo.

A policromática linha Oyster Perpetual atualizada em 2020 | © Rolex

Entretanto, a criação de novas infraestruturas para o fabrico de peças e componentes dotou a Rolex de um parque industrial único. Por exemplo, os componentes do módulo automático são feitos em Bienne com uma precisão de microns, sendo depois o rotor montado e lubrificado. A assemblagem final da maior parte dos calibres é feita já em Genebra, juntamente com os testes e o controlo final de qualidade.

Rolex Oyster Perpetual Cosmograph Daytona com mostrador meteorito
O novo Oyster Perpetual Cosmograph Daytona com mostrador meteorito | © Rolex

Hoje em dia, tanto a caixa Oyster e a bracelete Oyster — que formam o design intemporal tão caraterístico da Rolex — são esculpidas a partir de Oystersteel, um aço inoxidável 904L geralmente utilizado em instrumentos de precisão para cirurgiões e reconhecido tanto pela elevada resistência como pela facilidade de polimento. A linha Oyster Perpetual utiliza exclusivamente a bracelete Oyster (as outras braceletes metálicas da Rolex são a Jubilee e a President), também presente na maior parte dos modelos icónicos da linha Professional (Daytona, Submariner, GMT-Master II, Explorer) e assente em três elos maciços entrelaçados para evitar qualquer ruptura. E desde 2020 que os modelos Oyster Perpetual específicos também passaram a receber braceletes Oyster com um fecho dotado do sistema de extensão Easylink, para pequenos ajustes ao pulso.

A caixa Oyster e a bracelete Oyster fazem parte do design tão caraterístico da Rolex e no caso da linha Oyster Perpetual são exclusivamente esculpidas a partir de Oystersteel | © Rolex

As cores foram também o grande trunfo da nova geração Oyster Perpetual. No total, são oito as diferentes tonalidades de mostrador apresentadas pela Rolex — e, para além dos tons mais clássicos (preto, azul e prateado com mostradores raiados), foi a maior frescura do amarelo, verde, turquesa, vermelho e rosa que fez furor. Nesses modelos, a base do mostrador recebe seis camadas de verniz com um polimento lacado final especial até se alcançar o tom vibrante desejado.

Calibre 4130
O rotor identificado do Calibre 4130 que anima o Daytona e a espiral azul Parachrom | © Rolex

A motorização também recebeu um upgrade. Os Oyster Perpetual de 41 e 36mm estão equipados com o novo Calibre 3230 com escape Chronergy e reserva de corda até 70 horas. Os outros recebem o Calibre 2232. Tanto um como outro personificam o ideal mecânico da Rolex: movimentos simples e precisos, categorizados ‘Superlative Chronometer Officially Certified’ por ser certificado pelo Controlo Oficial Suíço de Cronómetros e com tecnologia patenteada pela Rolex, como a espiral antimagnética Parachrom e o amortecedor de choques Paraflex. A garantia abrange um total de cinco anos, uma rara extensão no mundo da relojoaria que é assegurada por uma robustez a toda prova — devidamente comprovada por testes que incidem não só sobre os diferentes componentes e as diferentes etapas de manufactura, mas também sobre o produto final. Que é o arquétipo da Rolex.

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