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A saga Polaris

Com uma fragrância vintage adequada aos tempos modernos, a linha Polaris nasceu em 2018 para celebrar o 50º aniversário do lendário Memovox Polaris de 1968 e assumir lugar de destaque na coleção da Jaeger-LeCoultre. Mas as suas raízes remontam a 1950 e tiveram entretanto notáveis ramificações na primeira década do novo milénio. Aqui fica a história da saga Polaris.

Conhecida sobretudo pelo discreto charme das suas elegantes linhas Reverso, Master Control e Rendez-Vous ou pela excecionalidade mecânica das obras-primas realizadas sob a chancela Hybris Mechanica, há já algum tempo que a Jaeger-LeCoultre pretendia complementar o seu catálogo com uma coleção casual elegante — que apresentasse caraterísticas mais desportivas e valências técnicas condizentes com a sua reputação. A Grande Maison mergulhou no seu vasto arquivo e recuperou os códigos vintage de um lendário modelo de mergulho com alarme para os utilizar de modo contemporâneo na nova linha Polaris, inspirada diretamente no Memovox Polaris de 1968.

Planos técnicos com os detalhes que inspiraram os novos modelos Polaris © Jaeger-LeCoultre

A criação da nova linha Polaris foi a celebração com pompa e circunstância de um dos mais emblemáticos (e cobiçados!) modelos na história da manufatura de Le Sentier, mas há mais para além dessa ligação direta de parentesco. Começando pelo advento do primeiro modelo Memovox até aos recentes Polaris Mariner, passando pelos entretanto desaparecidos Master Compressor e pelas reedições Deep Sea. E tudo começou com um relógio especial, dotado de um alarme mecânico destinado a acordar o seu utilizador ou a alertá-lo sonoramente para uma determinada situação.

A voz da memória

Memovox de 1950 © Jaeger-LeCoultre

De facto, a Jaeger-LeCoultre lançou o Memovox (que significa literalmente ‘a voz da memória’) em 1950 e publicitou-o como sendo o relógio ideal para o homem ativo. O seu alarme mecânico destinava-se a marcar as incidências do quotidiano: despertar, reuniões, horários de transportes, parquímetros. Os primeiros Memovox são de corda manual, alimentados pelo Calibre 489; em 1956 surgia a primeira versão automática, dotada do Calibre 815 posteriormente aperfeiçoado nas suas versões subsequentes: o 825 (1959), o 916 (1970), o 918 (1994) e o 956 (2008), que surge atualizado este ano com uma nova configuração do mecanismo acústico para possibilitar um fundo transparente em vidro de safira. A frequência do alarme mantém-se: 77 batidas por segundo.

De 1950 a 2020, a Jaeger-LeCoultre apresentou dúzias de diferentes modelos com alarme ou combinações alarme/worldtimer que exaltaram o seu histórico virtuosismo acústico — mas todos sem fundo de vidro de safira, para que o fundo fechado funcionasse como uma caixa de ressonância ideal para otimizar a eficácia do alarme. Um minúsculo martelo fazia vibrar o timbre e a qualidade sonora manteve-se sempre cristalina, com uma frequência ideal para agradar ao ouvido (nem demasiado baixa para o utilizador nem excessivamente alta para incomodar o ambiente) devido à tal liga metálica especial mantida em segredo e à invenção de uma forma particular para o timbre.

Várias gerações Polaris Memovox, desde os anos 60 aos anos 70 © Miguel Seabra/Espiral do Tempo

O conceito Memovox, herdado do histórico calibre automático de 1956, assenta num movimento de frequência relativamente elevada (28.800 alternâncias/hora) e um balanço sobredimensionado (10 mg/cm2); a precisão não é influenciada pela dispensa de energia associada ao alarme, já que dispõe de um tambor de corda distinto para cada função, e a sua arquitetura proporciona facilidade de regulação e montagem. Relativamente ao calibre original de 1950, a liga para o timbre é diferente, a frequência passou de 3 para 4 Hz, utilizam-se novos dentes para as rodagens, a mudança de data é rápida e há um sistema que bloqueia o timbre quando a reserva de corda do alarme é mínima. O som mantém-se cristalino e distinto, com o alarme a durar 19 segundos para uma frequência de 100 décibeis.

O batismo de um míssil

Memovox Polaris de 1968, o ícone que inspirou a coleção Polaris © Jaeger-LeCoultre

No final dos anos 50, uma década relevante no campo da exploração terrestre e marítima, a Jaeger-LeCoultre começou a testar a aplicação do seu movimento Memovox em protótipos de mergulho com estanqueidade reforçada. O interesse pelas profundezas oceânicas tinha redobrado graças ao filme Um Mundo Silencioso do oceanógrafo Jacques Costeau, pelo que os relógios de mergulho se tornaram mais populares. A noção de um alarme mecânico subaquático pode parecer bizarra, mas o som propaga-se melhor dentro do que fora de água porque a água é um excelente condutor e otimiza a propagação das ondas sonoras!

Em cima, o Memovox Polaris que inspirou a nova coleção Polaris; incluía um fundo interior para favorecer a ressonância, um fundo estanque para proteger o mecanismo das infiltrações e um terceiro fundo com 16 aberturas © Miguel Seabra/Espiral do Tempo

E porque a Jaeger-LeCoultre quis fazer um relógio de mergulho diferente dos que então se faziam com uma luneta rotativa para recordação do tempo, investiu na sua especialização acústica para optar pelo alarme de aviso (notificação da altura de regressar à superfície) em detrimento dessa luneta rotativa — essa é a razão pela qual o Deep Sea de 1959 (comemorado depois numa edição limitada em 2011) tem a luneta fixa.

O Polaris Memovox de 2018 e o Memovox Polaris original de 1968 © Espiral do Tempo

Os anos 60 intensificaram o gosto pela exploração da década anterior e, em 1965, a manufatura de Le Sentier lançou um novo modelo de mergulho… já dotado de luneta rotativa, mas interior: o primeiro Memovox Polaris. A configuração assente na luneta interna controlada a partir de uma coroa exterior manteve-se em dois marcantes modelos de 1968: o Master Mariner, de caixa tonneau, e um renovado Memovox Polaris, de caixa redonda e dotado de alarme. A nomenclatura Mariner revelava a evidente conotação marítima e foi recentemente reutilizada; já o nome Polaris inspirava-se nos tristemente célebres mísseis balísticos americanos dos tempos da Guerra Fria.

Publicidades vintage alusivas ao Memovox Polaris © Jaeger-LeCoultre

Dessa dupla de 68, o Memovox Polaris entrou para a lenda pelo mostrador de algarismos geometrizados e indexes trapezoidais aliado à complicação acústica; o facto de, devido ao calibre automático com alarme, apresentar consideráveis dimensões para a altura, e que hoje em dia até são consideradas ideais para um modelo desportivo (perto dos 41 milímetros), também contribuiu para a sua perenidade — ao contrário da estética oval dos Memovox Polaris II apresentados na década de 70, por exemplo.

Aventura sobredimensionada

A passagem do milénio trouxe consigo uma declarada apetência por relógios sobredimensionados, com incursões bem acima dos 40mm. Inspirando-se no passado e buscando novas soluções inéditas, a Jaeger-LeCoultre lançou a linha Master Compressor com reminiscências do Memovox Polaris de 1968 traduzidas num estilo moderno e numa grande resistência a condições extremas. A inspiração histórica da designer Magali Métrailler, sob supervisão de Janek Deleskiewicz, foi sobretudo óbvia nos algarismos e nos marcadores das horas, enquanto a grande novidade residiu no sistema de válvulas protetoras que assegurava uma estanqueidade excecional; essas emblemáticas válvulas de compressão estancavam as coroas ao pressionar uma junta vedante contra a junta interior mediante uma rotação manual de 180 graus.

Master Compressor Extreme World Chronograph, um relógio com elementos gráficos também inspirados no Memovox Polaris © Jaeger-LeCoultre

O Master Compressor Memovox, o Master Compressor Geographic e o Master Compressor Chronograph tinham 41,5mm. Em 2005 foi criada uma vertente Master Compressor Extreme ainda mais radical, com um colossal diâmetro de 46,3mm que não se justificava apenas pela tendência dos relógios sobredimensionados na altura: a estrutura dupla da carrosseria do Master Compressor Extreme World Chronograph e Extreme World Alarm, composta por um contentor em titânio dentro da caixa exterior, incluía uma revolucionária câmara de ar que absorvia a energia das vibrações e dos choques até 2.800 G. E em 2007 surgiu a variante Master Compressor Diving, com uma ramificação Diving Pro sob a chancela Navy SEALs — autênticos ‘relógios de combate’.

Confirmando a sua essência desportiva/militar e a inspiração no Memovox Polaris de 1968, todos os modelos da família Master Compressor ostentavam uma legibilidade exemplar e a utilização do melhor material luminescente que se fazia na altura. Mas a transição para a segunda década do novo milénio foi acompanhada por uma gradual adesão ao vintage e a tamanhos mais conservadores; a Jaeger-LeCoultre focou-se mais nas suas linhas clássicas e continuou a desenvolver grandes complicações, com algumas exceções de caráter mais desportivo. Até sentir a necessidade de renovar o seu catálogo com a inclusão de uma nova família de índole casual-elegante. O timing de lançamento foi criterioso: as Bodas de Prata do Memovox Polaris de 1968, que já tinha sido reeditado em 2008 com uma reprodução muito perto do original denominada Memovox Tribute to Polaris 1968 acompanhada da edição Memovox Tribute to Polaris 1965.

A nova geração

(à esquerda) Polaris Automatic: Ref. 9008480, corda automática, aço, 41mm | (ao centro) Polaris Date: Ref. 9068170, corda automática, aço, 42mm | (à direita) Polaris Memovox: Ref.9038670, corda automática, aço, 42mm © Jaeger-LeCoultre

Para além do nome em si, também a estética em geral e o grafismo em particular da nova coleção Polaris estreada em 2018 remetem diretamente para os códigos do Memovox Polaris de 1968 (o de 1965 tinha marcadores das horas mais finos e uma tipografia distinta). Aquando da sua apresentação no Salon International de la Haute Horlogerie, a Jaeger-LeCoultre não se fez rogada: desvelou logo cinco modelos distintos de maior ou menor complexidade: o Polaris Memovox de 42mm em aço (uma reedição do original limitada a 999 exemplares), o Polaris Automatic de 41mm em aço, o Polaris Date de 42mm em aço, o Polaris Chronograph de 42mm em aço ou ouro e o Polaris Chronograph WT de 44mm em titânio; o Polaris Geographic Worldtimer de 42mm em aço surgiu mais no final do ano, numa edição limitada restrita às boutiques da marca.

Polaris Geographic WT: uma edição especial para as boutiques da marca © Jaeger-LeCoultre

Desse sexteto, o Polaris Memovox e o Polaris Date distinguem-se em dois detalhes: a luminescência utilizada apresenta um tom bege/baunilha de pendor rétro comparativamente ao tom esbranquiçado dos restantes e a garantia de estanqueidade até 200 metros contra os 100 metros dos demais.

O brilho do aço no Polaris Chronograph WT © Paulo Pires/Espiral do Tempo

Entretanto, a tiragem limitada do Polaris Memovox acabou e o Polaris Date recebeu uma declinação especial para o mercado americano com um belo mostrador azul degradé. Os restantes modelos de produção dita regular estão disponíveis em mostrador preto ou azul uniforme.

Uma das idiossincrasias da linha Polaris prende-se com os vários tipos de acabamento no mostrador: raiado no centro, granulado na orla e opalino na escala exterior — seja a luneta rotativa ajustável a partir da coroa às 2 horas, seja a escala taquimétrica no versão cronográfica ou o disco das cidades nos exemplares worldtimer. A decoração do fundo da caixa também remete para o original modelo de mergulho com alarme de 1968, graças à gravação de um escafandro estilizado que acompanha a inscrição «1000 Horas» (o teste de fiabilidade da manufatura criado em 1992).

O Polaris Chronograph em ouro rosa e mostrador cinza © Jaeger-LeCoultre

O tratamento da superfície da caixa alterna entre o escovado e o polido, revelando todo o cuidado aplicado no acabamento — apesar do estilo informal inerente ao espírito de aventura que esteve por trás da criação da linha Polaris. É por isso que o escovado é dominante no estabelecimento de uma estética mais casual, enquanto a luneta e as arestas são polidas para oferecer algum contraste.

Polaris Memovox de 2018 © Jaeger-LeCoultre

Para complementar o visual, a Jaeger-LeCoultre deu extrema importância às ‘roupagens’ utilizadas na linha Polaris, apresentando uma alargada panóplia de soluções a partir de sistemas que permitem a rápida troca de correias ou braceletes. As correias de pele estão dotadas de um dispositivo integrado que facilita a colocação/retirada manual; as de couro ostentam o espírito rétro da coleção, mas também está disponível uma alternativa em pele de aligátor. Quanto às braceletes, existe a opção entre a metálica em aço e a de cauchu preto. Todas as opções são acompanhadas de fecho de báscula.

Heróis do mar

Os novos Polaris Mariner e um dos modelos históricos da marca © Susana Gasalho/Espiral do Tempo

No passado mês de outubro, a linha Polaris foi enriquecida com uma ramificação Polaris Mariner de vocação literalmente mais marítima. Enquanto os Polaris ‘normais’ exibem uma personalidade mais ‘civil’ e estanqueidade entre os 100 e os 200 metros, os Polaris Mariner têm a sua aura náutica sublinhada por belas nuances azuis no mostrador laqueado e uma resistência subaquática reforçada até aos 300 metros. Tanto o Polaris Mariner Memovox como o Polaris Mariner Date respeitam meticulosamente a norma ISO 6425 e até vão bem para lá dos 100 metros exigidos.

Blues Brothers: o Polaris Mariner Memovox e o Polaris Mariner Date © Susana Gasalho/Espiral do Tempo

Tal como os Polaris, também os dois novos Polaris Mariner — mesmo com a sua superior estanqueidade adequada a mergulho profissional — dispensam as coroas de rosca habituais em modelos do género devido a avanços na tecnologia das juntas vedantes e à excelência de construção. Com uma diferença: a coroa associada à luneta rotativa interior (a coroa do meio no Polaris Mariner Memovox e das 2 horas no Polaris Mariner Date) é de rosca, mas não devido ao hermetismo. A razão prende-se com a necessidade de fixar a luneta no ponto da escala definido pelo mergulhador para calcular o tempo debaixo de água, de modo a impedir qualquer rotação involuntária; quando a coroa não está bem enroscada surge um detalhe a laranja visível na sua base.

O novo Polaris Mariner Memovox inclui a função de alarme © Susana Gasalho/Espiral do Tempo

Estivemos na apresentação da dupla Polaris Mariner ocorrida na própria sede da manufatura em Le Sentier e já abordámos devidamente os dois modelos no nosso site — incluindo a adoção de novos calibres atualizados, fundos transparentes com vidro de safira e uma garantia de oito anos. A escassos dias do fim do ano, resta sublinhar que estão seguramente entre os modelos desportivos mais bem conseguidos de 2020.

Para melhor compreensão do percurso histórico da linhagem Polaris, aqui fica uma cronologia com os momentos mais relevantes de tão fascinante saga.

Clique na imagem ao centro ou nas setas laterais para ver a cronologia:

Visite o site oficial da Jaeger-LeCoultre para mais informações.

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