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SIHH 2019: de porta em porta no Carré des Horlogers

Na minha visita ao SIHH 2019, consegui cumprir um sonho com mais de uma década. Conheci pessoalmente os meus dois ‘ídolos’ do mundo da relojoaria e tenho até o registo fotográfico para o provar. Naquele pequeno espaço dedicado aos ditos independentes vi ainda peças que me alimentaram o romantismo de espírito e que me fazem acreditar que, por vezes, saindo um pouco do caminho trilhado, há ainda novos trilhos por desbravar.

Depois de chegar ao Salão e passando a reforçada e renovada segurança na entrada, recebi a notícia de que tinha uma hora livre antes do primeiro slot fotográfico. Para mim, uma hora livre no SIHH significa uma hora passada no Carré des Horlogers. Fiz imediatamente pontaria à Urwerk. Deste ano não podia passar e se houvesse a mínima hipótese de me cruzar com o Felix Baumgartner e o Martin Frei, então não iria arredar pé dali.

Conversa… assim que passei pelo stand da MB&F fui atraído pelas maravilhosas medusas e não pude deixar de entrar. Limitadas a 50 exemplares por cada variação de cor, as Medusas são o fruto da parceria com a L’Epée 1839, num misto de peça relojoeira com objeto de arte, rematado com umas maravilhosas redomas coloridas em vidro de Murano soprado.

MB&F Medusa
Duas das variantes da Medusa da MB&F em vidro de Murano soprado. © Paulo Pires / Espiral do Tempo

Bem, não me queria dispersar e tinha prometido a uns amigos no Facebook que iria tirar uma selfie em frente ao stand da Urwerk. Bem dito, bem feito.  Estava eu a cumprir a minha promessa, quando vejo à entrada do stand a tal dupla maravilha! Baumgartner e Frei!! Imediatamente liguei ao meu caríssimo Miguel Seabra:

– Miguel, vem já para aqui. Estão cá os homens!

A tal selfie prometida com as olheiras de quem acordou às 04:30!
A tal selfie prometida com as olheiras de quem acordou às 04:30!

Segundos depois, um esbaforido Miguel Seabra (que veio em passo acelerado do outro lado do salão) aparece para me apresentar ao mestre relojoeiro e ao mestre designer daquela que é para mim a mais inovadora marca relojoeira que conheço.

Inovadora por vários motivos: posso referir a ousadia do design, as soluções técnicas que parecem advir de um tempo futuro ou o modo como a relação entre design e função se traduz em instrumentos do tempo que fazem realmente a diferença e que se tornam inconfundíveis perante a panóplia de peças lançadas constantemente.

Caro leitor, felizmente já tive oportunidade de fotografar muitas pessoas – algumas mais conhecidas e outras menos – mas nunca fiz questão de tirar uma foto ao lado de ninguém. Pois estes dois senhores foram a exceção. Perdoem-me se não partilho convosco a fotografia em questão. O caríssimo Felix Baumgartner tem mais de dois metros de altura e Martin Frei não andará longe o que significa que eu pareço um pequeno hobbit no meio de dois gigantes. Guardarei para mim o registo como um antigo sonho que foi cumprido.

Outro sonho que cumpri foi ter algumas das novidades da Urwerk em mãos! Tive esse prazer e deixem-me que vos diga que nenhuma foto faz justiça à beleza estética e mecânica das criações relojoeiras da marca.

São absolutamente estonteantes. Em baixo, apresento alguns dos registos fotográficos que tive a oportunidade de fazer em tão pouco tempo disponível.

O Urwerk UR-105CT Maverick.
O Urwerk UR-105CT Maverick. © Paulo Pires / Espiral do Tempo
Urwerk-111C Iron
Urwerk-111C Iron © Paulo Pires / Espiral do Tempo
O mais preciso relógio do mundo. Mecânico e atómico, o AMC.
O mais preciso relógio do mundo. Mecânico e atómico, o AMC. © Paulo Pires / Espiral do Tempo

Ainda Voutilainen e Hautlence

Em contra relógio tive de me despedir dos meus ídolos, pois queria ir ao ‘vizinho do lado’ ver se conseguia fotografar algumas peças. Falo dos mais belos mostradores do mercado executados pela Voutilainen. Tive em mãos o lindíssimo 28_TE e o Vingt-8. São assombrosos de delicadeza, de cuidado, de qualidade e dedicação. Vénias à marca que assina as suas criações com o original “Hand Made” em vez do típico “Swiss Made”.

Voutilainen Vingt-8.
Voutilainen Vingt-8. © Paulo Pires / Espiral do Tempo
Voutilainen 28_TE.
Voutilainen 28_TE. © Paulo Pires / Espiral do Tempo

Arrumar tripé, refletor, lentes, baterias e correr até ao stand da Hautlence. Com uma estética muito própria e o habitual arrojo cromático a Hautlence sabe os caminhos que trilha conseguindo desde há alguns anos o estatuto de estrela independente.

Hautlence Vortex Gamma 01.
Hautlence Vortex Gamma 01. © Paulo Pires / Espiral do Tempo
Hautlence HL Vagabonde 02.
Hautlence HL Vagabonde 02. © Paulo Pires / Espiral do Tempo
Ressence, sempre uma descoberta vê-los a trabalhar.
Ressence, sempre uma descoberta vê-los a trabalhar. © Paulo Pires / Espiral do Tempo

Não tive mais tempo no Carré Des Horlogers. No salão dedicado à alta-relojoaria, o principal problema é mesmo o tempo. Tantos relógios para ver, tantas peças que me apetecia ter nas mãos durante uns minutos, mas nem sempre é possível pois a agenda para fotografar é realmente cheia. Já de mochila arrumada, chamou-me à atenção as expressões de espanto de um casal que estava a ver um Ressence a trabalhar. É de facto algo único ver estas criações ao vivo. Tempo ainda para roubar mais uma foto e meter-me a caminho para o primeiro compromisso do dia na Montblanc.

O Carré Des Horlogers é um espaço diferente e descontraído onde criadores, designers e CEO’s convivem com jornalistas, convidados, curiosos e até com um certo fotógrafo apaixonado por relógios que por lá deambulou com cara de tolo, como uma criança numa loja de doces!

Obrigado Felix, obrigado Martin!

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© Paulo Pires / Espiral do Tempo

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