A histórica ligação mecânica entre o automobilismo e a relojoaria traduz-se em múltiplas facetas. Uma delas são os concursos de clássicos — e o Concorso d’Eleganza Villa d’Este, que tem a parceria da A. Lange & Söhne, é um perfeito exemplo.
Foi no final da década de 90 que a febre do vintage começou a ganhar terreno decisivo em vários setores do consumo — incluindo a relojoaria e o automobilismo. Na perspetiva modernista tão associada à conquista do espaço e ficção científica entre a década de 60 e o início da década de 80, tudo o que era antigo era então considerado velho e ultrapassado. Até que, como frequentemente sucede, a contracorrente começou a ganhar força e depois enorme preponderância no presente milénio… com o saudosismo a resultar em reedições nostálgicas e os originais a alcançarem resultados extraordinários em leilões, sobretudo a partir da década transata e sob a batuta dos colecionadores italianos.

E, na longeva e profícua combinação mecânica entre a relojoaria e o automobilismo que remonta aos tabliers das primeiras viaturas, destacam-se os chamados concursos de elegância e as correspondentes parcerias com prestigiadas marcas de relógios. Um deles é o Concorso d’Eleganza Villa d’Este — para muitos, o equivalente automóvel de um salão de alta-relojoaria pelo grau de refinamento, curadoria e exclusividade. E não é por acaso que se realiza em Itália, um país educado para preservar a sua história e cultura milenares.

O Concorso d’Eleganza Villa d’Este efetua-se anualmente em Cernobbio, nas margens do Lago de Como, tendo como epicentro os pitorescos jardins do emblemático Grand Hotel Villa d’Este e como parceira a manufatura relojoeira A. Lange & Söhne. É considerado um dos concursos de elegância mais prestigiados do mundo, muito pelo facto de se realizar num local que exala o melhor da classe italiana e o refinamento old money da velha Europa.

A origem do Concorso d’Eleganza Villa remonta a 1929, numa época em que os automóveis eram ainda objetos artesanais profundamente ligados às grandes carrosserias italianas e francesas do Velho Continente, com a indústria britânica mais condicionada geograficamente pelo canal da Mancha. O evento funcionava então quase como um desfile de alta-costura sobre rodas: construtores e designers apresentavam as suas criações a uma elite internacional, num ambiente simultaneamente social e competitivo. Com o passar das décadas — e após um período de interrupção, como sucedeu com a Mille Miglia — o Concorso d’Eleganza foi relançado e reinventado, assumindo progressivamente o formato atual, onde carros históricos são avaliados não apenas pela sua raridade, mas também pela autenticidade, estado de conservação e importância cultural.

Este ano assinalou-se o 15º aniversário da associação da A. Lange & Söhne ao Concorso d’Eleganza Villa d’Este, parceria a que não estará alheia a coincidência de Wilhelm Schmid, CEO da marca saxónica, vir da indústria automóvel e ser um grande apaixonado pelos clássicos. Mas também pelas simetrias e sinergias entre os dois universos. Desde 2012 que a A. Lange & Söhne apoia o compromisso com a preservação das obras-primas automóveis, expostas nas belas margens do Lago Como e numa zona onde famosos e milionários têm residências exclusivas.

A competição automóvel deste ano culminou numa cerimónia de entrega de prémios, durante a qual Wilhelm Schmid,entregou ao vencedor do prémio ‘Best of Show’ um 1815 Chronograph exclusivo. Cerca de 50 espetaculares obras de arte sobre rodas competiram em oito categorias, perante um júri internacional e uma plateia entusiasmada. O vencedor foi um BMW 328 ‘Bügelfalte’ de 1937, cujo dono recebeu, durante o jantar de gala de domingo à noite, uma execução única do conhecido cronógrafo da linha 1815 da A. Lange & Söhne — em ouro branco, dotado de um mostrador em ouro rosa maciço com totalizadores contrastantes e uma cuvette articulada gravada à mão com o brasão do Concorso d’Eleganza Villa d’Este. Com mais uma ‘Como Edition’ de tiragem única, a histórica manufatura de Glashütte expressa o seu apreço pelas obras-primas históricas e presta homenagem aos seus proprietários, que as restauram e cuidam delas com paixão. Precisamente como deve suceder com as obras-primas relojoeiras.

O modelo 1815 Chronograph foi propositadamente escolhido como relógio do vencedor porque a medição de curto prazo e o desporto automóvel partilham uma estreita ligação que remonta às primeiras corridas. O movimento do 1815 Chronograph exibe todas as características de qualidade típicas de cada relógio Lange, com quase todos os seus 306 componentes individuais cuidadosamente acabadas à mão em Glashütte e montadas duas vezes para garantir que todas as peças interajam perfeitamente.

«Graças à A. Lange & Söhne, temos conseguido oferecer aos participantes do nosso concurso um destaque especial todos os anos desde 2012: a cerimónia de atribuição do relógio ao vencedor. Orgulhamos-nos da nossa longa parceria, que se caracteriza por um compromisso partilhado com a tradição, o artesanato e a inovação», sublinhou Helmut Käs, Presidente do Concorso d’Eleganza Villa d’Este.
Life is a Cabaret
«Somos parceiros do Concorso d’Eleganza Villa d’Este há 15 anos. Uma parceria baseada em valores partilhados», recorda Wilhelm Schmid, CEO da Lange. «Estamos unidos pela mútua admiração pelas obras-primas mecânicas e pelo artesanato, e pelo nosso respeito pelas pessoas que as preservam com paixão. Tal como os melhores automóveis clássicos, os nossos relógios também contam uma história de paixão e de busca pela perfeição que transcende o tempo e liga gerações».

Mas houve mais relógios para apreciar, porque o prestigiado ambiente do Concorso d’Eleganza Villa d’Este proporcionou o cenário perfeito para a apresentação de uma seleção de relógios que convidaram os visitantes a uma viagem de descoberta pelo mundo da A. Lange & Söhne. A principal atração foi o novo Cabaret Tourbillon Honeygold, uma nova versão complicada do icónico relógio retangular originalmente introduzido pela marca saxónica em 1997 e limitada a 50 peças.

Tanto a caixa como o mostrador são fabricados em ouro 750 em tom mel (patenteado com a designação Honeygold), uma liga de ouro exclusiva da Lange e cujo brilho quente contrasta de forma marcante com as superfícies em ródio negro. Ostentando um mostrador em relevo e equipado com um mecanismo turbilhão com stop-seconds tradicional da manufatura germânica, é movido pelo Calibre L042.1 de corda manual.

Será que o Cabaret Tourbillon Honeygold antecipa a reintrodução do Cabaret ‘mais simples’ no catálogo regular? Esse é o desejo de muitos aficionados da marca. E porque, afinal de contas, Life Is a Cabaret, Old Chum… como cantava Liza Minelli.
Cenário perfeito
O cenário desempenha um papel absolutamente central na identidade do evento. O Grand Hotel Villa d’Este, com os seus jardins renascentistas cuidadosamente desenhados e a vista aberta sobre o lago, oferece uma teatralidade natural que nenhum recinto moderno conseguiria replicar. Os automóveis clássicos não são expostos em pavilhões neutros, mas integrados numa paisagem quase cinematográfica que evoca a dolce vita italiana e onde o tempo parece suspenso. Essa dimensão sensorial do reflexo da luz na água com os barcos Riva à vista, o som contido dos motores clássicos e o murmúrio de conversas em várias línguas contribui para uma atmosfera que é simultaneamente contemplativa e profundamente exclusiva.

O formato do evento também reforça essa singularidade. Ao contrário de outros concursos de grande escala, o Concorso d’Eleganza Villa d’Este mantém uma seleção extremamente restrita — cerca de cinquenta automóveis, geralmente dos anos 1920 à década de 70, organizados por classes temáticas. Cada carro é apresentado como uma obra de arte, acompanhado pela sua história, pelo seu proprietário e por um enquadramento cultural mais amplo. O momento culminante é a atribuição dos prémios: a Coppa d’Oro, decidida pelo público, e o relógio Lange enquanto prémio do júri, num ambiente de gala que mistura tradição aristocrática e culto contemporâneo do automóvel.

Mas o Concorso d’Eleganza Villa d’Este não vive apenas do passado. Nos últimos anos, tornou-se também uma plataforma privilegiada para a apresentação de concept cars e projetos especiais por parte das marcas — uma ponte entre a tradição artesanal e a inovação tecnológica. Essa dualidade — entre memória e futuro — é uma das razões pelas quais o evento continua relevante num contexto em rápida transformação… como o comprovam a extinção de alguns dos mais prestigiados salões automóveis habitualmente destinados a desvelar novidades. Enquanto proliferam as exibições de ‘antiguidades’.

Em comparação com outros grandes concursos de elegância, o Villa d’Este distingue-se sobretudo pela sua escala íntima e pelo seu ambiente quase privado. O Pebble Beach Concours d’Elegance, realizado na Califórnia e patrocinado pela Rolex, é talvez o mais mediático e institucional, integrado na chamada Monterey Car Week, com uma dimensão mais ampla e uma forte ligação ao mercado e aos leilões. Já o Concours of Elegance, organizado no Reino Unido igualmente com a parceria da A. Lange & Söhne, aposta numa curadoria igualmente exigente, mas com um contexto mais formal e palaciano. Em França, o Chantilly Arts & Elegance é apoiado pela Richard Mille e combina automóveis, moda e arte num formato mais performativo e contemporâneo. E eventos mais recentes, como o Anantara Concorso Roma, procuram precisamente aproximar-se do modelo de Villa d’Este, tentando replicar essa combinação de património, exclusividade e narrativa cultural.

No entanto, nenhum consegue reproduzir exatamente o equilíbrio muito particular de Villa d’Este… um evento que é simultaneamente concurso, salão, encontro social e ritual estético. É essa mistura que o mantém como referência absoluta do espírito do jet set europeu associado ao old money do Velho Continente. Não é apenas um evento automóvel; é uma celebração da ideia de elegância em si mesma, aplicada à máquina, ao lugar e às pessoas que a rodeiam… a maior parte delas envergando a chamada bela relojoaria no pulso.





