Stan Wawrinka passou por Portugal para jogar o Millennium Estoril Open com um Norqain muito especial no pulso — um exemplar único do Wild One Skeleton X-Lite, com somente 45 gramas de peso e preparado para aguentar os choques do ténis de alta competição.
Toda a gente já ouviu falar de Roger Federer, Rafael Nadal, Novak Djokovic e da idade de ouro do ténis com o domínio desse excecional triunvirato apelidado de Big 3 — ou Big 4, se juntarmos Andy Murray (que também foi número um mundial, em 2016). Mas há outro nome a ter em conta e que, no auge do asfixiante domínio desses enormes campeões, conseguiu ‘roubar-lhes’ três títulos do Grand Slam: Stan Wawrinka. Aos 41 anos de idade, o suíço está na sua última época a competir no circuito profissional e passou recentemente pelo Millennium Estoril Open, onde jogou o derradeiro encontro em courts de terra batida da sua carreira… com um Norqain muito especial no pulso.

Há três anos que Stan Wawrinka tem uma relação muito próxima com a jovem marca de Nidau, não só como embaixador mas também como investidor. E tem inclusivamente marcado presença de destaque no stand da Norqain no Watches and Wonders. Começou por usar no pulso o Wild One Skeleton turquesa em 2023 e depois foi experimentando as outras cores (o laranja de terra batida e o verde da relva) ao longo de 2024, até lançar um relógio com a sua própria assinatura em 2025 — o Wild One Skeleton ‘Stan the Man’. Este ano, adotou o novo Wild One Skeleton X-Lite Limited Edition, ainda mais leve (45 gramas), mas recentemente passou a usar um protótipo branco — exemplar único, portanto — em Wimbledon que depois trouxe até ao Millennium Estoril Open.

Se o Wild One Skeleton original já era um relógio preparado para a prática desportiva, o Wild One Skeleton ‘Stan the Man’ certamente elevou a fasquia com um peso de 78 gramas. Mas o novo Wild One Skeleton X-Lite foi ainda mais longe, pesando um total de apenas 45 gramas. A título de curiosidade, a caixa ultra-leve é feita em parceria com a companhia tecnológica BiWi que tem um departamento em Portugal… ou seja, Stan Wawrinka esteve em Portugal a jogar com um relógio no pulso parcialmente feito no nosso país — o que não deixa de ser um pormenor particularmente interessante.

Mas passamos para a entrevista ao já lendário tenista (conhecido por ter a melhor esquerda a uma mão de todos os tempos) antes de uma análise mais detalhada do relógio ultra-leve que tem utilizado este ano.
Entrevista com o campeão
Sendo suíço, presumo que tenhas tido uma relação próxima com os relógios desde muito novo; na Suíça há sempre a consciência da importância da indústria relojoeira. Revela-nos um pouco da tua história com os relógios: como é que foste desenvolvendo o teu gosto e o teu conhecimento?
É evidente que, sendo suíço, crescemos inevitavelmente rodeados pelos relógios. Faz parte da nossa cultura, mesmo para quem nunca teve um relógio. Quando somos jovens e se fala da Suíça, sabemos que se fala dos relógios, entre muitas outras coisas, mas a relojoaria está sempre no topo da lista. Com o passar dos anos, à medida que fui crescendo e viajando pelo mundo, comecei também a perceber até que ponto a relojoaria está profundamente ligada à identidade da Suíça. É um tema de conversa recorrente com muitos tenistas e tive a felicidade, ao longo destes últimos anos, de estabelecer parcerias com algumas marcas extraordinárias.

E conquistaste grandes títulos com um relógio no pulso, nomeadamente os três troféus do Grand Slam que ganhaste foi com um Royal Oak Offshore da Audemars Piguet.
Sim, é verdade. Fui um dos primeiros jogadores a competir regularmente com um relógio no pulso. Nunca senti que isso me causasse qualquer problema durante os jogos. Foi também interessante acompanhar o desenvolvimento de relógios produzidos por manufaturas capazes de criar peças verdadeiramente adequadas à prática desportiva. Nos últimos anos, essa tem sido uma área em enorme evolução. Hoje procura-se um relógio que possa ser usado durante todo o dia: no desporto, no golfe, no ténis ou num jantar à noite.

E como começou a história com a Norqain? É uma marca relativamente jovem e muito dinâmica, à imagem do fundador Ben Küffer. E há nomes importantes ligados ao projeto, como tu e o lendário Jean-Claude Biver.
O Ben tinha visto o meu dossier e acabámos por entrar em contacto através de amigos comuns. Encontrámo-nos em Gstaad em 2023. A ideia inicial era apenas beber um café e conversar para perceber se existiam interesses em comum. Mas criámos imediatamente uma excelente ligação. Percebemos que partilhávamos a mesma visão dinâmica, a mesma vontade de fazer as coisas evoluir e, acima de tudo, entendemos-nos muito bem a nível humano. Depois começámos naturalmente a aprofundar a conversa. Trata-se de uma marca muito jovem no panorama da relojoaria, mas que está a crescer muito depressa. É liderada por uma nova geração da indústria, com vontade de avançar, de quebrar alguns códigos e de abrir caminho pelos seus próprios meios. Isso agradou-me bastante.

Também consegues contribuir para esse desenvolvimento? Há marcas com mais de um século de história e outras, como a Norqain, que ainda são muito jovens. Tens oportunidade de influenciar o produto? De dar sugestões?
Sim, a minha relação com o Ben é muito próxima. Falamos imenso. Claro que o desenvolvimento de produto não é propriamente o meu trabalho. O meu papel é sobretudo trocar ideias. É por isso que conversamos muito. Ele liga-me frequentemente para trocar impressões. Não vou dar opiniões sobre movimentos mecânicos ou aspetos técnicos, porque essa não é a minha área. Mas posso contribuir relativamente ao desenvolvimento da marca, à expansão para novos mercados ou à imagem que pretende transmitir. Em muito pouco tempo criámos uma relação muito forte. Falamos praticamente todos os dias. É uma verdadeira aventura e existe vontade de desenvolver outros projetos em conjunto.

Também há cada vez mais atletas que investem em empresas e em marcas. Também pensaste nisso quando investiste na Norqain como preparação para o futuro? Já sabes o que gostarias de fazer quando terminares a carreira?
Há já vários anos que invisto em diferentes áreas. Sou uma pessoa naturalmente curiosa e gosto de descobrir novos horizontes. Tenho vindo a abrir várias portas. Se já tenho uma ideia concreta para depois da carreira? Tenho muitas ideias. Mas enquanto continuar a jogar ténis até ao final do ano, acho que o meu cérebro deve continuar concentrado no ténis e depois decidirei o que fazer a seguir. O ténis representa o primeiro grande capítulo da minha vida. É um capítulo enorme que está quase a terminar. Tenho interesses, ideias e projetos que me atraem mais do que outros. Existem muitas possibilidades em aberto. Mas, neste momento, não posso dizer que já saiba exatamente o que farei quando deixar de competir, porque a vida continua a abrir novas oportunidades e novos projetos. Por enquanto, o ténis continua a ser a minha vida e ocupa praticamente todo o meu tempo. Quando concluir a minha carreira no final do ano, terei muito mais disponibilidade e será então altura de decidir o que realmente quero fazer.

E o que podemos fazer para preservar a esquerda a uma mão, a tua pancada de assinatura, num cenário atual em que a esmagadora maioria dos tenistas executa a esquerda a duas mãos?
Penso que tudo funciona por ciclos. Sempre existiram jogadores com esquerda a uma mão e acredito que continuarão a existir. Há períodos em que são mais numerosos e outros em que são menos. É verdade que, nos últimos anos, com o aumento da velocidade do jogo, assistimos pela primeira vez, desde que existe o ranking ATP, à ausência de jogadores com esquerda a uma mão no top 10. Mas também tivemos durante muitos anos jogadores como o Roger Federer, Grigor Dimitrov e Dominic Thiem, depois o Stefanos Tsitsipas. Daqui a alguns anos acredito que voltaremos a ver mais jogadores com esquerda a uma mão. Hoje em dia há cada vez menos porque, quando uma criança começa a jogar, é mais fácil aprender a esquerda a duas mãos porque não tem muita força. Além disso, o ténis tornou-se muito mais rápido. As raquetas, as cordas e praticamente tudo evoluiu nesse sentido. Por isso, muitos jovens optam pela esquerda a duas mãos porque lhes permite progredir mais rapidamente.

Aos 41 anos e com o final da carreira à vista, continuas a treinar muito. Mas, à medida que um atleta vai envelhecendo, começa a acordar de manhã sem saber muito bem como o corpo vai responder. Há cada vez mais dias menos bons e a motivação também pode mudar. Como geres isso?
É naturalmente mais difícil quando se ganham menos jogos e surgem mais dificuldades. Mas a paixão continua intacta e a vontade de evoluir também. Continuo a treinar muito, muito intensamente, e gosto verdadeiramente de o fazer. O meu nível médio de treino continua a ser muito bom, tanto física como tecnicamente. Ainda sinto, no entanto, que me falta recuperar totalmente a confiança em competição. Nos treinos o nível está lá. O problema é que a diferença entre o treino e a competição é demasiado acentuada. A motivação continua a ser grande. Faço tudo o que é necessário. Fisicamente sinto-me bem. Naturalmente preciso de um pouco mais de tempo para recuperar do que antigamente, mas isso faz parte da evolução normal e adaptamos-nos. Mas com toda a experiência acumulada ao longo destes anos, por vezes antecipo demasiado o que vai acontecer. Penso em excesso nas situações possíveis, quando o mais importante seria simplesmente jogar. É precisamente aí que reside a diferença: aquela solidez mental que permite jogar de forma espontânea e natural.

E o que achas de ter uma edição especial com o teu nome, a que foi lançada no ano passado?
Sinto-me extremamente orgulhoso por ter um relógio que reflete verdadeiramente a minha personalidade. O Wild One Skeleton Stan the Man combina desempenho, resistência e estilo — valores que definiram a minha carreira, dentro e fora do court. Queria um relógio que pudesse usar todos os dias, quer estivesse a treinar, a competir ou simplesmente a viver a minha vida!

Mas, entretanto, a Norqain foi ainda mais longe este ano com o lançamento do Wild One Skeleton X-Lite, de 45 gramas — que imediatamente adotaste e até tens usado uma versão única branca feita propositadamente para Wimbledon e que usaste no Millennium Estoril Open.
O X-Lite é exatamente aquilo de que preciso dentro do court: incrivelmente leve, extremamente confortável e construído para oferecer o melhor desempenho. Dá-me uma liberdade total para jogar sem nunca pensar que estou com um relógio no pulso!
Parcialmente português!
A corrida à leveza entrou na alta-relojoaria desportiva sobretudo no final dos anos 2000 e ficou famosa a parceria da Richard Mille com Rafael Nadal… mas as edições da marca com o campeoníssimo espanhol têm um turbilhão e andam à volta do milhão de euros. A Norqain apresenta um produto de grande leveza e resistência ao choque com o Wild One Skeleton X-Lite, cujo preço anda à volta dos 11.000 euros. Com apenas 45 gramas completamente assemblado, é resultado de uma abordagem que combina engenharia de materiais, construção inovadora e um novo movimento de manufatura concebido especificamente para acompanhar tal evolução.

Mais do que reduzir peso, o objetivo passou por repensar toda a arquitetura do relógio. Para isso, a Norqain desenvolveu mais de três dezenas de componentes em materiais ultraleves, recorrendo ao titânio, ao alumínio, ao compósito de fibra de carbono Norteq (propriedade da marca), a elementos em borracha e a um novo material proprietário, o X-Lite. Também desenvolvido em colaboração com a BiWi, parceira de longa data da marca e especialista em materiais avançados com um polo de fabrico em Portugal, o novo compósito representa a evolução natural do Norteq, oferecendo menor massa e uma capacidade de absorção de impactos ainda superior.

Essa filosofia estende-se à própria construção da caixa de 41mm de diâmetro. O conceito Wild One foi levado mais longe através de uma estrutura que combina Norteq, titânio, alumínio e o novo X-Lite, utilizado no anel estrutural da caixa. O resultado é uma relação excecional entre resistência e peso que permite ao relógio suportar impactos superiores a 5.000 G sem comprometer a ergonomia. Apesar da complexidade da sua arquitetura amortecedora, a caixa mede apenas 11,95 milímetros de espessura e garante uma estanquidade até 100 metros.
Calibre de manufatura
No interior estreia-se igualmente uma novidade importante. O Calibre 4K Manufacture, desenvolvido em parceria com a AMT, é um movimento automático esqueletizado certificado como cronómetro que aumenta a reserva de marcha para 65 horas, mais 24 horas do que os anteriores movimentos utilizados no Wild One Skeleton. As pontes e a massa oscilante retomam uma linguagem estética já característica da Norqain, inspirando-se nos perfis das montanhas suíças para sublinhar o espírito aventureiro que define a identidade da marca.

A procura incessante pela redução de peso estende-se igualmente ao mostrador, aos ponteiros e até ao sistema de bracelete. O mostrador preto esqueletizado, os ponteiros vazados e os detalhes em amarelo contribuem simultaneamente para diminuir a massa do conjunto e reforçar a legibilidade, enquanto a coroa em Norteq integra uma inserção em borracha que melhora a aderência.

A maior inovação surge, contudo, na bracelete. Além de uma versão convencional em borracha perfurada preta e amarela, a Norqain apresenta um sistema inédito de dupla camada que combina uma cobertura em borracha com uma bracelete elástica ultraleve visível através das perfurações. O comprimento pode ser ajustado através da substituição das bandas elásticas, criando uma solução que alia conforto, adaptação ao pulso e redução de peso, numa abordagem pouco habitual na relojoaria mecânica.

Produzido numa edição limitada de apenas 200 exemplares, o Wild One Skeleton X-Lite foi o primeiro modelo da coleção a receber o já referido Calibre 4K Manufacture, reforçando a ideia de que o lançamento representou mais do que uma simples evolução estética. Foi, acima de tudo, a demonstração de como a jovem marca suíça continua a explorar novos caminhos na engenharia de materiais e na construção de relógios mecânicos de alta performance.

Resta que novas edições irão surgir e quando variantes das edições limitadas já conhecidas passarão a integrar a coleção regular. Cá estaremos para as escalpelizar. Enquanto isso, vale a pena acompanhar os últimos meses da carreira do grande Stan Wawrinka, o mais humano dos grandes campeões de ténis.





