Fomos fazer um test drive ao BR-03 Green Steel da Bell & Ross no cenário cromático mais adequado para o seu fascinante mostrador gradiente: os verdejantes relvados britânicos.
A ideia surgiu no media day que a Bell & Ross organizou no início de abril, na sua sede parisiense da Rua Copernic. Foram mostrados — sob embargo, obviamente — alguns dos modelos que seriam oficialmente divulgados nos meses seguintes e houve um que imediatamente capturou a minha atenção: o BR-03 Green Steel. Porque apresentava uma versão gradiente do meu tom preferido de verde na mais emblemática caixa da marca parisiense. E porque esse tom de verde escuro é normalmente conhecido por British Racing Green e passo sempre a primeira quinzena de julho em Wimbledon, achei logo que seria a ocasião perfeita para fazer um test drive com ele em Londres. Felizmente, a Bell & Ross concordou comigo. E aqui fica o relato de duas semanas e meia com o BR-03 Green Steel no pulso.

De facto, há relógios que exaltam a sua personalidade quando usados no lugar certo. Para mim, e no que diz respeito ao BR-03 Green Steel, esse lugar teria mesmo de ser a Grã-Bretanha dos pastos verdejantes e dos courts de ténis relvados. Curiosamente, uma semana depois de ter travado conhecimento antecipado com o BR-03 Steel Green da Bell & Ross em Paris, a Rolex desvelou no Watches and Wonders um Datejust Green Ombré de mostrador fumado muito parecido e que a marca genebrina aproveitou para utilizar na comunicação associada à edição deste ano do torneio de Wimbledon, do qual é patrocinadora desde 1978. Ou seja, duas companhias relojoeiras tão diferentes fizeram um lançamento parecido num curto espaço de tempo — uma perfeita coincidência, porque tanto a Rolex como a Bell & Ross programam os seus lançamentos com muita antecedência (às vezes mesmo anos!).

Logo no primeiro dia da minha chegada a Londres fui levantar o BR-03 Green Steel na boutique da Bell & Ross na elegante Burlington Arcade, em Mayfair. Já conhecia o espaço, não só porque a Burlington Arcade fica numa zona nevrálgica, mas também porque é um destino habitual para os aficionados relojoeiros (tem várias lojas prestigiadas de relógios pre-owned) e porque já estive lá em vários eventos da Bell & Ross com o CEO da marca, Carlos Rosillo. Como combinado, e por sugestão minha, foi montada uma bracelete branca em vez da de couro preto que acompanha o relógio de origem (o estojo inclui também uma complementar em tecido sintético ultraleve e resistente); afinal de contas estávamos no verão e o mais famoso torneio de ténis do mundo é conhecido pela obrigação de os jogadores vestirem integralmente de branco.

Como a Bell & Ross tem uma grande variedade de correias e braceletes, inicialmente testámos uma em couro branco… mas depois a minha decisão final recaiu sobre uma bracelete branca em cauchu.
Do branco ao verde
A opção não teve apenas a ver com o tradicional white attire de Wimbledon. Estava prevista uma canícula para a primeira quinzena de julho e nessas condições de calor (e, invariavelmente, de suor) não há melhor opção do que uma bracelete em cauchu praticamente indestrutível. E, de facto, o branco fica mesmo bem com o mostrador verde fumado e a caixa em aço — para além de dar um toque mais leve ao conjunto perfeitamente adequado ao período estival. Mas outros tons ficariam igualmente bem, como a cor mel de algumas correias de couro caraterísticas da Bell & Ross para o seu icónico BR-03. Há dois formatos disponíveis de bracelete num entre-asas de 24mm: a versão ‘integrada’ que alarga para contornar as asas ou a variante mais tradicional.

Obviamente que, para além de Wimbledon, também pensei em associar o test drive do BR-03 Green Steel à capital britânica. Porque os parques, jardins e espaços verdes fazem parte da identidade visual de Londres — e pensei logo em levá-lo para Hyde Park e tirar uns wristshots no icónico Speakers’ Corner, para mim um local obrigatório de visita. Mas também porque o verde profundo do mostrador se associa inevitavelmente a um dos maiores símbolos cromáticos do Reino Unido: o lendário British Racing Green, cuja origem está ligada aos primórdios do… automobilismo internacional. Por incrível que pareça, tão peculiar cor nasceu mesmo das corridas automóveis!

A história remonta a 1903, quando uma competição denominada Gordon Bennett Cup determinou que cada país competiria com uma cor representativa do próprio país; os britânicos adotaram então esverdeado escuro em homenagem à Irlanda (o verde é a cor nacional), onde a prova se realizou devido a restrições legais então impostas a corridas em estradas públicas na Inglaterra. O tom acabaria por ganhar vida própria e tornar-se inseparável de marcas como a Bentley, Aston Martin, Jaguar, Lotus, BRM, Cooper ou mesmo a esquecida Vanwall. Mais do que uma cor, o verde profundo acabou por se transformar numa assinatura nacional, capaz de evocar tradição, elegância e espírito competitivo apenas pela sua presença.
Do verde a Wimbledon
Mas o verde, que é normalmente apresentado como a cor da natureza, da vida e da vitalidade, faz parte da cultura britânica muito para além do desporto motorizado. Está nas paisagens ondulantes dos Cotswolds, nos parques londrinos, nos campos delimitados por sebes que parecem desenhados à régua e, claro, nos courts de relva do All England Club e na hera que ‘veste’ o Centre Court. Durante duas semanas por ano, em Wimbledon, o verde torna-se protagonista perante milhões de espetadores e funciona como cenário inesquecível de um dos mais prestigiados eventos do desporto mundial. É um verde que transmite serenidade, mas também continuidade; um verde que resiste às modas, exatamente como acontece com muitas das melhores tradições britânicas.

Com o ténis no sangue e tendo feito a cobertura anual de Wimbledon desde 1994, foi impossível não estabelecer essa associação quando coloquei pela primeira vez o BR-03 Green Steel no pulso. O mostrador não procura reproduzir literalmente o British Racing Green, mas move-se claramente na mesma paleta cromática e dá continuidade esfumada ao verde profundo utilizado no BR-05 Green Steel e BR-05 Green Gold — de que já tinha gostado muito e mentalmente associado ao universo do ténis em relva. Dependendo da luminosidade, o mostrador gradiente revela nuances que oscilam entre um verde intenso e uma periferia quase negra, graças ao acabamento fumé com efeito raiado. Ao sol, o verde central brilha com uma intensidade quase vegetal; à sombra, os tons mais escuros da periferia ganham destaque, conferindo ao BR-03 Green Steel uma gravidade surpreendente. Um verniz brilhante completa o acabamento, realçando cada reflexo; é um tratamento que acrescenta profundidade sem comprometer aquilo que sempre definiu a Bell & Ross: a legibilidade imediata.

O tema da legibilidade ‘instrumental’ continua a ser o ponto de partida de tudo o que a marca faz. Desde a fundação da Bell & Ross, em 1992, por Bruno Belamich e Carlos Rosillo (o Bell e o Ross…), a filosofia da marca nunca mudou: a de construir relógios inspirados nos instrumentos de bordo utilizados na aviação militar e civil, começando pela criação de guardiões do tempo para profissionais e depois dotando também a coleção de uma vertente casual chic. A máxima ‘function shapes form’ nunca foi um mero slogan; foi a base sobre a qual nasceu, em 2005, um dos desenhos mais facilmente reconhecíveis da relojoaria contemporânea e que o ano passado comemorou 20 anos de vida.
De Wimbledon às origens
Em 2005, o quadrilátero BR-01 representou uma verdadeira rutura estética. Enquanto a maioria dos relógios desportivos continuava a explorar caixas redondas tradicionais, a Bell & Ross recuperou diretamente a arquitetura dos instrumentos instalados nos painéis de cockpit: um círculo inscrito num quadrado, preso por quatro parafusos aparentes. Tão imponente quadratura do círculo dividiu opiniões, mas rapidamente se tornou uma identidade visual impossível de confundir. Poucos relógios modernos conseguem ser identificados à distância apenas pela silhueta; o BR-01 tornou-se num deles.

Com os seus 46mm, e mesmo sendo lançado numa altura em que os relógios muito grandes estavam na moda, o BR-01 nunca foi pensado para ser um sucesso comercial de massas —surgiu quase como um manifesto de design, possivelmente o mais impactante relógio quadrado desde o lançamento do Monaco em 1069. Mas foi o BR-03, lançado no ano seguinte com um tamanho ‘menor’ de 42mm, que transformou aquela linguagem estética quadrilátera num verdadeiro relógio para uso diário e acabou por se tornar, na prática, o modelo mais importante da Bell & Ross.

A enorme relevância do BR-03 na história da Bell & Ross ajuda a perceber por que razão a marca tem tanto cuidado em mexer nas suas proporções; afinal de contas, trata-se do seu maior ícone comercial. Nascido em 2006, um ano após o primogénito BR-01, o BR-03 manteve intacto o conceito geométrico original, mas reduziu significativamente as dimensões para dotar o relógio de maior ‘vestibilidade’ no quotidiano. Ao longo dos anos, tornou-se na verdadeira espinha dorsal da Bell & Ross, acolhendo inúmeras interpretações — das versões militares às edições mais lúdicas dedicadas à aviação, passando pelas variantes Diver, GMT, Skeleton ou Chronograph e ainda a evolução mais pujante BR-X3 com movimentos de manufatura a par de incursões experimentais.
Das origens à atualidade
A grande atualização da coleção chegou em 2023. Depois de quase duas décadas com uma caixa de 42mm e com os gostos contemporâneos a puxarem por dimensões masculinas mais contidas (entretanto já tinha surgido um BR S de 39mm adequado a senhoras), o BR-03 foi subtilmente redesenhado, passando para 41mm de lado e apenas 9,65mm de espessura. E já se sabe que 1mm é muito em relojoaria. A redução poderá parecer modesta no papel, mas a revisão completa das proporções — da luneta às asas, passando pela própria arquitetura da caixa — tornou o relógio significativamente mais elegante e confortável, sem sacrificar a identidade que o transformou num dos desenhos mais reconhecíveis da relojoaria contemporânea.

É precisamente sobre essa base que nasceu o novo BR-03 Green Steel. À primeira vista, poderia parecer apenas mais uma variação cromática de uma coleção consolidada, na sequência do BR-03 Copper, do BR-03 Golden Heritage ou do BR-03 Blue Steel. Na realidade, representa algo mais interessante: demonstra que a Bell & Ross já não precisa de recorrer exclusivamente ao imaginário militar para renovar a sua linguagem estética. Basta-lhe explorar novas tonalidades mantendo intactos os códigos fundamentais do modelo. Com uma nuance adicional na conceção do mostrador.

Porque o grande protagonista do BR-03 Green Steel é mesmo o mostrador. Nos últimos anos, o verde tornou-se uma das cores preferidas da relojoaria contemporânea, mas nem todas as interpretações conseguem escapar à banalização. A Bell & Ross optou por um caminho mais sofisticado. Em vez do simples verde uniforme já presente em outros modelos da coleção e em diferentes tonalidades (desde o verde khaki ao verde água), recorreu a um acabamento sunburst fumé cuja tom evolui do centro luminoso para uma periferia progressivamente mais escura. O efeito não pretende apenas impressionar à primeira vista. A gradação cria profundidade visual, reduz a perceção da dimensão da caixa e confere uma personalidade diferente ao relógio consoante a incidência da luz.

Curiosamente, esse tratamento não compromete a essência instrumental da coleção. Pelo contrário. Os grandes algarismos nos quatro pontos cardeais, os índices aplicados do tipo ‘bathtub’ e os ponteiros em espada preservam a leitura instantânea que sempre distinguiu a Bell & Ross. O preenchimento com Super-LumiNova X1 assegura uma luminosidade particularmente intensa em ambientes de pouca luz, enquanto o vidro de safira com tratamento antirreflexo evita reflexos indesejados e oferece extrema resistência ao choque. A legibilidade continua a ser absoluta — apenas envolvida por um mostrador muito mais sumptuoso e expressivo do que o habitual. O BR-03 Green Steel demonstra que é possível introduzir acabamentos mais elaborados sem diluir a identidade da coleção.
Da atualidade ao calibre
A caixa em aço polido e acetinado oferece um equilíbrio ideal entre presença carismática no pulso e conforto no dia a dia. Os lados polidos refletem a luz com elegância, enquanto a parte superior acetinada confere o aspeto sóbrio que se espera de um instrumento técnico. Os quatro parafusos visíveis nos cantos, tão caraterísticos da Bell & Ross, lembram as fixações dos painéis de instrumentos aeronáuticos, numa referência subtil ao universo que deu origem a toda a coleção. A coroa aparafusada garante uma estanqueidade de 100 metros, adequada para natação e desportos aquáticos.

A forma quadrilátera é imediatamente reconhecível; a caixa mantém todas as características que transformaram o BR-03 num ícone contemporâneo e o círculo inscrito no quadrado tem muita força. A alternância de superfícies escovadas e polidas reforça a arquitetura do conjunto sem cair no excesso decorativo. Mesmo com um rosto verde dégradé, o BR-03 Green Steel continua a parecer um instrumento profissional militar chic — apenas ganhou uma dimensão estética suplementar que o aproxima de mais aficionados e, em especial, do universo britânico.

No seu interior trabalha o BR-CAL.302-1, um movimento automático baseado no comprovado e recentemente atualizado Sellita SW300-1. A Bell & Ross nunca escondeu a preferência por recorrer a calibres suíços amplamente testados em vez de perseguir, a qualquer custo, uma manufatura própria. É uma filosofia pragmática que privilegia robustez, facilidade de assistência e fiabilidade a longo prazo. O movimento funciona a 28.800 alternâncias por hora e oferece uma boa reserva de marcha de 54 horas, mais do que suficiente para garantir autonomia durante um fim de semana completo (a geração anterior da base Sellita quase não chegava às 40 horas).

Alguns puristas poderão lamentar a ausência de um fundo transparente ou de acabamentos mais exuberantes no movimento. Mas seria esquecer a verdadeira natureza do BR-03, que. nunca pretendeu ser um relógio de contemplação mecânica; pretende ser um instrumento cuja beleza resulta sobretudo da funcionalidade e da coerência do desenho. Nesse contexto, o BR-CAL.302-1 cumpre exatamente aquilo que se espera dele: precisão, fiabilidade e discrição.
Do calibre a Wimbledon
As duas braceletes disponibilizadas no estojo reforçam igualmente essa dupla personalidade. A pele preta confere ao relógio uma elegância quase formal, estabelecendo um contraste subtil com o verde profundo do mostrador. Já a bracelete em tecido sintético aproxima-o novamente do universo operacional que sempre inspirou a Bell & Ross. Em ambos os casos, a escolha parece natural e permite adaptar facilmente o relógio a contextos muito distintos. Da minha parte, optei pela bracelete branca em cauchu para mais facilmente o adaptar a Wimbledon e ao verão.

Na verdade, pensei em trocar novamente a bracelete branca a meio da quinzena por uma correia castanha ou mesmo pela preta original para poder fotografar o BR-03 Green Steel por Londres e ter wristshots mais variados. Mas confesso que não tive grande oportunidade. Por um lado, houve encontros com portugueses (singulares e pares) quase todos os dias na primeira semana de Wimbledon e convinha estar no torneio, que ainda fica a uns 45 minutos do centro, relativamente cedo; por outro, quis acompanhar muitos dos encontros do Mundial de Futebol que se realizaram a meio da noite, pelo que não estava propriamente em forma para me levantar cedo e ir tirar wristshots em Hyde Park antes de ir para Wimbledon…

Há ainda outro aspeto a esclarecer e que foi algo condicionador. Os guidelines da minha acreditação de jornalista são particularmente restritivos e Wimbledon, que tem uma ligação fortíssima à Rolex desde 1978 (voltei a escrever sobre o tema recentemente), não gosta nada de ambush marketing ou de algo que se pareça. Nem nunca seria minha intenção fazer algo do género, até porque a minha acreditação é de jornalista de ténis e não de influencer de relógios. A ideia original foi sempre a de usar o relógio durante a minha estadia em Londres — afinal de contas, esta rubrica chama-se test drive… — e não só ilustrar a experiência como também contar como foi.

Ou seja, claro que tirei algumas fotografias com o BR-03 Green Steel e ao BR-03 Green Steel — como qualquer aficionado de relógios tiraria, para mais sendo eu jornalista relojoeiro (para além de jornalista de ténis). Mas não tirei tantas fotografias como tiraria noutro contexto…
De Wimbledon ao pulso
Sempre achei os relógios de forma (ou seja, os relógios não redondos) dotados de maior personalidade. O toque suplementar de geometria dá-lhes algo mais do que o look circular mais convencional. Acho mesmo o Monaco da TAG Heuer o mais carismático relógio de pulso — uma afirmação ousada, eu sei, mas baseada em múltiplas alíneas que considero pertinentes. E gostando do Monaco, obviamente que teria de gostar do BR-01 quando ele surgiu e do seu direto descendente BR-03. Até porque considero que é Hip to be Square, como cantavam Huey Lewis e a sua banda The News nos anos 80; tantas vezes nas stories do Instagram usei esse tema em publicações com o BR-03 porque se trata de um relógio quadrado que não é definitivamente para quadradões… é um relógio mesmo cool (já agora, a música foi usada numa cena nada cool do filme American Psycho…).

Para mais, tive a honra de ser convidado para ir a Paris filmar um vídeo sobre o 20º aniversário do ícone quadrilátero da Bell & Ross — juntamente com alguns colegas e o famoso designer Jean-Charles de Castelbajac. É um relógio que conheço bem e sobre o qual escrevi ao longo das últimas duas décadas. A versão Green Steel é claramente uma das minhas favoritas de sempre do quadrilátero BR-03 e aquela que mais me pôs a pensar em comprar um (curiosamente, o Bell & Ross que tenho no meu acervo é a edição limitada Negroni Time do cronógrafo da linha redonda Vintage).

Mesmo não tendo eu um pulso grande, os 41mm do BR-03 Green Steel assentam bem. Também acho que Carlos Rosillo e Bruno Belamich deveriam recuperar para o catálogo o BR S de 39mm, tendo em conta a tendência atual para tamanhos mais contidos. E há algo de que tenho a certeza: se vier mesmo a comprar o BR-03 Green Steel, vou optar por usar as braceletes sem contour do BR S (ou seja, direitas e não com contorno à volta das asas)…
Do pulso à coleção
O lançamento do BR-03 Green Steel surge numa fase particularmente interessante da evolução da Bell & Ross. Depois de consolidar a família BR-05 junto do segmento dos relógios desportivos com bracelete metálica integrada, a marca parisiense continua a investir na coleção que melhor traduz a sua identidade histórica. Em vez de reinventar um desenho que já alcançou estatuto icónico, prefere refiná-lo através de pequenas evoluções de proporções, ergonomia e tratamento dos mostradores.

No fundo, é essa contenção que torna o lançamento do BR-03 Green Steel especialmente conseguido: não procura chamar a atenção pela complexidade mecânica nem pela extravagância estética, mas sim afirmar-se através da subtileza. A caixa continua a ser um dos desenhos mais fortes da relojoaria contemporânea; o mostrador acrescenta-lhe uma profundidade inédita; e o verde esfumado é mesmo muito bonito, sendo que no meu caso pessoal estabelece a tal ponte cultural com a Grã-Bretanha — desde os automóveis pintados em British Racing Green aos courts impecavelmente aparados de Wimbledon e à hera que ‘veste’ o exterior do Centre Court, passando pelos parques londrinos que parecem desafiar a monotonia do céu local tantas vezes cinzento.

Talvez tenha sido precisamente por isso que o relógio pareceu tão natural no meu pulso ao sair da boutique da Bell & Ross na Burlington Arcade e a caminho de Wimbledon. Em Londres, aquele verde não representou apenas uma escolha cromática… foi quase uma extensão da própria cidade e do mais prestigiado torneio de ténis do mundo. E poucos elogios poderão ser maiores para um mostrador do que esse. Agora vou ter de pensar bem se me atravesso ou não. O preço em Portugal é de 3.990 euros.
Da coleção às novidades
Depois do lançamento oficial do BR-03 Green Steel em junho foram lançados mais dois modelos da família BR-03. O BR-03 Helipad é uma edição limitada a 500 exemplares que recupera a veia mais criativa da linha Flight Instruments. Se a inspiração continua a ser o universo aeronáutico, a abordagem é muito mais gráfica do que literal: o mostrador transforma-se na representação de uma plataforma de aterragem para helicópteros, enquanto os ponteiros assumem a forma estilizada das pás do rotor principal, criando uma ilusão dinâmica à medida que giram sobre o mostrador.

O amarelo, cor universalmente associada à sinalização de segurança na aviação, destaca-se sobre o fundo preto mate da caixa em cerâmica microjateada de 41 milímetros, reforçando o carácter técnico da peça. Mais do que um simples exercício de design, o BR-03 Helipad demonstra que a Bell & Ross continua a explorar novas formas de interpretar os instrumentos de voo sem perder a legibilidade nem a identidade visual que definem a coleção.

Já o novo BR-03 GMT Green Lum aponta numa direção diferente, privilegiando a funcionalidade para quem viaja. Também em edição limitada de 500 exemplares, combina um segundo fuso horário com uma luneta rotativa de 24 horas em cerâmica e um impressionante tratamento luminescente que cobre índices, ponteiros e marcações da luneta com Super-LumiNova C3. O mostrador adota um degradé vertical do preto para o verde, inspirado nas tonalidades das auroras boreais, enquanto o calibre automático BR-CAL.303, com 54 horas de reserva de marcha, assegura a indicação de um segundo — ou mesmo terceiro — fuso horário através da interação entre o ponteiro GMT e a luneta bidirecional. Depois da elegância subtil do Green Steel, o GMT Green Lum confirma que a Bell & Ross continua a utilizar a família BR-03 como o seu principal laboratório de experimentação estética e funcional, preservando intacto o célebre conceito do «círculo dentro do quadrado» que continua a distinguir a marca no panorama da relojoaria contemporânea.




