Delphis e o novo oráculo da Chronoswiss

Continuando a investir no lema ‘Modern Mechanical’, a Chronoswiss recuperou o seu clássico modelo Delphis — e reinterpretou-o de maneira espetacular com mostradores de hipnotizante guilloché e exuberante cromatismo. Tivemos as três versões entre mãos.

No passado mês de março, a Chronoswiss apresentou um modelo inspirado no passado que instantaneamente se tornou na principal vedeta da sua coleção. Qualquer companhia relojoeira que tenha um interessante portefólio gosta de puxar pelos galões e reeditar ou mesmo reinterpretar emblemáticos modelos que se destacaram pela diferença ou marcaram uma época — e a Chronoswiss teve múltiplos ex-líbris lançados entre os anos 80 e a década de 90 que contribuíram para a exaltação da relojoaria mecânica face ao então dominante quartzo. Como o Régulateur, o Delphis ou o Opus Chronograph. O Opus Chronograph regressou entretanto ao catálogo, mas a coleção tem estado sobretudo assente em variações modernas e variadas do Régulateur ao longo da última década. Este ano, juntou-se-lhes o Delphis.

Delphis Oracle em ouro rosa | © Chronoswiss

Delphis

O Delphis original do início da década de 90 destacava-se pela maneira tripartida como apresentava o tempo: uma janela digital para horas saltantes às 12h, com um ponteiro retrógrado dos minutos que retrocedia instantaneamente a zero na escala após cumprir o 59.º minuto e um submostrador de pequenos segundos. Tornou-se rapidamente num relógio galardoado com vários prémios para se estabelecer como um dos ícones da Chronoswiss sob a batuta do fundador, Gerd-Rüdiger Lang.

o relógio Chronoswiss Delphis Oracle num pulso.
Azul sobre ouro: o Delphis Oracle | © Miguel Seabra / Espiral do Tempo

Três décadas depois, Oliver Ebstein — o atual proprietário da marca — foi buscá-lo para o relançar de maneira completamente diferente. Tantas vezes as reedições são fiéis ao original e as reinterpretações mantêm o espírito inicial com um twist de modernidade; no caso do Delphis, a Chronoswiss arriscou e foi muito mais longe… com um resultado espetacularmente positivo.

O hipnotizante Delphis Paraiba com caixa em aço | © Chronoswiss

O Delphis ressurgiu em grande com o Delphis Oracle em ouro no Watches and Wonders. O original relativamente monocromático deu origem a um pujante exercício de estilo onde a volumetria e a cor assumem particular importância. A configuração original de horas digitais saltantes, minutos retrógrados e pequenos segundos mantém-se, tal como a nomenclatura grega tão cara ao fundador. Mas a força cromática e o hipnótico guilloché catapultaram a reinterpretação contemporânea de um histórico modelo da Chronoswiss para uma nova dimensão. Em ouro (Delphis Oracle) e agora em aço (Delphis Venture e Delphis Paraíba).

O fundo aberto do relógio Chronoswiss Delphis Oracle
O movimento automático com rotor esqueletizado do Delphis Oracle | © Chronoswiss

Cor e volume

O mostrador surge dividido em várias secções de tons distintos que salientam as diferentes maneiras de mostrar as três principais unidades diárias do tempo — horas, minutos e segundos. É confecionado de maneira convexa, sendo especialmente complicado de fabricar. Para mais, apresenta um acabamento em guilloché elaborado à mão, tal como sucede em todos os mostradores da Chronoswiss, com a ajuda de máquinas seculares existentes nos ateliers da sede em Lucerna.

Tons negros com uma pitada de azul: o Delphis Venture | © Chronoswiss

O Delphis Oracle combina o azul e o preto numa caixa em ouro rosa. O Delphis Venture apresenta um mostrador mais dominado pelo preto com um guilloché diferenciado na metade superior e o azul a emergir no submostrador dos pequenos segundos. Já o Delphis Paraíba apresenta o exótico nome de origem brasileira existente em anteriores modelos Chronoswiss do tipo regulador e define uma cor que, consoante o ângulo de visão, anda entre o verde azulado e o azul esverdeado devido aos efeitos visuais proporcionados pelo guilloché; é utilizada uma fórmula secreta de deposição de vapor químico para se atingirem os tons evocativos de uma lagoa tropical.

Por cima do guilloché é aplicado o esmalte, neste caso azul para a versão Oracle do Delphis | © Chronoswiss

As três variantes assentam numa caixa de 42mm; em todas elas, o fundo transparente (uma das grandes contribuições para a relojoaria mecânica do fundador da Chronoswiss, Gerd-Rüdiger Lang) proporciona uma boa vista para o Calibre C.6004 de corda automática, especialmente concebido para a marca e de cuidada decoração.

As nossas impressões

Rosto e perfil: o Delphis Paraiba | © Chronoswiss

Pela sua construção e mostrador, o Delphis salta diretamente para a linha da frente no catálogo da Chronoswiss e tem tudo para se afirmar como o grande protagonista da marca. Não só tem um peso simbólico acrescido devido ao facto de ser herdeiro de um dos principais ícones da firma de Lucerna, como também exala um forte carisma. É mesmo um relógio diferente e diferenciado — e cada versão é melhor do que a outra, embora com uma nuance: cada uma das versões está limitada a somente 50 exemplares. Pelo que vale mesmo a pena apanhar um antes que desapareçam.


O Delphis Oracle em apresentação na Watches and Wonders © Paulo Pires / Espiral do Tempo

Algumas caraterísticas técnicas:

Chronoswiss
Delphis
Referências | Oracle – CH-1421.1E-BLBK; Paraiba – 1423.1-BKTU; Venture – CH-1423.1-BKBL
Edições limitadas a 50 exemplares cada
Lançamento | 2023
Preço anunciado no site | Oracle – 41.800 €; Paraiba e Venture – 17.400 €.

Chronoswiss Delphis Paraiba  num pulso
Hipnótico tropical: Delphis Paraiba | © Miguel Seabra / Espiral do Tempo

Movimento | Mecânico de corda automática Calibre C.6004, 28.800 alt/h, 55 horas de reserva de corda.
Funções | Horas, minutos, segundos.
Caixa ø 42 mm e 14,5mm de espessura | Aço nos modelos Venture e Paraiba; ouro rosa nos modelos Oracle, vidro de safira em ambos os lados; estanque até 100 metros.
Bracelete | Borracha com fecho de báscula

Visite o site oficial da Chronoswiss para mais informações.

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