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Fernando Guerra: a experiência Porsche Design 1919 Collection

O desafio que fizemos a Fernando Guerra — a nosso convite, o premiado fotógrafo de arquitetura não só andou durante um mês a viajar pelo mundo com um Globetimer Series 1 Titanium & Rubber, como também aceitou explorar durante alguns dias o Chronotimer Titanium & Rubber — resultou num conjunto de fotografias inspiradoras e numa entrevista que nos mostra a 1919 Collection muito para além da relação com a Porsche. Aqui ficam as impressões sobre esta experiência.

Versão integral da entrevista publicada no número 57 da Espiral do Tempo (edição de inverno 2016)

Fernando Guerra | 1919 Collection
Fernando Guerra com um Porsche Design 1919 Chronotimer Titanium & Rubber | © Espiral do Tempo / Paulo Pires

O que o levou a aceitar o nosso convite?

A 1919 Collection tem a sua graça e um dos aspetos que me levou a encarar este desafio com entusiasmo foi a ligação à Porsche — mesmo que a Porsche Design não desenvolva relógios para a Porsche. Mas, se inicialmente fui levado a tentar encontrar nos relógios elementos que tivessem a ver com a Porsche, depois optei por mudar essa abordagem, porque estava a ser levado a procurar relações que visualmente não são assim tão óbvias. Claro que há sempre elementos como o rotor de alto rendimento no fundo, há também detalhes como a coroa com ranhuras ou o mostrador do Chronotimer, mas a inspiração Porsche 356 é difícil de descortinar a olho nu por mais que me falem em linhas. Mais do que um Porsche, consigo relacionar os relógios com quase qualquer carro, desde que seja um carro bem desenhado, claro. Agora, consigo ver, sem dúvida, um relógio que me dá imenso gozo usar porque é muito bonito e segue uma linha muito própria — muito purista. A mim agrada-me que a Porsche Design esteja a construir uma identidade diferente que foge do caminho seguido por outras marcas — e, nisso, posso dizer que há, sem dúvida, relação com a marca Porsche.

1919 Collection
Fernando Guerra com um Porsche Design 1919 Globetimer Series 1 Titanium & Rubber. Segura uma mala FG Edition Acessories, uma linha de acessórios desenhada pelo próprio fotógrafo português | © Patrícia Martins

E o que o cativou mais nos dois relógios?

Quando me lançaram o desafio, optei pelo Globetimer Series 1 Titanium & Rubber porque passo a vida a viajar. No entanto, quando vi o Chronotimer Titanium & Rubber, adorei. Ontem, estava a jantar, e, quando dei por mim, estava distraído a olhar para o relógio a descobrir imensos pormenores. E por ter andado um mês com o Globetimer e agora menos com este, acabei por olhar com atenção e descobrir que gosto de muita coisa. Se formos para detalhes, posso dizer, por exemplo, que não me lembro de, recentemente, ter visto um mostrador tão bonito, neste misto de linhas puras, mas com um toque um pouco sporty que lhe dá uma identidade especial. Além disso, gosto do desenho e da estrutura. As asas funcionam quase como um caminho para chegar até à caixa, como se fossem um pedestal que a eleva, e isto sai daquilo que está estabelecido como desenho. Na maior parte dos relógios, não há este espaço nas asas, há uma continuidade entre caixa e bracelete. No caso dos 1919, as asas abertas permitem destacar a caixa do relógio de uma forma que considero fora do normal — como se o relógio ficasse isolado. É engraçado, mas, neste aspeto, faz-me lembrar um relógio de bolso. Comparando, apesar de terem o mesmo diâmetro (42 mm), o Chronotimer acaba por parecer mais pequeno do que o Globetimer, e, tendo em conta o módulo cronográfico, como é mais alto também, acaba por me dar mais esse efeito.

Já vimos que não ficou indiferente ao Chronotimer Titanium & Rubber — se tivesse de salientar um só motivo que o levasse a adquirir este relógio, qual seria?

Além do preço relativamente acessível — que o torna um relógio bastante perigoso (!) —, tenho de referir o lado de não status, não ostensivo. E isso eu gosto muito. É um relógio que não grita, que não chama demasiado a atenção. Sinto-me muito confortável com um relógio destes no pulso. Já o tamanho parece ser o certo para o meu pulso. Digo isto, porque quando opto por relógios mais pequenos, de 40 ou 38 mm, acabo por recorrer a braceletes do tipo NATO que aumentam visualmente o perímetro por causa da fixação nas asas. O fundo transparente também lhe dá um toque especial — apesar de, como entusiasta de relógios, eu tenha tendência para vibrar mais com os aspetos estéticos do que mecânicos ou técnicos. O Globetimer não tem fundo aberto: apresenta no fundo indicação das cidades e respetivo fuso horário. Um complemento muito interessante para facilitar o acerto de um segundo fuso horário. Sinceramente, quando recebi o Chronotimer, e quando o agarrei, pensei logo que seria muito difícil de devolver. O que é muito bom. E hoje, quando o voltei a pôr no pulso, achei que realmente tudo tem que ver com proporção. Não tenho dúvidas de que estou a gostar muito deste relógio.

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Porsche Design 1919 Chronotimer Titanium & Rubber num estojo FG Edition, desenhado por Fernando Guerra | © Fernando Guerra

Aspetos a melhorar — alguma sugestão?

De um modo geral, ambos têm mostradores bastante claros e legíveis. Porém, no Globetimer, o contraste para leitura do segundo fuso horário poderia ser mais acentuado. O cinzento no preto acaba por sobressair pouco. Já no caso do Chronotimer, isso não acontece — todas as indicações se leem perfeitamente. Por outro lado, uma das primeiras coisas que gosto de experimentar fazer quando tenho um relógio novo é trocar a bracelete; com estes modelos, isso já não poderia acontecer tão facilmente pelo sistema que oferecem. Claro que este aspeto não é um ponto a melhorar, até porque em cada um deles a bracelete é muito confortável e, ao nível de integração nas asas, resulta mesmo bem. Queria só salientar que tive alguma dificuldade em habituar-me ao fecho — misto de fivela e báscula. Mas, com o tempo, lá me adaptei.

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Porsche Design 1919 Chronotimer Titanium & Rubber. O relógio está pousado num estojo de relógios FG Edition, desenhado por Fernando Guerra | © Fernando Guerra

Durante o tempo que andou com os relógios, acabou por fotografá-los. Que tal o desafio?

O desafio de fotografar um relógio assemelha-se ao desafio de fotografar uma casa ou um carro. Muda a escala, mas a vontade de comunicar e de chegar à fotografia que conta a história da casa, mostra o desenho do carro ou um relógio é a mesma. Na minha relação com estes relógios, procurei sempre a fotografia que sintetizasse o que queria passar, mas acima de tudo guardar: numa relação também com o que sou como profissional e pessoa. Gosto de desafios e de ter diariamente problemas novos por resolver e que me levam a soluções novas que me fazem crescer como fotógrafo, sempre com uma máquina na mão num caminho que vou fazendo aprendendo a relacionar-me com escalas diferentes. Eu não faço as coisas em passagem. Da mesma maneira que descubro uma casa para fotografar, gosto de andar com um relógio durante uns meses e surpreender-me por pormenores de que gosto e nos quais nunca tinha reparado. Quando começo a usar um relógio, há uma paixão à primeira vista que depois vai crescendo: vou descobrindo diferentes ângulos de abordagem, as linhas, as proporções, os acabamentos, a incidência dos reflexos, algo que é semelhante com o que faço com a arquitetura. E são esses elementos que tento e tentei depois captar. ET_simb

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