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Embaixadora: Lady Tudor

Entre o ontem e o hoje, a marca da rosa tem a particularidade de deixar sempre bem claro que os seus relógios apelam a diferentes pessoas, a diferentes estilos de vida e a diferentes carateres. E ao selecionar Lady Gaga como embaixadora — uma nomeação que teve o seu quê de controverso —, a Tudor marcou posição, reforçando uma faceta determinada e ousada, mas que, acima de tudo, não pretende passar despercebida.

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Imagem acima: Lady Gaga é embaixadora da Tudor, e a sua imagem está associada a diversos modelos da marca, como o Black Bay.

O ambiente é particularmente escuro e na sala estão dois pianos de cauda, posicionados frente a frente. Nos respetivos bancos, sentam-se duas personagens: de um lado, uma mulher vestida de preto, com roupa ousada e inconformista; do lado oposto, uma mulher vestida de branco, de cabelo loiro bem penteado e com um toque vitoriano no estilo. Arranca um duelo de música entre elas. A mulher vestida de branco começa a tocar a «Marcha Turca», de Mozart, com delicadeza e convicção; a mulher vestida de preto responde-lhe com vigor e irreverência. O duelo prossegue até ao ponto em que a mulher vestida de preto praticamente destrói o seu piano. Como resultado, a mulher vestida de branco levanta-se com elegância e vira as costas à batalha. Porém, inesperadamente, começa a ouvir um som de fundo e, ao olhar para trás, vê a mulher vestida de preto a olhar para ela com ar desafiador, enquanto toca nos martelos do piano aberto, entretanto meio destruído. A mulher de branco não perde tempo e regressa ao piano com um sorriso convicto. A história, afinal, não fica por aqui…

Esta narrativa de ficção é tão improvável quão improvável foi a ligação da Tudor a um rosto como Lady Gaga, uma personalidade que há muito tem o dom de se fazer notar, e que nos últimos tempos deu ainda mais que falar, graças à performance enquanto estrela em ascensão no filme A Star is Born, que lhe valeu a nomeação para o Óscar de Melhor Atriz, e lhe proporcionou a conquista da estatueta na categoria Melhor Canção Original. A artista é embaixadora da Tudor desde 2017, e é ela a protagonista da história com que iniciámos este artigo, que mais não é do que uma das campanhas publicitárias que promovem o lado feminino da marca da rosa — no anúncio, a mulher de branco usa no pulso o Glamour Date bicolor, um relógio de perfil elegante e clássico, enquanto a mulher vestida de preto ostenta um Black Bay 41 mm com luneta bordeaux, neste caso, um relógio de espírito mais descontraído e desportivo. A Tudor joga, assim, com a complementaridade na hora de falar com as senhoras. E se alguém eventualmente pensasse que esta espécie de dualidade, entre o cá e o lá, entre dimensões complementares, é mania recente da marca, mais vale parar para pensar duas vezes e deixar-se levar um pouco pela história da casa que nasceu da intenção de Hans Wilsdorf, após registar a Rolex em 1908, de ter uma segunda marca com uma excelente relação preço/qualidade, mas de preço mais acessível, tendo feito tudo para adquirir os direitos de utilização de um nome nobre que evoca uma das mais célebres dinastias da realeza britânica. Recuemos, por isso, até aos anos 30 do século XX.

Modelo Tudor para senhora, dos anos 30, com uma caixa delicadamente gravada em relevo e uma coroa de rosca com pedras preciosas. © Tudor
Modelo Tudor para senhora, dos anos 30, com uma caixa delicadamente gravada em relevo e uma coroa de rosca com pedras preciosas. © Tudor
Publicidades Tudor de relógios femininos da década de 50. © Tudor
Publicidades Tudor de relógios femininos da década de 50. © Tudor

Tweeds ou tafetás

Os primeiros relógios Tudor de senhora, segundo a própria marca, foram lançados no início da década de 30, delicados modelos de forma e caixas trabalhadas em estilo art déco, que ficavam a meio caminho entre o ser relógio e o ser joia, algo que era, aliás, bem comum no contexto da relojoaria feminina. Na década seguinte, a marca, que comercializava já relógios com caixas estanques, lançava as suas primeiras campanhas publicitárias, e, nos anúncios direcionados às mulheres, promoviam-se tanto relógios destinados a mulheres com estilos de vida mais ativos, como relógios de perfil mais tradicional e elegante. Havia mesmo uma campanha em específico que associava a dupla personalidade do portefólio da Tudor a tweeds ou tafetás, numa alusão a dois tipos de tecidos de caráter tão distinto. Nos anos 50, era assim já evidente a variedade inerente à coleção feminina da Tudor — à qual foi acrescentada, mais tarde, uma vertente desportiva, primeiro com o lançamento do Princess Oysterdate e depois com o primeiro relógio feminino de mergulho. Apresentado por volta de 1976, o Princess Oysterdate Submariner era a versão feminina do Prince Oysterdate Submariner, e no mostrador apresentava os clássicos indexes quadrados, bem como o ponteiro snowflake, que tanto caracterizam os modelos de mergulho da marca. Os relógios de senhora com este perfil prático viriam a ser produzidos ao longo dos 40 anos seguintes.

Tudor Black Bay | Ref. M79230R-0009 | Corda automática | Aço | Ø 41 mm © Tudor
Tudor Black Bay | Ref. M79230R-0009 | Corda automática | Aço | Ø 41 mm © Tudor

Atualmente, este lado mais sofisticado e funcional ecoa no modelo Black Bay, que tem vindo a ser declinado em diferentes opções, de diferentes tamanhos e mostradores, com luneta rotativa ou apenas com bisel como moldura. Por outro lado, o portefólio da Tudor inclui também coleções assumidamente mais femininas, como o Clair de Rose, um relógio de linhas curvas, com decorações delicadas e elementos requintados, que, além de estar disponível em tamanhos de 26, 30 e 34 mm, está equipado com movimento de corda automática. Depois, temos também a linha 1926, cujo nome evoca o ano em que a Tudor foi registada, pelo que estes relógios combinam elementos tradicionais e luxuosos com um toque mais vintage, e estão disponíveis com diâmetros de 28, 36, 39 e 41 mm, uma variedade de tamanhos que responde também a pulsos masculinos. Já a linha Style integra modelos adequados a qualquer ocasião, e a linha Glamour personifica a elegância e a visão contemporânea da relojoaria mais requintada, distinguindo-se pelo relevo da luneta dupla, que contrasta com o aço polido da caixa.

Tudor  Clair de Rose | Ref. M35800-0001 | Corda automática | Aço | Ø 34 mm © Tudor
Tudor Clair de Rose | Ref. M35800-0001 | Corda automática | Aço | Ø 34 mm © Tudor

#BornToDare

Como se vê, o interessante no modo como a Tudor tem comunicado o seu lado feminino ao longo dos tempos é que a marca assume a sua versatilidade pelo caráter de cada modelo que compõe o seu catálogo. E é isso que deixa transparecer o spot publicitário: a irreverência e o lado casual associados ao Tudor Black Bay, a ponderação e a elegância associada ao Glamour Date. Na relação entre os dois, encontra-se a determinação transversal às duas personagens, num confronto que é, acima de tudo, um confronto de personalidades que se complementam. Mais do que comunicar relógios de homem ou de senhora, descobrimos assim uma Tudor que, na hora de se dirigir ao público feminino, apela a diferentes maneiras de ser, de estar e de agir.

Tudor Glamour Date | Ref. M51000-0019 | Corda automática | Aço | Ø 26 mm © Tudor
Tudor Glamour Date | Ref. M51000-0019 | Corda automática | Aço | Ø 26 mm © Tudor

Quando anunciou Lady Gaga como embaixadora, a Tudor explicava que esta é conhecida por ser provocativa tanto no palco como fora deste, e que personifica o espírito Born To Dare, que a marca vive desde a sua criação. Agora, a marca assume mais do que nunca a sua ousadia. Assim, de Leigh Hansen, a campeã de esqui aquático que foi rosto de uma campanha dedicada ao Tudor Princess Oysterdate em 1956, passámos para um rosto feminino que, além de ser ousado pelos mais diversos motivos, «atingiu um nível de fama e de respeito que poucos artistas terão conseguido, e isto é o resultado da sua receita única para o sucesso: puro talento, trabalho duro, escolhas arriscadas e muita gratidão para com os seus fãs.» Já Lady Gaga refere: «Como seria a minha vida se eu não tivesse arriscado? De certeza que não teria nada a ver com aquilo que é hoje. Eu não chegaria onde cheguei hoje mantendo-me em terreno seguro.» É arriscando que, muitas vezes, se consegue fazer a diferença. É assim o lado feminino da Tudor. Mas o lado masculino também.

Texto originalmente publicado no número 66 da Espiral do Tempo.

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