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Baselworld 2018: Patek Philippe e o risco cromático

Em Basileia / Um dos mais animados debates tidos ao longo da última edição de Baselworld teve precisamente a ver com o supostamente arrojado uso de uma determinada cor por parte da mais tradicional casa relojoeira. Mas não foi apenas devido ao laranja que a Patek Philippe deu que falar – os tons salmão e azul também estiveram em destaque, sem esquecer um aniversário lendário e novidades técnicas ainda mais relevantes do que as cromáticas.

A primeira grande novidade lançada pela Patek Philippe no âmbito de Baselworld nem teve diretamente a ver com qualquer novo modelo – teve a ver com a adesão da celebrada manufatura genebrina ao Instagram, estreia que deixou a imprensa especializada numa enorme excitação. A Patek Philippe não vai usar o Instagram de modo usual, no entanto; vai fazer publicações periódicas, cirúrgicas e informativas. E foi mesmo através do Instagram que ficou revelada a primeira novidade da marca: uma nova versão do Calatrava Pilot Travel Time com caixa em ouro rosa e mostrador castanho em dois tamanhos – o já conhecido de 42 mm e o novo de 37,5 mm para pulsos femininos ou de menores dimensões.

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Os novos Calatrava Pilot Travel Time: ref. 7234R-001 (à direita); 5524R-001 (à esquerda). © Patek Philippe
Patek Philippe Calatrava Pilot Travel Time © Miguel Seabra / Espiral do Tempo
Patek Philippe Calatrava Pilot Travel Time Ref, 5524R-001. © Miguel Seabra / Espiral do Tempo

Entre as novidades desveladas em Basileia, houve muitas e até mais numerosas do que nunca na vertente das chamadas Rare Handcrafts – incluindo um extremamente complicado que pode ser considerado a vedeta da companhia na colheita de 2018, o World Time Minute Repeater Ref. 5531R em ouro rosa com centro de mostrador em esmalte cloisonné, uma estreia da marca a juntar as duas complicações e que faz soar o tempo na hora local e não de origem, embora surja no seguimento da edição limitada que foi lançada na ” The Art of Watches Grand Exhibition 2017 New York“.  Sem esquecer, numa perspetiva mais portuguesa, mais dois modelos Rare Handcrafts com mostrador de azulejo que vêm juntar-se a outros inspirados por essa tão lusitana arte já lançados no passado em edição muito restrita.

World Time Minute Repeater Ref. 5531R © Patek Philippe
World Time Minute Repeater Ref. 5531R © Patek Philippe
Patek Philippe Grand Complications World Time Minute Repeater Ref. 5531R © Patek Philippe

Laranja…

Claro que o primeiro debate público foi algo fútil, mais relacionado com uma certa escolha de cor em dois ponteiros e numa bracelete de cauchu. Aquando do arranque de cada edição de Baselworld há sempre dois ou três assuntos iniciais a gerarem controvérsia (frequentemente relacionados com a Patek Philippe ou a Rolex, os nomes mais fortes presentes) e muitas vezes a polémica parece artificial ou mesmo palerma; no caso da Patek Philippe, este ano, pareceu mesmo ser exageradamente palerma porque se prendeu com o simples uso de um tom de cor que há décadas está em voga na relojoaria: o cor de laranja.

© Patek Philippe Aquanaut Ref 5968A
Patek Philippe Aquanaut Ref. 5968A-001. © Patek Philippe
© Patek Philippe Aquanaut Ref 5968A
Patek Philippe Aquanaut Ref. 5968A-001. © Patek Philippe

O uso do tom alaranjado (há quem diga que não é tão laranja, mas mais cenoura ou abóbora) surgiu no novo Aquanaut Chronograph – disponível com duas braceletes em cauchu, sendo uma delas a preta tradicional e a outra na tal cor que tanto escandalizou alguns fundamentalistas. O resultado final é interessante e muito fotogénico, sendo que a bracelete laranja dá ao Aquanaut Chronograph uma conotação muito desportiva e mesmo especial de verão. E quem não quiser pode mudar sempre para a bracelete preta ou utilizar outra. A controvérsia cromática deitou para segundo plano o que era verdadeiramente importante: o facto de ser o primeiro cronógrafo de sempre na linha Aquanaut.

© Patek Philippe Aquanaut Ref 5968A
Patek Philippe Aquanaut Ref 5968A-001 © Miguel Seabra / Espiral do Tempo

Para além do Aquanaut, também outro modelo emblemático da manufatura genebrina recebeu uma novidade – e de monta: o lendário Nautilus passa a estar disponível também numa versão ultra-plana dotada de calendário perpétuo, complicação nunca antes utilizada antes nos 32 anos da sua história.

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© Patek Philippe Nautilus Ref 5740
Patek Philippe Nautilus Ref 5740. © Patek Philippe
© Patek Philippe Nautilus Ref 5740
Patek Philippe Nautilus Ref 5740 © Miguel Seabra / Espiral do Tempo

Salmão de elite

Para lá do ‘mero’ calendário perpétuo, a enorme reputação da Patek Philippe assenta muito nas seus fabulosas combinações de cronógrafos com calendários perpétuos cuja origem remonta a 1941 – e talvez tenha sido mesmo uma nova referência de calendário perpétuo com cronógrafo a preferida da equipa da Espiral do Tempo: a Ref. 5270P com caixa em platina (uma estreia) e mostrador em salmão (cor a que a marca recorre ocasionalmente).

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Patek Philippe Ref. 5270P © Patek Philippe
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Patek Philippe Ref. 5270P © Miguel Seabra / Espiral do Tempo

Lançada em 2011, a já mítica Ref. 5270 é porventura uma das mais belas conjugações de calendário perpétuo com cronógrafo existentes – sobretudo graças às equilibradas proporções da caixa de 41 mm e às suas características asas de grande beleza, a par de um mostrador tricompax horizontal com submostrador para a data e fases da lua às 6 horas ladeado pela janela dos anos bissextos, sem esquecer a abertura dupla às 12 horas para o dia da semana e o mês. E, para além da versão 5270P (P de platina), teve também a adição de uma nova variante em ouro rosa ‘total’: a 5270/1R (R de rose gold) com bracelete igualmente em ouro e um belo mostrador preto.

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Patek Philippe Ref. 5270/1R © Patek Philippe

No lote dos cronógrafos, há a destacar um novo modelo de senhora (Ref 7150/250R) em ouro rosa com diamantes e com movimento de corda manual que vem complementar o já referido cronógrafo de piloto de tamanho médio.

Aniversário Ellipse d’Or

Para terminar, um destaque muito especial para o 50º aniversário daquele que considero ser o melhor relógio de smoking (ou black tie, como quiserem chamar-lhe) – e também um dos ‘tesouros escondidos’ da alta-relojoaria. Um relógio que está para além do óbvio, que requer uma sensibilidade estética especial, que exige perspetiva cultural. Apenas ultrapassado em longevidade pelo Calatrava na coleção atual da Patek Philippe, o Ellipse d’Or é o relógio de pulso elegante por excelência, fino e precioso, predestinado para as mais solenes ocasiões. Está agora disponível em mais duas versões, uma mais regular e outra especialmente comemorativa sob a chancela Rare Handcrafts.

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Patek Philippe Ellipse d’Or Rare Handcrafts. © Patek Philippe

Criado em 1968 (curiosamente 100 anos após o primeiro relógio-bracelete da Patek Philippe), o Ellipse d’Or funde o círculo e o retângulo num modelo singular destinado ao mais conhecedor dos aficionados (e que antecipa a forma do Nautilus, lançado menos de uma década depois). Um relógio que também é essencial por se cingir às horas e aos minutos, mas que ao mesmo tempo carrega consigo toda uma complexa bagagem mítica associada à história da civilização ocidental e que personifica de modo simbólico tantas virtudes da Patek Philippe.

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© Patek Philippe Ellipse d’Or
Patek Philippe Ellipse d’Or Ref. 5738R-001 © Patek Philippe

O nome não está diretamente associado ao metal precioso da caixa. O formato é evidentemente elíptico – mas a menção está diretamente relacionada com o chamado ‘número de ouro’, a ‘divina proporção’ descoberta pelos matemáticos da Grécia Antiga que se baseia no rácio específico 1/1,6181033988 e que caracteriza não só algumas das maiores obras-primas da humanidade (a arquitetura do Parténon, as construções de Le Corbusier), mas também muitos elementos da natureza (como o girassol). É essa fórmula que está por trás da relação entre largura e comprimento no design do Ellipse d’Or, que desde logo se demarcou dos formatos tradicionais aquando do seu lançamento: era arredondado sem ser redondo e quadrangular sem ser anguloso, preconizando uma década seguinte de grande criatividade estilística em que quase não se viram relógios redondos.

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Patek Philippe Ellipse d’Or Ref. 5738R-001 © Miguel Seabra / Espiral do Tempo

Se o modelo original se apresentava numa caixa em ouro amarelo dotada de um mostrador em ouro metalizado de azul (padrão soleillé, com indexes em ouro aplicados) que prendia a atenção quase tanto como a hipnótica forma elíptica, a Patek Philippe apresentou em Baselworld duas variações também dotadas de movimento automático extra-plano com microrrotor que vêm complementar a de platina e mostrador azul existente desde as comemorações do 40º aniversário, em 2008. Agora, há um novo modelo em ouro rosa com mostrador preto (e os inevitáveis botões de punho a condizer) que faz jus à histórica linhagem do Ellipse d’Or e a versão exclusiva em platina que celebra os 50 anos do Ellipse d’Or integrando a coleção Rare Handcrafts – com um mostrador profusamente gravado e preenchido com esmalte preto para um artístico produto final de grande beleza, graças ao padrão hipnótico e contrastante!

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Patek Philippe Ellipse d’Or Rare Handcrafts © Miguel Seabra / Espiral do Tempo

Sendo o Ellipse d’Or um exercício de estilo que se destaca pela estética, não se pode descurar a importância (como sempre sucede com a Patek Philippe) da mais apurada técnica relojoeira no contributo para o produto final. Porque a elegância das formas tem de ser preservada a todo o custo. Aquando do seu advento em 1968, o Ellipse d’Or estava dotado de um fino mecanismo de corda manual que, dez anos depois, foi substituído pelo Calibre 240 – um movimento automático extra-plano com somente 2,53mm de espessura, decorado com todos os elementos clássicos na cartilha da marca e alimentado por um micro-rotor em ouro de 22 quilates.

Visite o site da Patek Philippe para mais informações.

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