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Patek Philippe Calatrava Ref. 6119G: o desafio da simplicidade

Há muitos anos, comprei uma máquina fotográfica. Pronto a prescindir de todas as comodidades que a tecnologia oferecia, decidi voltar a uma certa pureza de processos. Nada mais apropriado do que um topo da tecnologia fotográfica mecânica e analógica. Mas logo após o primeiro clique pensei para mim próprio: é só isto? No entanto, e como me ensinou um professor de design na faculdade, o «só» é uma palavrinha tão perigosa.

As Crónicas Fotográficas resultam da parceria da Espiral do Tempo com a Leica Portugal, iniciada em 2021.

Relógio fotografado
Patek Philippe
Calatrava Ref. 6119G-001
Cedido por: David Rosas

Equipamento fotográfico
Leica SL
Macro Elmar R 100mm/f4
Fole de extensão

Patek Philippe Calatrava | © Paulo Pires / Espiral do Tempo
Patek Philippe Calatrava | © Paulo Pires / Espiral do Tempo

Creio que uma das configurações preferidas pelos relojoeiros é a célebre indicação das horas, minutos e pequenos segundos. Há qualquer coisa de especial nesta pureza visual e mecânica que fascina as mesmas mentes capazes de produzir as complicações mais complexas. O novo Calatrava Ref. 6119G é um dos mais recentes lançamentos da Patek Philippe homenageando esta configuração.

A aparente simplicidade começa a tornar-se complexa quando tentamos descobrir de facto qual a cor deste mostrador. Tão simples e, no entanto, dos mais desafiantes que encontrei, sem qualquer exagero. Lembrei-me do Annual Calendar Regulator Ref. 5235/50R. Estes mostradores podem ir dos tons claros e quase metalizados com a textura a impor-se visualmente ou podem assumir toda uma gradação, com a textura mais suavizada, dependendo da luz e da sua incidência. É um elegante jogo camaleónico de tonalidades.

Patek Philippe Calatrava | © Paulo Pires / Espiral do Tempo
Patek Philippe Calatrava | © Paulo Pires / Espiral do Tempo

Sendo um relógio de 39mm de diâmetro e com 8,08mm de espessura, o Calatrava Ref. 6119G tem um pormenor de design que lhe confere uma maior volumetria com a colocação do mostrador a um nível assumidamente mais baixo que a luneta decorada em Clous de Paris. Este detalhe cria uma profundidade extra ao relógio dando-lhe um maior corpo visual. Resumidamente, foram estas as minhas quatro principais preocupações para a primeira foto: tonalidade, textura e profundidade do mostrador e a luneta decorada.

No verso da caixa, o sublime: o Calibre de corda manual 30‑255 PS. Neste e em tantos outros casos não há fotografia que faça justiça ao coração do máquina. Pode saber-se as especificações, pode saber-se que vindo da Patek Philippe será irrepreensível, mas aquelas pontes tapam tanta coisa linda!

Patek Philippe Calatrava | © Paulo Pires / Espiral do Tempo
Patek Philippe Calatrava | © Paulo Pires / Espiral do Tempo

Captei o que é possível captar. Com um pequeno cilindro feito de cartolina preta, subexpus a imagem para que, durante o tempo de obturação pudesse disparar o flash através deste snoot improvisado iluminando apenas o movimento e variando o ângulo de incidência da luz para que a decoração das pontes fosse visível.

Patek Philippe Calatrava | © Paulo Pires / Espiral do Tempo
Patek Philippe Calatrava | © Paulo Pires / Espiral do Tempo


O Calatrava Ref. 6119G fez-me lembrar a tal máquina fotográfica da qual duvidei por ser aparentemente tão simples. Era simples porque não precisava de mais nada. Por outro lado, essa simplicidade escondia uma complexidade e perfeição mecânicas que estão muito para além dos artifícios das luzes indicadoras e sinais sonoros de confirmação de foco. Esta novidade do gigante genebrino é um hino visual à complexidade tornada desafiadoramente simples.
‘Só’ isso!

Visite o site oficial da Patek Philippe para mais informações sobre o novo Calatrava Ref. 6119G-001.

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