Baselworld 2019: TAG Heuer Autavia Isograph ( velho nome, novidade absoluta)

Quando se esperava uma comemoração dos 50 anos do Monaco, a TAG Heuer surpreendeu em Baselworld com o lançamento do Autavia Isograph, uma nova coleção batizada com um nome histórico mas baseada num conceito completamente novo – e com uma tecnologia revolucionária à mistura, baseada numa espiral de carbono que lhe dá uma fiabilidade extrema.

Miguel Seabra, em Baselworld

Um bom nome é algo de valor incalculável que se pode perder num ápice. Por isso é que se defendem reputações com desmesurado arreganho: custam tanto a construir como facilmente são arrasadas. A TAG Heuer apresenta uma herança histórica que data de 1860 e é uma escuderia obcecada em dar continuidade ao espírito inovador pelo qual sempre se regeu – mergulhando no futuro porque sabe que está alicerçada num sólido passado. E uma das vedetas do seu passado é o Autavia, primeiro nascido em 1933 e usado até 1957 enquanto instrumento de bordo (daí o seu nome Autavia, contração das palavras ‘Automobile’ e de ‘Aviation’) e depois brilhando enquanto cronógrafo ao longo das décadas de 60 e 70 até ao seu renascimento em reinterpretações cronográficas no presente milénio (em 2003 e 2017). Na recente edição de Baselworld, a TAG Heuer usou o carismático nome para a apresentar uma coleção totalmente nova de relógios de três ponteiros e data com um visual decididamente rétro mas tecnologia vanguardista no interior.

Os 7 modelos da coleção TAG Heuer Autavia Isograph de 2018 © TAG Heuer
Os sete modelos da nova coleção Autavia Isograph de 2019 © TAG Heuer
O stand da TAG Heuer em Baselworld 2019 © Paulo Pires / Espiral do Tempo
O stand da TAG Heuer em Baselworld 2019 © Espiral do Tempo

Foi uma surpreendente estreia, já que se esperava que a TAG Heuer celebrasse em Baselworld o 50º aniversário do seu emblemático cronógrafo quadrilátero Monaco – que era o nome verdadeiramente novo no trio de cronógrafos apresentado em 1969 com o revolucionário mecanismo Chronomatic de corda automática, a par de novas versões com caixa cushion do Autavia e do Carrera. A versão de 1969, inconfundível pela coroa à esquerda inerente à singular arquitetura do calibre Chronomatic, foi objeto de uma fiel atualização em 2003, constituindo o primeiro projeto de Jack Heuer aquando do seu regresso como presidente honorário da TAG Heuer. Disse então: «O Autavia era originalmente um relógio de bordo que equipou aeronaves e carros de corrida durante décadas. Nos anos 60 retomámos essa designação para batizar um cronógrafo de pulso grande e robusto de corda manual em 1962. Em 2003, relançámos o nome com um mostrador de grande beleza e coroa à esquerda como na versão automática de 1969 – no original, o mecanismo Chronomatic tornava mais fácil ter a coroa no lado oposto ao dos botões e esse facto diferenciava-o dos outros relógios, para além de mostrar às pessoas que era automático».

A evolução do Autavia desde o modelo de 1962, passando pelas versões de 1966 e 1969, até ao modelo de 2018. © TAG Heuer
A evolução do Autavia desde o modelo de bordo estreado na década de 30, passando pelas versões de 1966 e 1969, até ao novo modelo de 2019. © TAG Heuer

Depois das reedições Autavia de 2003 que recuperaram o visual dos Autavia baseados na caixa em C de 1969 com coroa à esquerda devido ao calibre automático Chronomatic, a reedição seguinte do Autavia foi desvelada em 2017 e saiu de uma espécie de torneio virtual em que 16 diferentes cronógrafos Autavia da primeira geração (ou seja, pré-Chronomatic) foram emparelhados de modo a defrontarem-se entre si num mano-a-mano com três rondas de eliminação até à final. Entre modelos de dois contadores e três contadores, na sua esmagadora maioria com combinações ‘Panda’ (contadores pretos em fundo branco) ou ‘reverse Panda’ (contadores brancos em fundo preto), mais de 50 mil votações online estabeleceram a vitória do referência 2446 MK3, conhecido por Autavia ‘Rindt’ por ter sido usado frequentemente pelo malogrado piloto alemão campeão de Fórmula 1 Jochen Rindt.

TAG Heuer Autavia versão de 2003 e modelo de 1969. © TAG Heuer
A reedição de 2003 do Autavia ‘Jo Siffert’ e modelo original de 1969 apresentado em Baselworld com o novo movimento cronográfico automático que seria adotado pelo malogrado piloto suíço. © TAG Heuer
TAG Heuer Autavia de 2017 © TAG Heuer
TAG Heuer Autavia de 2017 © TAG Heuer

É mais ou menos nessa reinterpretação cronográfica de 2017 que se baseia a novíssima coleção Autavia, composta por sete variantes de um relógio que não é cronógrafo – trata-se de um modelo de três ponteiros e data que utiliza elementos de estilo vintage como a forma da caixa de 42mm, o grafismo dos algarismos e o mostrador dégradé mas que integra os mais recentes desenvolvimentos tecnológicos no âmbito do sistema regulador composto pelo binómio balanço + espiral. Trata-se de uma coleção apelativa, composta por cinco versões em aço e duas em bronze, que assume uma posição estratégica no novo catálogo da TAG Heuer graças tanto ao seu visual como posicionamento de preço (no escalão entre os 3000 e os 4000 euros).

TAG Heuer Autavia Isograph de 2018 © Paulo Pires / Espiral do Tempo
Autavia Isograph de 2019: pormenor do mostrador esfumado do cor cinza/antracite e da versão azul © Espiral do Tempo

Os novos modelos Autavia recuperam de uma nova maneira o look dos cronógrafos Autavia de 1962 a 1968. Uma luneta giratória bidirecional com uma escala de 60 minutos em cerâmica preta, cerâmica azul ou aço inoxidável realça o seu visual desportivo/utilitário do relógio, sendo complementada por uma coroa sobredimensionada – que se inspira precisamente nos relógios e cronógrafos de painel de bordo dos pilotos, cujas coroas eram concebidas num tamanho grande para serem manejadas com luvas. O Autavia original também era conhecido por sua excelente legibilidade sob quaisquer condições, pelo que as novas versões de 2019 mantêm essa característica: os indexes da hora e os três ponteiros são revestidos em material luminescente SuperLuminova. E o mostrador esfumado em dégradé da periferia para o centro mais claro está disponível em três cores (preto, cinzento ou azul), fazendo-se acompanhar de uma janela para a data às 6 horas. A hélice e o pneu gravados no fundo da caixa de aço inoxidável ou titânio são uma saudação à forte tradição da coleção.

TAG Heuer Autavia Isograph de 2019 © Paulo Pires / Espiral do Tempo
Excelente qualidade de acabamento bem evidente nos mostradores © Espiral do Tempo
Fundo de caixa do TAG Heuer Autavia Isograph de 2019 © Paulo Pires / Espiral do Tempo
O fundo de caixa do Autavia Isograph evoca a sua herança histórica. © Espiral do Tempo

Relevante é o facto de as braceletes de aço ou as correias de pele serem intercambiáveis. As correias de couro estão disponíveis em tons castanho escuro e castanho claro; há também uma bracelete NATO está incluída nos relógios vendidos com bracelete em aço inoxidável. É fácil trocar de bracelete ou correia graças a um sistema com botões de pressão simples na parte inferior da caixa, tornando desnecessário o uso de qualquer ferramenta. As diversas correias/braceletes NATO, couro ou aço podem são vendidas separadamente, pelo que é possível ao dono dos novos Autavia mudar facilmente o look do seu relógio.

As diversas braceletes disponíveis para o TAG Heuer Autavia Isograph de 2018 © TAG Heuer
As diversas braceletes disponíveis para o TAG Heuer Autavia Isograph de 2019 © TAG Heuer
TAG Heuer Autavia Isograph de 2019 © Paulo Pires / Espiral do Tempo
A versão com bracelete em aço inclui uma bracelete NATO complementar no estojo. © Espiral do Tempo

Tecnologia de ponta

Os novos Autavia são motorizados pelo conhecido Calibre 5 mas com uma certificação de cronómetro decorrente de uma revolucionária tecnologia desenvolvida por Guy Sémon no novo instituto tecnológico do pólo relojoeiro do grupo LVMH. Todos os modelos da nova coleção Autavia contam com a espiral de composto de carbono desvelada pela TAG Heuer no início deste ano e apresentada numa edição especial do seu cronoturbilhão Carrera Heuer 02T que escalpelizamos anteriormente. A combinação do calibre com a espiral de composto de carbono dá a cada modelo da coleção a distinção de um… Isograph. O nome, patenteado pela TAG Heuer, tem origem na palavra grega iso, que significa ‘igual’, e refere-se ao movimento estável e consistente da espiral.

Guy Sémon e os seus esboços em Basileia © Paulo Pires / Espiral do Tempo
Guy Sémon e os seus esboços apresentando a nova espiral em carbono à equipa da Espiral do Tempo. © Espiral do Tempo

Encarada como o coração do relógio mecânico devido à sua relevância no funcionamento geral do relógio, a espiral é a peça mais difícil de produzir. A nova espiral em carbono foi desenvolvida por uma equipa de matemáticos, físicos e cientistas liderada por Guy Sémon e tem por principais benefícios não ser afetada pela gravidade e por choques, sendo completamente antimagnética. As características geométricas da espiral possibilitam perfeitas oscilações concêntricas que aumentam a precisão; o emparelhamento da espiral de composto de carbono com um balanço de liga de alumínio fomenta um comportamento térmico e aeroelasticidade ideais. A TAG Heuer é o fabricante exclusivo dessas novas espirais em nanocarbono, desenvolvidas e produzidas no seu laboratório localizado num dos edifícios do seu quartel-general em La Chaux-de-Fonds.

TAG Heuer Autavia Isograph de 2018 © Paulo Pires / Espiral do Tempo
Pormenores do acabamento de caixa do Autavia Isograph. © Espiral do Tempo

A estreia do bronze

Para além dos cinco novos modelos Autavia em aço, a TAG Heuer também lançou duas versões de caixa em bronze (e fundo em titânio) com mostrador verde ou castanho esfumado e luneta giratória bidirecional em cerâmica preta ou castanha, respectivamente. Duas versões que acentuam o visual neo-rétro da nova coleção – uma coleção Autavia de personalidade completamente distinta mas que remete, em nome e espírito, para os históricos modelos que estabeleceram marcos incontornáveis no universo da TAG Heuer.

TAG Heuer Autavia Isograph de 2018 © Paulo Pires / Espiral do Tempo
Versão de mostrador verde e caixa em bronze do Autavia Isograph. © Espiral do Tempo

Disponível com preços que começam nos 3.150 euros, o novo Autavia Isograph da TAG Heuer está previsto chegar a Portugal em julho de 2019. Deixamos algumas características técnicas, mas visite o site oficial da TAG Heuer para mais informações.

Características Técnicas

TAG Heuer
Autavia Isograph

Referências / Ref: WBE5110.EB0173 (mostrador cinza, bracelete em aço); Ref: WBE5112.EB0173 (mostrador azul, bracelete em aço); Ref: WBE5110.FC8266 (mostrador cinza, correia em calfe); Ref: WBE5112.FC8266 (mostrador azul, bracelete em calfe); Ref: WBE5111.FC8267 (mostrador cinza, luneta em aço, correia em calfe).
Movimento / Mecânico de corda automática Isograph, 38 horas de reserva de corda, 28.800 alt/h (4Hz), acerto rápido da data, stop-seconds.
Funções / Horas, minutos, segundos e data.
Caixa Ø 42 mm / Aço polido e escovado, estanque até 100 metros. Estão disponíveis modelos também em bronze. Fundo em aço com decoração especial ‘Autavia’. Vidro de safira com tratamento antirreflexos dos dois lados.
Luneta /Aço com disco em cerâmica. Está disponível um modelo com luneta em aço.
Mostrador/ Esfumado com indexes banhados a ródio. Disponível em azul, cinzento e verde.
Bracelete / Calfe ou aço, consoante as versões.
Preço/  desde 3.150 euros

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