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A Rolex no Millennium Estoril Open

A ligação da Rolex ao ténis é histórica e, desde 2018, a marca genebrina está também associada ao Millennium Estoril Open — o maior evento tenístico português, cuja sexta edição se concluiu no passado domingo. E viram-se muitos relógios Rolex no Clube de Ténis do Estoril, mesmo que não tenha havido público devido à pandemia.

Uma preciosidade: o Submariner ‘Red Sub’ Ref. 1680 do inicio dos anos 70 | © Miguel Seabra / Espiral do Tempo

Uma das caraterísticas que ajudou a fazer da Rolex uma das marcas mais reputadas e confiáveis do planeta é a sua consistência. A marca genebrina pensa sempre a médio e longo termo, não embarcando em aventuras circunstanciais que se desviem da sua linha de ação — e isso vê-se bem na sua estratégia de comunicação e na escolha de embaixadores, sobretudo no que ao desporto diz respeito. A Rolex é uma das empresas que mais investe no patrocínio desportivo, mas sempre nas suas modalidades de eleição: ténis, golfe, desportos motorizados, vela, hipismo. No caso particular do ténis, é mesmo um dos principais patrocinadores do circuito profissional. E desde 2018 que assumiu o estatuto de ‘Relógio Oficial’ do Millennium Estoril Open.

Uma semana de wristshots; nas imagens: um Daytona contemporâneo e um Submariner vintage sem data de 1982 | © Miguel Seabra / Espiral do Tempo
Court do Millennium Estoril Open 2021
A final do Millennium Estoril Open entre Albert Ramos-Viñolas e Cameron Norrie: sem público mas com muita luta | © Miguel Seabra / Espiral do Tempo

A Rolex é extremamente criteriosa no que diz respeito ao sponsoring. A ligação da marca da coroa ao Millennium Estoril Open é um atestado de qualidade ao torneio português, um de apenas três eventos entre 39 de categoria 250 do ATP Tour a que a Rolex escolheu associar-se: todos os restantes eventos são de categoria superior, incluindo todos os quatro torneios do Grand Slam, todos os nove torneios Masters 1000, as ATP Finals e os WTA Championships de encerramento da época, a Taça Davis e a Fed Cup. Em 2019, a Rolex fez mesmo o pleno no Millennium Estoril Open — juntando ao estatuto de patrocinadora a consagração do seu jovem embaixador Stefanos Tsitsipas, que arrecadou o título de singulares no Clube de Ténis do Estoril.

João Sousa descarrega a sua frustração; o melhor tenista português de todos os tempos sucumbiu na primeira ronda | © Álvaro Isidoro / Millennium Estoril Open
Contrastes de cor: o GMT-Master II em aço e ouro dito ‘Root Beer’ e o Submariner ‘Kermit’ de luneta verde | © Miguel Seabra / Espiral do Tempo

Como se sabe, muitas das provas agendadas entre março e agosto de 2020 foram canceladas devido à pandemia — incluindo o Millennium Estoril Open e até mesmo Wimbledon, o mais prestigiado de todos os eventos tenísticos e o primeiro a ter a chancela da Rolex. Este ano, o maior torneio de ténis português voltou a realizar-se na sua data habitual no calendário do ATP Tour (entre o final de abril e o início de maio), mas mediante condições muito peculiares devido às exigências das autoridades portuguesas e da própria entidade que rege os destinos do circuito profissional masculino.

Um ícone: o Explorer I, na sua primeira versão de 39mm que este ano foi substituída pelo regresso ao formato original de 36mm | © Miguel Seabra / Espiral do Tempo

O ATP Tour, devido à natureza intercontinental do seu calendário e ao facto de os jogadores serem oriundos de dúzias de países diferentes, tem-se revelado especialmente cauteloso na supervisão dos torneios sob a sua égide e o Millennium Estoril Open não foi exceção — sendo criada uma bolha sanitária em que os tenistas e os seus acompanhantes evoluíram, permanecendo exclusivamente entre o Hotel Cascais Miragem e o Clube de Ténis do Estoril. Não houve permissão para a presença de público ou de jornalistas, mas viram-se muitos e bons relógios. Especialmente modelos Rolex, pertencentes à cúpula organizativa; o próprio diretor do evento, João Zilhão, usa um GMT-Master II ‘Pepsi’ com bracelete Jubilee.

Dois GMTs de personalidade distinta: o GMT-Master II ‘Batman’ de inspiração aeronáutica e o Explorer II dedicado aos exploradores (com bracelete RubberB) | © Miguel Seabra / Espiral do Tempo

A ligação da Rolex ao ténis é sobejamente conhecida, começando pela tradicional associação a Wimbledon. Iniciada em 1978, a parceria entre a marca genebrina e o torneio londrino é clássica e perfeita; até o verde como cor corporativa é semelhante, para não falar das profundas referências britânicas na história da Rolex e da própria admiração que o fundador Hans Wilsdorf tinha pela Inglaterra. A presença do logótipo da coroa no scoreboard do lendário Centre Court tornou-se ainda mais notada pelas míticas finais jogadas nos primeiros anos da associação (sobretudo as duas finais entre Bjorn Borg e John McEnroe, em 1980 e 1981) e pela ausência de outros patrocinadores nos fundos dos courts. Quando Mark McCormack, empresário de Arnold Palmer (o golfista que foi o primeiro embaixador desportivo da Rolex), convidou Patrick Heiniger para ver um encontro de ténis em Wimbledon no ano de 1977, o então patrão da Rolex exclamou: “This is Rolex!”. E foi assim que começou um dos mais longevos acordos na história do patrocínio desportivo.

Um Sky-Dweller em aço e luneta canelada em ouro branco com mostrador azul © Miguel Seabra / Espiral do Tempo

A partir de Wimbledon, as raízes da Rolex passaram a estar cada vez mais entranhadas no ténis profissional — com o patrocínio de vários campeões e de um elevado número de torneios, expansão que não é alheia ao facto de Arnaud Boetsch ser um dos principais diretores da marca e de saber tudo sobre a modalidade e os seus intérpretes. Não admira: trata-se de um antigo número 12 do ranking mundial na década de 90 e o herói que deu à França o ponto decisivo na primeira final da Taça Davis decidida no quinto set do quinto encontro (contra a anfitriã Suécia, em 1996). Arnaud Boetsch estava radicado em Genebra e organizava eventos após a sua retirada dos courts quando foi convidado para se juntar à Rolex em 2003; hoje em dia é o responsável da área de sponsoring.

Um dos quatro portugueses em ação no qualifying: Frederico Silva num vólei acrobático à rede | © Fernando Correia | Millennium Estoril Open
Ritual da passagem dos courts de terra batida como cena de fundo para um Datejust associado a courts de relva: o mostrador é oficialmente apelidado ‘Wimbledon’ | © Miguel Seabra / Espiral do Tempo

Atualmente, a Rolex apresenta-se com o estatuto de ‘Relógio Oficial’ de todas as principais competições de ténis do planeta. A marca genebrina está umbilicalmente ligada à modalidade através do patrocínio aos maiores eventos da Federação Internacional de Ténis (Taça Davis, Fed Cup e os quatro torneios do Grand Slam), do ATP Tour (ATP Finals e vários torneios de destaque, incluindo todos os Masters 1000 e o Millennium Estoril Open), do circuito WTA (WTA Championships e vários grandes torneios de nomeada) e ainda da Laver Cup. Um domínio que é complementado com um rol estratosférico de embaixadores: para além de velhas glórias como Rod Laver, Bjorn Borg e Chris Evert, de campeões contemporâneos como Roger Federer, Dominic Thiem, Garbiñe Muguruza e Angelique Kerber, ou de valores seguros como Dominic Thiem e Grigor Dimitrov, aposta também numa nova geração de jovens campeões que tem Stefanos Tsitsipas, Jannik Sinner, Iga Swiatek e Coco Gauff na primeira linha. Entre vários outros tenistas de nomeada.

Nuno Borges foi o melhor português, ultrapassando o qualifying e sendo apenas travado na segunda ronda pelo ex-nº3 mundial Marin Cilic | © Fernando Correia / Millennium Estoril Open

Stefanos Tsitsipas não regressou a Portugal para defender o título de 2019 no Millennium Estoril Open. Ainda pensou em jogar no Clube de Ténis do Estoril, mas nas duas semanas anteriores ganhou o Masters 1000 de Monte-Carlo (que tem precisamente a Rolex como title sponsor) e foi finalista em Barcelona; resolveu descansar uma semana antes da participação nos Masters 1000 de Madrid e Roma. O torneio português teve vários tenistas de nomeada inscritos, mas a decisão do título acabou por ser jogada entre dois nomes menos conhecidos — o espanhol Albert Ramos-Viñolas e o britânico Cameron Norrie protagonizaram mesmo a mais equilibrada final de sempre em 30 anos de eventos do ATP Tour jogados em Portugal: o título só caiu para o lado do jogador catalão ao cabo de quase três horas de jogo e somente no tie-break da terceira partida, pelos parciais 4-6, 6-3, 7-6.

A final no Clube de Ténis do Estoril e um Sea-Dweller | © Miguel Seabra / Espiral do Tempo
A consagração de Albert Ramos-Viñolas | © Álvaro Isidoro / Millennium Estoril Open

Tudo aponta para que, em 2022, o Millennium Estoril Open volte a realizar-se no seu formato habitual — e que a Rolex volte a ter presença de destaque na zona VIP e no Sponsors Lounge.

Estádio Millennium em 2019: para o ano espera-se o regresso das lotações esgotadas | © Pau Storch / Millennium Estoril Open

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