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Mostradores vermelhos: tempo de sangria

À medida que o verão avança e o consumo de sangria vai aumentando, reforça-se a tendência atual dos mostradores de tonalidade encarnada – num espectro cromático que vai do vermelho vivo ao vermelho tinto, passando pelo vermelho sangue com nuances dégradé. Aqui fica uma seleção de novidades deste ano que optam pela imprevisibilidade desta cor.

Os italianos gostam de usar um termo específico para definir algo que chama a atenção, que é positivo, que tem garra, que mexe com as emoções, que chama a atenção. Esse termo é… ‘sanguinolento’. Um adjetivo que significa ‘tinto’, ‘coberto de sangue’ ou ‘ensanguentado’, sendo que no sentido figurado é mais duro: ‘sanguinário’, ‘sangrento’, ‘bárbaro’, ‘cruel’, ‘desumano’. Claro que, aplicadas a um relógio, essas definições mais impiedosas não têm razão de ser – mas não há dúvida de que um mostrador vermelho apresenta alguma ferocidade no sentido estético. Ou, pelo menos, imprevisibilidade, já que não são muitos os relógios que optam por essa cor supostamente mais agressiva que é simultaneamente a cor do proibido.

O vermelho está muito associado ao universo do desporto motorizado e não é só por ser a cor da lendária escuderia Ferrari. É uma cor que representa velocidade. Que representa calor. Que representa o extremo. Jack Heuer soube usar bem o encarnado em alguns dos seus famosos cronógrafos dos anos 70 – considerada a década de ouro no automobilismo, com as corridas de Formula 1 a saltarem rapidamente para a lenda. O Easy Rider ‘Jacky Ickx’ e o Silverstone foram os mais relevantes. Depois dos psicadélicos anos 70/inícios de 80 veio o dourado e depois a partir do novo milénio uma toada mais monocromática assente no preto até regressarem em força os mostradores coloridos na presente década. Primeiro com o azul, depois com o verde e agora com o salmão – e, sobretudo, o vermelho nas suas diversas variantes.

O vermelho não é uma cor fácil. Sobretudo o vermelho vivo, sendo o vermelho escuro mais consensual. Sempre foi uma cor usada nas variantes desportivas, embora sobretudo em nuances nos ponteiros e detalhes em mostradores de base normalmente preta – não em mostradores completamente encarnados. Quando o Silverstone foi reeditado pela TAG Heuer no final de 2009, a reintrodução foi feita apenas em duas das suas três versões originais: a azul e a castanha – a variante encarnada, considerada menos comercial, teve direito a somente um exemplar único. Mas criado para uma causa nobre: com a assinatura de Jack Heuer no mostrador, foi leiloado para fins de beneficência no âmbito da subasta da Coleção Haslinger em Dezembro de 2010.

O excesso de versões de mostrador azul ao longo da presente década e a aparição do verde nos últimos anos levou a uma pergunta lógica: e o vermelho? Até porque, seguindo a tendência neo-retro tão vincada de há dez anos para cá, o vermelho-sangue ou vermelho escuro são cores muito vintage que ficariam especialmente bem em modelos de inspiração ‘antiga’. Pessoalmente, sempre houve uma cor que me fascinou e que sempre associei à camisola dos Magriços – a lendária seleção portuguesa que chegou ao terceiro lugar no Campeonato do Mundo de 1966.  Apesar desse Mundial de 1966 ter acontecido antes mesmo de eu nascer, foi uma seleção que marcou o imaginário nacional durante muito tempo e a mítica imagem de Eusébio a chorar após a derrota nas meias-finais com a Inglaterra sempre conjurou aquela ideia de ‘sangue, suor e lágrimas’ – até porque a camisola era cor de sangue. Sempre quis ver essa cor num mostrador.

Na presente década, o cheirinho encarnado começou precisamente com o tal Silverstone de edição única em 2010. Depois houve o Black Bay com luneta vermelho-escura da Tudor em 2012. A Jaeger-LeCoultre também experimentou o vermelho vivo no seu Reverso 1931 Rouge. A March LA.B estreou-se na relojoaria em 2013 com o AM2 retangular em cor de vinho. A Richard Mille espantava com o lançamento do RM 35-02 ‘Rafael Nadal’ com caixa vermelha em quartzo NTPT. E quando a Oris lançou o Divers Sixty-Five Green em 2016, abriu caminho para o Divers Sixty-Five ‘Red Bar Group’ em bordeaux um ano depois. Entretanto, a H. Moser, conhecida pelos seus mostradores fumados, já experimentava diversos tipos de vermelho. E a Hublot ia experimentando a cor nos seus modelos associados à Ferrari. Em 2018, a Maurice de Mauriac lançou uma versão do L2 Diver com mostrador dégradé vermelho-sangue inspirado precisamente na tal camisola de Eusébio no Mundial de 1966 (e no álbum Under a Red Blood Sky, dos U2). A Gronefeld lançou uma versão com um belo mostrador vermelho ao centro com guilloché. A Leica incluiu o encarnado na sua primeira incursão no universo da relojoaria.

E este ano, no 45º aniversário da nossa ‘Revolução dos Cravos’, o vermelho explodiu ainda mais: a Jaeger-LeCoultre apresentou um Reverso com mostrador bordeaux (ou lie de vin) e correia da Casa Fagliano condizente, a Oris lançou o Big Crown Pointer Date Red, a Chopard apresentou o cronógrafo Mille Miglia ‘Zagato’ com sensacionais nuances em Z no mostrador, a Seiko estreou o Presage e o Seiko 5 ‘Turtle’ Red Dial, a Graham usou o burgundy no relançamento do Swordfish, a Émile Chouret apresentou um Challenger Deep com mostrador dégradé, a March L.AB também recuperou o encarnado vintage dos seus primórdios e a H. Moser & Cie lançou uma versão vermelha do seu modelo turbilhão com repetição minutos sem ponteiros. Obviamente, o recente Monaco ‘1979-1989 Limited Edition’ da TAG Heuer, representativo da década encarnada de 80, chamou ainda mais as atenções para tão fogosa tonalidade.

E aqui deixamos uma galeria com novidades deste ano que mostram ao mundo que o vermelho é mesmo uma cor tendência que vale a pena ter no pulso.

Clique na imagem para ver a galeria:

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