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48 horas com o Geophysic® Universal Time

EdT54 — Se a arte lhe está no sangue, os relógios estão-lhe no pulso. E porque sabemos disso, convidámos Rui Brito, da Galeria 111, para, durante 48 horas, testar um relógio de pulso que fosse do seu interesse. Na nossa perspetiva, faz cada vez mais sentido darmos voz a quem vibra com o mundo da relojoaria, a quem descobre nos instrumentos do tempo verdadeiros companheiros de vida, a quem coleciona relógios e tem histórias sobre eles para contar, a quem gosta de partilhar o apreço pela excecionalidade que é a micro-mecânica. A escolha para este test-drive recaiu sobre o novo Geophysic® Universal Time da Jaeger-LeCoultre. O testemunho é complementado por uma breve entrevista que nos revela a faceta de apaixonado pelo mundo da alta-relojoaria do galerista convidado.

Originalmente publicado na versão impresa do número 54 da Espiral do Tempo.

© Jaeger-LeCoultre
© Jaeger-LeCoultre

Por Rui Brito

Quando me propuseram experimentar o novo Geophysic® Universal Time da Jaeger-LeCoultre, fiquei muito entusiasmado. Viajo com frequência e, por isso, sempre apreciei relógios que permitem ver múltiplos fusos horários. O primeiro relógio que adquiri com essas caraterísticas foi o Master Geographic da mesma marca. Eu devia ter cerca de 20 anos. Desde essa altura, fiquei adepto da Grande Maison e sempre a segui com bastante interesse. Tecnicamente, considero que tem a manufatura mais inovadora. Prova disso é a minha mais recente aquisição, o Master Compressor Extreme LAB 2, que é um tributo ao cronómetro Geophysic® de 1958. Na minha perspetiva, surge como um relógio de tal forma marcante e pioneiro que é raro não tê-lo no meu pulso.

Test-drive Geophysic® Universal Time,
© Espiral do Tempo / Paulo Pires

Curiosamente, os dois modelos que me foram apresentados pela equipa da Espiral do Tempo estão intimamente relacionados com o Extreme LAB 2. Afinal, foram lançados no seguimento do Tribute to Geophysic®, uma reedição do Geophysic® original, enquanto relógios que vieram tornar-se membros regulares da agora coleção Geophysic®. O Geophysic® True Second é um modelo clássico de três ponteiros e data; o Geophysic® Universal Time apresenta a função worldtimer. Como já referi, optei por passar as 48 horas com este último, na versão com caixa em aço.

Geophysic® Universal Time
© Espiral do Tempo / Paulo Pires


Jaeger-LeCoultre Geophysic® Universal Time

A primeira coisa que me agradou no novo Geophysic® Universal Time foi o seu impacto estético. A cor azul e  prateada do mostrador são de grande requinte e beleza, e a caixa está muito bem executada, com dois tipos de polimento que reforçam a sua contemporaneidade. A dimensão da caixa (41,5 mm) é para mim perfeita, a adequada para este tipo de relógio e para o meu pulso, revelando-se particularmente confortável. Os acabamentos são, à boa maneira da marca, irrepreensíveis. Já o mostrador, apesar das inúmeras informações que apresenta, permite uma leitura perfeita dos diversos fusos horários. Continuo a achar o fecho de báscula da Jaeger-LeCoultre o mais eficiente do mercado.

Test-drive Geophysic® Universal Time,
© Espiral do Tempo / Paulo Pires


True seconds

A minha maior curiosidade em relação aos novos modelos Geophysic® estava, sem dúvida, relacionada com o mecanismo. Toda a vida cresci a ouvir dizer que um dos elementos que diferencia os relógios mecânicos dos de quartzo é o ponteiro dos segundos. Nos mecânicos, o ponteiro é contínuo; nos de quartzo, o ponteiro dá um salto repentino a cada segundo. Este novo modelo da Jaeger-LeCoultre vem contrariar essa teoria. Graças à complicação true seconds, num primeiro contacto com o relógio, há uma sensação estranha. Fica então a dúvida: será mesmo um relógio mecânico? Rapidamente, as dúvidas são dissipadas pelo fundo em vidro de safira que nos permite ver o novo Calibre 772 de manufatura, bem como os elementos fundamentais, como o Gyrolab®, um balanço inovador com formato de âncora recuperado das experiências levadas a cabo no desenvolvimento do concept Master Compressor Extreme LAB 1 (que mais tarde deu origem ao Extreme LAB 2). Para um amante de relojoaria, é sempre fascinante contemplar a máquina a funcionar. Depois, a unir à experiência visual, surge a experiência auditiva: não deixa de ser curioso, quando colocamos o relógio junto do ouvido, depararmo-nos com ‘dois tipos de batimento’. Ao princípio, parece estranho para um relógio mecânico; mas faz todo o sentido.

Test-drive Geophysic® Universal Time
© Espiral do Tempo / Paulo Pires


Universal Time

Sempre preferi relógios com função GMT a relógios com horas mundiais. Incomoda-me o facto de estes últimos, de um modo geral, ficarem desalinhados durante o horário de verão. No Geophysic® Universal Time da Jaeger-LeCoultre isso não acontece: um asterisco junto do nome de cada cidade que adota o horário de verão dá-nos essa indicação de forma eficaz.

Test-drive Geophysic® Universal Time
© Espiral do Tempo / Paulo Pires

A facilidade de acerto dos fusos horários é outra mais-valia, porque basta acertar o ponteiro da hora. No perímetro do mostrador, encontra-se um disco fixo com as 24 cidades equivalentes aos 24 fusos horários; o planisfério é também um elemento fixo. O único elemento móvel do mostrador é o disco bicolor que se encontra entre o disco das cidades e o planisfério, disco este com uma escala de 24 horas, e distinção do dia e da noite. Para acertar o fuso horário, basta utilizar a coroa para ajustar a hora ao fuso horário desejado, e o disco de 24 horas move-se de imediato fazendo o ajuste em relação às restantes cidades. Além disto, o relógio permite acertar o ponteiro das horas de forma independente, sem qualquer interferência nos segundos e, consequentemente, na precisão do relógio.

Não estive tempo suficiente com o relógio para chegar a um veredito sobre a sua efetiva precisão, mas, no meu pulso, adiantou cerca de seis a oito segundos por dia. O meu pulso tem uma tendência natural para fazer adiantar dois a três segundos qualquer relógio. Além disso, o relógio estava parado num cofre e estes relógios demoram cerca de uma semana a funcionar a 100%. Julgo que, por isso, teve algumas naturais oscilações na precisão, mas acho que com mais uma semana no meu pulso atingiria os padrões normais de precisão.

Test-drive Geophysic® Universal Time
© Espiral do Tempo / Paulo Pires


O veredito

Perguntaram-me em entrevista se alguém tinha reparado no relógio. A minha resposta é simples: mesmo que nem todos tenham notado, eu fiz questão de que reparassem. E posso afirmar que foi consensual, quanto à estética, que é um relógio bonito. Outro dos aspetos que vai ao encontro do que me fascina é o facto de a complicação true seconds permitir ao ponteiro dos segundos estar alinhado quer com o índex, quer com o ponteiro dos minutos, ou das horas, quando se cruzam, e nisso o Geophysic® Universal Time revelou-se impecável. Para mim, estas pequenas afinações são importantes, não só a precisão.

Por fim, considero que um relógio com ‘horas mundiais’ pode ser usado no país onde se vive, porque, se for necessário contactar com pessoas que se encontram noutros fusos horários, como me acontece muitas vezes, o relógio dá imenso jeito. Confesso que, em viagem, não gosto de usar braceletes em pele, porque uma pessoa pode transpirar e nesse caso prefiro relógios mais versáteis. Mas, apesar desse aspeto, considero-o muito distinto… Seria certamente um relógio que consideraria adquirir, se não estivesse tão apaixonado pelo Extreme LAB 2, mas adorei a oportunidade. ET_simb

Geophysic® Universal Time
© Espiral do Tempo / Paulo Pires


Características técnicas
Jaeger-LeCoultre
Geophysic® Universal Time

Referência/ Q8108420
Movimento/ Mecânico de corda automática. Calibre JLC 772, balanço Gyrolab®, 40h de reserva de corda, 28.800 alt/h, 36 rubis, 274 peças, 7,13 mm de altura.
Funções/ Horas, minutos, segundos verdadeiros, indicação dos 24 fusos horários.
Caixa Ø 41,6 mm/ Aço, vidro e fundo em vidro de safira, estanque até 50 m.
Bracelete/ Pele de aligátor com fecho de báscula em aço.
Preço/ € 14.800


Galeria de imagens

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