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Watches and Wonders 2022: as minhas escolhas do primeiro dia

Obviamente, houve uma explosão de novos relógios nas redes sociais no dia de estreia da Watches and Wonders — mas nós na Espiral do Tempo seguimos uma agenda de apresentações pré-estabelecida. Aqui fica uma seleção tendo em conta as apresentações programadas para a tarde do dia inaugural.

No primeiro banho da Palexpo, três escolhas pessoais e uma inevitável nota de destaque.

1. Richard Lange Minute Repeater

Sempre ao seu ritmo, a A. Lange & Söhne não apresentou muitas novidades — optou por três lançamentos de modelos muito diferentes. E se houve quem preferisse o novo Odysseus em titânio de original tonalidade azul no mostrador ou a mais recente variante do icónico Lange 1, um Grand Lange 1 em ouro rosa de perfil mais adelgaçado e nova textura de mostrador, a minha escolha foi para o relógio que é simultaneamente mais complicado e aparentemente mais sóbrio: o Richard Lange Minute Repeater. O mostrador é de uma simplicidade absoluta e de um classicismo notável, confecionado em três camadas de esmalte e com a impressão incrivelmente precisa dos algarismos romanos.

A. Lange & Söhne Richard Lange Minute Repeater no pulso
A. Lange & Söhne Richard Lange Minute Repeater | © Miguel Seabra / Espiral do Tempo

Aparentemente, trata-se de um relógio ‘simples’ com horas, minutos e pequenos segundos. Mas a pequena alavanca lateral indica toda a complexidade que lhe é inerente: trata-se de um repetidor de minutos capaz de anunciar acusticamente o tempo. O Richard Lange Minute Repeater, que marca o regresso da manufatura saxónica às complicações acústicas, está limitado a uma edição de 50 exemplares em platina e, para além de toda a sofisticação técnica que oferece um funcionamento melhorado (eliminação da pausa entre o batimento das horas e dos minutos, sistemas de proteção do mecanismo), é o perfeito exemplo da excelência da casa germânica: o novo Calibre L122.1 revela à primeira vista todas as caraterísticas estéticas da escola de Glashütte.

2. Grand Seiko SBGW258

A Grand Seiko anunciou com pompa e circunstância o Kodo Constant Force Tourbillon — o seu modelo mais complicado até à data, associando um turbilhão a um mecanismo de força constante num relógio de visual esqueletizado (pouco japonês!) que apresenta um extenso conjunto de melhoramentos técnicos. Mas a minha escolha, estando entre as novidades mostradas à imprensa, não é propriamente um modelo novo… apenas uma nova versão de mostrador com indexes em vez de algarismos de um relógio já conhecido.

Grand Seiko SBGW258 na mão
Grand Seiko SBGW258 | © Miguel Seabra / Espiral do Tempo

Acompanhando a decisão de dotar a linha Grand Seiko de uma autonomia que quase a torna numa marca separada, a Seiko reeditou em 2017 um seu icónico modelo de 1960 – o Grand Seiko inaugural, concebido para ser o mais preciso relógio de sempre da companhia e por isso batizado dessa maneira ‘grandiosa’. As linhas clássicas e o vidro de safira convexo não só remetem para o perfil do original como reforçam o espírito revivalista, juntamente com a curvatura do mostrador. Com um diâmetro de 38 milímetros, alberga o calibre 9S64 de corda manual com 72 horas de reserva de marcha. Disponível em aço (1960 exemplares), ouro (353) e platina (136) com a gravura do leão Grand Seiko em 18kt no verso.

3. Hublot Big Bang Integral Ceramic Sky Blue

Pode não ser tão a gosto dos tradicionalistas, mas a Hublot nunca se importou trilhar um caminho muito próprio e de contar com ardentes aficionados do seu estilo. E o novo Hublot Big Bang Integral Ceramic é um relógio extraordinário por si mesmo, não só tendo em conta o excelente calibre cronográfico mas também pela mestria que exibe no domínio da cerâmica. A nova leva de modelos é declinada em quatro cores (Blue Indigo, o meu preferido Sky Blue que me fez recordar as férias de verão, um Sand Bege também apelativo, o Jungle Green) e leva ainda mais longe essa mestria na confecção da cerâmica graças a uma dureza e uma resistência aos riscos ainda maior, mantendo a tão caraterística leveza. A cerâmica tem sido um trunfo incontornável para a Hublot e redobrou de importância com a aplicação de cores vibrantes mediante um processo patenteado desenvolvido in-house.

Hublot Big Bang Integral Ceramic no pulso
Hublot Big Bang Integral Ceramic Sky Blue | © Miguel Seabra / Espiral do Tempo

Foram necessários quatro anos de aperfeiçoamento para encontrar o equilíbrio perfeito entre temperatura e pressão, permitindo que a cerâmica seja sinterizada sem queimar os pigmentos. A Hublot não só logrou manter as propriedades e a colorimetria dos pigmentos, como também aumentou a resistência ao desgaste de uma cerâmica que por si já é mais dura (1350 HV) do que as cerâmicas tradicionais (1200 HV). Depois do preto e do branco inaugurais, a paleta de cores está cada vez mais alargada.

Nota de destaque: Oris

A Oris pode ser considerada uma marca do mais suíço que existe. Mas, ao contrário da neutralidade lendária e do típico conservadorismo que normalmente se associa à Confederação Helvética, é uma companhia relojoeira que ousa arriscar — e essa audácia pode bem ver-se nas cores arrojadas que se encontram na sua coleção. As novidades desveladas oficialmente no Watches and Wonders, nomeadamente os novos modelos modernistas ProPilot X Calibre 400, mostram essa faceta de maneira bem vincada e merecem uma especial nota de destaque que não podia deixar de ser mencionada!

Dois dos modelos Oris ProPilot X Calibre 400
Dois dos modelos Oris ProPilot X Calibre 400 | © Miguel Seabra / Espiral do Tempo

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