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Jack Heuer, o precursor

Na sequência da celebração do 160º aniversário da TAG Heuer em 2020, e no ano em que a Espiral do Tempo celebra 20 anos, recordamos a nossa primeira entrevista a Jack Heuer, bisneto do fundador da TAG Heuer, aquando de uma das suas visitas a Portugal. A entrevista foi publicada no número 10 da nossa edição impressa. Estávamos em 2003. Após esta primeira entrevista, acabámos por estar muitas outras vezes com Jack Heuer. Mas hoje recordamos apenas o seu primeiro testemunho que foi publicado nas nossas páginas.

Jack Heuer em Portugal.
A entrevista a Jack Heuer foi publicada no número 10 da Espiral do Tempo. | © Kenton Thatcher/ Espiral do Tempo

Bisneto do fundador, Jack Heuer assumiu um papel fundamental no processo que transformou a TAG Heuer numa das marcas de maior reconhecimento em todo o mundo e no líder do mercado de relógios desportivos de prestígio. Foi precursor de novas tecnologias e novos métodos de comunicação no sector, influindo decisivamente na história da relojoaria. Eis as memórias de um grande Senhor.

Por Miguel Seabra

Aos 71 anos, mantém uma forma física e uma sagacidade mental invejáveis. Jack Heuer é o presidente honorário da marca fundada pelo seu bisavô em 1860 e o único descendente da família a estar implicado na marca e no desenvolvimento e novos produtos. O seu passado relojoeiro está pejado de feitos inéditos – desde a introdução do quartzo à concepção do primeiro mecanismo cronográfico automático, passando por sistemas de cronometragem desportiva e inovadores esquemas de patrocínio. Jack Heuer tem um saber enciclopédico sobre o universo relojoeiro, uma vez que acompanhou todas as fases decisivas na história dos relógios de pulso. Numa visita a Portugal, travou conhecimento com a coleção de carros antigos de João Carlos Torres na Quinta Patiño e recordou – com o sorriso que é a marca registada da sua personalidade – as etapas épicas que ajudaram a TAG Heuer a tornar-se numa incontornável referência da relojoaria.

Quais são as suas primeiras recordações no seio de uma família intimamente ligada ao mundo da relojoaria desde 1860?
As minhas primeiras recordações prendem-se mais com a Segunda Guerra Mundial. Foi nessa altura que comecei a ir para a escola e lembro-me bem do meu pai em uniforme; recordo-me mais disso porque o negócio dos relógios estava compreensivelmente lento em época de guerra. Mas também relembro uma publicidade famosa que fizemos na altura: os cronógrafos estavam na moda na Suíça durante a guerra – nós tornámo-los famosos – e tínhamos uma publicidade em que se viam vários oficiais a acertarem os seus relógios. Essa é a minha primeira recordação do mundo da relojoaria. Depois, à medida que crescia, fui-me apercebendo mais das coisas e recordo-me bem do meu pai receber constantemente a visita de clientes em nossa casa.

Jack Heuer com Nikki Lauda
Jack Heuer com Nikki Lauda | Foto: arquivo TAG Heuer

Foi preparado desde pequeno para suceder aos seus antecessores na liderança da companhia?
Tirei o curso de engenharia eletrónica em Zurique e hesitei muito. Sabia que não queria tornar-me médico ou advogado – e decidi optar por engenharia eletrónica porque era um ramo novo e já então estava convicto de que esse seria um caminho a seguir na relojoaria. Quando acabei o curso, não quis ir imediatamente para o ramo da relojoaria – queria ser consultor de gestão e tive uma oferta para ir para Boston. Mas o meu pai pediu-me para trabalhar na empresa por um ano e eu fui. Reorganizei a parte da produção, logística e finanças, visitei alguns clientes e representantes noutros países; subitamente, em 1958, as estatísticas da indústria relojoeira suíça começaram a mostrar mais detalhadamente os números de cada área, e vimos que o grande mercado para os cronógrafos era a América. Vendeu-se uma propriedade da família e mandaram-me para os Estados Unidos com um livro de cheques na mão e a missão de abrir uma sucursal em Nova Iorque. Aos 28 anos, essa acabou por ser a experiência mais enriquecedora da minha vida. Estive lá quatro anos, cheguei a vender os meus relógios ao balcão na maior loja de artigos desportivos do mundo (a Abercrombie & Fitch, que desde 1950 comercializava relógios inventados pelo meu pai). Aos fins-de-semana era instrutor de esqui e aprendi muito… quando voltei, tinha tomado conhecimento de todos os truques de marketing – desde as relações públicas ao posicionamento da marca, passando pela publicidade e pelas atividades promocionais. Na altura, essas práticas eram praticamente desconhecidas na Europa. Voltei cheio de ideias e entrámos num período de dez anos excelentes.

Jack Heuer com Jo Siffert.
Jack Heuer com Jo Siffert. | Foto: arquivo TAG Heuer

E como se deu a passagem de testemunho até começar a gerir sozinho os destinos da marca e a torná-la ainda maior?
Em 1961, o meu pai deu-me as ações dele e pedi dinheiro emprestado para comprar as do meu tio. Na altura, tínhamos a concorrência da Leonidas – que era então uma prestigiada marca especializada em cronógrafos e muito forte na América… Falei com eles, comprámos a parte deles em 1963 e passámos a designar-nos Heuer-Leonidas, embora depois se mantivesse apenas o nome Heuer. Controlei a empresa de 1962 a 1982. Durante esse período e até à aquisição por parte da Piaget, a companhia passou de 40 pessoas para 300.

Esse período final coincidiu com a revolução do quartzo oriental que quase fazia desaparecer a indústria relojoeira suíça. Mas, sob a sua batuta, a Heuer até foi pioneira no uso da nova tecnologia!
Sim, devido à minha formação académica sempre me senti impelido a seguir as novas tecnologias. Fui uma espécie de pioneiro: fui eu que criei o primeiro cronógrafo digital do mundo. Primeiro com mostrador LED, depois em LCD, depois o primeiro LED / LCD, o primeiro LCD / LCD e também o primeiro relógio com combinação analógica / digital do mundo – o Chronosplit Manhattan, em 1975. Estávamos no início da era dos semicondutores, dos chips e as coisas mudavam muito depressa. Vendemos o primeiro cronógrafo digital Microsplit a 1500 francos suíços – cinco anos mais tarde, estávamos a vendê-lo por 99 francos. Tornou-se muito difícil fazer dinheiro… eu estava demasiado avançado, demasiado cedo!

Jack Heuer com Enzo Ferrari.
Jack Heuer com Enzo Ferrari. | Foto: arquivo TAG Heuer

Ao mesmo tempo, estava também a protagonizar essa grande aventura que foi a concepção do primeiro cronógrafo automático.
Os anos da Segunda Guerra Mundial foram os anos de glória do cronógrafo. Logo após a guerra, as décadas de 50 e 60 foram as décadas em que o relógio automático tomou conta do mercado. As pessoas já não queriam dar corda manualmente aos relógios. As vendas dos cronógrafos de corda manual estavam a baixar drasticamente. E como nós basicamente estávamos vocacionados para os cronógrafos, tornou-se uma questão de sobrevivência desenvolver um cronógrafo automático. Fui até ao nosso principal concorrente, a Breitling, e juntámo-nos à Büren no projeto de conceber um mecanismo cronográfico automático – juntos investimos nesse projeto meio milhão de francos suíços, uma enorme soma para a altura. Era um projeto secreto e não sabíamos que a Zenith também estava embrenhada num projeto semelhante, tal como eles não sabiam que estávamos a fazer o mesmo. Nós estávamos um pouco à frente, mas não muito – uns três ou quatro meses. Programámos fazer a apresentação simultânea na Feira de Basileia e no edifício da Pan Am em Nova Iorque. Tínhamos testado os protótipos durante algum tempo e tínhamos uma centena de mecanismos distribuídos por vários modelos em Basileia… enquanto a Zenith tinha apenas um ou dois protótipos. Eles fizeram um comunicado de imprensa a dizer que foram os primeiros e chamaram ao novo mecanismo cronográfico El Primero; não entrámos em disputa em relação a quem foi realmente o primeiro – e cada parte diz que foi a primeira. Essa foi provavelmente a minha maior contribuição para a indústria relojoeira suíça: o mecanismo cronográfico automático Chronomatic, com um microrrotor, apelidado de Calibre 11. O irónico da situação é que atualmente temos alguns relógios TAG Heuer com o Calibre 36, que é o mecanismo baseado no El Primero da Zenith. Agora há milhares de cronográfos automáticos que se vendem por ano, principalmente baseados em calibres Valjoux ou modulares. Mas na altura não havia absolutamente nada! O cronógrafo automático foi a minha maior contribuição para a indústria relojoeira, para além de ter permitido a divulgação da marca e de também ter estado na base da sua associação ao mundo automóvel.

Jack Heuer em Portugal
Jack Heuer em Portugal. Estávamos em 2003. | © Espiral do Tempo / Kenton Thatcher

A associação ao mundo dos automóveis é precisamente uma etapa decisiva no historial da marca. Como é que se estabeleceu essa relação que rapidamente se tornou íntima?
Tudo começou com os ralis. Nos Estados Unidos não era permitido fazer corridas, mas havia corridas de precisão em que era preciso estar a determinada hora em determinado local – era um passatempo de fim-de-semana para as pessoas chiques. E eu participava com os meus instrumentos de bordo. O Clube Desportivo Automóvel organizava as corridas de Sebring, na Florida – uma corrida de 24 horas, como Le Mans. Tornámo-nos nos cronometristas oficiais, e logo depois comecei a cronometrar outras provas e a conhecer muita gente, como os irmãos Rodriguez – que me falaram da Carrera Panamericana e me deram a ideia de batizar um novo cronógrafo. Mais tarde, quando estava à procura de uma maneira de publicitar o novo cronógrafo automático, havia um piloto suíço – o Jo Siffert – com quem falámos e fizemos um acordo em que ele usaria um logótipo no fato de corrida e o relógio no pulso. Foi assim que entrámos na Fórmula Um, em 1969, numa altura em que não havia patrocinadores fora do mundo automóvel: fomos os primeiros! O Jo Siffert apresentou-me ao Clay Regazzoni, o Clay Regazzoni apresentou-me à Ferrari e entrámos definitivamente na Fórmula Um. Foi muito importante, porque o facto de estarmos com a Ferrari e de eles porem o nosso logótipo nos carros tornou-nos conhecidos em todo o mundo – no Brasil, na Austrália, no Japão. Depois, fizemos uns pequenos relógios de mesa em forma de capacete e cada piloto recebia um franco por cada exemplar vendido – tínhamos cerca de dez diferentes, desde o capacete do Jacky Ickx ao do Nikki Lauda, passando pelo Carlos Reuteman, Mario Andretti e Clay Regazzoni. Até nos livros do Michel Vaillant se viam os logótipos da Heuer. Vendíamos uma enorme quantidade de autocolantes porque as pessoas gostavam do nosso logo e tínhamos uma publicidade incrível.

Esquerda: Cartaz publicitário da Carrera Panamericana. Direita: Ayrton Senna
Esquerda: Cartaz publicitário da Carrera Panamericana. Direita: Ayrton Senna. | Foto: arquivo TAG Heuer

E aí começou o projeto de medir os tempos da Ferrari –actualmente,a TAG Heuer está oficialmente associada à McLaren e é a cronometrista oficial da Formula Um.
Na altura, a cronometragem desportiva era completamente amadora e feita por amadores. Fomos nós a desenvolver um sistema para o esqui. No automobilismo, a Ferrari não gostava nada da situação, sobretudo em Le Mans – era muito complicado medir o tempo de noite. Então, desenvolvemos uma instalação a pedido da Ferrari e levámos essa instalação para a Fórmula Um. De repente, a nossa cronometragem revelava-se muito melhor do que a cronometragem oficial do Campeonato do Mundo e nós podíamos provar que éramos melhores. As outras escuderias, como a McLaren ou a Surtees, também começaram a comprar o sistema e as equipas começaram a ter melhores sistemas de medição própria do que o sistema oficial! Então desenvolvemos um conceito de medição com um instrumento em cada carro e apresentámos o sistema ao Bernie Ecclestone em 1977, na Bélgica. A coisa correu bem e ele pediu-nos para passar a fazer a cronometragem de todas as corridas… mas de graça. Na altura, não pudemos aceitar porque precisávamos de uma equipa permanente e era um investimento de muitos milhões de dólares. Outros aproveitaram-se do nosso sistema, mas voltámos em 1991 e desde então a TAG Heuer tem sido cronometrista oficial. Antes, as transmissões televisivas eram muito chatas – não se sabia bem o que se estava a passar; o sistema de cronometragem ajudou a tornar tudo muito mais interessante e de repente passou a haver muito mais telespectadores e eles puderam passar a cobrar somas enormes pelos direitos televisivos.

Ronnie Peterson com Jack Heuer.
O malogrado piloto Ronnie Peterson com Jack Heuer. | Foto: arquivo TAG Heuer

Nos início dos anos 80 começou a ver-se o nome TAG em carros de Formula Um –pouco depois, a Heuer tornava-se TAG Heuer…
A TAG – Techniques d’Avant Garde – era do senhor Ojjeh, um maníaco do desporto automóvel. E foi assim que entrou na Heuer e a marca se tornou TAG Heuer. Mas isso já foi a seguir ao meu tempo. A partir de 1982, passei a trabalhar para uma grande empresa de eletrónica que tem agora mais de 10 mil empregados e ainda estou no conselho de administração… até que, há uns anos atrás, o diretor-geral Christian Viros veio ter comigo para a concepção de um livro sobre a marca e a respectiva história. Restabeleceu-se o contacto, servi de consultor para o relançamento do Carrera e quando o grupo Louis Vuitton tomou conta da marca convidaram-me para me tornar embaixador e assumir o cargo de presidente honorário.

A marca sempre esteve associada a outros desportos para além do automobilismo, como os Jogos Olímpicos e até a America’s Cup.
Na altura, a cronometragem dos Jogos Olímpicos não era feita oficialmente por uma marca. Havia uma equipa de cronometristas, mas o comité olímpico seleccionava quais os cronógrafos a utilizar. Fomos seleccionados como relógio oficial em 1920, 1924 e 1928; voltámos em 1980 integrados no conceito Swiss Timing, de parceria com a Longines e a Omega. Quanto à America’s Cup, estava eu em Newport Beach em 1967 e o barão Bic tinha um barco francês concorrente, o Intrépide. Nós fazíamos um cronógrafo para a partida e tínhamos vários modelos especiais para a vela, pelo que começámos a equipar os barcos. Na altura, o patrocínio era simples: dávamos os relógios e fazíamos um press release a anunciar a associação. Agora tudo evoluiu para somas astronómicas.

TAG Heuer Targa Florio Fangio e Monza Calibre 36
TAG Heuer Targa Florio Fangio e Monza Calibre 36 | © TAG Heuer

Jack Heuer sempre fez questão de frisar que a TAG Heuer é uma marca de prestígio devido ao seu historial, mesmo estando incluída num grupo de luxo. Qual é o enquadramento da marca numa altura em que um relógio é mais do que um acessório para o homem?
Fazemos parte do maior grupo de luxo existente – o grupo Louis Vuitton, juntamente com outras marcas prestigiadas. A diferença entre uma marca relojoeira de luxo e uma de prestígio como a TAG Heuer reside no facto de o luxo poder ser criado a partir do nada: arranja-se um mecanismo normal ETA, compram-se algumas centenas de caixas, concebe-se um mostrador bonito, põe-se um nome francês e comercializa-se. É fácil arranjar-se um relógio de luxo, basta ter-se o dinheiro. O prestígio é diferente: é preciso conquistá-lo, ano após ano, durante anos a fio de perseverança, de inovação, de qualidade, de história e de resultados práticos. O prestígio não pode ser decretado: o prestígio pode ser perdido de um momento para o outro num segmento muito especializado. A explosão de riqueza também contribuiu muito para a popularidade dos relógios como objetos de culto, e as pessoas têm dinheiro para comprar um bom relógio e revelar que têm requinte através do modelo que usam no pulso. Tecnicamente, posso dizer que ‘a vaca já foi ordenhada’ porque na relojoaria mecânica tudo o que é essencial já foi inventado. Mas há sempre ângulos inovadores de abordagem à relojoaria, como a TAG Heuer tem provado.

Jack Heuer num Lancia Stratos de 1974.
Jack Heuer num Lancia Stratos de 1974. Carro de coleção particular. | © Espiral do Tempo/ Kenton Thatcher

Como é que a TAG Heuer sobreviveu ao conturbado período de crise que afectou a indústria relojoeira?
Depois de termos contribuído com inúmeras invenções na área dos cronógrafos e da precisa medição do tempo, a indústria relojoeira foi horrivelmente afetada por uma grave crise entre 1975 e 1985. Quando esse período acabou, as marcas que sobreviveram estavam de rastos. A TAG Heuer era das poucas que estava bem, porque o senhor Ojjeh era muito rico. Então, patrocinou uma campanha publicitária genial – «Success: It’s a Mind Game»– numa altura que nem as outras grandes marcas tinham uma capacidade económica semelhante. Essa campanha excecional chamou a atenção das pessoas para os relógios suíços e fez com que a TAG Heuer desse um grande salto para a grande companhia que é hoje em dia.

De todos os relógios do historial da marca,qual é o seu modelo preferido?
O relógio que me deu mais emoções é o que estou a usar: o Carrera automático. Era o relógio que dava a todos os pilotos quando passámos a associar-nos mais intimamente ao mundo do desporto automóvel. Outro relógio que devo destacar é o Chronosplit Manhattan, o primeiro relógio anadigital do mundo. Éramos tão avant-garde para a altura que a Suíça não tinha mecanismos de quartzo e tivemos de usar um calibre japonês. Atualmente, estou a acompanhar de perto a reedição dos modelos históricos.

TAG Heuer Autavia e Carrera em ouro amarelo.
TAG Heuer Autavia e Carrera em ouro amarelo. | © TAG Heuer

Como recorda os vários modelos que agora são homenageados através da linha TAG Heuer Classics?
O Carrera foi criado em 1963 e estava ligado ao salto tecnológico da altura Depurámos o mostrador, retirando-lhe o taquímetro e o telémetro do centro: conseguimos um mostrador de elevada legibilidade. Fizemos o Autavia mecânico na mesma altura, com um taquímetro no aro. Em 1969, relançámos ambos em versões dotadas do novo mecanismo cronográfico automático, juntamente com o Monaco. O Monaco era então um relógio de linhas estéticas tão avançadas que não foi propriamente um grande sucesso comercial na altura, mesmo tendo sido adotado como relógio de culto. Já o Monza adotou uma forma utilizada nos anos 30. O Autavia – o nome foi inventado pelo meu tio, que associou as palavras ‘automóvel’ e ‘aviação’ – era originalmente um relógio de bordo; nos anos 60 retomámos esse nome para um cronógrafo mecânico que foi um best-seller e mais tarde surgiu a versão cronográfica automática. Era um modelo grande, robusto e vendeu muito bem. O Autavia é precisamente o último relógio integrado na coleção TAG Heuer Classics: relançámos o modelo com um mostrador de grande beleza e a coroa à esquerda como no original – no original, o mecanismo Chronomatic tornava mais fácil ter a coroa à esquerda e esse facto diferenciava-o dos outros relógios, para além de mostrar às pessoas que era automático. Tento fazer passar para os modelos os valores essenciais que estão na base da marca – é fundamental conservar o espírito único que mantivemos desde o início e é esse espírito que deve alimentar a TAG Heuer do século XXI.

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