Audemars Piguet: guia para as novidades de 2026

Um relógio de bolso contemporâneo ultracomplicado, uma especialidade digital, a estreia de um calibre esqueletizado de calendário perpétuo e modelos complementares nas várias linhas: eis as primeiras novidades da manufatura de Le Brassus para 2026.

O ano de 2025 foi particularmente relevante para a Audemars Piguet, com a devida comemoração do 150º aniversário a assumir especial relevância através de uma exibição itinerante do melhor que a manufatura de Le Brassus tem para oferecer — como foi possível constatar através do impressionante pavilhão ‘House of Wonders’ que a marca instalou durante a Dubai Watch Week. E 2026 não vai ser menos importante, com a marca alicerçada em números estratosféricos de faturação e o regresso ao maior certame mundial de relojoaria após uma ausência desde 2019 (na altura, Salon International de la Haute Horlogerie).

A fachada do enorme pavilhão da Audemars Piguet na Dubai Watch Week | Foto: Audemars Piguet

Antes da próxima leva de novidades na Watches and Wonders, em meados de abril, a Audemars Piguet apresentou as suas primeiras estreias do ano em curso — com duas peças diferenciadas que sobressaíram naturalmente por serem fora da caixa (uma especialidade digital e um relógio de bolso contemporâneo ultracomplicado), a aplicação de um novo calibre de calendário perpétuo e inevitáveis modelos complementares nas várias linhas do catálogo.

Vista para o museu em espiral por trás da sede histórica da Audemars Piguet em Le Brassus | Foto: Audemars Piguet

Para além dos tais dois modelos especiais de tiragem restrita, o destaque vai para o novo capítulo aberto pela marca no âmbito dos calendários perpétuos esqueletizados. A estreia de um movimento esqueletizado de calendário perpétuo automático eleva a complicação a novos patamares técnicos e estéticos; concebido com foco na ergonomia e estreado em dois modelos (um na linha Royal Oak, o outro na Code 11.59), o Calibre 7139 incorpora o intuitivo sistema de correção da coroa ‘all-in-one’, bem como uma exibição harmoniosa das múltiplas indicações de calendário que melhora a sua legibilidade.

O novo Calibre 7139 utilizado em novos modelos Royal Oak e Code 11.59 | Fotos: Audemars Piguet

Os componentes vazados com acabamento manual permitem que a luz flua através do movimento, exibindo o seu coração mecânico. Cada ponte e placa reflete mais de 30 horas de artesanato de alta-relojoaria, enquanto os mostradores de safira emolduram tão intrincada arquitetura. «O novo movimento reafirma o nosso compromisso em criar relógios que se conectem com os estilos de vida modernos, ao mesmo tempo que honramos a nossa herança», diz Ilaria Resta, a CEO da Audemars Piguet.

Neo Frame Jumping Hour

Artesanato moderno associado a uma complicação histórica: é essa a premissa por trás do Neo Frame Jumping Hour, o relógio entre os novos modelos desvelados pela Audemars Piguet que mais se destacou e que maior destaque mediático recebeu nas várias plataformas de comunicação por esse mundo fora. Não admira: a caixa de forma e a disposição do tempo através de janelas fazem-no sobressair, mesmo que surja na linha de recentes lançamentos do género — como o Cartier Privé Tank à Guichets ou o Chronoswiss Neo Digiteur, sem esquecer outros modelos de horas saltantes como o Time Jumper da Czapek.

Mas há uma diferença. o Neo Frame Jumping Hour reinventa o espírito dos anos 30 com uma construção particularmente inovadora, distinguível pela caixa em ouro rosa e safira adornada com frisos e asas aerodinâmicas. O mostrador de safira preta com aberturas duplas é complementado por uma correia de pele texturada para uma sofisticação intemporal.

«O Neo Frame Jumping Hour é uma homenagem ao papel pioneiro da Audemars Piguet no desenvolvimento dos primeiros modelos com hora saltante na década de 1920. Nessa época, o vidro era tão frágil que tinha de ser protegido por metal. Hoje, é feito de safira, que assume protagonismo no relógio», diz Sébastien Vivas, Diretor do Museu e Património da Audemars Piguet.

Trata-se de uma ousada reinterpretação do histórico Streamline Moderne, melhorada com um design ergonómico e um acabamento de alta-relojoaria. Uma fusão arrojada entre a elegância vintage Art Déco e a inovação moderna que revive uma complicação histórica que remonta a 1650 — com algarismos a saltar a cada 60 minutos no lugar dos ponteiro da horas. Graças ao Calibre 7122, o Neo Frame Jumping Hour apresenta o primeiro movimento automático de horas saltantes da Audemars Piguet, mas adequado ao século XXI: combina precisão, resistência ao choque e uma reserva de carga de 52 horas.

150 Heritage

O outro modelo que mais sobressaiu entre as novidades foi o 150 Heritage, um relógio de bolso extremamente complexo… mas de operação intuitiva. Representa uma celebração da tradição e da inovação, unindo séculos de observação astronómica com a mestria mecânica para comemorar a herança de 150 anos da Audemars Piguet. Movido pelo ultracomplicado Calibre 1150 e dotado de um calendário universal, é um modelo de bolso em platina que também presta homenagem às artes raras e ao espírito duradouro do artesanato.

O 150 Heritage é apresentado como a súmula do savoir-faire da manufatura de Le Brassus. O Calendário Universal é um mecanismo lunissolar inovador alojado no fundo da caixa. Inclui meticulosas gravações à mão, esmalte grand feu e uma corrente de platina. A caixa em platina de 50 mm, gravada à mão, é equipada com um vidro de safira tipo box e um fundo de caixa com a tecnologia acústica Supersonnerie da marca. Tudo acomodado em somente 23,4 mm de espessura! O mostrador em esmalte azul translúcido é adornado com numeração romana em ouro branco gravada à mão, contadores tom sobre tom com fio delineador em tom cinzento prateado e ponteiros em ouro rosa.

No coração do 150 Heritage pulsa o Calibre 1150, um novo movimento de corda manual com 1.099 componentes e que reúne 40 funções (das quais 22 são complicações), incluindo repetidor de minutos, calendário perpétuo, cronógrafo rattrapante e turbilhão volante. A completar, a corrente de platina feita à mão presta homenagem à arte tradicional da confeção de correntes para relógios de bolso. A tiragem do 150 Heritage está limitada a dois exemplares em platina; serão futuramente feitos oito em ouro branco.

Code 11.59

O lançamento do Code 11.59 pode ter sido polémico e mal recebido pela crítica em 2019, mas há muito que a Audemars Piguet soube afinar a estética da linha para a tornar num credível e atraente alicerce da coleção em alternativa ao universo Royal Oak.

Os novos modelos lançados no início de 2026 dividem-se entre o Code 11.59 Selfwinding Openworked Perpetual Calendar de 41mm, o Code 11.59 Selfwinding Flying Tourbillon de 41mm e dois Code 11.59 Selfwinding em ouro de 38mm. O destaque vai para o modelo de calendário perpétuo com apresentação esqueletizada moderna (designada por openworked), o primeiro do género na linha Code 11.59 — para mais estreando o novo Calibre 7139. Trata-se de um movimento automático que revela a beleza do tempo através da sua arquitetura vazada, enquanto o seu perfil fino de somente 4,1 mm, a frequência de 4Hz e a reserva de marcha de 55 horas garantem precisão e robustez.

O Calibre 7139 estreia-se também num distinto Royal Oak em titânio e vidro Bulk Metallic.

Royal Oak

A linha Royal Oak tem-se mantido há décadas como a mais emblemática e bem sucedida do catálogo da Audemars Piguet, e a manufatura de Le Brassus mantém uma impressionante cadência de lançamentos que vai afinando constantemente a coleção e adaptando-a aos novos tempos.

A principal novidade prende-se com o Royal Oak Selfwinding Openworked Perpetual Calendar de 41mm em titânio e dotado do já mencionado Calibre 7139 — que permite operar e ajustar as múltiplas funções de calendário a partir de uma única coroa, mas disposto através de uma configuração esqueletizada.

Entre as restantes novidades contam-se o Royal Oak Calendário Perpétuo Automático 41mm dito Bleu Nuit ceramic com o Calibre 7138 (não esqueletizado), o Royal Oak Selfwinding 41mm e 37mm em ouro com mostrador verde malaquite que tanto deu que falar no meio relojoeiro pelo facto de ter sido a escolha do cantor Bad Bunny no polémico show do intervalo do Super Bowl (o porto-riquenho optou pela versão de 37mm), o Royal Oak Jumbo Extra-Thin Openworked 39mm em titânio, o Royal Oak Double Balance Wheel Openworked 37mm e ainda dois Royal Oak Mini Quartz 23mm, num tamanho reduzido que recentemente tem adquirido grande notoriedade.

Depois, há a variante cronográfica — porque a função cronográfica continua a ser a mais popular entre o público masculino, sobretudo. E foram apresentados três novos Royal Oak Automatic Chronograph num muito apetecível diâmetro de 38mm — dois em ouro rosa (um deles cravejado com pedras preciosas) e outro em aço com o tradicional mostrador azul tão associado ao Royal Oak original de 1972.

Royal Oak Offshore

Já passou o tempo em que a linha Royal Oak Offshore era mais procurada do que a original Royal Oak, algo que aconteceu na primeira década do presente milénio — quando os relógios sobredimensionados ganhavam em popularidade e a média geral dos diâmetros se apresentou maior do que nunca na história da relojoaria de pulso. Apesar de já não ser tão procurada, a variante Royal Oak Offshore mantém-se relevante no catálogo da Audemars Piguet.

Entre as cinco novidades da linha estão dois Royal Oak Offshore Selfwinding Chronograph de 43mm — um em cerâmica Bleu Nuit com correia de tela técnica, outro em titânio com bracelete em cauchu — e três Royal Oak Selfwinding Diver de 42mm em aço com apelativas combinações de cores.

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