A mais famosa de todas as certificações de precisão e fiabilidade da indústria relojoeira suíça subiu a fasquia e elevou os seus padrões de exigência. O estabelecimento do ‘Cronómetro de Exelência’ é um caminho natural, face à concorrência.
Não, um cronómetro não é um cronógrafo. E convém esclarecer, já que é fácil confundir as nomenclaturas: um cronógrafo mede espaços de tempo, um cronómetro é um relógio mecânico de precisão elevada devidamente certificada por uma entidade helvética denominada Contrôle Officiel Suisse des Chronomètres — vulgo COSC, a sigla pela qual é conhecido.

O COSC é uma associação suíça sem fins lucrativos, reconhecida por servir o interesse público na área da relojoaria. Fundado em 1973, o Contrôle Officiel Suisse des Chronomètres é totalmente neutro e independente — sendo a autoridade oficial para certificar a precisão dos relógios suíços e atribuir o prestigiado selo Certified Chronometer (Cronómetro Certificado) ou Officially Certified Chronometer que possibilita a tantas marcas colocar essa designação nos mostradores dos relógios certificados. Na verdade, a certificação incide sobre os movimentos: os calibres certificados pelo COSC são sujeitos a testes rigorosos durante 12 a 20 dias e medidos de acordo com sete critérios definidos pela norma ISO 3159. A bateria de testes avalia o desempenho do movimento em várias posições e temperaturas, garantindo não só a precisão, mas também a fiabilidade em condições reais.

Desde a sua fundação, o COSC certificou quase 55 milhões de movimentos — incluindo 2,4 milhões em 2024. Mais de 60 marcas confiam no COSC e o COSC é responsável pela certificação de cerca de 40% de todos os relógios mecânicos suíços exportados a cada ano. Mais de meio século após a sua fundação e precisamente no 50º aniversário da norma ISO 3159 (a 12 de fevereiro), o COSC anunciou o elevar da sua bitola ao estabelecer um novo padrão: o COSC Excellence Chronometer, mais exigente, multidimensional e visionário. Para reforçar o seu estatuto de uma das mais conceituadas instituições da relojoaria suíça, numa era em que os certificados de qualidade relojoeira se têm multiplicado.

Como guardião independente da precisão e ao longo dos últimos 53 anos, o COSC acompanhou a ascensão do ‘Swiss Made’ ao certificar milhões de mecanismos e ajudando a consolidar a Suíça como uma referência mundial de excelência relojoeira. Abrindo um novo capítulo, o propósito do COSC continua a ser o de garantir a precisão dos relógios suíços através de um método neutro, independente e rigoroso. Mas como a vida dos relógios mecânicos evoluiu ao longo do último meio século (maior exposição a campos magnéticos, reservas de corda mais longas, novos materiais e utilização diária em atividades mais intensa) o COSC introduziu um nível adicional de certificação para acompanhar essa evolução.
Cronómetro de Excelência COSC
A mudança já se estava a adivinhar, tendo em conta as movimentações do ano passado. Mas atenção: trata-se de uma extensão, e não uma substituição, da norma existente. O Cronómetro de Excelência COSC contará com uma tolerância de variação diária de apenas 6 segundos em vez de 10, resistência magnética até 200 Gauss e verificação da reserva de carga declarada pelas marcas. Além disso, os relógios serão testados em condições que simulam mais de perto a utilização no dia a dia em três laboratórios distintos (localizados em Bienne, Le Locle e Saint-Imier, ao passo que a sede administrativa está em La Chaux-de-Fonds).

Hoje em dia, um movimento que seja cronómetro certificado garante precisão. Em breve, um relógio que ostente a designação ‘Excellence Chronometer’ atribuída pelo COSC vai comprometer-se com o desempenho em três dimensões: precisão melhorada, resistência antimagnética e reserva de marcha confirmada. O primeiro nível — ‘Certified Chronometer’ — continuará a existir como selo de desempenho e à disposição de qualquer companhia relojoeira; mas, se as marcas o desejarem, terão a oportunidade de subir a fasquia: a nova distinção acrescenta um novo parâmetro à hierarquia de desempenho.

A nova certificação baseia-se naquilo que definiu a relevância da certificação de cronómetro desde o estabelecimento do COSC. Durante quinze dias, os calibres são testados de acordo com os sete critérios da norma ISO 3159; uma vez certificados como cronómetros, regressam à fábrica para serem encaixados na caixa; os relógios completos passam depois por mais cinco dias de avaliação. Utilizando um robô capaz de simular o uso normal no pulso, a precisão do relógio é testada em condições semidinâmicas durante 24 horas; segue-se uma medição em que a taxa média diária deve situar-se entre -2 e +4 segundos por dia. De seguida, o relógio é exposto a um campo magnético de 200 Gauss, mantendo o seu desempenho. Finalmente, a sua reserva de marcha é verificada para confirmar as especificações declaradas pelo fabricante. Como sempre, 100% dos relógios são testados individualmente porque o COSC nunca recorre a protótipos ou amostragem.
Passos para a Implementação
Atualmente, há várias marcas que estabelecem os seus próprios testes de fiabilidade — que em muitos casos ultrapassam os níveis de exigência apresentados pelo COSC, a começar pelo facto de os testes serem feitos com o relógio completamente assemblado e não apenas a incidir sobre o movimento. A Rolex, por exemplo, partia mesmo de movimentos certificados COSC para depois adicionar toda uma bateria de testes próprios ao relógio completo para garantir a sua própria certificação Superlative Chronometer. A Patek Philippe também tem o seu certificado. A Jaeger-LeCoultre lançou o certificado Master Cobntrol 1000 Horas na década de 90. Há ainda o Punção de Genebra, o certificado Qualité Fleurier, o certificado Chronofiable. Entretanto surgiu o certificado METAS adotado por várias marcas. O COSC viu-se na obrigação de evoluir para um novo patamar.

E a transição para o novo padrão de exigência já está em curso. Desde o início de 2026 que o COSC tem vindo a integrar progressivamente novas tecnologias e a melhorar os seus equipamentos para medir todos os critérios do futuro selo. Em março, serão realizados os primeiros testes-piloto nos laboratórios do COSC para validar os procedimentos e apoiar as marcas durante a fase de adaptação. Em abril, as atenções estarão viradas para a apresentação global durante a Watches and Wonders, onde o COSC apresentará a nova certificação no âmbito dos LAB Projects, um espaço dedicado à inovação e às tecnologias de ponta. A partir de outubro de 2026, começa a implementação: as marcas entrarão totalmente no novo processo e os primeiros relógios certificados sob os novos padrões redefinidos começarão a surgir no mercado.

«Para além dos números e dos protocolos, o futuro é construído coletivamente. Ao repensar os padrões de cronometria, o COSC une a indústria relojoeira em torno de uma ambição partilhada: elevar a precisão, ampliar a excelência e promover a expertise suíça em todo o mundo. Para viver em sintonia com o tempo, é necessário evoluir — e para evoluir, é necessário inovar», afirmou Andreas Wyss, CEO do COSC. Tendo o Swiss Made como base, a certificação atual como coroa e o novo padrão como vértice. Uma alavanca estratégica para a competitividade que permitirá a muitas marcas do segmento médio inscrever nos seus mostradores a inscrição ‘Excellence Chronometer’.





