Especial de corrida: Mille Miglia na estrada e no pulso

Já ficou concluída a 44.ª edição daquela que é considerada a ‘Corrida Mais Bela do Mundo’. E houve dois relógios da Chopard entre os vencedores: o Mille Miglia GTS Power Control Grigio-Blu Racing Edition e o Mille Miglia Classic Chronograph Raticosa

Há relógios inspirados pelo automobilismo e há relógios que nascem de uma relação efetiva com o mundo automóvel. Os novos Mille Miglia pertencem claramente à segunda categoria. Afinal, a ligação entre a Chopard e a Mille Miglia já dura desde 1988, com Karl-Friedrich Scheufele — atual copresidente da marca genebrina — a participar pessoalmente na prova desde 1989. Mais do que uma parceria de marketing, trata-se de uma associação mecânica construída quilómetro após quilómetro e ao longo de quase quatro décadas.

As piazzas históricas fazem parte do cenário caraterístico da Mille Miglia | Foto: Chopard
As piazzas históricas fazem parte do cenário caraterístico da Mille Miglia | Foto: Chopard

Desde o primeiro ano da parceria que a Chopard introduz um ou mais relógios associados à Corsa Più Bella Del Mondo, entre modelos que só podem ser adquiridos pelos participantes e outros disponíveis para o público em geral. O Mille Miglia GTS Power Control Grigio-Blu Racing Edition 2026 foi a primeira novidade anunciada este ano e mantém a arquitetura conhecida da variante GTS Power Control, mas introduz uma das interpretações estéticas mais conseguidas dos últimos tempos: o mostrador Grigio-Blu apresenta uma textura granulada inspirada no asfalto das estradas italianas percorridas pela Mille Miglia, combinando tonalidades cinzentas e azuladas que mudam subtilmente consoante a incidência da luz. O resultado é simultaneamente elegante e utilitário — ou seja, suficientemente sofisticado para o uso quotidiano, mas com uma personalidade vincadamente automobilística.

relógio na mesa Chopard Mille Miglia GTS Power Control | Foto: Chopard
O novo Mille Miglia GTS Power Control Grigio-Blu Racing Edition 2026 | Foto: Chopard

A caixa mantém as proporções habituais do modelo específico dotado de indicador de reserva de corda, com 43 milímetros de diâmetro e apenas 11,43mm de espessura, sendo fabricada em Lucent Steel — a liga proprietária da Chopard composta em grande parte (80%) por material reciclado e caracterizada por uma dureza superior à do aço convencional. A sua elevada resistência ao desgaste, aliada a um brilho frequentemente comparado ao dos metais preciosos, tornou-a uma das assinaturas técnicas mais relevantes da manufatura nos últimos anos.

relógio no pulso Chopard Mille Miglia GTS Power Control | Foto: Chopard
No pulso: o Mille Miglia GTS Power Control Grigio-Blu Racing Edition 2026 | Foto: Chopard

A luneta do Mille Miglia GTS Power Control Grigio-Blu Racing Edition 2026 inclui uma inserção em alumínio preto com escala de 60 unidades, enquanto a coroa aparafusada ostenta o tradicional motivo de volante automóvel associado à corrida transalpina. A estanqueidade é assegurada até aos 100 metros.

Tanque de Combustível

Como acontece desde o aparecimento da variante GTS Power Control, o elemento mais distintivo do mostrador continua a ser o indicador de reserva de marcha inspirado no manómetro de combustível dos painéis de instrumentos. Posicionado entre as 8 e as 10 horas, indica o estado de carga do movimento através de uma leitura intuitiva semelhante à de um depósito de gasolina, estabelecendo uma ligação particularmente feliz entre relojoaria mecânica e cultura automóvel. A janela da data às 3 horas incorpora lateralmente o logótipo vermelho da Mille Miglia, enquanto os índices aplicados e os ponteiros recebem tratamento luminescente para garantir uma leitura eficaz em todas as condições.

relógio deitado Chopard Mille Miglia GTS Power Control | Foto: Chopard
Em destaque: o indicador de reserva de carga distintivo da variante Mille Miglia GTS Power Control | Foto: Chopard

No interior trabalha o movimento de manufatura Chopard 01.08-C, um calibre mecânico automático certificado pelo COSC. Composto por 251 componentes, oscila a 4 Hz, dispõe de função de paragem dos segundos para acerto preciso da hora e oferece uma autonomia de aproximadamente 60 horas. Visível através do fundo transparente em vidro de safira, o movimento confirma a evolução da Chopard enquanto verdadeira manufatura integrada, muito para além da imagem de joalheira de luxo que durante décadas dominou a perceção pública da marca.

O Calibre de manufatura que equipa o Mille Miglia GTS Power Control Grigio-Blu Racing Edition 2026 | Foto: Chopard
O calibre de manufatura Chopard 01.08-C que equipa o Mille Miglia GTS Power Control | Foto: Chopard

Outro detalhe particularmente bem conseguido é a correia técnica preta, cujo revestimento interior reproduz o padrão dos pneus Dunlop utilizados nos automóveis clássicos da Mille Miglia original entre 1927 e 1957. Trata-se de uma referência histórica que a Chopard utiliza há muito na coleção e que continua a funcionar como um elo discreto mas eficaz com o universo da competição automóvel.

fundo de relógio deitado Chopard Mille Miglia GTS Power Control | Foto: Chopard
O fundo do Mille Miglia GTS Power Control Grigio-Blu Racing Edition 2026 | Foto: Chopard | Foto: Chopard

Limitado a 250 exemplares e apresentado antes da corrida, o novo Mille Miglia GTS Power Control Grigio-Blu Racing Edition 2026 está disponível através da rede italiana de agentes oficiais e das boutiques Chopard, com um preço de 7.940 euros.

relógio na mesa Chopard Mille Miglia Classic Chronograph Raticosa | Foto: Chopard
O perfume rétro do Mille Miglia Classic Chronograph Raticosa | Foto: Chopard

Já o Mille Miglia Classic Chronograph Raticosa foi desvelado no primeiro dia da competição — um belo cronógrafo de configuração tricompax com mostrador casca de ovo inspirado no lendário Passo della Raticosa (uma das secções mais icónicas do percurso e da qual Enzo Ferrari disse ser lá que se ganhava a corrida). Celebra precisamente o imaginário de estrada, velocidade e navegação precisa que define o ADN da coleção Mille Miglia.

relógio no pulso Chopard Mille Miglia Classic Chronograph Raticosa | Foto: Chopard
No pulso e em modo racing: o novo Mille Miglia Classic Chronograph Raticosa | Foto: Chopard

Tecnicamente, o relógio mantém a base contemporânea da linha de cronógrafos estreada em 2023: caixa em Lucent Steel de 40,5mm, movimento cronográfico automático certificado COSC, com cerca de 54 horas de reserva de marcha, mostrador de elevada legibilidade e fundo com uma ilustração precisamente dedicada ao Passo della Raticosa (nas edições ‘regulares’, o fundo transparente permite ver o movimento). Globalmente, o look integra os códigos automobilísticos habituais da coleção — botões estriados, referências ao mundo dos clássicos e uma estética claramente inspirada no universo das corridas históricas.

fundo de relógio Chopard Mille Miglia Classic Chronograph Raticosa | Foto: Chopard
O fundo do Mille Miglia Classic Chronograph Raticosa inclui uma ilustração da corrida | Foto: Chopard

Enquanto edição limitada, o cronógrafo Raticosa não surge como uma reinterpretação radical, mas como uma variação temática particularmente evocativa dentro da família Mille Miglia. A sua apresentação durante o evento sublinha essa tradição anual da Chopard de lançar relógios de tributo no próprio ambiente da corrida, reforçando a ligação entre relojoaria suíça e o património automóvel italiano. Estanque a 50 metros, é comercializado a 11.100 euros.

Coleção dedicada

Num segmento cada vez mais saturado de relógios desportivos inspirados pelo automobilismo, os modelos Mille Miglia destacam-se por não recorrerem ao excesso visual nem à nostalgia fácil. Em vez disso, o conceito aposta numa combinação de credibilidade mecânica, identidade estética e legitimidade histórica que poucas marcas conseguem reivindicar com igual convicção. Talvez por isso continuem a ser os relógios que melhor traduzem o espírito daquela que Enzo Ferrari apelidou de «a mais bela corrida do mundo».

relógio deitado Chopard Mille Miglia Classic Chronograph Raticosa | Foto: Chopard
O Mille Miglia Classic Chronograph Raticosa evoca bem o espírito nostálgico das corridas de clássicos | Foto: Chopard

Os modelos Mille Miglia combinam a precisão de um instrumento do tempo concebido para suportar as exigências modernas com uma estética refinada que atrai muito para além dos entusiastas do desporto automóvel. Para além da tradicional Race Edition, apresentada todos os anos antes do início da corrida, a coleção destaca-se por várias edições limitadas que prestam homenagem a detalhes históricos como as cores das corridas (as cores nacionais que permitiam a identificação imediata da origem de uma equipa), figuras lendárias como Jacky Ickx ou Sir Stirling Moss, e trechos icónicos como o Passo della Raticosa. Algumas edições celebram até prestigiados construtores de carrosserias, como a Zagato.

Parceiros na Mille Miglia: Karl-Friedrich Scheufele e o lendário piloto Jacky Ickx | Foto: Chopard
Parceiros na Mille Miglia: Karl-Friedrich Scheufele e o lendário piloto Jacky Ickx | Foto: Chopard

Essas múltiplas homenagens reforçam o estatuto icónico que os relógios Chopard Mille Miglia conquistaram entre os colecionadores. Porque a mística Mille Miglia está indelevelmente patente na identidade de toda a coleção que lhe é dedicada, através de códigos inspirados no universo do automobilismo clássico: mecanismos com certificação de precisão, indicações e contadores que evocam o design do painel de instrumentos, botões em forma de pistões, correias em couro perfurado e braceletes de borracha com padrões de pneus, coroas gravadas com o motivo de um volante, a seta vermelha (‘Freccia Rossa’) a adornar o mostrador e o fundo da caixa e, em alguns modelos mais recentes, um vidro glassbox que oferece charme vintage suplementar e mesmo legibilidade panorâmica.

Vencedores de 2026

E a 44.ª edição da reconstituição histórica da Mille Miglia confirmou, uma vez mais, porque continua a ser considerada a mais prestigiada prova de regularidade para automóveis clássicos do mundo. Disputada entre 9 e 13 de junho de 2026, a caravana — considerada um autêntico museu automóvel itinerante — reuniu mais de 400 automóveis elegíveis para a corrida original realizada entre 1927 e 1957, percorrendo um trajeto de cerca de dois mil quilómetros entre Brescia e Roma, com regresso à cidade lombarda através de um percurso em forma de ‘oito’ inspirado nas primeiras edições da lendária corrida.

Pelas estradas da Tuscânia na Mille Miglia | Foto: Chopard
Em grande velocidade, nas belas estradas arborizadas da Tuscânia | Foto: Chopard

A edição deste ano ficou marcada pelo regresso de uma das rivalidades mais interessantes da Mille Miglia contemporânea. Depois de seis triunfos consecutivos entre 2020 e 2025, Andrea Vesco e Fabio Salvinelli, num Alfa Romeo 6C 1750 SS Spider Zagato de 1929, partiram novamente de Brescia entre os favoritos. Contudo, a vitória acabaria por sorrir à dupla argentina formada por Juan Tonconogy e Margarita Tonconogy, ao volante de um quase igual Alfa Romeo 6C 1750 GS Spider Zagato de 1931. Para Juan Tonconogy tratou-se do quarto triunfo pessoal na Mille Miglia histórica, depois das vitórias obtidas em 2013, 2016 e 2018, mas foi a primeira vez que venceu acompanhado pela irmã Margarita, num resultado que interrompeu uma das mais impressionantes séries vitoriosas da história recente da prova.

Coleção de participações: que participa uma vez quer sempre voltar à Mille Miglia | Foto: Chopard
Coleção de participações: quem participa uma vez quer sempre voltar à Mille Miglia | Foto: Chopard

No plano do percurso, a organização manteve o formato de cinco etapas introduzido em 2023 (ou seja, mais do que as literais 1000 milhas que se estendiam por quatro dias). A partida foi dada em Brescia, seguindo-se uma primeira jornada até Pádua através da Val Trompia, do Lago de Garda e de Vicenza. A segunda etapa levou os concorrentes até Montecatini Terme, passando por Ferrara, Modena, Reggio Emilia e pelo Passo dell’Abetone. O terceiro dia conduziu a caravana até Roma, com passagem por Pietrasanta e pela incomparável Piazza del Campo, em Siena. A viagem de regresso começou na capital italiana em direção a Rimini, incluindo passagens por Assis, Gubbio e pela espetacular Garganta do Furlo. Finalmente, a quinta etapa ligou Rimini a Brescia, atravessando Cervia, Comacchio, Ferrara e Mântua antes da chegada final à tradicional Viale Venezia.

A Mille Miglia atravessa algumas das cidades mais importantes de Itália | Foto: Chopard
A Mille Miglia atravessa algumas das cidades mais importantes de Itália | Foto: Chopard

Mais do que uma competição, a Mille Miglia continua a ser uma celebração do património automóvel europeu. Alfa Romeo, Bugatti, Lancia, Fiat, Mercedes-Benz, Aston Martin, Jaguar e inúmeras outras marcas históricas voltaram a percorrer algumas das mais belas estradas italianas perante centenas de milhares de espetadores. O fascínio do evento reside precisamente nessa combinação rara de desporto, cultura, turismo e história, transformando durante cinco dias as estradas transalpinas num autêntico museu em movimento. A Espiral do Tempo teve o privilégio de participar na edição de 2023 ao volante de um Ermini Sport 1500 de 1954 — e a reportagem foi tema de capa da revista.

A Mille Miglia é um museu itinerante dos mais belos carros do século XX | Foto: Chopard
A Mille Miglia é um museu itinerante dos mais belos carros do século XX | Foto: Chopard

Este ano, a vitória dos irmãos Tonconogy ficará como o principal destaque desportivo. No entanto, o verdadeiro vencedor continua a ser o espírito da própria Mille Miglia e do automobilismo clássico: um evento único no panorama automóvel internacional, capaz de reunir máquinas extraordinárias, paisagens incomparáveis e uma paixão popular que permanece praticamente inalterada quase um século após a criação da corrida original.

dois relógios Chopard Mille Miglia GTS Power Control e Classic Chronograph Raticosa | Foto: Chopard
Chopard Mille Miglia GTS Power Control e Classic Chronograph Raticosa | Foto: Chopard

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