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A.Lange & Söhne: uma nova extensão

Em Glashütte — No ano em que comemora os 200 anos sobre o nascimento do seu fundador Ferdinand Alexander Lange e com pouco mais de duas décadas após a divulgação da primeira coleção de relógios de pulso da nova era, a A. Lange & Söhne inaugurou um edifício que abre novas perspetivas para a manufatura germânica. A inauguração contou também com a presença da chancelerina Angela Merkel e com o patrão do grupo Richemont, Johann Ruppert.

© A.Lange & Söhne
Mais espaço e luminosidade nas salas climatizadas dos relojoeiros © A.Lange & Söhne

Compreende-se a perceção romântica que muitos têm da alta-relojoaria — a de relojoeiros debruçados nas suas mesas de trabalho a fazerem à mão todas as peças componentes de um relógio e depois a procederem à respetiva montagem. Não é bem assim: as exigências atuais de fabrico e qualidade ultrapassam a capacidade humana e há peças que necessitam mesmo de um fabrico industrial de elevadíssima precisão — para depois o olho e a arte do mestre relojoeiro darem o obrigatório contributo humano para o produto final, desde a montagem das partes mais delicadas até à decoração dos movimentos e afinação do mecanismo.

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No atelier da linha Zeitwerk © Espiral do Tempo / Miguel Seabra

O termo de origem latina ‘manufatura’, que remete para a mão e para o que é feito à mão, tem um significado mais lato no universo relojoeiro: significa também que uma determinada marca é capaz de juntar no seu local do funcionamento todas as etapas de conceção de um relógio — da parte inicial de pesquisa e desenvolvimento de produto até à montagem final, passando pelo obrigatório fabrico da esmagadora maioria das peças. A A. Lange & Söhne tem essa chancela de manufatura e, desde que ressuscitou enquanto marca de alta-relojoaria na sequência da queda do Muro de Berlim, tem crescido paulatinamente ao longo das últimas duas décadas e meia, começando pelos seus edifícios históricos (um deles bombardeado no último dia da Segunda Guerra Mundial, depois abandonados durante a vigência comunista na Alemanha Democrática) e juntando vários outros que acompanharam o (re)crescimento da marca até ao enorme salto qualitativo agora proporcionado pelo edifício inaugurado nesta semana.

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À chegada para a cerimónia de inauguração © Espiral do Tempo / Miguel Seabra

O salto qualitativo é referente às instalações e não tem diretamente a ver com os relógios — a qualidade de cada exemplar A. Lange & Söhne é intrinsecamente superlativa e convém nunca esquecer que a manufatura saxónica já foi várias vezes considerada a melhor marca de luxo alemã, à frente de potentados como a Porsche, a Mercedes ou a Audi. Esse salto qualitativo tem sobretudo a ver com otimização de processos, de condições de trabalho, de dar margem ao futuro; a importância da inauguração do novo edifício foi tal que até esteve presente a mais poderosa mulher do mundo: a chancelerina Angela Merkel (não, não é a Oprah). E a Espiral do Tempo também marcou presença, claro.

Foi nesta passada quarta-feira 26 de agosto que Angela Merkel cortou simbolicamente a fita na cerimónia de inauguração do novo edifício da A. Lange & Söhne — juntamente com o Primeiro-Ministro do Estado da Saxónia, Stanislaw Tillich, com Wilhelm Schmid, CEO da marca nos últimos cinco anos, e com Walter Lange, descendente do fundador (e figura fundamental no renascimento da marca em 1994 e consequente apresentação dos quatro modelos Lange & Söhne da nova geração). Como não podia deixar de ser, tirámos um wristshot para eternizar o momento… aqui está ele, o único wristshot da ocasião:

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O wristshot do ano! © Espiral do Tempo / Miguel Seabra

Angela Merkel aproveitou depois para discursar, elogiando a ação notável da A. Lange & Söhne na região e a importância do papel humano na construção/restauração da reputação da marca — contrapondo toda essa atividade positiva com as manifestações neo-nazis e anti-imigração entretanto verificadas no início da semana ali perto, também nos arredores de Dresden, e que exigiram a presença da chancelerina. Essa necessidade de Angela Merkel se deslocar ao local obrigou a um ajustar do programa oficial e quase deixou os anfitriões à beira de um ataque de nervos: qualquer incidente ou percalço poderia deitar tudo a perder e sobretudo ensombrar a inauguraçãoo ou mesmo privá-la da presença da chancelerina, mas tudo acabou por correr bem e até as condições meteorológicas não poderiam ter sido melhores.

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O discurso de Angela Merkel © Espiral do Tempo / Miguel Seabra

Entretanto, outra figura de proa dava nas vistas sem querer protagonismo: Johann Rupert, o dono do Grupo Richemont (do qual a A. Lange & Söhne faz parte, juntamente com outras manufaturas e marcas relojoeiras como a Jaeger-LeCoultre, IWC, Vacheron Constantin, Cartier, Panerai, Baume & Mercier, Roger Dubuis, Van Cleef & Arpels…), sempre acompanhado de perto pelo seu filho Anton. No fim, e já depois da Angela Merkel ter saído, Johann Rupert e Wilhelm Schmid fizeram questão de reunir todos os trabalhadores da marca para um emotivo discurso que recordou os primeiros tempos após a reunificação da Alemanha e todo um percurso de recuperação económica e civilizacional daquela zona, com a A. Lange & Söhne a assumir papel de especial destaque.

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Wilhelm Schmid e Johann Rupert © Espiral do Tempo / Miguel Seabra

O novo edifício, estruturado em duas alas e com um total de cinco pisos, assume características vincadamente ecológicas e auto-sustentáveis. A primeira pedra foi lançada numa cerimónia em 5 de setembro de 2012 e em três anos ficou completo — apresentando uma considerável área global de 5.400 metros quadrados mas suficientemente bem integrado na arquitetura da vila/cidade que é o berço da alta-relojoaria alemã e que hoje em dia acolhe várias outras marcas, algumas com história que também foram ressuscitadas, outras de génese contemporânea. Os ateliers da nova infraestrutura garantem um ar praticamente limpo e isento das nefastas partículas de pó inimigas de qualquer relojoeiro. E a ligação ao edifício histórico do outro lado da Altenberger Strasse é tanto real como simbólica — pode passar-se de um lado ao outro através de um corredor transparente sobre a rua que representa também uma ponte entre o passado e o futuro.

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Clemens von Walzel dirigiou a visita guiada às novas instalações. © Espiral do Tempo / Miguel Seabra

«A nova infraestrutura é a resposta ideal ao crescimento da marca e do emprego nos últimos anos, representando um investimento no futuro da manufatura», referiu Wilhelm Schmid. «Queríamos um edifício que fosse eficiente no aproveitamento de energia e com condições de trabalho ideais, sendo ao mesmo tempo ecológico e de consumo mínimo». E é, efetivamente, uma homenagem à arquitetura sustentável; tem a maior fonte de energia geotermal da Saxónia para manter um ambiente interior perfeito ao longo das quatro estações. O preço? Muitos milhões. «Entrámos na casa dos dois dígitos», dizem-nos… o que significa que o custo pode ir dos 10 aos 99 milhões, certo? Não chegará a tanto, como é óbvio… mas para já tratou-se do maior investimento de sempre na história da A. Lange & Söhne (fundada em 1845) e sublinha a relevância da marca no cenário industrial de Glashütte, da Saxónia e do universo da alta-relojoaria. ET_simb

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© A.Lange & Söhne

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