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Rolex e as 24 Horas de Daytona

A mítica corrida das 24 Horas de Daytona realiza-se neste fim-de-semana e comemora 60 anos. Está também intimamente associada ao lançamento do mais famoso cronógrafo do mundo. Aqui ficam os factos mais interessantes por trás da história do circuito, do relógio e do português que já lá ergueu o troféu em três ocasiões.

É considerada a ligação ideal entre um produto e um determinado evento. O nome Daytona há muito que apresenta um fascínio mágico para dois universos distintos que, no entanto, são tão próximos que a sua associação se afigura perfeitamente natural. Porque entre o automobilismo e a relojoaria existem mais afinidades do que as existentes entre os ponteiros do mostrador e do velocímetro: são ambos criações dotadas de um coração mecânico, produtos de apurada engenharia que suscitam fortes emoções. As afinidades revelam-se ainda mais evidentes num enquadramento desportivo, quando a fiabilidade e o tempo assumem maior preponderância. E a extensa praia de areias duras em Daytona, na Flórida, sempre proporcionou uma pista perfeita para corridas contra o tempo – enquanto o cronógrafo com o mesmo nome se mantém como um dos mais cobiçados objetos de culto do planeta.

Praia de Daytona em 1955
Corridas na praia de Daytona em 1955 | © Rolex

As corridas fizeram com que a localidade de Daytona se transformasse não só no centro nevrálgico do desporto motorizado americano mas também se tornasse lendária em todo o mundo a meio do século XX, com as competições a passarem posteriormente para um circuito inaugurado em 1959 sob o nome Daytona International Speedway. Pouco depois, a Rolex associava-se às 24 Horas de Daytona e essa ligação daria origem, em 1963, ao mais famoso de todos os cronógrafos: o Oyster Perpetual Cosmograph Daytona, mítico relógio que tantos pilotos famosos envergaram no pulso e que se mantém como um relógio de eleição para muitos desportistas de elite. Aqui ficam cinco aspetos fulcrais associados à história da corrida e do cronógrafo, não esquecendo um cheirinho português proporcionado pelos êxitos de Filipe Albuquerque.

Detalhe do mostrador do Rolex Oyster Perpetual Cosmograph Daytona
Oyster Perpetual Cosmograph Daytona | © Rolex / Alain Costa

1. Vamos a la playa

A extensa praia de areias duras em Daytona, na Florida, sempre proporcionou uma pista ideal para corridas contra o tempo. Foi lá que Sir Malcolm Campbell alcançou, de 1930 a 1935 e com um Rolex Oyster no pulso, múltiplos recordes de velocidade a bordo de várias versões do seu Bluebird equipadas com motores de avião. As corridas de praia transformaram Daytona não só no centro nevrálgico do desporto motorizado americano mas também fizeram com que capturasse o imaginário de aficionados do automobilismo em todo o mundo; com a fama mundial veio também a passagem para um circuito mais convencional caraterizado por quatro curvas inclinadas, inaugurado em 1959 sob o nome Daytona International Speedway.

BLUEBIRD 1935 na praia em Daytona
O Bluebird em 1935 | © Rolex / Bettmann Corbis

2. O patrocínio

Para além dos 60 anos da prova de resistência denominada 24 Horas de Daytona, a Rolex comemora 30 anos enquanto title sponsor. Mas a marca da coroa associou-se ao circuito (num traçado que inclui também uma parte fora da oval) desde a sua criação e foi precisamente essa ligação que deu origem ao mais famoso de todos os cronógrafos: o Oyster Perpetual Cosmograph Daytona, mítico relógio que desde logo se tornou no preferido das gentes ligadas aos desportos motorizados e que se mantém como peça de eleição; o Cosmograph 6239 de 1960 antecedeu o 6239 de 1963 com a primeira designação Daytona no mostrador e estreou uma linhagem que ficou para a lenda.

Rolex Daytona ‘Paul Newman’, de 1963
UM Daytona ‘Paul Newman’ de 1963 | © Rolex/Jean-Daniel Meyer

Através de Daytona e do Daytona, a Rolex ultrapassou o âmbito do pioneirismo e da exploração para se associar também a uma apaixonante disciplina desportiva tão ligada ao perfecionismo e à precisão. Em 1992, potenciou a antiga parceria com o Daytona International Speedway ao estatuto de title sponsor da lendária prova de resistência, que desde então passou denominar-se oficialmente Rolex 24 At Daytona — comemorando este ano o 30º aniversário. Mas convém não esquecer outra corrida que por lá se realiza e que é incrivelmente popular: o Daytona 500 do campeonato Nascar, ostentando o título de ‘Great American Race’.

3. O relógio

Com a sua típica disposição tri-compax (três submostradores) horizontal e taquímetro na luneta, o Oyster Perpetual Cosmograph Daytona é um cobiçado status symbol — um verdadeiro ícone da relojoaria. Foi desenhado como instrumento para os pilotos de endurance com as 24 Horas de Daytona em mente; o ponteiro central de segundos do cronógrafo permite leituras até aos 1/8 de segundo, os dois totalizadores às 9 e às 3 horas medem tempos em incrementos de hora e de minutos, permitindo ao condutor planificar os tempos de corrida e a rapidez de condução para chegar à vitória. O taquímetro na luneta também permite calcular velocidade até 400 unidades por hora em quilómetros ou em milhas.

Rolex Cosmograph Daytona de 2016
A mais recente geração do Oyster Perpetual Cosmograph Daytona ©Rolex/Alain Costa

A mais recente versão do Daytona foi desvelada em 2016, desde logo nas tradicionais duas variantes em aço de mostrador branco ou preto — mantendo praticamente a mesma arquitetura da caixa e o mesmo tamanho das duas gerações anteriores, mas com um look substancialmente diferente devido à integração de uma luneta negra em Cerachrom com graduação fina de extraordinária precisão, graças a um revestimento em platina através do procedimento PVD que torna extremamente legível a sua graduação (a escala taquimétrica que permite medir velocidades médias até 400 milhas ou quilómetros por hora).

Cosmograph Daytona, 1963 e Cosmograph Daytona, 1965
Vintage a dobrar: Cosmograph Daytona de 1963 e Cosmograph Daytona de 1965 | © Rolex/Jean-Daniel Meyer

Essa luneta em cerâmica monobloco da última geração do Daytona é extremamente durável e resistente tanto aos raios UV como à corrosão. A opção pelo negro oferece uma aura estética completamente diferente ao visual que o Daytona tradicional em aço vinha apresentando nas décadas anteriores. Os diversos retoques no grafismo do mostrador incluem, na versão de mostrador branco lacado, anéis pretos nos submostradores que dão ao conjunto um toque mais vintage, mais reminiscente do Daytona original de 1963 (ref. 6239), do emblemático modelo de 1965 com caixa Oyster e botões de rosca (ref. 624) e ainda de uma famosa versão posterior (ref. 6263); o mostrador preto apresenta anéis acizentados. Todas as aplicações (os índices para as horas) são em ouro com a inclusão de matéria luminescente Chromalight. Entretanto, foram lançadas outras versões em metal precioso e com diferentes mostradores.

Oyster Perpetual Cosmograph Daytona Meteorite, 2021
Uma das variantes mais recentes: o Cosmograph Daytona Meteorite de 2021 | © Rolex

A mecânica assenta no mesmo mecanismo relojoeiro de suprema qualidade devidamente certificado pelo Controlo Oficial Suíço de Cronometria e que já estava presente na anterior geração de 2000, embora beneficiando dos mais recentes aperfeiçoamentos técnicos: trata-se do calibre automático Cosmograph 4130, um movimento cronográfico de roda de colunas e embraiagem vertical com 72 horas de reserva de marcha, frequência de 28.800 alternâncias por hora, balanço Glucydur com regulação Microstar, espiral Breguet e sistema amortecedor Kif; a novidade é que a garantia foi esticada dos dois até aos cinco anos, como sucede em todos os relógios Rolex a partir de 2016.

4. O mito

Para além da associação direta com o circuito de Daytona e a prova das 24 Horas, o Cosmograph Daytona beneficiou muito da ligação a um famoso ator que tinha um enorme fascínio pelo desporto automóvel e que também participava regularmente em corridas: Paul Newman. Algumas referências do lendário cronógrafo ficaram mesmo conhecidas com o cognome ‘Paul Newman’ e um dos Daytona ‘Paul Newman’ do próprio Paul Newman bateu mesmo o recorde de relógio mais caro do mundo num leilão de 2017; tratou-se de um Ref. 6239 que arrebatou 17.752.500 dólares e que lhe tinha sido oferecido pela sua mulher, com a gravação ‘Drive Carefully’ no fundo da caixa. O ator americano usou-o durante muitos anos, fazendo com que ficasse associado à sua imagem — sobretudo após uma sessão fotográfica para uma revista italiana que gerou grande entusiasmo e que fez com que a cobiça dos colecionadores transalpinos fosse depois seguida em todo o mundo.

Paul Newman, com um Rolex Daytona no pulso
Paul Newman com um Daytona ‘Paul Newman’ no pulso | © Douglas Kirkland/Corbis

A designação ‘Paul Newman’ abrange várias referências de mostrador que diferem ligeiramente dos modelos Daytona regulares das décadas de 60 e 70 no que diz respeito às cores, fontes e configurações; a inspiração Art Deco e o estilo exótico não os tornaram tão apetecíveis numa era em que a corrida do espaço colocava o modernismo nas preferências, pelo que — ironicamente — não foram um sucesso comercial na altura (até porque eram de corda manual e a clientela buscava modelos automáticos). A produção foi reduzida e houve muita gente a substituir esses mostradores mais retro por mostradores normais, tornando os existentes ainda mais raros e desejáveis.

Rolex Daytona ‘Paul Newman’ Ref. 6265, Ouro amarelo
Rolex Daytona ‘Paul Newman’ Ref. 6265 em ouro amarelo | © Antiquorum

5. O português

Filipe Albuquerque já ganhou três vezes em Daytona — e já ganhou três cronógrafos Daytona pelo feito, devidamente identificados com a inscrição ‘winner’. E, obviamente, está desejoso de alcançar um terceiro triunfo… para mais tendo conseguido ganhar a corrida de qualificação que lhe permitirá partir da pole position; o português vai correr num Acura tendo por colegas de equipa o britânico Will Stevens e os norte-americanos Ricky Taylor e Alexandre Rossi.

Filipe Albuquerque com o seu Rolex Daytona recebido em 2013 pela vitória da classe GT nas 24 Horas de Daytona.
Filipe Albuquerque e o seu Daytona recebido em 2013 pela vitória da classe GT nas 24 Horas de Daytona | © Paulo Pires / Espiral do Tempo

O circuito de Daytona é particularmente do agrado de Filipe Albuquerque. “Em Daytona, fazer os dois bankings da pista de Nascar é verdadeiramente único — cerca de 60% de inclinação é espetacular; é uma pista simples e rápida em que algumas vezes vamos a 300km/h. O ambiente das 24 Horas de Daytona é fantástico e todos os pilotos do mundo querem participar porque não coincide com nenhuma corrida”, revela-nos o piloto conimbricense de 36 anos, que ganhou a classificação geral no lendário circuito da Florida em 2018 e em 2021, depois de em 2013 ter triunfado na categoria GTD. Após a conclusão do fim-de-semana se verá se vai trazer mais um Rolex Daytona para Portugal…

O Acura de Filipe Albuquerque, Ricky Taylor e Alexander Rossi em treinos para o Rolex 24 at Daytona 2022
O Acura de Filipe Albuquerque, Will Stevens, Ricky Taylor e Alexander Rossi em treinos para o Rolex 24 at Daytona 2022 | © Rolex

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