Vacheron Constantin: visita à manufatura

As linhas que se seguem são muitas. Vai ser preciso alguma paciência para ler. Diria que paciência de relojoeiro. Mas a verdade é que, na Espiral do Tempo, continuamos a acreditar que há experiências que devem ser contadas em detalhe, para que quem está longe as possa viver também. Neste caso, sem pressas. Até porque já passou um tempo desde que fizemos esta visita

Em Plan-les-Ouates

Passam poucos minutos das 11h00 da manhã. No departamento de Métiers d’Art da Vacheron Constantin o silêncio prevalece. Ali até a iluminação é diferente face a outras zonas de produção. Assim tem de ser. Mais intimista, mais focada. Mais ligada também à paisagem que, das enormes janelas espalhadas um pouco por toda a manufatura, se faz ver como cenário inspirador. Depois da visita a diversos ateliers e departamentos, temos a oportunidade de parar no espaço dedicado às artes decorativas, uma das principais assinaturas da marca suíça.

A entrada da manufatura e a vista a partir do átrio principal | Fotos: Cesarina Sousa/ Espiral do Tempo

A Vacheron Constantin detém polos de produção de relógios em Le Brassus e em Plan-les-Ouates. Este último – também sede internacional da marca – foi, em 2014, complementado com uma extensão que veio responder ao crescimento da produção. Com assinatura de Bernard Tschumi e adequando-se ao projeto original em forma de cruz de Malta, o conjunto de edifícios foi projetado para garantir espaços amplos e contínua entrada de luz natural. Atualmente, concentra serviços administrativos, mas também é nele que se encontra a equipa de design, o departamento de inovação e desenvolvimento e diversas oficinas com diferentes funções práticas. O departamento de património e de restauro também também é guardado por aquelas paredes, tal como o atelier de Métiers d’Art com que iniciámos estas linhas. Juntos, vivem uma história de mais de 270 anos que todos os dias recomeça.

A manufatura Vacheron Constantin
A manufatura Vacheron Constantin em Plan-les-Ouates | Foto: Vacheron Constantin

Parte 1: arte à lupa

Estamos, então, no atelier de Métiers d’Art. Num mundo à parte. Um grupo de artesãos alinhados numa bancada perpetuam ofícios ancestrais, como esmaltagem, gravação e cravação de pedras, em mostradores e em caixas de relógios de pulso. Como em quase tudo nesta indústria, a concentração, precisão e destreza exigem tranquilidade, tendo em conta a escala em que tudo acontece. Os microscópios ajudam no trabalho, assim como o tal marcado silêncio de que falávamos. A um canto temos luz verde para espreitar alguns dos projetos em curso do Les Cabinotiers, um serviço exclusivo dedicado à criação de relógios únicos e até de elevada complexidade, muitas vezes personalizados à medida ou feitos por encomenda, à boa moda dos velhos tempos.

Gravação e pintura em esmalte em miniatura são alguns dos exemplos de ofícios que animam o atelier de Métiers d'Art | Fotos: Vacheron Constantin
Gravação e pintura em esmalte em miniatura são alguns dos exemplos de ofícios que animam o atelier de Métiers d’Art | Fotos: Vacheron Constantin

No momento da nossa visita, um artesão reproduz em esmalte, num futuro mostrador, a imagem escolhida por um cliente; à sua direita, na parede, saltam à vista outras imagens que serão igualmente replicadas, mas destinadas a diferentes relógios. A pintura em esmalte em miniatura consiste em pintar à mão um desenho ou motivo sobre uma base de esmalte cozido. Aplicado em finas camadas por cor, o esmalte é fixo por cozeduras sucessivas que são depois finalizadas por uma camada de esmalte transparente que oferece brilho e profundidade. Basta uma falha e o processo tem de ser recomeçado. É uma técnica que exige delicadeza e paciência, mas que se revela ideal para a reprodução de pormenores, movimentos e cores. Combinada com outras técnicas, nomeadamente com a gravação guilloché, oferece soluções visuais por vezes quase hipnotizantes, como aconteceu no passado com a série ‘Les Univers Infinis’, dedicada a M.C. Escher e como continua a acontecer em diversas séries que vão sendo lançadas.

Manufacture Experience: a pintura de esmalte em minatura pode ser combinada com outras técnicas, de modo a oferecer diferentes soluções estéticas. À esquerda, o monitor destaca a série 'Les Univers Infinis', dedicada a M.C. Escher | Foto: Cesarina Sousa/ Espiral do Tempo
A pintura de esmalte em minatura pode ser combinada com outras técnicas, de modo a oferecer diferentes soluções estéticas. À esquerda, o monitor destaca a série ‘Les Univers Infinis’, dedicada a M.C. Escher | Fotos: Cesarina Sousa/ Espiral do Tempo

Naquele atelier, encontram-se também exemplares de tornos de guilloché, alguns centenários, pelo que se torna mais fácil perceber como tudo acontece. Com um sistema semelhante ao de um pantógrafo, o gravação guilloché consiste na gravação mecanizada e precisa de padrões geométricos numa base de metal. No caso da relojoaria, esta técnica é utilizada na decoração de mostradores, movimentos, caixas e braceletes, podendo ser automatizada ou totalmente realizada com a intervenção de um artesão. Claro que, quando se observa as placas metálicas gravadas, é possível constatar a diferença: os reflexos de luz são visualmente mais intensos na gravação feita com intervenção humana.

O guilloché é uma antiga técnica que consiste na gravação mecanizada de padrões em metal. Durante a visita à manufatura Vacheron Constantin, tivemos a oportunidade de operar uma das máquinas.
O guilloché é uma antiga técnica que consiste na gravação mecanizada de padrões em metal. Durante a visita à manufatura Vacheron Constantin, tivemos a oportunidade de operar uma das máquinas | Fotos: Cesarina Sousa/ Espiral do Tempo

Sempre interessante também é ‘sentir na pele’ a dificuldade do procedimento. Entre outros aspetos, não é propriamente fácil coordenar a alavanca que faz girar a placa em branco com a pressão exercida pela agulha à medida que vai escavando o metal. O padrão replicado tende a ficar mais marcado ou mais leve, mas sempre irregular se for feito por mãos inexperientes como as nossas. Quando feito com as mãos certas a conversa é naturalmente outra…

O nascimento do guilloché remonta ao século XVI, mais terá caído em declínio nos finais do século XIX. Com o surgimento da gravação a laser, o ofício renasceu como reação e algumas marcas de relojoaria conseguiram manter ou mesmo resgatar máquinas antigas que poucos artesãos sabiam manusear. Ainda assim, estes artesãos acabaram por ir passando este savoir-faire às gerações mais novas. Desta forma, tem sido possível dar continuidade a uma arte que se torna ainda mais especial quando feita por quem a sabe realmente fazer.

Dois exemplos de aplicação da técnica de guilloché | Fotos: Cesarina Sousa/ Espiral do Tempo

Uns instantes naquele espaço e tudo faz sentido. Pensamos no contraste entre estes ofícios artesanais e a intrincada obra arquitetónica envidraçada de linhas contemporâneas que os guarda, como um tesouro. Ali, são criadas maravilhas, como as fabulosas séries Métiers d’Art que todos os anos são lançadas. Um marcado contraste, como dizíamos, com o edifício envidraçado. No entanto, é possível sublinhar ainda mais esta ideia: basta sair das zonas de produção e descer para o piso inferior a partir do átrio central, depois de contemplarmos devidamente os cruzamentos de escadas, quase flutuantes, quando olhamos para cima (e lembrei-me de M. C. Escher outra vez). Chegamos, assim, aos arquivos documentais que integram o departamento do património da marca. O fim da nossa visita à manufatura e o princípio da sua história.

As escadarias na entrada da manufatura fizeram-nos lembrar alguns trabalhos de Escher | Fotos: Cesarina Sousa/ Espiral do Tempo

Parte 2: arquivos vivos

A noção de património é um mantra que guia os colaboradores que se dedicam à Vacheron Constantin e o respeito pelo passado é transversal a toda a cadeia de produção. Nos ateliers respeita-se e valoriza-se cada passo conquistado antes, tendo em vista os passos atuais, igualmente valiosos para seguir em frente. Na prática, as conquistas de hoje são possíveis graças às conquistas de ontem. O departamento de património contribui decisivamente para esta forma de estar ao oferecer uma perspetiva global do percurso da casa suíça que cria relógios há quase três séculos. Descemos, então, as escadas rumo ao arquivo documental para conhecer melhor este percurso.

Em 2016, o projeto Chronogram teve como objetivo transformar o legado documental da Vacheron Constantin numa base de consulta para os arquivistas da marca | Foto: Vacheron Constantin

Depois de uns minutos de espera, as portas abrem-se para uma sala com estantes amovíveis na qual se encontram inúmeros documentos. Um espaço onde, digamos, os arquivos estão bem vivos. Lembro-me de alguém dizer que ter documentos não organizados ou mal referenciados é o mesmo que não os ter porque deixamos de ter acesso imediato à informação que guardam. Se, por falta de organização, determinadas fontes não forem encontradas, a informação que nelas existe pode tornar-se informação esquecida ou mesmo desaparecida para o futuro. Um papel timbrado, um documento digital, uma carta, um email ou um registo fotográfico ganham maior relevância neste contexto porque são testemunhos das dinâmicas, dos acontecimentos e dos feitos da nossa existência, das nossas relações e das nossas organizações. São cruciais para compreendermos e conhecermos a história e são pilares da sua continuidade. Nesta linha, é com o devido respeito que os arquivos são tratados na Vacheron Constantin.

Descubra as diferenças: graças aos arquivos, foi possível recriar de raiz uma réplica do original Historiques American 1921. Na imagem, o relógio original encontra-se do lado direito | Foto: Vacheron Constantin

Na verdade, se pensarmos nos anos que a Vacheron Constantin tem de vida, não será estranho considerar que nos mais de 420 metros lineares de documentos acumulados desde 1775 constem não apenas a história da marca por si só, mas também retratos de cada época. Nas estantes que percorremos existem assim diversos registos escritos, inclusive documentos basilares da origem da marca. Um deles é um certificado de bom caráter moral, emitido pelo local de residência inicial de Jean-Jaques Vacheron (Lugnorre, Baillage de Morat), para obter o direito de se estabelecer em Genebra como residente. Datado de 1711, é o documento mais antigo que se conhece relacionado com a marca: Jean-Jaques Vacheron era o pai de Jean-Marc Vacheron, que fundou a Vacheron Constantin a 17 de setembro de 1755.

Parede do VIP Lounge da Vacheron Constantin em Lisboa onde está escrito: "Faure mieux si possible ce qui est toujours possible"
Na parede do VIP Lounge da boutique Vacheron Constantin em Lisboa as palavras que guiam a marca | Fotos: Cesarina Sousa / Espiral do Tempo

Mas há mais registos interessantes, tais como fotografias, catálogos de equivalência entre calibres e caixas produzidos, listas antigas de devedores por mercados, correspondência diversa, incluindo cartas de clientes portugueses com pedidos de peças, etc, etc. A meio da visita chamam-nos a atenção para outro documento: o desenho antigo de um relógio de senhora. Por vezes, a inspiração para novos modelos nasce mesmo daqueles arquivos. Sandrine Donguy, Diretora de Marketing de Produto e Inovação, salientou mesmo, num momento de apresentação de alguns modelos Overseas, a importância do legado nas criações relojoeiras de agora. «Há uma constância de estilo e essa consciência vem dos arquivos», explicava também há uns anos Christian Selmoni, Style and Heritage Director na Vacheron Constantin, à Europa Star.

Além de documentos, a marca guarda componentes antigos, entre outros elementos. A combinação entre todos permite por vezes recuperar relógios de outros tempos ‘à moda de outros tempos’ | Foto: Vacheron Constantin

O departamento de património contempla também um portefólio de cerca de 1600 relógios históricos que não estão expostos num museu, como acontece noutros casos. Para já, a Vacheron Constantin tem apostado na sua exibição através de pequenas mostras temáticas temporárias em diversas das suas boutiques no mundo. Estes eventos permitem não apenas contactar com os relógios em si, como também compreender qual o lugar da marca no contexto global da relojoaria. Por outro lado, é uma boa forma de enquadrar na história muitos dos atuais lançamentos e até legitimar opções estéticas, como aconteceu com a coleção Égérie, lançada em 2019.

Se considerarmos que o Égérie esteve em destaque no Watches and Wonders 2024, numa abordagem que uniu os mundos da relojoaria, da alta-costura e da perfumaria, percebemos melhor o sentido de uma das exposições que passou por Portugal. Em parceria com o Museu do Traje, foram apresentados relógios antigos de senhora na sua relação com a alta-costura precisamente e, assim, a exposição serviu de aperitivo para os lançamentos deste ano.

Todo um modo de estar: o respeito pela tradição e pelo passado permite criar peças contemporâneas que dão continuidade ao legado da marca, como o Overseas de mostrador azul | Fotos: Cesarina Sousa/ Espiral do Tempo

O departamento de património conta ainda com ferramentas, moldes e stock de componentes antigos que permitem restaurar, juntamente com planos técnicos antigos, peças datadas de há décadas e décadas. Foi este mesmo património que tornou possível fabricar de raiz, em pleno século XXI, uma réplica fiel de um relógio de 1921. A criação da réplica do American 1921 Pièce Unique mobilizou as equipas de restauro e de património, num desafio conjunto que não só reavivou competências e técnicas antigas, como também permitiu reproduzir operações de outros tempos com recurso a ferramentas históricas que estavam guardadas.

Os documentos de arquivo foram cruciais para a recriação de componentes e compreensão de algumas operações e continuam a ser cruciais para a equipa técnica interna especializada na manutenção e restauro de relógios antigos. Com tudo isto, sublinha-se que a noção de património para a Vacheron Constantin vai bem além do nome da coleção Patrimony que está a celebrar duas décadas de existência.

Parte 3: en passant

O Calibre 3752 que equipa o Les Cabinotiers Berkley Grand Complication, anunciado como o mais complicado relógio do mundo | Foto: Vacheron Constantin
O Calibre 3752 que equipa o Les Cabinotiers Berkley Grand Complication tem 63 complicações | Foto: Vacheron Constantin

Chegados aqui, falta resta o resto. Todo o resto relevante de que só falámos ainda en passant. Para quem nunca visitou uma manufatura de relógios e quer saber mais sobre o processo de produção, estas linhas podem soar a pouco até agora. No entanto, a verdade é que todas as manufaturas têm aspetos comuns, mas todas têm também as suas especificidades. Cada visita é sempre uma experiência única da qual retiramos o que mais nos marcou. Já vimos que a Vacheron Constantin tem a sua maneira de seguir em frente muito assente em fortes pilares históricos. Mas consegue fazer a transposição desses pilares para os dias de hoje com sentido e pertinência. Não é só nos edifícios que se descobre a sua contemporaneidade. É em tudo.

Os microacabamentos permitem garantir a maior qualidade possível aos componentes. O mecanismo do relógio, mesmo escondido, tem sempre acabamentos de exceção | Fotos: Cesarina Sousa/ Espiral do Tempo
Os microacabamentos permitem garantir a maior qualidade possível aos componentes. O mecanismo do relógio, mesmo escondido, tem sempre acabamentos de exceção | Fotos: Cesarina Sousa/ Espiral do Tempo

Em Plan-les-Ouates, por exemplo, a marca produz componentes como platinas, rodas, tambores de corda, entre outros, por meio de máquinas CNC que reduzem o metal à escala de minúsculos componentes para os mecanismos. Em Plan-les-Ouates, a produção conjuga processos de alta precisão, como o trabalho de máquinas CNC na criação de componentes fundamentais, como o fabrico interno de elementos mais complexos do órgão regulador, incluindo a âncora e a espiral, esta última um dos componentes mais delicados da relojoaria. Com uma espessura comparável à de um fio de cabelo (razão pela qual os relojoeiros a denominam também de cabelo), esta pequena mola determina a regularidade do tempo e exige um domínio técnico ao alcance de poucas manufaturas, devido ao equipamento necessário e às competências exigidas para compreender as suas propriedades físicas. Isto porque, apesar de determinante para a precisão, trata-se de um componente particularmente sensível e sujeito a deformações perante variações de temperatura. E são os próprios mestres especializados que ajustam as espirais com a ajuda de um microscópio.

A Vacheron Constantin tem a capacidade de a produzir internamente. À esquerda, destaque para a mola real; à direita dá para perceber que o fio que dá origem à espiral passa por calibradores de espessura | Fotos: Cesarina Sousa/ Espiral do Tempo

Os relógios são depois montados em diferentes ateliers, organizados de acordo com a complexidade dos movimentos. Para os casos específicos de turbilhões, com repetição de minutos e calendários perpétuos existem mesmo equipas próprias de técnicos especializados, sempre focados no seu trabalho que pode chegar a durar entre sete e oito meses se estivermos a falar de um repetição de minutos com calendário perpétuo. Afinal, se tivermos em conta que se tratam de peças que podem ter perto de 700 componentes (o Les Cabinotiers – The Berkley Grand Complication tem 2877), compreendemos ainda melhor a necessidade de concentração e de não deixar escapar nada…

A aplicação de paletes na âncora é feita manualmente | Fotos: Cesarina Sousa/ Espiral do Tempo

Grande parte das operações continua a ser executada manualmente. Dos ajustes mais finos aos acabamentos de superfície e decorações, tudo obedece a padrões extremamente rigorosos, em linha com a filosofia da marca e com as exigências do Selo de Genebra. O anglage, as Côtes de Genève e outros acabamentos tradicionais permanecem nas mãos de artesãos altamente especializados, que frequentemente adaptam ou criam as suas próprias ferramentas. O controlo de qualidade acompanha cada etapa, de forma discreta, mas premente.

No final, as várias fases de criação e montagem distribuem-se por departamentos distintos, cada um responsável por uma parte do processo. E foi parte desta organização por etapas perfeitamente coordenada, que tivemos a oportunidade de testemunhar ao longo da visita.

Parte 4: a reflexão

Acompanhámos o processo de produção na medida do possível e, mais uma vez, confirmámos que o verdadeiro encanto da alta-relojoaria reside nos pequenos detalhes que dão vida aos relógios. E, também mais uma vez, chegamos ao encantador contraste. A velocidade com que tudo acontece nos dias de hoje parece incompatível com a velocidade em que tudo acontece nos ateliers e departamentos que os criam. Não estamos a ser românticos, nem exagerados. É, de facto, um mundo à parte.

componentes de mecanismos relojoeiros
O mundo liliputiano que uma visita à manufatura nos permite compreender melhor | Fotos: Cesarina Sousa/ Espiral do Tempo

Talvez por isso, sempre que saímos de uma manufatura, sentimos uma enorme vontade de relatar tudo ao ínfimo pormenor, apesar de sabermos que essa é sempre uma tarefa quase impossível. A verdade é que, com mais descrições ou menos descrições, há experiências que têm de ser mesmo vividas para ser compreendidas em pormenor. Visitar uma manufatura é mesmo fundamental para compreender verdadeiramente o contexto, a identidade e a filosofia de uma marca.

No caso da Vacheron Constantin, essa convicção torna-se ainda mais evidente. Mais do que uma casa relojoeira com quase três séculos de história, deparámo-nos com uma cultura de exigência, rigor e respeito pela tradição que se manifesta no trabalho e nas pessoas. Há orgulho no que foi construído ao longo do tempo e há a certeza de que aquilo que se fez é o que permite seguir em frente rumo ao futuro com coerência e pertinência. Esta dedicação à excelência explica sem dúvida a razão pela qual a Vacheron Constantin continua a ocupar um lugar tão singular no panorama da alta-relojoaria. Regressaríamos lá? Claro que sim. Sempre.

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