Guia para as novidades Tudor

Um inesperado modelo comemorativo e aperfeiçoamentos significativos no resto da coleção: a partir do Monarch, a Tudor apresentou um conjunto de novidades seguro e amadurecido no Watches and Wonders.

A Tudor apresentou no salão Watches and Wonders de 2026 uma coleção que, mais do que procurar rupturas, reforça a sua identidade contemporânea: relojoaria robusta, tecnicamente sólida e cada vez mais refinada no detalhe. Num ano simbólico — o centenário da marca — a estratégia passou por introduzir uma talking piece com forte carga histórica e, em paralelo, evoluir as famílias já estabelecidas, sobretudo a Black Bay e a Royal.

Tabuleiro com algumas das principais novidades da Tudor no Watches and Wonders | Foto: Miguel Seabra/Espiral do Tempo
Tabuleiro com algumas das principais novidades da Tudor no Watches and Wonders | Foto: Miguel Seabra/Espiral do Tempo

É uma estratégia que se vê normalmente na Rolex, a ‘casa-mãe’. E o resultado é o esperado: um conjunto coerente de novidades que privilegia a maturidade estética e a consistência mecânica que têm dado à Tudor a excelente reputação de que goza entre os aficionados.

Monarch: o trunfo inesperado

O Monarch surpreendeu e assumiu-se como o protagonista das novidades | Foto: Tudor

A principal novidade da Tudor em 2026 é, sem margem para dúvidas, o Monarch — um relógio novo e completamente inesperado na sua forma que recupera um nome histórico da coleção e o reinterpreta num registo mais sofisticado, quase dress watch, sem abandonar totalmente a linguagem desportiva da marca.

No pulso: o novo Monarc apresenta excelente ‘vestibilidade’ e força geométrica | Foto: Miguel Seabra/Espiral do Tempo

Esteticamente, o Monarch apresenta uma caixa em aço de 39mm com acentuado pendor geométrico: linhas facetadas e uma integração evidente com a bracelete metálica de dois elos, sublinhando a tendência contemporânea de design mais fluido e coeso entre relógio e bracelete. O mostrador, num tom champanhe escuro de acabamento vertical descrito como papyrus (um nome desencantado na história da escrita impressa), distingue-se pela adoção de uma configuração do tipo California, combinando algarismos romanos na metade superior e arábicos na inferior, com um submostrador de pequenos segundos às seis horas — uma raridade no universo Tudor e um detalhe que acrescenta sofisticação.

Peculiar configuração ‘California’ e acabamento escovado vertical no mostrador do Monarch | Fotos: Tudor

No plano técnico, o relógio é equipado com o Calibre MT5662-2U de manufatura, visível através de fundo em safira e com um nível de acabamento superior ao habitual na marca, incluindo Côtes de Genève e massa oscilante com inserção em ouro. A reserva de corda é de aproximadamente 65 horas, garantindo autonomia confortável para uso quotidiano. A certificação Master Chronometer emitida pela METAS assegura maior precisão e resistência a campos magnéticos.

O Monarch alberga o movimento de acabamento mais cuidado na história da marca | Foto: Tudor

O preço posiciona-se num segmento intermédio-alto da Tudor, situando-se na casa dos 5.400 euros e refletindo a ambição mais refinada de um ex-libris em potência. Mais do que um modelo isolado, o Monarch representa uma expansão estratégica: é a Tudor a afirmar que pode ir além do tool watch, explorando um território mais elegante sem perder credibilidade. E aqui fica um aviso: ao vivo, o relógio é bem mais atraente do que nas fotografias e assenta especialmente bem no pulso. Resta saber se é um one-off ou se dará azo à criação de uma nova linha no futuro.

Black Bay Ceramic: visual stealth

Depois de uma primeira versão em 2021, o novo Black Bay Ceramic inclui uma bracelete em cerâmica | Foto: Tudor

O Black Bay Ceramic surge como a expressão mais técnica da linha Black Bay e, por consequência, do catálogo da Tudor — com uma abordagem centrada nos materiais e na durabilidade. Já houve anteriormente um Black Bay em cerâmica totalmente escurecido lançado em 2021 (após uma estreia no leilão Only Watch de 2019) e que ainda integra o catálogo, mas declinado numa bracelete híbrida em cauchu/têxtil e com um mostrador de índices e ponteiros mais contrastantes.

No pulso: a sofisticação escurecida e full ceramic do novo Black Bay Ceramic | Foto: Miguel Seabra/Espiral do Tempo

A caixa em cerâmica preta mate é combinada com uma bracelete de três elos no mesmo material e cria uma estética monocromática coesa e contemporânea, reforçando a identidade stealth do modelo. A presença no pulso é marcante, mas equilibrada por uma execução sofisticada. O facto de ser o relógio que o designer da marca, Ander Ugarte, escolheu para ter no pulso durante o Watches and Wonders é significativo: trata-se mesmo de um relógio de visual marcante.

A luminescência do Tudor Black Bay Ceramic sobre fundo escurecido | Foto: Tudor

No interior, o Calibre MT5602-1U — certificado como Master Chronometer pela METAS e também com certificação COSC — garante elevados níveis de precisão e resistência magnética, com uma reserva de corda de aproximadamente 70 horas. O preço do novo Black Bay Ceramic situa-se nos 7.240 euros, posicionando-se como uma das propostas mais técnicas da Tudor (o ‘outro’ Black Bay Ceramic está a 5.740 euros).

Black Bay 58: refinamento

O novo Black Bay 58 foi afinado na sua estrutura e apresenta um mostrador preto e creme | Foto: Tudor

O Black Bay 58 é, atualmente, o esteio do catálogo da Tudor com os seus 39mm mais adaptados aos gostos contemporâneos — depois de a marca ter estreado a linha em 2012 com uma caixa de 41mm. E recebeu uma atualização subtil, mas relevante: mantendo o mesmo diâmetro de 39mm (considerado atualmente como o equilíbrio perfeito entre presença e conforto) por 11,7mm de espessura, beneficiou de melhorias técnicas e de proporção, incluindo uma construção mais esguia que faz parecer o relógio menos espesso e opções de bracelete mais refinadas.

As três variantes de bracelete do novo Black Bay 58 | Foto: Tudor

Esteticamente, permanece fiel ao ADN que sempre foi o da linha Black Bay — o de um tool watch neo-vintage da tipologia diver com mostradores clássicos e legibilidade exemplar, mas com um nível de execução mais depurado. E alguns acertos. Por exemplo, deixou de haver o quadrado snow flake no ponteiro dos minutos. A evolução não é visualmente disruptiva, mas sim cumulativa. Os tens em preto e bronze reforçam o espirito ‘antigo’.

O novo Black Bay 58 fcom bracelete em cauchu e fecho de báscula com microajuste T-Fit | Foto: Tudor

O movimento continua a ser um calibre de manufatura da família MT5402/MT5400, com cerca de 70 horas de reserva de marcha e dupla certificação COSC/METAS. Disponível em bracelete em cauchu (4.680 euros) ou metálica de cinco (4.990 euros) ou três elos (4.880 euros) com fecho T-Fit que permite microajustes. O preço consolida o modelo como uma das propostas mais equilibradas do mercado tendo em conta a sua motorização. Estanque a 200 metros.

Black Bay 58 GMT: funcionalidade

No pulso: o aperfeiçoamento do Black Bay GMT numa caixa de 39mm | Foto: Miguel Seabra/Espiral do Tempo

A introdução do Black Bay 58 GMT vem responder à procura crescente por complicações úteis no dia-a-dia, integrando uma função de segundo fuso horário numa caixa compacta e desportiva de perfume saudosista. Pode também ser uma aposta da Tudor no sentido de cimentar o tamanho de 39mm como o mais importante da gama Black Bay, que arrancou originalmente com 41mm de diâmetro (e que se mantém no catálogo).

A bracelete de cinco elos apresenta acabamentos alternadamente polidos e escovados | Foto: Tudor

Visualmente, o novo Black Bay 58 GMT distingue-se pela luneta bicolor de 24 horas que inclui o bordeaux do primeiro Black Bay de sempre — mantendo a estética vintage da linha, mas acrescentando uma dimensão mais técnica num diâmetro de 39mm. A leitura permanece intuitiva, sem comprometer a clareza do mostrador.

A luneta preta e bordeaux com detalhes bronzeados reforça o espírito vintage | Foto: Tudor

O calibre de manufatura (numa parceria da Tudor com a Kenissi) utilizado no Black Bay 58 GMT segue a lógica dos movimentos GMT da Tudor, oferecendo cerca de 70 horas de reserva de marcha e um robusto desempenho cronométrico. O preço situa-se nos 5.280 euros, refletindo a complexidade adicional de um segundo fuso horário na função GMT.

Black Bay 54: Tudor Blue

O novo Black Bay 54 nas suas duas opções de bracelete | Foto: Tudor

Reforçando a linha Black Bay (que se mantém como incontornável pilar da Tudor), a versão Black Bay 54 ‘Tudor Blue’ surge como uma evolução cromática e identitária de um consolidado conceito de relógio de mergulho clássico — mas declinada no diâmetro mais pequeno da gama.

A tonalidade usada no novo Black Bay 54 é definida como ‘Tudor Blue’ pela marca | Foto: Tudor

Ou seja, a caixa de 37mm (estreada em 2023) por 11,2mm de espessura e estanque a 200 metros é fiel às proporções vintage inspiradas nos primeiros mergulhadores da marca, mas ganha uma nova expressão com o mostrador azul profundo — uma tonalidade histórica para a Tudor — combinada com luneta igualmente azul. Paralelamente, a combinação azul (mostrador e luneta) existente no Black Bay 58 desapareceu da coleção (pelo menos por enquanto). O resultado é simultaneamente nostálgico e contemporâneo, reforçando a versatilidade do modelo.

O diâmetro de 37mm torna o Black Bay 54 especialmente versátil e mais adaptado a pulsos mais finos | Foto: Tudor

No seu interior encontra-se o Calibre MT5400, um movimento automático de manufatura com certificação COSC e uma reserva de marcha de cerca de 70 horas, alinhada com os parâmetros atuais da Tudor. A bracelete metálica está dotada do sistema T-Fit de micro-ajuste e há tambéma variante em cauchu. O preço situa-se nos 4.420 euros com bracelete de três elos e 4.190 em cauchu, mantendo o posicionamento competitivo da marca.

Tudor Royal: consolidação

Os três tamanhos da nova geração do Royal: 30, 36 e 40mm | Foto: Tudor

Por fim, a linha Tudor Royal recebe uma atualização mais discreta, mas estrategicamente importante. A introdução de novos tamanhos (30, 36 e 40mm), variantes em aço complementadas por versões em aço/ouro ou com brilhantes e mostradores em cores mais marcantes — bordeaux, champanhe ou madrepérola — vem dotar de maior versatilidade o modelo de design integrado da marca, numa altura em que essa tipologia se tem afirmado a todos os níveis de preço.

No pulso: versão bicolor aço/ouro com mostrador acastanhado | Foto: Miguel Seabra/Espiral do Tempo

Esteticamente, mantém-se precisamente a conhecida combinação de caixa integrada com bracelete de cinco elos e mostradores com algarismos romanos, num registo simultaneamente clássico e urbano. Mas as novas caixas surgem com melhores proporções e mais ergonomia, apresentando melhor ‘vestibilidade’ no pulso.

Variantes do Royal mais pequenas (30mm) e requintadas (com brilhantes) | Foto: Tudor

No plano técnico, a evolução mais significativa é a generalização de movimentos automáticos próprios e certificados COSC mais consistentes dentro da gama, com reservas de marcha tipicamente na ordem das 38 a 70 horas, dependendo das variantes. Os preços começam nos 3.040 e vão até aos 5.910 em variantes bimetálicas; as versões em aço podem ser mesmo a porta de entrada mais acessível ao universo Tudor.

Considerandos

A juntar às novidades apresentadas no Watches and Wonders e no âmbito da ligação da Tudor aos desportos motorizados (nomeadamente à equipa de Formula 1 Visa Cash App Racing Bull), há que mencionar a recente introdução do Black Bay Chrono ‘Carbon 26’ em fibra de carbono ultraleve.

O novíssimo cronógrafo Black Bay Chrono ‘Carbon 26’ | Foto: Tudor

Mas, no global, a Tudor não procurou reinventar-se em 2026 — em vez disso, afinou o seu discurso relativamente às linhas do seu catálogo. Curiosamente, e se em 2025 teve lançamentos contra a corrente com modelos Black Bay de 43mm, neste ano investiu sobretudo em tamanhos de 40mm para baixo. Como caso estilístico à parte (e único, por enquanto), o advento do Monarch abre uma nova frente mais elegante e histórica para a marca, enquanto a linha Black Bay continua a evoluir com inteligência e a Royal consolida a sua sofisticação.

O Monarch foi mesmo a estrela da companhia no Watches and Wonders | Foto: Miguel Seabra/Espiral do Tempo

Num panorama onde muitas companhias relojoeiras procuram impacto imediato e alarido mediático, a Tudor optou pela consistência e maturidade de produto. É uma abordagem estratégica menos ruidosa — mas particularmente eficaz… como tão bem tem demonstrando ao longo dos tempos a sua sister company Rolex.

Continue connosco: