Com a linha A.R.T., a Raymond Weil fez finalmente a sua entrada no universo do design integrado. Uma estreia aparentemente óbvia mas com muito que se lhe diga, especialmente no enquadramento do mercado atual.
Há lançamentos que representam uma simples expansão de catálogo e há lançamentos que constituem uma aposta estratégica. A nova linha A.R.T. pertence claramente à segunda categoria. Ao apresentar o seu primeiro relógio de design integrado propriamente dito, a Raymond Weil entra finalmente num dos segmentos mais competitivos e desejados da relojoaria contemporânea — mas fá-lo de uma forma surpreendentemente ponderada, após ter tomado o seu tempo. E, em vez de procurar uma rutura estética radical ou uma provocação conceptual, a optou por uma abordagem coerente com a sua identidade: propor um relógio elegante, bem executado, de inspiração contemporânea e acessível no preço.

O lançamento assume um significado ainda mais especial porque, sendo inédito, coincide com o cinquentenário da Raymond Weil. Desde a fundação da empresa em 1976, em plena crise do quartzo, que a marca genebrina construiu a sua reputação com base numa relojoaria suíça acessível e relativamente clássica. Mesmo nos últimos anos, quando conquistou simpatia especial junto dos aficionados através de coleções como a Millesime ou a Toccata Heritage e as edições limitadas seconde/seconde/ e The Fifty, continuava ausente do território dos relógios-bracelete sport chic.

A linha A.R.T. vem preencher essa lacuna e constitui, simultaneamente, uma das mais importantes evoluções do catálogo da marca no presente milénio. A própria Raymond Weil apresenta-a como o seu primeiro relógio de bracelete integrada, assumindo que é um marco histórico nas cinco décadas de vida da maison familiar independente.
1. Formas
A arquitetura do A.R.T. revela um cuidado assinalável. A caixa evita a agressividade angular que domina muitos concorrentes do segmento e privilegia superfícies fluidas, curvas controladas e chanfraduras polidas. A luneta circular, pontuada por discretos recortes exteriores às 3, 6, 9 e 12 horas, cria uma identidade visual própria sem recorrer aos parafusos expostos ou às soluções mais óbvias associadas aos grandes ícones dos anos 70.

A bracelete integrada composta por elos em H prolonga naturalmente as linhas da caixa, com elos intermédios subtilmente chanfrados que acrescentam profundidade visual e elevam a perceção de qualidade. E é esse o desiderato da Raymond Weil: um nível de acabamento da caixa e da bracelete que revela uma ambição superior ao seu segmento de preço.

A coleção divide-se em duas famílias distintas. O modelo principal mede 38mm de diâmetro e apenas 9,95mm de espessura, dimensões que refletem uma das tendências mais importantes da relojoaria atual: o regresso a proporções mais equilibradas e versáteis. Em vez de seguir a tendência dos relógios integrados que andam maioritariamente à volta dos 40 ou 41mm, a Raymond Weil optou descartar esse diâmetro e ir diretamente para um tamanho que muitos colecionadores consideram atualmente ideal para utilização quotidiana.

Paralelamente, existe uma versão de 30 milímetros, com apenas 7,5mm de espessura, destinada a um público mais feminino que privilegia elegância, conforto e discrição.
2. Materiais
A oferta de materiais mantém-se relativamente simples, mas inteligente e coadunada com o que a marca genebrina costuma proporcionar.

Existem versões integralmente em aço inoxidável e variantes bicolores que combinam aço com elementos plaqué de tonalidade dourada na luneta, coroa e bracelete. Essa escolha permite à coleção cobrir dois universos estéticos distintos: um mais contemporâneo e desportivo, outro mais próximo da tradição relojoeira clássica bicolor inspirada nos primeiros anos da marca (entre a década de 70 e 80).

Através das opções bicolores e mais joalheiras (com brilhantes na luneta e/ou nos índices da horas), a Raymond Weil evita o risco de apresentar uma linha excessivamente homogénea, oferecendo alternativas suficientemente diferenciadas sem comprometer a identidade global da coleção.
3. Mostradores
Os mostradores constituem outro dos pontos fortes da linha A.R.T., que para já só inclui modelos de três ponteiros e data. Nas variantes automáticas de 38 milímetros encontramos três tonalidades principais: azul metálico, graphite e sage grey. O tratamento em dois níveis — centro com acabamento soleil e escala periférica azurée — cria profundidade visual e uma riqueza de reflexos pouco comum nesta faixa de preço.

As versões de 30 milímetros expandem significativamente a oferta cromática, incluindo mostradores brancos em madrepérola, variantes com diamantes e opção em verde-sálvia.

No total, a coleção apresenta cinco diferentes tonalidades de mostrador numa diversidade de configurações suficientemente ampla para responder a gostos muito diferentes sem perder coerência estética.
4. Movimentos
A componente mecânica foi abordada de forma pragmática. Os cinco modelos de 38mm utilizam o conhecido Sellita SW200-1 automático, um movimento que opera a 28.800 alternâncias por hora e oferece aproximadamente 41 horas de reserva de marcha. Trata-se de um calibre robusto, amplamente testado e fácil de manter proporcionado por uma empresa fabricante que tem uma parceria íntima com a Raymond Weil.

Já as nove referências de 30mm recorrem a movimentos de quartzo suíços, uma escolha que permite uma espessura particularmente reduzida e preços competitivos. A dualidade de motorização acaba por se revelar uma decisão sensata, tendo em conta o posicionamento da marca: a Raymond Weil não tentou impor uma solução única, mas adaptou a mecânica à utilização prevista para cada segmento da coleção.
5. Referências
Resumindo o anteriormente dito, a linha A.R.T. compreende catorze referências: cinco automáticas de 38mm e nove versões de quartzo com 30mm.

Os modelos automáticos situam-se entre 1.795 CHF e 1.895 CHF, um posicionamento extremamente competitivo para um relógio suíço de bracelete integrada com o nível de execução apresentado.

Os preços começam nos 1.395 CHF para algumas referências de quartzo e atingem 2.695 CHF nas variantes mais elaboradas com madrepérola e diamantes.
Considerandos
A questão inevitável associada ao lançamento do A.R.T. é o seu posicionamento face à concorrência. Naturalmente, há quem procure compará-lo à ‘Santíssima Trindade’ formada pelo Royal Oak, Nautilus e Overseas, mas essa comparação pouco sentido faz. O verdadeiro campo de batalha situa-se no segmento de modelos como o Tissot PRX, o Christopher Ward The Twelve, o Nivada Grenchen F77, o Maurice Lacroix Aikon ou o Baume & Mercier Riviera.

É nesse contexto que a proposta da Raymond Weil ganha interesse. Enquanto muitos concorrentes apostam numa linguagem mais agressiva ou numa aproximação demasiado evidente aos grandes ícones dos anos 70, a A.R.T. procura um equilíbrio mais elegante e menos ostensivo.

Várias leituras coincidem num ponto que até pode trazer à baila os principais ícones de design integrado da década de 70: o A.R.T. sugere mais a sofisticação fluida de um Nautilus do que a agressividade geométrica de um Royal Oak, sem copiar nenhum deles. À primeira vista, até dá ares do Ingenieur da IWC, mas um olhar mais atento encontra suficientes aspetos diferenciadores. O que se deve considerar é que o A.R.T. faz parte de uma tipologia bem definida de relógios sport chic com design integrado na qual os muitos modelos integrantes são aparentados. Trata-se de um género cujos elementos têm maiores ou menores índices de familiaridade, pertencendo todos à mesma árvore genealógica.

O maior desafio da linha A.R.T. poderá nem estar no produto e na sua estética relativamente a outras emblemáticas execuções da tipologia, mas no mercado. O segmento dos relógios de bracelete integrada encontra-se atualmente saturado, com propostas interessantes em praticamente todas as fasquias de preço. Contudo, a Raymond Weil parece ter identificado um espaço ainda disponível: o de um relógio integrado verdadeiramente bem proporcionado, com acabamento acima da média, dimensões mais ao gosto atual dos aficionados exigentes e um preço acessível.

Elie Bernheim, CEO da Raymond Weil, diz que «com a linha A.R.T., procurámos criar um relógio que refletisse os estilos de vida contemporâneos, um relógio que acompanhasse naturalmente cada momento do dia, sem nunca abdicar da elegância e da perícia relojoeira que fazem parte da identidade da Raymond Weil». Ou seja, com o A.R.T. não procura reinventar a tipologia; procura demonstrar que ainda há lugar para uma interpretação madura, equilibrada e credível do conceito. E talvez seja precisamente essa ausência de exagero que constitui a sua maior qualidade.
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