Seleção: meia dúzia de cronógrafos e uma obra-prima

O cronógrafo continua a ser a variante mecânica mais popular e a semana do Watches and Wonders deu a conhecer alguns exercícios de estilo particularmente interessantes. Aqui fica uma seleção de seis, com uma obra-prima adicional revisitada e uma lista de menções honrosas.

Como não podia deixar de ser, e à semelhança do que sucedeu em 2025, viram-se cronógrafos interessantes no Watches and Wonders. Afinal de contas, trata-se da complicação mecânica mais popular da relojoaria contemporânea. E, numa atualidade estilisticamente dominada pela febre integrada do luxury sports watch (Royal Oak, Nautilus, Overseas e todas as variações da tipologia adotadas por praticamente todas as marcas), o cronógrafo mantém-se como território primordial de expressão técnica e estética. Isso viu-se claramente em Genebra; houve cronógrafos vintage/revival, cronógrafos conceptuais, cronógrafos complicados, cronógrafos minimalistas e até cronógrafos que serviram como plataforma para reposicionamento de marca.

Rolex Oyster Perpetual Cosmograph Daytona
A Rolex apresentou um novo Daytona em Rolesium (aço e platina) e com fundo transparente | Fotos: Rolex

Mas o mais interessante foi a diversidade filosófica das propostas apresentadas. Algumas marcas apostaram fortemente na herança histórica, outras tentaram reinterpretar ícones contemporâneos e ainda houve as que procuraram afirmar legitimidade através de movimentos de maior complexidade. O resultado foi um dos melhores anos recentes para o género cronográfico. E embora muitos modelos merecessem destaque, houve alguns lançamentos que resumiram particularmente bem o espírito do salão. Aqui ficam, entre destaques individuais e coletivos, cinco protagonistas — acrescidos de uma obra-prima que experimentámos fora da Palexpo e ainda de algumas menções honrosas.

1. Parmigiani Fleurier Tonda PF Chronographe Mysterieux

O cronógrafo conceptualmente mais revolucionário no Watches and Wonders foi o novo Tonda PF Chronographe Mysterieux da Parmigiani Fleurier (que também apresentou algumas versões cronográficas do Toric). E é particularmente impressionante constatar que a revolução não surgiu através de qualquer excesso visual, esqueletização artística ou acumulação de complicações… surgiu através da invisibilidade! A Parmigiani continua a desenvolver uma linguagem profundamente distinta na relojoaria contemporânea — baseada em contenção, refinamento e inteligência — e voltou a surpreender com uma engenhosa solução mecânica integrada na linha Tonda PF.

pormenor de um cronógrafo do Watches-and-Wonders Parmigiani Tonda PF Chrono Mysterieux
Com a função cronográfica ativa, os ponteiros cronográficos das horas e dos minutos saem de baixo dos outros ponteiros | Foto: Parmigiani Fleurier

O Chronographe Mysterieux representa uma nova evolução da ideia de ‘complicação invisível’ que a marca já tinha explorado com o GMT Rattrapante e o Minute Rattrapante. Em ‘repouso’, o relógio parece quase um simples três ponteiros elegantíssimo: ou seja, os cinco ponteiros de eixo central encontram-se perfeitamente sobrepostos e os da função cronográfica desaparecem visualmente no mostrador Mineral Blue granulado. Só quando o monopusher é acionado é que o cronógrafo ‘aparece’, revelando gradualmente as suas indicações de segundos, minutos e horas. Quando o cronógrafo é novamente parado e metido a zero, tudo regressa ao silêncio visual inicial. É um conceito quase poético!

pormenor de um cronógrafo de mostrador azul picotado do Watches-and-Wonders Parmigiani Tonda PF Chrono Mysterieux
O Tonda PF Chrono Mysterieux com os seus ponteiros cronográficos ‘escondidos’ por baixo dos ponteiros principais | Foto: Parmigiani Fleurier

Tecnicamente, as soluções encontradas são fascinantes. O novo Calibre PF053 de corda automática utiliza uma arquitetura extremamente complexa, baseada em cinco ponteiros coaxiais e um sistema de tripla embraiagem concebido especificamente para permitir esse desaparecimento visual das funções cronográficas. A caixa em platina 950 mede 40mm, surgindo combinada com uma luneta serrilhada também em platina e um mostrador azul mineral texturado de enorme subtileza cromática. A reserva de corda é de 60 horas e a frequência fixa-se nos 4Hz.

no pulso um cronógrafo do Watches-and-Wonders Parmigiani Tonda PF Chrono Mysterieux
Cinco ponteiros de eixo central Tonda PF Chrono Mysterieux | Foto: Parmigiani Fleurier

Mais importante ainda é aquilo que o relógio representa filosoficamente. Num período em que boa parte da relojoaria contemporânea parece obcecada com um permanente espetáculo mecânico — mostradores abertos, turbilhões sobredimensionados, cores vivas e impressionismo visual — a Parmigiani tem proposto precisamente o contrário: complicações de elevada qualidade que se escondem em vez de se exibir. É quase uma relojoaria anti-Instagram! E isso só a torna mais sedutora no plano intelectual… com um preço bem real: 99.600 CHF, aproximadamente 105.000 euros. A edição está limitada a somente 30 exemplares em platina e integra a chamada ‘Platinum Anniversary Trilogy’ criada para o 30.º aniversário da manufatura.

2. Hublot Big Bang Reloaded

Apesar do seu visual decididamente moderno, os novos Big Bang Reloaded podem ser apresentados quase como retromodernos — um ano após a celebração do 20.º aniversário do Big Bang, os modelos apresentados no Watches and Wonders revisitam diretamente as primeiras gerações do Big Bang dos anos 2000, período em que Jean-Claude Biver transformou a Hublot num fenómeno global quasi-cultural.

no pulso um cronógrafo do Watches-and-Wonders Hublot Big bang Reloaded | Foto: Miguel Seabra/Espiral do Tempo
No pulso: o Big Bang Reloaded da Hublot na variante Dark Green Ceramic | Foto: Miguel Seabra/Espiral do Tempo

A família inclui várias referências distintas: Big Bang Reloaded Red Magic, Big Bang Reloaded All Black, Big Bang Reloaded Gold Ceramic, Big Bang Reloaded Dark Green Ceramic e Big Bang Reloaded Titanium Ceramic (para além das edições limitadas dedicadas aos embaixadores Kylian Mbappé e Usain Bolt). Um quinteto que reinterpreta códigos visuais clássicos do conceito Big Bang inaugural — grandes caixas de 44 mm, construção multicamada, parafusos na luneta e contrastes inesperados de materiais — mas com acabamentos contemporâneos e movimentos atualizados. Para além de inspirações distintas que influíram na variada seleção de cores.

homem de óculos a apresentar relógios Hublot Big Bang Reloaded no Watches & Wonders 2026 tendências
Apresentação dos novos Hublot Big Bang Reloaded no Watches & Wonders | Foto: Miguel Seabra/Espiral do Tempo

Os quatro modelos utilizam o calibre cronográfico automático integrado Unico MHUB1280 com flyback, roda de colunas visível e cerca de 72 horas de reserva de marcha. A arquitetura esqueletizada reforça deliberadamente a teatralidade da série através do mostrador. Não há qualquer tentativa de subtileza, trata-se de uma relojoaria performativa assumida e bem à vista.

cinco cronógrafos do Watches-and-Wonders Hublot Big Bang Reloaded | Foto: Hublot
‘Cinco Violinos’: o quinteto Big Bang Reloaded | Foto: Hublot

Os novos Big Bang Reloaded vão no sentido contrário da tendência mais contida da relojoaria atual, o que mostra que a Hublot assume o seu papel disruptivo e não se importa de estar em contracorrente — ou seja, reforça a reputação que conquistou ao longo das duas últimas décadas. Os preços variam entre cerca de 25.000 CHF/26.300 euros para versões em cerâmica e mais de 40.000 CHF/42.000 euros para variantes em ouro e materiais especiais.

3. Zenith Chronomaster Sport Skeleton

A Zenith apresentou uma atualização relativamente discreta mas importante do seu Chronomaster Sport. Em vez de renovar estruturalmente o modelo, optou por expandir cuidadosamente a linguagem cromática da coleção com novos mostradores translúcidos (vidro fumé) acompanhados de luneta verde, preta ou em diamantes e totalizadores delineados pelas caraterísticas três cores distintas, mantendo intacta a arquitetura geral que tanto sucesso trouxe ao modelo desde o seu lançamento. E com uma adição de relevo na bracelete: o novo Zenclasp, dotado de microajuste.

Na mesa, os novos cronógrafos do Watches-and-Wonders Zenith Chronomaster Sport Skeleton
Para todos os gostos: os novos cronógrafos Chronomaster Sport Skeleton | Foto: Zenith

A estratégia faz sentido porque o Chronomaster Sport continua a ser um dos cronógrafos desportivo mais equilibrados do mercado logo abaixo dos principais ícones da especialidade, com o Daytona à cabeça. Porque consegue combinar herança histórica legítima — o legado El Primero — com ergonomia moderna extremamente competente num conjunto particularmente sólido.

no pulso um cronógrafo do Watches-and-Wonders Zenith Chronomaster Sport Skeleton 3
A versão do Zenith Chronomaster Sport Skeleton com luneta verde | Foto: Miguel Seabra/Espiral do Tempo

Todos os novos modelos continuam a ser motorizados pelo excelente Calibre El Primero 3600 de corda automática e elevada frequência (36.000 alternâncias/hora, ou 5 Hz) que permite a leitura de décimos de segundo através do ponteiro central do cronógrafo. A reserva de carga mantém-se nas 60 horas. Tecnicamente, e com raízes no mítico El Primero de 1969, o El Primero 3600 destaca-se como um dos movimentos cronográficos automáticos mais performantes do mercado.

Zenith Chronomaster Sport Skeleton
A versão em ouro com bracelete em cauchu do Chronomaster Sport Skeleton | Fotos: Zenith

Os preços começam perto dos 11.400 CHF/12.000 EUR em aço. E é aí que reside a força da histórica manufatura de Le Locle: oferecer legitimidade histórica e qualidade mecânica séria sem entrar na absurda inflação aspiracional de certas marcas concorrentes.

4. Raymond Weil ‘The Fifty’

Entre as novidades apresentadas pela Raymond Weil no Watches and Wonders, nenhuma agradou tanto aos aficionados como o Millesime ‘The Fifty’ Limited Edition. E a surpresa não teve a ver com exuberância estética ou marketing agressivo; teve antes a ver com a celebração de meio século de vida e legitimidade relojoeira. Trata-se de um cronógrafo mais orientado para colecionadores mecânicos exigentes — não apenas enquanto exercício neo-vintage, mas como objeto historicamente enraizado na própria fundação da marca genebrina.

relógio de perfil na mesa: o comemorativo Raymond Weil The Fifty Chronograph com 37mm de diâmetro
O comemorativo ‘The Fifty’ com 37mm de diâmetro e luneta em ouro branco | Foto: Raymond Weil

O nome ‘The Fifty’ refere-se ao 50.º aniversário da Raymond Weil, fundada em 1976. E precisamente por isso a marca tomou a decisão de, em vez de utilizar um calibre contemporâneo industrial, recuperar autênticos Valjoux 23 produzidos precisamente em 1976 — restaurando-os e retrabalhando-os individualmente para a edição comemorativa. E isso alterou completamente a natureza do relógio. Se o Millesime Chronograph normal apresenta 39mm de diâmetro, o ‘The Fifty’ tem 37mm para respeitar o menor diâmetro do calibre utilizado. Ou seja, não é apenas um revival estilístico; é um verdadeiro elo mecânico com o período histórico da fundação da marca.

fotografia de relógio no pulso: o novo Raymond Weil The Fifty Chronograph | Foto: Miguel Seabra/Espiral do Tempo
O Raymond Weil ‘The Fifty’ assenta no pulso que nem uma luva | Foto: Miguel Seabra/Espiral do Tempo

O relógio apresenta uma elegante caixa em aço com luneta em ouro branco (noblesse oblige) e uma linguagem estética profundamente inspirada no ADN da linha Millesime (sector dial, crosshair no mostrador) e nos cronógrafos das décadas de 1940 e 1950. O mostrador prateado, os totalizadores bi-compax ligeiramente rebaixados e a escala taquimétrica periférica revelam um sofisticado trabalho de proporções e um visual clássico. Em vez da agressividade desportiva de cronógrafos vintage tipo Heuer ou Zenith, o ‘The Fifty’ aposta numa elegância monocromática quase académica.

foto de relógio de frente e do verso com calibre à mostra: o comemorativo Raymond Weil The Fifty Chronograph com 37mm de diâmetro
O primeiro Millesime de corda manual alberga o histórico movimento cronográfico Valjoux 23 atualizado | Foto: Raymond Weil

O histórico movimento cronográfico Valjoux 23-6 de corda manual, com roda de colunas e frequência de 21.600 alternâncias por hora, apresenta uma autonomia reforçada de 48 horas. Cada um dos movimentos utilizados foi completamente desmontado, restaurado e reajustado antes de ser integrado na série limitada. Um detalhe relevante que transforma cada exemplar numa pequena cápsula temporal mecânica genuína, e não apenas numa recriação contemporânea artificialmente envelhecida.

em exibição um cronógrafo do Watches-and-Wonders Raymond Weil Millesime Chronograph | Foto: Miguel Seabra/Espiral do Tempo
Vislumbre: o Raymond Weil Millesime Chronograph inspirado no ‘The Fifty’ | Foto: Miguel Seabra/Espiral do Tempo

A série é limitada a apenas 50 exemplares — um por cada ano da marca — e o preço para a Europa situa-se em aproximadamente 9.990 euros. Uma soma substancialmente superior às que a Raymond Weil habitualmente pratica, mas também corresponde a um posicionamento específico: não se trata de um cronógrafo acessível de inspiração casual, mas antes uma edição comemorativa genuinamente colecionável e mecanicamente muito mais significativa. Um importante senão: a edição já esgotou. Outro dado importante: serviu de inspiração a um cronógrafo Millesime de 39mm de mostrador Panda que vislumbrámos em exposição e que irá integrar a coleção regular num futuro próximo.

5. TAG Heuer Monaco

A TAG Heuer levou particularmente a sério a renovação do Monaco em 2026 — porventura a renovação estruturalmente mais importante desde o seu relançamento, em 1997. Desde então houve interessantes declinações tanto no plano mecânico como estético e por volta de 2009 houve a importante adoção do vidro de safira, mas as atualizações incidem sobre a emblemática arquitetura da caixa e sobre os movimentos usados nas duas famílias distintas que foram introduzidas no catálogo: os novos Monaco Evergraph e os Monaco Chronograph convencionais aperfeiçoados.

no pulso um cronógrafo do Watches-and-Wonders TAG Heuer Monaco Evergraph | Foto: Miguel Seabra/Espiral do Tempo
O novo Monaco Evergraph está dotado de um movimento cronográfico revolucionário | Foto: Miguel Seabra/Espiral do Tempo

Os Monaco Evergraph representam a vertente mais técnica e experimental. Utilizam uma nova caixa modular com melhor integração ergonómica e resistência acrescida, além do novo calibre automático TH-Evergraph 01 — um movimento cronográfico integrado desenvolvido por Carole Forrestier-Kasapi em parceria com a Vaucher e equipado com um escape próprio de silício de elevada eficiência energética. A reserva de marcha sobe para cerca de 80 horas. Tecnicamente, trata-se de um desenvolvimento revolucionário. Visualmente, os Evergraph assumem uma estética mais angular e futurista.

na mesa um cronógrafo do Watches-and-Wonders TAG Heuer Monaco | Foto: Miguel Seabra/Espiral do Tempo| Foto: Miguel Seabra/Espiral do Tempo
O perfil mais ergonómico da nova geração do Monaco | Foto: Foto: Miguel Seabra/Espiral do Tempo

Já os Monaco Chronograph ‘normais”’mantêm um posicionamento mais diretamente ligado ao legado histórico do Monaco dito ‘Steve McQueen’. Utilizam variantes atualizadas e de configuração bicompax pura do Calibre Heuer 02 (ou seja, sem o nefasto ponteiro ‘fantasma’ dos pequenos segundos às 6 horas), também com uma arquitetura de caixa refinada: a ergonomia foi significativamente melhorada face à geração anterior. Os mostradores azul Gulf, preto reverso e prata panda foram particularmente apreciados pelos Heueristas.

no pulso um cronógrafo do Watches-and-Wonders na mesa um cronógrafo do Watches-and-Wonders TAG Heuer Monaco | Foto: Miguel Seabra/Espiral do Tempo
O novo Monaco na sua versão histórica ‘Steve mcQueen’ | Foto: Miguel Seabra/Espiral do Tempo

Com os novos Monaco, a TAG Heuer parece ter encontrado um equilíbrio muito interessante entre nostalgia histórica e modernização técnica. Os preços começam perto dos 8.900 CHF/9.300 EUR para os Monaco Chronograph tradicionais e atingem os 14.000 CHF/14.700 EUR nos Monaco Evergraph. Valores significativos, mas diretamente ligados ao rendimento dos movimentos de manufatura utilizados.

6. Bremont Altitude Pulsograph

A Bremont continua em fase de reconstrução identitária após a revolução estética introduzida por Davide Cerrato em 2023, e houve dois cronógrafos lançados no Watches and Wonders que simbolizam bem essa transformação. Já mencionamos um no artigo dedicado às tendências, não só devido à inspiração espacial (o Supernova Chronograph que foi feito para ir à lua e por lá ficar) mas também à sua luminescência (num espetacular padrão luminoso); o outro é bem mais clássico e retrocede no tempo muito para além da fundação da marca britânica. Em vez da linguagem militar mais típica da Bremont, o Altitude Chronograph Pulsograph Valjoux 23 apresenta uma abordagem mais elegante e rétro-inspirada.

um cronógrafo em tons castanhos do Watches-and-Wonders Bremont Altitude Pulsograph Valjoux 23
Os tons acastanhados do Altitude Pulsograph Valjoux 23 | Foto: Bremont

Trata-se de um relógio que homenageia diretamente os cronógrafos médicos dos anos 40 e 50 através de uma belíssima escala pulsométrica azul aplicada sobre mostrador creme/salmão texturado. A caixa em aço de 40mm apresenta proporções mais contidas do que as habituais caixas mais robustas da Bremont, aproximando-se muito mais dos cânones suíços. O movimento utilizado não é um movimento moderno Bremont, Sellita ou modular contemporâneo… é um Valjoux 23 histórico de corda manual, com roda de colunas. Sim, o mesmo calibre histórico adotado no já mencionado Raymond Weil ‘The Fifty’.

calibre de cronógrafo do Watches-and-Wonders Bremont Altitude Pulsograph Valjoux 23
O histórico Calibre Valjoux 23 foi inteiramente reformulado para o Altitude Pulsograph | Foto: Bremont

E não se trata de um Valjoux 23 moderno reeditado; a Bremont foi buscar autênticos movimentos New Old Stock produzidos historicamente pela Valjoux e restaurou-os individualmente em colaboração com a Chronode de Jean-François Mojon. Apresentam uma arquitetura integrada clássica com a célebre ponte em ‘Y’ típica do Valjoux 23, roda de colunas, frequência de 18.000 alternâncias/hora (2,5 Hz) e aproximadamente 48 horas de reserva de marcha. O Valjoux 23 é um dos cronógrafos históricos mais respeitados do século XX, tendo sido produzido entre as décadas de 1910 e 1970. É particularmente apreciado pela suavidade do acionamento da roda de colunas e pela elegância da sua mecânica.

O ‘outro’ cronógrafo de destaque da marca britânica no Watches and Wonders: o Supernova Chronograph | Foto: Bremont

Talvez ainda mais importante seja aquilo que o Pulsograph simboliza: a tentativa séria da Bremont de sacudir a reputação British Military e entrar num território mais sofisticado de relojoaria neo-vintage contemporânea. O preço ronda os 6.500 CHF/6.900 EUR.

A obra-prima e menções honrosas

Para além da meia-dúzia selecionada e até fora da Palexpo onde se realizou o Watches and Wonders, o cronógrafo mais reverenciado em Genebra foi o Chronograph Flyback de Rexhep Rexhepi — apresentado algumas semanas antes e por nós já escalpelizado. Mas aproveitámos a oportunidade para juntar wristshots próprios tirados na sede da Akrivia e confirmar a sua relevância, tendo em conta que muito provavelmente será o cronógrafo do ano (senão mesmo relógio do ano).

no pulso um cronógrafo do Watches-and-Wonders Rexhep Rexhepi Chronograph Flyback | Foto: Miguel Seabra/Espiral do Tempo
Parece feito à medida: a excelente ‘vestibilidade’ do Rexhep Rexhepi Chronograph Flyback na versão em platina | Foto: Miguel Seabra/Espiral do Tempo

O RRCF utiliza um extraordinário calibre flyback de carga manual completamente desenvolvido in-house, com arquitetura clássica inspirada nos grandes cronógrafos suíços de meados do século XX. A construção do movimento é quase obscenamente bela (sim, existe a expressão watch porn!): pontes anguladas à mão, acabamentos polidos de reflexo negro, componentes interiores chanfrados e uma organização visual de rara harmonia. Mas o que realmente impressiona é o equilíbrio entre tradição e personalidade. Muitos independentes contemporâneos caem na tentação da excentricidade visual; Rexhep Rexhepi faz o contrário: o Chronograph Flyback parece quase intemporal, como se sempre tivesse existido.

na mesa um cronógrafo do Watches-and-Wonders Rexhep Rexhepi Chronograph Flyback | Foto: Miguel Seabra/Espiral do Tempo
A versão em ouro rosa e mostrador preto do Rexhep Rexhepi Chronograph Flyback | Foto: Miguel Seabra/Espiral do Tempo

Naturalmente, trata-se também de um relógio praticamente inacessível ao comum dos mortais. Custa cerca de 194.000 euros, mas esse nem é o problema maior; a produção é tão restrita e a lista de pretendentes tão grande que está ao alcance de muito poucos com histórico de compras na marca. E concluímos com a menção a alguns modelos um pouco mais acessíveis, começando por uma animada nova versão do premiado Moonshot Chronograph Compax da anglo-portuguesa Isotope (que mostrou as suas novidades no Hotel Beau Rivage pela primeira vez) e juntando menções honrosas a outros cronógrafos apresentados na Palexpo.

um cronógrafo em tons azul e laranja da semana do Watches-and-Wonders Isotope Chronograph Compax Horizon
Summer vibes: o novo Chronograph Compax Horizon | Foto: Isotope
no pulso um cronógrafo do Watches-and-Wonders Pilot's Chronograph Le Petit Prince | Foto: Miguel Seabra/Espiral do Tempo
Ninguém faz relógios brancos como a IWC: o Pilot’s Watch Chronograph 41 Le Petit Prince | Foto: Miguel Seabra/Espiral do Tempo
no pulso um cronógrafo do Watches-and-Wonders Chopard Mille Miglia | Foto: Miguel Seabra/Espiral do Tempo
Aço ‘brunito’ no cronógrafo Mille Miglia da Chopard dedicado a Stirling Moss | Foto: Miguel Seabra/Espiral do Tempo
no pulso um cronógrafo do Watches-and-Wonders Gerald Charles Maestro GC Chronograph | Foto: Miguel Seabra/Espiral do Tempo
O Gerald Charles Maestro GC Chronograph de mostrador inspirado nos courts de terra batida | Foto: Miguel Seabra/Espiral do Tempo
no pulso um cronógrafo do Watches-and-Wonders Pequignet Royale Paris Chrono | Foto: Miguel Seabra/Espiral do Tempo
O surpreendente mostrador gradiente do Royale Paris Chrono da Pequignet | Foto: Miguel Seabra/Espiral do Tempo

E entre os outros exercícios cronográficos dignos de registo no Watches and Wonders estão forçosamente o renovado Rolex Yacht-Master II de contagem decrescente (já escalpelizado no artigo que publicámos sobre as novidades da marca), as propostas da Patek Philippe (a dissecar em breve), o IWC Pilot’s Watch Chronograph 41 Le Petit Prince em cerâmica branca, o Chopard Mille Miglia Classic Chronograph Tribute to Sir Stirling Moss (limitado a 70 exemplares para assinalar o 70.º aniversário da histórica vitória de 1955), o Gerald Charles Maestro GC Chronograph (com mostrador de terra batida dedicado ao ténis), o Pequignet Royale Paris Chrono, a dupla de cronógrafos Enjoy Life 2026 da Norqain e ainda novas interpretações do Streamliner Flyback Chronograph da H. Moser & Cie com movimento de base AgenGraphe.

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